Notas iniciais
Primeiramente quero me desculpar pelo atraso na divulgação do capítulo, porque houve demora até mesmo para executá-lo, pois para eu escrever, depende-se muito da minha inspiração, meu humor, minhas emoções, do sol, da chuva...enfim, a verdade é que escrever não é fácil, ter que fazer algo bom e lidar com o que há fora dos teclados (ou papéis, que seja) dá um belo de um trabalho e agradeço pela paciência, pois para mim não importa se não há mais de cem pessoas acompanhando meu trabalho, mas se sei que tem alguém, eu o farei de bom grado, pois os que leram o que postei foram os mesmos que me motivaram a postar este novo capítulo.

Ao clarear de mais um dia ordinariamente normal, levantei-me da minha cama, acordada pelo irritativo som de meu despertador. Após a ritualística ida ao banheiro, vou ao meu quarto e escolho minha roupa sem interesse nem rigor e logo me visto. Para finalizar o processo matutino, chego à cozinha para comer o bolo de laranja que eu adoro, até que vejo uma cena levemente desanimadora: a massa esbranquiçada do bolo estava estampada com uma mancha verde de bolor. Contentei-me em ingerir finas bolachas que pareciam ser feitas de água e sal, mas tudo bem, não era nada. Quando chegava à porta para enfim sair de casa, deparo-me com meu esquecimento e lembro que quase saio sem meu celular e volto para buscá-lo, afinal, não posso ficar incomunicável. Ao pegar o objeto, sua tela está iluminada, e logo no meio da tela aparece uma mensagem. É meu namorado. Não é um “bom dia” ou algum aviso de que esqueci algo; mas sim uma mensagem nua e crua de que o mesmo está terminando o relacionamento comigo. Não tive bolo, mas recebi este café da manhã, mas enfim, acontece, não é verdade? Respiro fundo, tento esvaziar minha mente e volto ao que estava fazendo antes, pois caso contrário posso perder meu compromisso. Ao descer as escadas e ir de encontro com a rua, sigo caminhando e tentando concentrar minha mente no que há ao meu redor, até ouvir ao vindo atrás de mim. Viro meu rosto na direção do som e ao olhar lá está um inocente cão de rua com a língua de fora e abanando levemente a cauda.

—Me desculpe, não tenho nada, dê meia volta. – Eu disse para o animal. Não que ele fosse entender, mas isso não importava e não hesitei em tentar espantá-lo. Mesmo com as tentativas de tentar fazê-lo ir embora, o cachorro prossegue me seguindo durante o trajeto e numa tentativa frustrada de despistá-lo, vou andando e sinto como se meu tornozelo fosse sair para fora do meu corpo e entro em queda livre com o chão. Bom, por pouco não torci o pé e tentei não pensar se alguém havia presenciado a cena. Também evitei pensar no fato de que o ônibus saíra a pouco tempo e que eu deveria arranjar outra forma de seguir meu caminho. Aliás, alguém deve pensar que estou atrasadíssima para o meu trabalho e provavelmente eu possa correr risco de demissão, como aconteceria em um filme talvez. Na verdade isto poderia ocorrer, se eu já não tivesse sido demitida antes. Estou mesmo é atrás de um novo emprego, ou pelo menos é nisso que quero acreditar; acho que apenas saí para buscar alguma motivação ou sentido na vida. Falando nisso, bela forma de começar o dia.

Parada na calçada sob os raios solares viajo em minha mente e começo a olhar para trás, especialmente para os acontecimentos recentes, para tudo o que fiz e tudo que houve e penso: o que mais me falta acontecer? Ser assaltada no meio da rua e perder o dinheiro q ou ser despejada do apartamento cujo aluguel não posso pagar ou –pasmem- adquirir uma grave doença ou simplesmente ser assaltada nesse pedaço de rua deserta e perder o dinheiro que tenho? Fiquei com uma sensação de que nada disso importava e apenas deixei ir. Porém, quando dei meu primeiro passo rumo a qualquer lugar, avistei um objeto (um automóvel com certeza) vindo rapidamente sobre asfalto e o mesmo parou na minha frente. Não tive tempo nem mesmo de piscar os olhos que o sujeito que pilotava a motocicleta disse a mim de forma não muito delicada, segurando aquele objeto com cano e gatilho:

—Passa a bolsa, passa bolsa!-

No momento em que eu seguia sua ordem, o rapaz olhava para mim, confuso e incrédulo enquanto eu desatava a rir.