Estrelas

Pessoas são como estrelas. Milhares e milhões, espalhadas pelo universo, brilhos intensos viajando no espaço-tempo deixados por um corpo que já se foi. Os cientistas afirmam, inclusive, que somos feitos de poeira estelar. Também, assim como nós, elas também nascem, crescem e morrem. O tempo de vida de uma estrela depende de sua massa. Quanto maior a massa, mais calor e energia liberará, até que todo combustível tenha sido queimado e enfim, chegue sua morte. Passam a vida gastando sua energia como gastamos a nossa, até que não consigam mais fazê-lo. Conosco não é diferente, passamos a vida lutando internamente contra o que nós mesmos produzimos, conflitos que emergem do nosso interior; mas alguns preferem perder o tempo que poderiam usar para superar suas adversidade jogando toda a responsabilidade sobre terceiros, o que não atenua, mas agrava seus problemas, uma vez que não foram resolvidos, sendo destinados ao agente errado para tal. Uma estrela de menor massa, pode tornar-se uma simples estrela de nêutron após sua morte; já as de massa maior evoluem para um buraco negro. Algumas pessoas são tão cheias de si como uma estrela tem grande quantidade de massa. Estas mesmas deixam-se dominar pelo seu próprio ego e prejudicam quem quer que esteja a sua volta, como um buraco negro, imerso na sua gravidade, deteriora qualquer corpo que se aproximar, até mesmo um reluzente feixe de luz. Realmente, nossa semelhança com estes corpos celestiais é maior do que acreditamos.

Após esta associação que fiz, passo a considerar as afirmações dirigidas a mim, as quais eram feitas sob a alegação de que “só penso em Física e nessas coisas estranhas”, levando em conta que em boa parte das minhas conversas eu sempre remetia o assunto a este tema; o que de fato acontecia, porém, era tão repetitivo de modo que eu sequer percebia que o estava fazendo. E como já pode se inferir, meu fascínio por estes assuntos é real, de modo que sou curioso por cada detalhe, sempre estudando para saber mais. Com isso, alguns amigos, com ar de irritação, exclamavam: “você só se importa com isso, não vive para outra coisa!”, ao mesmo tempo em que minha mãe, numa tentativa de persuasão dizia: “meu filho, estudar é muito importante, mas... você precisa viver.”. Afirmações estas, que assim como anteriores que citei, não desconsidero por completo, porque sim, isso talvez tivera consequências diretas em minha vida. Acredito que essa minha curiosidade compulsiva (assim prefiro chamar; “vício em Física” além de soar de uma maneira muito estranha, é um tanto grosseiro) não tenha sido a causa total ou mesmo de 70% dos meus problemas, mas foi algo que fez parte do período, provavelmente apenas como um elemento presente e não um agente de influência; um mero reflexo do meu estado emocional. Digo isso porque costumo dar um foco maior nos meus estudos quando as circunstâncias ao meu redor digamos...não vão muito bem; é como uma válvula de escape.

A última vez que isto aconteceu estava passando por alguns problemas(sim, envolvem complicações afetivas) e não foi lá a situação mais agradável. Era algo que nada poderia fazer, me senti como pular de um precipício sem paraquedas; tendo noites em que eu despertava subitamente sem ar, com um único pensamento na minha cabeça...só de ouvir seu nome meu coração(literalmente) se contraía e eu era tomado pelas sensações mais negativas que se pode imaginar; tudo ao meu redor era escuro e cinza, como um dia úmido e nublado, sem raios ou luz solar para melhorar meu humor. Com certeza devo parecer extremista quanto às minhas emoções e talvez o seja; mas entre mim e você, leitor, sou único que sei e senti o que aconteceu. Mas isso não importa, apenas sei que no final de toda essa louca história escolhi meus livros ao invés dos remédios para ansiedade, depressão e seja lá o que for com o sufixo “ina”. Poderia também fazer aquilo que alguns amigos, na forma mais pueril; chamam de “dar o troco” ou simplesmente “centralizar mais em mim” até me tornar um velhote ranzinza que de tudo reclama. Sim, tudo eu poderia, inclusive deixar toda a dor me consumir, tomando os caminhos que agora citei, os quais levam sempre ao um deprimente e ordinário destino em comum. Mas eu não quero ser um buraco negro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.