Mais Uma Vez
9 Você me deixa sem ação...
O show já tinha começado, e com ele, meu trabalho de tirar fotos. As músicas iam passando e eu não tinha minha companheira Jeh, para ajudar. Ou seja, o serviço estava pesado.
Quando havia um pouco de ‘descanso’ eu olhava para a multidão. Às vezes olhava para a Kah, que respondia ora, acenando com a mão, ora sorrindo. Isso por que eu queria disfarçar a verdade. Meus olhos não se desgrudavam do ser que estava cantando. Algumas vezes, vi que ele olhava pra mim sorrindo, e eu desviava meu olhar para disfarçar, mas não adiantava, eu acabava rindo de suas caretas.
No meio do show, quando houve um intervalo de uma música para outra o Diego fala para a galera que assistia ao show:
- Galera, vocês são fodá! Valeu mesmo por vocês estarem aqui hoje!
Ele nem terminou de falar e as fãs já começam a gritar sem parar. Mais alguns minutos, e ele volta a falar:
- Então galera queria mandar um beijo para todos que estão aqui e em especial para uma pessoa que está aqui presente...
Claro que quando ele falou isso meu coração bateu mais forte. Fiquei pensando quem seria, mas não precisei pensar muito, pois ele foi logo falando:
-... Essa pessoa que está aqui me deu hoje esse boné. Então, eu queria mandar um beijão pra ela!
Ele terminou de falar e olhou diretamente pra mim com um sorriso ‘meigo’. Eu simplesmente gelei e paralisei com o que tinha acabado de acontecer. Nem conseguia rir. Não conseguia fazer nada. Ele vem até mim, e diz:
- Ta tudo bem, Pri? Hey, terra chamando Pri... Alô...
-Oi... Ah Diego... ta sim... foi mal.. só me assustei...
- Aham... sei... Hahahaha... – ele diz saindo com um sorriso no rosto.
Já acordada do susto, vejo que algumas pessoas olham pra mim. Mas desvio o olhar de todos, e viro para a Kah. Eu estava precisando falar com ela.
Ela, do outro lado do palco, apenas olhava para mim, de boca aberta com a mão na mesma. Com uma cara de assustada, ela ri e me chama para ficar ao seu lado.
Mais calma, eu vou até ela. No caminho, percebo que o Gee e o Fi olham para mim, mas eu nem ligo. Chegando até a Kah, ela me puxa para mais fora do palco. Me levou até algum lugar onde o som não é tão alto, e onde nossas vozes pudessem ser ouvidas por ambas. Lá nós conversamos melhor:
- Pri! O que foi aquilo, menina!!! Que liindo!!!
- Kah, eu não sabia o que fazer. Eu congelei na hora... Nessa altura do campeonato, ele já deve saber...
- Eu vi, Pri! Foi tão fofo! E tão inesperado... Mas pode ficar tranqüila, que ele nem percebeu... Uma dica, não fala nada... Vamos deixar rolar pra ver o que acontece.
- Eu sei. Mas vai ser difícil voltar para aquele palco agora e olhar pra ele... sakas?
- Entendo... tira mais fotos da banda toda, não só dele. Finge que nada aconteceu, okays?
- Okays... Vou tentar Kah...
Saímos e fomos cada uma para um lado do palco. Segui a instrução da Kah, e tentei não olhar tanto para o Diego. Eu sentia minhas bochechas quentes, e algo dentro de mim, me fazia tremer.
Não demorou muito para o show terminar. Mais algumas musicas, acho que aproximadamente umas cinco musicas, e o show já tinha chegado ao final.
É hora da despedida, e em cada rosto que eu via, uma feição de cansaço. E de ver o cansaço deles, me lembrei do meu. Não via a hora de deitar na cama e relaxar. Queria conversar com a Jeh. Mas só poderia ligar para ela amanhã.
No caminho para a volta, fiquei conversando com o Caco. Meu sono ia e vinha, mas era impossível dormir. A sorte é que o hotel era próximo, e em menos de duas horas já havíamos chegado.
Todos para seus respectivos quartos, a calma reinava no recinto. Não falei com o Diego. Talvez, ele estivesse pensando que eu estava brava com ele. Mas amanhã eu iria falar com ele. Meu sono era maior.
Em meu quarto, vou tomar um banho. Penso que após uma ducha, uma certa parte do sono iria embora, mas me engano porque fico mais cansada e mais sonolenta.
Após o banho, um pouco demorado, coloco minha camisola e fico na sacada da janela ouvindo mp3. Começo a pensar no que ele tinha feito hoje no show. Penso nas inúmeras vezes que meu deu vontade de abraçá-lo e sentir seu perfume.
Por que aquele sorriso me deixava sem graça, sem jeito? Por que eu não conseguia ficar brava uma vez sequer com ele? Tinha sempre um porquê. E isso me irritava.
O tempo ia passando, junto com as musicas e meus pensamentos. Com os braços no muro, eu vejo o fluxo de pessoas passando. Um certo casal passa e me imagino com o Diego.
Ok, já estava com muito sono. Fecho os olhos e sinto a brisa bater em meu rosto.
Sem perceber, um vulto chega atrás de mim e coloca uma de suas mãos em meus olhos. Pelo perfume só poderia ser ele. Com a outra mão, ele tira delicadamente um fone de meu ouvido, o que me faz sentir um arrepio subir pelo meu corpo. Ainda com os olhos fechados, eu sinto sua respiração ficar próxima ao meu ouvido e escuto uma voz baixa soar no mesmo:
- Oi... \'Ce ficou brava comigo? – ele cochicha, o que faz meus pêlos se arrepiarem.
Tento tirar seu braço de meu rosto, e me viro de frente a ele. Agora, podia vê-lo perfeitamente. Estava com o cabelo molhado e com os olhos miúdos...
Sem jeito, e com a respiração mais acelerada por estar tão próxima a ele, respondo em meio aos seus braços:
- Não... Porque estaria? – abaixo a cabeça para desligar o mp3.
- Não sei... Você simplesmente não falou comigo e nem olhou na minha cara depois do show. Por isso que eu estou aqui...
- Ah... – coço a cabeça, que ainda estava abaixada, pensando em uma desculpa — Mas ta normal...
Com um dos dedos em meu queixo, ele faz com que eu incline minha cabeça pra cima, em direção ao seu rosto.
- Mesmo? Pensei que você estivesse brava com o que fiz no show hoje...
- Não... Tudo bem... Eu não fiquei brava. Só me assustei... – me limito a sorrir e tentar mudar meu foco de visão.
Cada vez mais ele se aproximava um pouco, e a cada aproximação eu ficava mais contra o muro e mais próxima a seu corpo.
- Que bom... – sorri com o seu rosto mais perto do meu.
Agora já estava sentido sua respiração em minha face. Seus braços estavam segurando o muro, o que não me permitia sair. Eu não podia deixar isso acontecer... Não queria, minha cabeça não queria!
Com forças, e mesmo não querendo, eu coloco minhas mãos em sua barriga para afastá-lo.
- Então né Diego... Ta frio aqui...
- É sim... Ta a fim de entrar? – ele diz com uma voz desanimada.
- Aham...
Entramos, e ele fechou a janela para mim. Lá dentro vejo que sua cara não é de total felicidade, o que acaba me deixando um pouco arrependida. Ele já ia embora, mas puxo seu braço e falo:
- Não vai não... Fica aqui...
Ele, olha para trás com um meio sorriso e senta na cama. Pega meu travesseiro e coloca em seu colo.
Eu sento ao seu lado, e tento procurar algum assunto. Alguns minutos em silêncio, mas logo esse clima é quebrado por ele:
- É... Então... Somos os únicos acordados neste corredor...
- Sério? Todos estão dormindo?
- O Lê, a Cah, e o Dani tão dormindo... O Conrado e o Filipe saíram...
- Ahn... E com certeza só irão voltar mais tarde né?
- Isso mesmo... hahaha
E no começo o clima ficou estranho, mas depois de dez minutos conversando...
- Cara, essa é a primeira vez que se passaram dez minutos e a gente não brigou!
- Uau! Vamos brindar! A paz está reinando nesta amizade! Hahaha...
- É... Ou pode ser o sono que acabou causando isso...
Mais conversas, e cada assunto tosco que falávamos. Rimos e até começamos uma guerrinha de travesseiro. Sem perceber tinha se passado uma hora que estávamos lá.
Ele sentado com os dois travesseiros e eu deitada em sua perna, já que não tinha meus travesseiros. Senti sua mão deslizar em meus cabelos. O assunto parou. Meus olhos se fecharam por um momento. O carinho de seus dedos em meu cabelo me fez adormecer...
Pelo silêncio percebo que ele também adormeceu. Algum tempo depois eu acordo por causa do frio e vejo ele dormindo. A cena mais fofa e linda que eu pude presenciar.
Me levanto, e tento acordá-lo apenas cutucando-o. Ele se remexe e acaba acordando.
- Diego...não é melhor você ir para a sua cama? Aqui vai ficar desconfortável...
- É... Eu dormi muito tempo aqui?
- Não... Não sei...
- Ta...Nos vemos amanhã certo?
- Uhum... Ou melhor, daqui algumas horas... Ah! Posso te pedir uma coisa?
- Fala...
- Se você acordar primeiro do que eu, você me acorda? Eu não quero ficar dormindo até mais tarde...
- Tudo bem...Podexá... E não precisa se preocupar que eu não vou fazer nada de mais ta?
- Okay... Valeu Diego. Hoje tivemos uma conversa sem brigas... Trégua? – e mostro minha mãe a ele.
- Trégua. – a gente balança as mãos como sinal.
- Até daqui algumas horas, certo?
- Certo... Boa noite Pri. — e chega mais perto, me puxando para me dar um beijo na testa.
- Boa Noite Diego... – sorri, fechando a porta, quando ele saiu.
Desligo a luz, e volto para minha cama. Me ajeito, pegando os travesseiros que estavam com o perfume dele ainda. Sentido aquele aroma, ficou mais fácil pegar no sono.
As horas foram-se passando rapidamente... Em minha cabeça estava a figura dele que insistia em não sair, e a vontade de ter beijado ele na sacada... ‘’Como eu fui uma tola...’’
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