Make a wish - aokaga story
1 Aomine.
Era a quinta vez que interceptava aquele pensamento, estava enlouquecendo, tinha certeza. Houvera testado praticar algo que em nada lembrava-o daquele que não pode ser nomeado, mas falhara dramaticamente. Só conseguia imaginar o que aconteceria se ele estivesse ali, naquela posição, com aqueles olhos. Precisava de tratamento, urgente.
Aomine estava deitado em sua cama encarando o teto do quarto quando Satsuki adentrara ao recinto, fazia dias que notara a mudança no comportamento do moreno, mas sabia que em nada adiantaria confrontá-lo. Sentou-se na cadeira disposta para escrivaninha, — onde tecnicamente o moreno deveria restar realizando suas tarefas escolares – e ficou encarando-o, esperaria ele tocar no assunto, mesmo que estivesse se corroendo de curiosidade. -Pare de me olhar assim, eu estou bem, já lhe disse. — Não se incomodou em observá-la, se o tivesse feito teria vislumbrado a rosada revirar os olhos para tamanha mentira.
—Dai-Chan tem certeza de que não quer ir comigo e Tetsu-Kun ao tanabata deste ano? Ainda dá tempo de escrever. Nós vamos pendurar juntos no parque aqui perto... — A menina falara tudo de uma só vez, estava corada tanto quanto seu cabelo, ainda era recente o contato que tinha com Kuroko, não eram namorados, mas estavam se conhecendo. Aomine voltara sua atenção para a moça, não estava no clima para o festival. Não tinha clima para nada durante aqueles últimos dias, não enquanto permanecesse tendo aqueles pensamentos estranhos. -Será algo simples, só nós e talvez Kagami-Kun, ele ainda ficou de confirmar... Será divertido, você não precisa ir a caráter se não quiser. Dai-Chan precisa sair um pouco.
Maldito. Fora o único pensamento que tivera. -Prefiro ficar dormindo. — Mesmo quando não desejava, o universo fazia questão de esfregar em sua cara. Forçou o melhor sorriso que tinha e tentou tranquilizar a amiga. Não era muito chegado a tais demonstrações, mas apreciava a amizade da garota e a relação que mantinham ao longo dos anos. -Estou bem, vou ficar em casa, preciso estudar ou então me cortarão do time. — Apontou para a pilha de papéis atrás da garota. -Aproveite com o seu namorado. — Piscou para a amiga que mais parecia um pimentão e riu quando essa o acertou com uma almofada.
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Agora sozinho, tentava se concentrar em uma das inúmeras páginas de exercício que precisava completar. Seu cérebro dava um nó com todas aquelas equações, sempre fora uma negação em cálculo. Seus professores eram testemunha disso, não havia jeito, não tinha vocação para a academia. Não gostava de história, achava uma perda de tempo estudar sobre coisas que já aconteceram sendo que a atualidade era bem mais interessante. Biologia era confuso, muitos ciclos, muitos nomes parecidos. Briófitas e Pteridófitas, a mesma história de sempre, precisam ou não precisam de água para a reprodução? Os seus gametas são visíveis? São de pequeno ou grande porte? CHATO! Tudo muito chato. Línguas nem se fala, não tinha a menor paciência para aprender inglês, e nunca entenderia o sentido de estudar uma língua da qual já aprendera a falar. Aomine gostava mesmo era de basquete.
Gostava de tudo que se relacionasse ao esporte. Adorava passar seu tempo lendo revistas esportivas ou assistindo os jogos dos campeonatos nacionais e internacionais, os caras eram fodas naquele universo. Torcia para os Celtics e por consequência sua maior inspiração vinha de Bill Russel, se encantara com a técnica do pivô onze vezes campeão da liga mais famosa do mundo, não atoa decidiu transformar-se em invencível. Conseguiu o feito durante um bom tempo, mas descuidou-se e então acabou sendo derrotado por aquele fã mequetrefe dos Los Angeles Lakers. E lá estava o azulado novamente lembrando daquele que não deve ser nomeado. Não fazia ideia de quanto tempo gastara pensando naquele infeliz, mas estava a semanas refletindo sobre tudo e com medo das conclusões que chegara. Deveria ser um engano e desejava mesmo que fosse; como frisado anteriormente, não era um intelectual, poderia muito bem ter interpretado as coisas de maneira errônea.
Por um lado, tinha medo de tudo aquilo, não sabia qual seria a reação de seus pais, de seus amigos, dele. Não tinha certeza nem da própria reação! Já estava aterrorizado com a mera suposição. Em contrapartida ainda tinha uma pontada de curiosidade para descobrir o gosto dos lábios ou o calor da mão dele sob a sua. Relampejos de desejos como esses ainda o assustavam, sua imaginação era realmente fértil e totalmente desavisada da realidade. Não tinha a menor chance daquela situação se concretizar, mas sonhar nunca era demais. Memorou a primeira vez que aquelas ideias interceptaram sua mente, quase teve uma síncope durante o jogo que disputava. Sim, até nisso o ruivo lhe perturbava. Jogava contra Kaijo, a escola do loiro irritante, com um placar favorável para si quando durante o intervalo Kise aproximou-se dizendo que entraria no próximo tempo e o derrotaria, por ter aprendido as jogadas de “Kagamicchi” durante umas aulas particulares. Sentira uma veia pulsar em sua testa, quis voar na garganta do loiro. Gritou para ele e para todos que estivessem próximos que ninguém o derrotaria de novo. Naquele momento tentava afirmar para si que toda aquela explosão se devia a audácia do loiro em tentar derrotá-lo, mas depois quando questionado pela amiga sobre a breve desavença, fora feito de chacota pela rosada que insinuou uma crise de ciúmes. Se segurou para não ofender a garota, onde já se vira ele Aomine Daiki, com ciúmes, e ciúmes de um garoto?! Pior, ciúmes por Kagami Taiga! Sua amiga de infância deveria estar apenas brincando com sua cara.
Bom, fora isso que acontecera, nada muito relevante aos olhos alheios. Mas nos dias que sucederam a partida ficou refletindo sobre a fala de Kise e da intimidade que ele parecia ter desenvolvido com o ruivo, e que diabos eram aquelas aulas particulares afinal? Achava-o irritante, mas não acreditava que o outro fosse tão ruim no esporte ao ponto de precisar de lições particulares. Ficou fantasiando sobre aquilo por dias a fio, sobre o que conversavam durante as aulas, o que faziam, qual a metodologia do avermelhado e principalmente onde se encontravam. Tentava repassar em sua mente possíveis encontros entre os dois, mas queria saber como o Kagami encontrava tempo para ensinar o loiro se quando não estava na escola ou treinando durante a tarde, estava com o próprio Daiki disputando um jogo informal. Seriam essas aulas a razão do outro ter cancelado três de seus encontros no Maiji Burger a duas semanas atrás? Estava paranoico e tudo só piorou quando questionou o tigre e este desconversou, provocando-o dizendo que aquilo parecia ciúme. Ficou com raiva, não nutria tal coisa por aquele desmiolado, nem nos melhores sonhos dele! Apesar de ainda existir uma curiosidade gigantesca de sua parte, não tocou mais no assunto com o ruivo, se contorceu tanto com aquela história e com os maldizeres por parte do ruivo, que até mesmo para Kuroko perguntou! O que não adiantou de muito, pois o menor apenas o rebateu com uma outra questão; qual era o interesse de Daiki no tempo livre de sua luz atual? Satsuki sabia a resposta e lhe apontou novamente o ciúme como culpado.
Cansado de tudo aquilo começara a pesquisar o tal sentimento, para poder esfregar na cara da amiga que ela estava enganada, mas ao passo em que lia os artigos e matérias mais se identificava. E tudo pareceu se confirmar quando viu Taiga de sorrisos para Himuro e de como aquele maldito não se esquivara dos toques que o de cabelos escuros dava em seu antebraço. Estava fervilhando e não tinha banho gelado que resolvesse. O tigre por sua vez parecia saber do seu estado, porque simplesmente tudo o que fazia semelhava-se a uma provocação, até mesmo o ato de levantar a barra da camiseta para secar o suor durante as partidas mano a mano que disputavam. Sua mente tinha se tornado um inferno e conhecia bem o diabo que lhe atormentava.
Sentiu o vibrar do aparelho eletrônico em sua perna avisando a chegada de uma nova notificação. Pegou o aparelho em mãos e mal conteve o sorriso quando viu o autor de tal despertar. Estava sendo convocado a aparecer na quadra de sempre, ao que parece o outro estava entediado e queria treinar. Pobre garoto, ainda tinha esperança de derrotá-lo. Se conteve, não responderia de imediato, não queria demonstrar que estava ansioso por um encontro entre os dois naquele dia monótono. Ficou pensando qual seria a reação dele se dissesse que não poderia ir, será que ele convidaria Kise para o seu lugar ou quem sabe Himuro? Que inferno, queria parar de pensar como uma adolescente apaixonada e insegura! Aquele papel definitivamente não cabia para si.
Encarava a aba da conversa com o ruivo aberta, incerto de como deveria prosseguir quando uma lufada de ar invadira o cômodo, levitando alguns tanakos deixados pela rosada que acabaram roubando sua atenção. Olhou para os pequenos papeizinhos coloridos e por um reflexo agarrou-os. Brincando com as folhas entre seus dedos quando ocorreu-lhe uma ideia, talvez participasse do festival.
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