O dia chegou rápido até. Sinto passos no corredor, mas mesmo assim continuo dormindo. Passam-se as horas...

O Diego já acordado, pergunta ao Dani, quem ainda estava dormindo. Ele responde, que só estava eu, e o Caco. Ao ouvir isso, o Diego levanta, e vai direto para o meu quarto. Antes ele ouve do Dani:

- Vai ver sua namoradinha, Dieguinho?

- Cala boca Daniel! Hahaha...

Em meu quarto, ele entra delicadamente sem fazer barulho para abrir e fechar a porta.

Com passos cautelosos ele chega até minha cama e senta ao meu lado. Eu vou estar, virada de lado, com um dos travesseiros em meus braços.

Acordo, ao sentir sua mão acariciando meu rosto. Abro os olhos e vejo ele sorrindo para mim.

- Bom dia, Pri... – ele diz com uma voz doce que eu ouvi apenas essa madrugada.

Imediatamente, coloco o travesseiro extra em meu rosto, para me esconder. Com a voz abafada eu falo:

- Bom dia Diego...

- Posso saber o por quê da senhorita está escondendo o rosto?

- Não quero que você me veja com a cara amassada...

Ele tenta tirar meu travesseiro, e como sua força era maior que a minha, obviamente que ele ganhou. Mas mesmo assim, peguei o lençol e escondi metade do rosto.

- Pára sua besta... Olha a minha cara também de travesseiro... E nem ta tão feio assim... Hahaha... – ele diz puxando o lençol de meu rosto.

- Tudo bem vai... Fazer o que né?

- Isso... Dormiu bem?

- Aham... Simplesmente capotei depois que você foi embora... E você?

- Digo o mesmo... Tava cansado...

- Se sabe se tem mais alguém dormindo?

- Quando eu acordei só tinha você e o Conrado...

- Caralho! Como eu durmo, meu!

- Que é isso... Imagina... Você?

-Como você é besta... – e jogo meu travesseiro em sua cara.

Me levanto, ficando sentada na cama e de frente a ele. Ainda estava tudo escuro e via muito pouco dele. Eu podia escutar passos e vozes do lado de fora do quarto.

- Cara, se prepara que hoje é dia de viagem... Ta preparada?

- Orra... Viagem daqui da cama pro banheiro se depender de mim...

- Ai... Cheia da graça você né?

- É o convívio com certas pessoas... Mas e a nossa trégua?

- Por mim... Paz! Hahaha...

Olho para ele, sorrindo e sem assunto. Poderia ficar ali o dia todo. Mesmo me irritando, ele me transmitia uma calma e segurança que só sentia quando estava perto dele.

Ele se levanta para abrir a janela e senta-se novamente ao meu lado. Mais próximo de mim eu percebo, nós continuamos a jogar conversa fora por mais meia hora.

Fomos interrompidos pela Kah, que abre a porta e fala:

- Aham... Sem querer interromper o casal... Mas é que a gente vai sair daqui uma hora, ta?

- Ai Kah, não ta interrompendo nada, okays? Mas valeu por avisar... – eu digo, tentando tirar o Diego de minha frente, para poder enxergar a menina que estava na porta com um sorriso de orelha a orelha.

- Pronto... Me desesperei... Temos uma hora para sair daqui e eu ainda estou aqui na cama! – digo, saindo do lençol e arrumando meu cabelo.

- Calma menina! O mundo não vai acabar não... E você acha que a gente se arruma certinho, pra ficar pontual?

- Não... Mas deveriam, viu?

Agora em pé, vou até o banheiro e fecho a porta. Ainda sim podia escutá-lo do outro lado. Troco-me rapidamente e escovo os dentes. Começo a pegar minha bagunça que estava em cima da pia e guardá-la na bolsinha.

Saio do banheiro e ainda vejo o Diego sentado em minha cama, como se tivesse todo o tempo do mundo. Com um monte de objetos em minha mãe, me dirijo até minha mala e começo a guardar.

- E você, quando vai resolver se arrumar?

- Quando me der vontade, que tal? Hahaha... Brincadeira... Não está bom assim?

- Você vai sair de pijama?

Ele olha com uma cara de quem não estava se preocupando e dá de ombros.

- Tudo bem... Eu me arrumo, mas só porque você encheu o saco, ta?

- Que fofo! Mas anda logo então! Hahaha...

- Beleza... Daqui uns minutinhos eu apareço aqui mais uma vez. Vou arrumar tudo e acabar primeiro que você... Duvida?

- Não... Eu sei que você vai ganhar... Mas irei te esperar... Vai logo! E não pense em atrasar como sempre, ta?

- Podexá!

Ele sai e eu volto a arrumar tudo. O silencio reinava no ambiente. Estava feliz, talvez por acordar e ver seu rosto como primeira imagem, ou talvez porque eu sentia que nossa amizade estava diferente desde de ontem a noite.

Mais alguns minutos e vejo o Conrado aparecer na porta:

- Hey namoradinha do Diego! Vam’bora! Daqui uns minutinhos a gente vai estar descendo ta?

- Cala boca Conrado! Já acorda de manhã falando besteira, hen?

- Ah... To sabendo que você e o Diego ficaram juntinhos ontem a noite... Éé...

- Ai Conrado... Como você fala merda...

Pronto, era só o que me faltava. Estava com fama de ser a nova ‘namoradinha’ do Diego. Mas eu não estava me importando muito. Mais um dia e depois isso iria acabar.

Depois de arrumar tudo e olhar uma ultima vez para o quarto, para ver senão estava esquecendo nada, o Diego me chama para descermos.

Com apenas uma mochila nas costas, ele pega minha bolsa para me ajudar. Todos já estavam lá embaixo esperando por nós dois. Apresamos o passo até chegar na recepção. Quando aparecemos, ouço apenas:

- Hmmm... – todos dizem ao nos ver.

- Olha o novo casal da banda! Que fofo! – o Conrado fala rindo com a situação.

- Conrado eu vou mandar você ir pra‘quele lugar daqui a pouco...

- Ui... bravinha... Hahaha...

- Bora gente! – o Fi fala indicando a porta.

Fomos até o ônibus. Agora eu tinha mais uma nova pessoa que me enchia o saco. O Conrado ficou me irritando até metade do caminho da viagem. O Diego tinha me dado uma trégua, mas sua missão de me encher ficou para o Caco.

Ele fica me irritando, dizendo coisas do tipo: ‘’oi namoradinha do Diego’’ ou ‘’como foi? Como ta o seu amorzinho?’’, ‘’Já deu um beijinho nele?’’

Chega uma hora em que eu digo:

- Pára o Diego, para começar você, Conrado? Que eu fiz pra merecer isso?

Se divertindo com a situação, o Conrado responde:

- Que é isso... Eu não posso ocupar o cargo do Diego... Ele é seu namoradinho agora né?

- Vai pro Inferno, Conrado! Me deixa em paz, um minuto que tal, hun?

Alguns bancos a frente, estava o Diego, que ouve meus choramingo e fala:

- Pô Conrado... Você não sabe que só eu posso encher o saco dela?

- Hei... Como assim? Ninguém pode encher meu saco... Nenhum dos dois...

- Não...Só eu... Eu comecei com isso...

- Ah... Era só o que me faltava...

Depois de nós três ficarmos discuntindo um assunto tão tosco, e começarmos a rir com tamanha besteira, senti meu celular tocar. Era a Jeh que estava me ligando.

Fui para um lugar mais vazio atendê-la. Estava precisando ligar para ela.

- Alô... Jeh... É você?

- Pri... Até que enfim que eu consigo falar com você!

- Foi mal... Eu tinha esquecido totalmente de carregar o celular ontem... Mas ai Jeh... Tenho tanta coisa pra te contar, que eu nem sei por onde começar...

- Digo o mesmo, menina! Mas eu estou mais curiosa é com você...

Contei para ela, tudo o que aconteceu comigo no dia anterior, desde da hora que chegamos no hotel, até a hora que saímos do mesmo hoje de manhã.

A cada episódio que eu ia contando, era uma surpresa para ela. Mas bem na hora que eu conto sobre o fato na sacada, ela grita no meu ouvido:

- Como assim Priscila? Você não o beijou? Quando você chegar aqui, eu juro que te mato! Você é idiota, trouxa, ou algo do tipo?

- Calma Jeh! Meu Deus!

- Você é uma anta mesmo, viu?

- Deixa eu contar o resto?

- Ta... Fala... Me irritei aqui!

Contei o resto da história e disse que hoje eu ainda iria ligar para ela. A Jeh me deu alguns conselhos e me disse que se acontecesse de novo o que aconteceu na sacada, nem era para eu pensar em empurrá-lo.

Conversamos mais um pouco, colocamos a fofoca em dia e desliguei meu celular. Vejo alguém passar pelo corredor e pergunto se a cidade ficava muito longe.

- Hei, falta muito?

Depois eu percebo que era o Dani. Ele responde:

- Menina, a gente acabou de entrar no ônibus... Talvez demore umas duas ou três horas, ta com pressa?

- Ah... Dani foi mal... Nem reparei... Mas valeu!

- Sua doidinha... – e voltou ao que estava fazendo.

Prefiro continuar onde estava. Lá estava mais calmo e não tinha ninguém para encher meu saco. Percebo que o Diego estava sozinho, com um caderno na mão, pelo jeito estava compondo e não queria tirar sua concentração. A Kah estava com o Gee e bem... Não ia me intrometer naquele casal fofo! O Fi estava dormindo e o Caco... Queria manter distância do Caco hoje. Por fim, resolvi ficar onde estava mesmo.

Comecei a apreciar a paisagem e viajar em meus pensamentos. Quando me dou conta, já estava dormindo. Apenas a imagem do Diego falando baixo em meu ouvido na sacada do hotel vinha em minha cabeça. Eu não estava acreditando que fiz ele se afastar de mim naquele momento. Por um momento senti que tinha feito a coisa certa, afinal eu não queria ser mais uma de tantas. E principalmente, depois de anos ficar com ele ou sentir tudo de novo, mais uma vez. Ainda não estava ‘preparada’ para sofrer, talvez. Muitas coisas passavam por minha cabeça.

Decidi abrir os olhos e acabar com tudo aquilo que estava em minha mente. Mas ao acordar não mudou muita coisa. Sua imagem ainda estava cravada em minha mente.

Logo que abro os olhos, vejo sua imagem, que sorri ao me ver. Faço o mesmo como resposta. Ele vem em minha direção e senta ao meu lado:

- Posso? – ele pergunta.

- Claro... Senta aí... Nossa Diego, como você ta diferente...

- Em que sentido?

- No sentido, que você está mais sei lá... ‘Educado’... Se fosse antes, você já chegaria e ia sentando e falando alguma coisa...

- E você prefere antes ou agora?

- Pra ser sincera, eu me divertia com aquele Diego de antes...

- Sério?

- Sério... Mas ó... Segredo ta?

- Podexá... Não vou contar para ninguém... Hahaha...

Continuamos a conversar pelo resto da viagem. Não foi um dos assuntos mais produtivos, mas me senti bem ao lado dele. Era sempre assim, nem tinha percebido as horas passarem. Quando fomos ver, já tínhamos chegado no hotel novamente.

Fomos um dos primeiros a sair, mas dessa vez ele fez questão de sair do meu lado. Até me pediu para ficar do lado dele lá fora. Me surpreendi no momento, mas disse que ficaria.

Estava surpresa pela forma como ele estava me tratando. Até me passou na cabeça a idéia dele estar a fim de mim. Mas fiz questão de esquecer isso e não me iludir.

Lá fora, fiquei perto dele o tempo todo, como prometido. Não demorou muito para nós entrarmos. Mas lá fora, eu percebi o carinho que cada um tinha com as fãs. Tão meigo e fofo. Mesmo cansados e com as caras mais amassadas, eles eram simpáticos e tentava atender a cada fã.

Ficamos nos mesmos quartos que do outro hotel. Resolvi ficar em meu quarto sozinha. Não estava a fim de falar com ninguém. Eu precisava pensar em muitas coisas. Mesmo porque faltavam poucas horas pro show e todos estavam cansados.

Por isso, fiquei deitada na cama, olhando para a parede. O silencio que dominava o ambiente é quebrado totalmente com a entrada do Fi em meu quarto.

Levo um susto, que me faz levantar e acordar do transe que estava.

- Pri, posso dar uma palavrinha com você?

- Claro Fi! Entra e senta aí. Que foi?

- Então Pri... É o seguinte, moça...

Ao ouvir ele disser isso, me subiu um certo medo, mas continuei a ouvi-lo.

- Fala Fi... To com medo...

- Bem Pri, vamos direto ao assunto. Eu já percebi, assim como todos da banda, que rolou alguma coisa entre você e o Diego, e que isso deixou vocês estranhos...

- Nossa... É... Ele não contou nada?

- Contou... Que por pouco que ele te beijou. Mas você o empurrou.

- Então... Foi isso...

- Mas eu me pergunto. Por que você fez isso? Afinal, não sou só eu que percebi que você está a fim dele.

- Droga... Quem mais sabe? Pois é... Não vou mais mentir e te enganar. Faz um tempinho sim, que eu to sentindo algo por ele. E, Fi, eu to fazendo essa mesma pergunta faz horas.

- Todos. Mas nós não queríamos falar para você. E se isso te ajuda, o Diego já ta suspeitando. A Kah, que mente para ele, falando que você não sente nada por ele, apenas amizade... Foi por isso, que ele foi ao seu quarto ontem... Para ver se o que ele achava era verdade ou não.

- E a que conclusão ele chegou?

- Ele não sabe. Ta em duvida, por isso que ta meio quieto desde de ontem.

E continua:

- Pri, eu vim aqui para saber. Mas pode ficar tranqüila que eu não vou falar nada a ele. Simplesmente, não gosto de ver meu amigo assim e nem você.

- Valeu Fi. Então... Eu queria muito saber o que está passando em minha cabeça. To confusa. Aquilo que ele fez ontem mexeu comigo... Até demais... Aí, eu acordo e vejo um outro Diego. Um super educado e gentil. Não é a palavra certa, mas ate romântico... Eu não sei o que pensar...

- Entendo... Faz sentido... E você não parou para pensar, no porquê dele estar de tratando assim?

- Fiz isso a viagem toda, e por fim não cheguei a nenhuma conclusão...

- Conselho de amigo, Pri... Se fosse eu, iria fazer isso para ver se assim eu descobriria o que está passando em sua mente, já que eu não consegui tentando de beijar. Ou seja, é isso o que está passando na cabeça dele.

- Entendi... Então ele está mais confuso do que eu?

- Isso mesmo. Às vezes você age como se quisesse ficar com ele, mas depois quando tem a chance, você foge. Ele ta mais confuso que você.

- Sakei... E que conselho você daria pra mim?

- Hm... Deixa eu pensar... Se eu fosse você, eu chegaria até ele, e diria que está confusa... A verdade.

- Você não sabe né, Fi?

- É... Eu não posso ajudar e dar conselhos para duas pessoas que estão confusas...

- Concordo. Mas você está tentando né?

- Claro... Eu não gosto de ver meus amigos mal.

- Que lindo! Hahaha...

Dou um abraço nele, bem apertado. Fico um tempo abraçada a ele. Senti um certo conforto que me fez bem. Depois dessa conversa, com certeza iria pensar melhor. Mas já tinha chegado a uma conclusão.

- Sabe Fi... Eu vou fazer isso o que você disse... Mas depois do show, agora eu tenho que pensar no que vou falar, e como vou falar.

- Ta certo! Vou deixar você ai com seus pensamentos. Boa sorte ta?

- Ta... Fi! – grito, antes de ele fechar a porta – Valeu por tudo!

- Que é isso... Se quiser falar comigo, vou estar no quarto, ta?

- Ta.

Ele sai e fecha a porta. Novamente estava eu e meus pensamentos agora com tudo aquilo que o Fi disse, foi mais fácil para pensar. Acabei chegando a uma conclusão: iria dizer tudo ao Diego. Mas como eu nunca consigo ‘pensar’ quando ficava perto dele, eu iria escrever uma carta esclarecendo tudo. Desde da época do colégio até agora.

Logo me levantei e fui em busca de um papel e uma caneta. Como no meu quarto eu não havia achado nenhum dos dois, tive que sair e ir atrás. Entro no quarto do Caco e o Fi, e pergunto se eles tinham tanto a caneta, como o papel.

O Fi, logo percebendo o motivo, me olha com afirmação. Conrado, ainda faz umas piadinhas, mas logo pára ao ver meu rosto.

Volto ao meu quarto, agora com um caderno e uma caneta, e sento na cama colocando o mp3 em meus ouvidos. Minha missão não era muito fácil. Tinha que colocar todas as minhas idéias e sentimentos em um papel em menos de 2 horas.

Comecei a escrever. Uma, duas, três folham foram arrancadas e amassadas. O tempo ia passando rápido demais e sem me dar conta, já havia passado meia hora. Paro e respiro profundamente. Tento pela quinta vez começar a escrever. Dessa vez iria ser definitivo. Iria ser aquela carta. Coloco as palavras uma a uma entre as linhas. Houve um momento em que eu não parava de escrever. Já iria para a segunda folha, quando me assusto ao ouvir alguém bater na porta. Havia se passado duas horas e já era hora do show. Precisa terminar logo aquilo. Mais alguns minutos e finalizo a carta. No fim, como meus olhos cheios de lágrimas, arranco as folhas e dobro-as de modo que caiba na bolsa. Só iria entregar ao dono quando eu estivesse perto de casa.

Notas finais
Tááá acabando! O/ ASODHASOIDHOAISHDA