Mais Que Um Segredo...
7 Capítulo 7 - "Porque eu estou apaixonada por você..."
Um carro estranho parava em frente à casa dos Berry. Hiram, desconfiado, observava pela fresta da cortina enquanto Leroy enchia Rachel de perguntas:
L: Tem certeza de que ele é só seu amigo, Rachel?
R: Sim, pai... [respondia cansada] Ele é só meu amigo!
L: Desde quando você é amiga dos jogadores de futebol?
R: Eu namorei um. Esqueceu, pai?
H: Nisso ela tem razão, querido!
L: Eu tenho o direito de achar estranho que Noah Puckerman vá te acompanhar a uma festa! [colocava as mãos nos quadris, um pouco irritado]
R: Pai... [terminava de colocar os brincos] Ele é só um amigo, ok?!
A campainha tocou e Rachel se apressou para abrir a porta, mas Leroy a segurou pelo braço:
L: Calma! Deixe-nos ao menos te elogiar! [sorriu suavemente]
H: Você está linda, estrelinha! [juntou as mãos ao coração]
R: Obrigada... [disse encabulada]
Quando saiu com Kurt para comprar a roupa para a festa, Rachel não imaginava o que o amigo tinha em mente. Mas tudo o que ele repetia era que ela era a nova namorada de um dos caras mais cobiçados da escola e que não poderia se vestir como qualquer uma. A morena conseguiu escapar das perguntas sobre seu tão interessante namoro. Ela não tinha pensado em como justificar o início de tudo. Enquanto não soubesse o que dizer, pedia a Kurt que esperasse um pouco até outro momento mais propício para conversarem sobre o assunto...
O vestido era azul marinho, com um enorme decote nas costas, mas discreto na frente. Tinha um comprimento razoável, mas não chegava aos joelhos. Quando Kurt disse que todos babariam quando a vissem, tudo o que ela pôde pensar era que queria que Quinn babasse...
Quando a porta se abriu, Puck segurava um ramalhete de flores em mãos. Era estranho sentir-se cortejada por ele, quando sabia que era tudo fingimento, mas Rachel se sentiu... Era tão bom ser tratada com carinho, mesmo que fosse só amizade!
Antes de dizer qualquer coisa, as palavras ficaram presas na garganta do rapaz. Rachel estava linda e ele sabia que deveria elogiar, mas não conseguia articular nada. Sua boca fechava e abria sem emitir qualquer som. Hiram se colocou ao lado de Rachel e Leroy chegou logo atrás com uma faca em mãos. Ele que antes cortava a salada, não se deu o trabalho de ir à porta de mãos vazias. Talvez pudesse causar um pouco de medo no rapaz...
L: Ela precisa estar em casa antes da meia-noite! [disse autoritário]
P: Mas a festa nem vai estar boa antes disso... [tentou argumentar]
Rachel revirou os olhos. A primeira coisa que saía da boca de Puck era justamente uma pequena afronta a seus pais...
R: Não se preocupem! Chegarei cedo! [garantiu]
A morena segurou a mão de Puck e o arrastou para o carro. Não demorou e já estavam no caminho para a casa de Brittany...
P: Você está linda, Rachel! Posso te elogiar, não posso? [perguntou inseguro]
R: Obrigada! [sorriu] Pode sim!
P: E tenho que fazer isso antes de chegarmos, porque a Quinn não gostaria nada de me ver elogiando você, mesmo que seja com todo o respeito!
R: Não se preocupe com a Quinn... [disse séria]
P: Como vai ser quando chegarmos lá? Ela está te esperando em algum lugar da casa?
R: Eu não sei...
P: Como não sabe? Vocês não combinaram nada? [perguntou surpreso]
R: Nada...
P: Ela sabe que estou te levando?
R: Não...
P: Você quer me ver mortinho? [perguntou assustado]
R: Como eu disse... Não se preocupe com a Quinn... Deixe isso comigo...
Rachel estava um pouco frustrada. Não tinha se encontrado com Quinn desde que a loira havia saído de seu quarto. A morena ficou realmente irritada com a pressa dela, que já era uma constante. Então, na escola, resolveu evitá-la. Teve sorte quanto a isso, não tiveram aulas em comum naqueles dois dias e sentou longe dela na sala do coral. Todas as vezes em que se viram estavam distantes. Claro que Quinn percebeu, mas não podia abordá-la na escola. Tentou puxar Rachel para algum dos banheiros, mas a morena estava sempre fora de seu alcance. O orgulho falou mais alto, então a loira sequer ligou para ela. Quando Kurt perguntou se Puck a levaria para a festa, a morena sentiu o sangue gelar. Era óbvio que se ela estava “namorando” deveria ir acompanhada do namorado. Rachel sabia que a festa poderia ser mais interessante do que ela imaginava...
Assim que o carro parou, Puck retirou a chave da ignição e fez o sinal da cruz...
R: Por que você está se benzendo?
P: Olha... Eu estou com medo da Quinn... [confessou]
R: Ela não vai fazer nada! [revirou os olhos]
P: Assim espero...
Quando caminhavam até a porta, Rachel fez questão de segurar a mão do rapaz...
R: Se estamos fingindo um namoro, ele precisa ser bem convincente...
P: Ok... Espero que não se importe em se tornar viúva... [murmurou]
A morena ouviu e sorriu... Era interessante o medo que ele sentia da Quinn. Tudo bem que ela assustava a todos com sua postura ameaçadora, mas ali, em Noah, ela via um medo real de quem realmente sabia do que ela era capaz. Será que ele tinha razão?
Assim que colocaram os pés dentro da casa, o barulho ensurdecedor da música se fez presente. Rachel era capaz de dizer que ficou meio zonza, mas sabia que era impressão. Estranhamente, sentiu-se como se estivesse sendo observada. E estava! Engoliu seco ao perceber que todos os olhos se voltaram para ela, ou para o casal que formava com Puck. Alguns cochichos sobre como ela estava bonita, algumas cheerios cheias de recalque e alguns jogadores invejando o rapaz... Rachel Berry, pela primeira vez em toda a sua vida, era o centro das atenções por sua beleza... Mas nenhum olhar realmente mexeu com ela além daquele que vinha do fundo da sala de estar. Quinn Fabray estava ao lado da lareira segurando um copo vermelho. Estranhamente o copo foi amassando na mão da loira enquanto os lábios dela pareciam não conseguir se fechar. A intensidade daquele olhar era tão forte que Rachel não conseguiu enfrentá-lo. Logo seus olhos desviaram para outra direção, encontrando os olhos tristes de Finn. A morena respirou fundo, perguntando-se se ir àquela festa tinha sido mesmo uma boa ideia...
K: Barbra! [apareceu um pouco bêbado] Todo mundo está babando por você! [disse orgulhoso] Eu sou um gênio da moda ou não sou?
R: Você é o melhor, Kurt! [sorriu agradecida]
P: Vou pegar algo para beber. Quer alguma coisa?
R: Nada alcoólico...
P: Volto já!
Logo Rachel estava cercada pelos amigos do Glee Club. Todos a elogiavam e ela se sentia realmente bonita... Brittany a abraçou forte, dizendo que ela parecia uma “mini Barbie morena” e que tinha vontade de colocá-la junto com suas bonecas... Foi impossível não rir com a doçura da cheerio inocente. A expressão de Santana não era das melhores. Mas não por raiva de Rachel. Na verdade, ela estava irritada por ter achado a morena linda por alguns segundos. Isso era inadmissível! Aproximou-se de Quinn:
S: Quero que saiba que eu fui contra convidar aquela nanica, mas Britt insistiu. Se quiser eu arrumo um jeito de colocá-la para fora...
Santana realmente pensava que Quinn estava com ciúmes de Puck. Ainda não passava por sua cabeça que o verdadeiro objeto de desejo da loira era Rachel...
Q: Não precisa... [disse séria] Está tudo bem...
Quinn sabia que tinha vacilado. Ela deveria ter ido atrás de Rachel e conversado com ela antes da festa. Mas seu orgulho falou mais alto... Só que ela estava ali, observando-a e não tinha como não se arrepiar ao vê-la tão linda. E era tão injusto que quem estivesse ao lado dela fosse outra pessoa! A loira respirou fundo algumas vezes, tentando conter os ciúmes que já estavam tão difíceis de controlar... Viu o momento em que Puck se reaproximou de Rachel com um copo de alguma coisa e o sorriso agradecido da morena a fez estremecer. Não... Aquele sorriso era dela, só pra dela, de mais ninguém! Respirou fundo mais uma vez...
A festa ia acontecendo. Rachel estava surpresa com a capacidade que os jogadores e cheerios tinham de beber cerveja. E de fazer e falar besteiras por conta disso... Kimberly se aproximou dela de novo e se os olhos de Quinn soltassem raio laser, toda a casa estaria em chamas tamanha era a fúria da loira ao vê-las conversando... Rachel sabia que não estava facilitando as coisas, mas achou que, talvez, Quinn precisasse de um pouco de choque de realidade. Ela era uma garota bonita e que, para sua própria surpresa, despertava o interesse de outras pessoas. Quinn tinha sorte de estar com ela e precisava reconhecer isso...
P: Você está percebendo que ela não está muito animada, não está? [falou ao ouvido da morena]
R: Estou!
P: Não é melhor vocês conversarem?
R: Ela é orgulhosa demais!
P: Eu sei disso... Mas também sei que talvez você não deva provocar...
R: Não estou provocando! [defendeu-se]
P: Você está!
R: Que seja... [deu de ombros]
P: Está preparada para terminar com ela?
R: Terminar o quê? [sorriu frustrada] Não tem o que terminar...
P: Bom... Seja lá o que vocês têm... Essa sua provocação tanto pode dar certo como pode afastá-la... Espero que esteja preparada para a segunda opção, caso aconteça...
Rachel desviou o olhar para Quinn e percebeu que a loira ainda a encarava. Em nenhum momento ela desviou o olhar... Novamente foi a morena quem desistiu daquele embate visual. Talvez Noah tivesse razão... Talvez ela devesse parar de querer provocar...
R: Onde fica o banheiro?
P: Use o de lá de cima. Terceira porta à direita... Os de baixo estão terríveis!
R: Ok...
Rachel caminhou na direção que Puck a instruiu e não precisou olhar para trás para saber que Quinn a seguiria. Chegou ao banheiro indicado e sentiu-se aliviada por estar impecável. As ordens que Santana havia gritado sobre ser proibido subir pareciam surtir mesmo efeito...
Havia um enorme espelho na parede e a morena se olhou por inteiro. Ela sabia que estava bonita e havia sido elogiada por muitas pessoas, menos por quem ela mais queria... Soltou um suspiro pesado e ouviu as esperadas batidas na porta. Sem qualquer surpresa, abriu e se deparou com Quinn à sua frente. A loira estava séria. Linda! Com um vestido laranja com estampas, uma jaqueta jeans e cabelos soltos... Sem pedir licença, entrou no banheiro e trancou a porta. Olhou para a morena por alguns segundos. Em completo silêncio... Rachel também se manteve calada, esperando que ela desse o primeiro passo...
Q: Está se divertindo? [perguntou fria]
R: Estou! [respondeu firme] E você?
Q: Isso é alguma piada? [irritou-se]
R: Como assim?
Q: Você tem fugido de mim e me aparece aqui de mãozinha dada com o Puck. O que foi? Cansou?
R: Cansei? [perguntou confusa]
Q: Cansou de mim?
R: Você podia ter me ligado, mas preferiu não o fazer...
Q: E por isso você está me provocando?
R: E se estiver?
Q: Não me provoque! [disse firme]
R: Por quê? O que você vai fazer?
Quinn poderia ter verbalizado tudo o que queria, tudo o que pensava, mas preferiu responder de outra forma: avançou sobre a morena e a segurou forte pela cintura. Sem qualquer dificuldade, apossou-se dos lábios dela. Rachel sentiu a pancada da parede em suas costas e a mão esquerda de Quinn segurar a lateral de seu pescoço, enquanto a direita descia para a coxa da morena e a apertava. Suas mãos mergulharam nos cabelos loiros, puxando Quinn ainda mais, transformando o beijo quente em fogo incontrolável. A loira beijava os lábios carnudos da morena e sugava sua língua com extremo desejo... Rachel gemia, sentindo as mãos de Quinn passearem por seu corpo. Era uma mistura de ciúme e desejo desenfreado... Quinn já a havia tocado com desejo, mas havia algo diferente naquele momento... Quando a mão direita da loira se aproximava do seio esquerdo de Rachel, a morena soltou do beijo...
R: Calma... [sussurrou] Rápido demais!
Quinn parou de se mexer. Sentia a respiração de Rachel bater em seu rosto. Não havia constrangimento suficiente para fazê-la se afastar. Ela precisava daquele calor. Precisava sentir a morena daquela maneira...
Q: Você está linda! [sussurrou com os olhos fechados]
Finalmente Rachel ouvia o elogio que tanto queria! O único que importava! Sem esperar por mais nada, foi a vez da morena assumir a responsabilidade do beijo. Segurou o rosto de Quinn com as duas mãos e se apossou dos lábios rosados. Antes que a loira avançasse, Rachel ditou o ritmo daquele novo beijo. Era delicado, romântico, sem a pressa do desejo incontrolável que crescia entre elas... Pareciam ter se acertado. Tudo parecia estar caminhando bem, até que Quinn estragou tudo...
Q: É melhor você ir pra casa... Eu passo lá daqui a pouco e poderemos...
Antes que ela continuasse a falar, Rachel a afastou de seu corpo, empurrando-a suavemente.
R: Como é que é? [perguntou confusa]
Q: Qual é, Rachel?! Você já provou seu ponto! Me provocou e deu certo! Pronto! Agora pode ir pra casa. Eu te encontro daqui a pouco...
R: Para quê? [irritou-se]
Q: Como para quê? Para ficarmos juntas e...
R: Por DOIS SEGUNDOS? [gritou] Você quer que eu vá embora da festa para que você me encontre daqui a pouco e me dê um beijo de esmola e saia correndo porque meus pais estão em casa? E o que mais? Você volta pra festa e mantém uma vida social normal enquanto eu vou dormir frustrada por causa das suas neuroses?
Q: Calma! Fala baixo!
R: NÃO FALO! EU GRITO O QUANTO QUISER!
Q: Pare com isso! [irritava-se também] O que você quer de mim?
Rachel deu um sorriso nervoso e levou as mãos aos quadris. Olhou para baixo e respirou fundo...
R: Quer saber? [ergueu a cabeça para olhá-la] Eu acho que não quero mais nada de você!
Q: O quê? [assustou-se]
A voz de Rachel era trêmula. Ela não tinha certeza sobre o que dizia, mas também não tinha certeza se conseguia continuar com aquilo. Toda a excitação de se encontrar às escondidas com Quinn contrastava com o desejo de ser algo mais definido na vida dela. Era frustrante não poder beijá-la e estar com ela quando queria, nem o tempo que precisava. Talvez fosse melhor dar fim àquilo tudo antes que fosse mais difícil, antes que estivesse tão apaixonada que fosse capaz de se submeter a tudo que a loira exigisse...
R: É muito complicado fazer parte de todo esse segredo...
Q: Calma... [dizia trêmula] Me desculpe pelo que falei. Foi realmente algo idiota...
R: Não é esse o problema... [disse triste] Estou cansada... Eu nunca menti para os meus pais. Eu me sinto mal fazendo isso... Você não deixa que eu conte a eles. Eu não posso conversar sobre isso com meu melhor amigo. O Puck morre de medo de você. Eu não quero viver com esse medo. É cansativo! [começava a chorar] Tudo o que eu quis essa noite foi ouvir um elogio seu...
Q: Eu te elogiei! [disse rapidamente, com a esperança de que isso pudesse ajudar]
R: Eu sei... Estou dizendo isso para você ver que diante de tudo eu só estava pensando em você. No entanto, você me manda embora, para que eu continue sendo o seu segredinho sujo...
Q: Você não é meu segredinho sujo! [garantiu] Eu só não queria ver esses abutres olhando para você como estavam olhando! Eu não gostei disso!
R: Não é só isso, Quinn!
Q: Rachel, por favor... [ficava ainda mais nervosa, com medo]
R: Quer saber? [enxugou as lágrimas que caíram] Eu vou mesmo pra casa... [disse desanimada] Mas você não precisa aparecer lá depois... Acabou o que sequer chegou a começar de verdade...
Quinn ficou sem ação. Rachel estava mesmo falando sério? A morena se moveu rapidamente e destrancou a porta do banheiro, saindo de lá correndo. Quando a loira se deu conta saiu correndo atrás dela. Era uma situação completamente inesperada para Quinn. Ela não conseguia acreditar que Rachel havia mesmo cansado. Ela achou que tinha tudo sob controle, mas estava completamente enganada. A morena havia dado um golpe de misericórdia doloroso... Ela não podia aceitar aquilo!
Antes que Rachel alcançasse Puck para pedir que a levasse para casa, sentiu um puxão forte em seu braço. Era Quinn a puxando de volta. Naquele movimento, seus rostos ficaram a escassos centímetros. O olhar da loira era de desespero. Rachel não podia deixá-la. Todos se voltaram para elas. Finalmente parecia que Quinn Fabray havia surtado! Ela iria brigar por Noah Puckerman. Toda a escola esperava por aquele momento...
Puck olhou para elas preocupado, sem saber se fazia alguma coisa...
R: Me solte! [disse firme] Me solte agora!
Q: Não! [rebateu ainda mais firme]
R: Olhe ao redor... [murmurou assustada]
Rachel se deu conta de que Quinn não estava pensando direito. A loira não estava com a noção plena de que elas estavam sendo observadas por todos. A morena queria que elas fossem algo mais, mas não queria que Quinn se expusesse daquela forma. Sabia do medo que ela sentia de ter seus sentimentos descobertos. Ela não podia se arriscar daquela maneira. Os gritos de “bate nela, Quinn!” começaram a soar pela casa e só então a loira acordou daquele transe... Como se tivesse levado um choque soltou o braço de Rachel assustada. Ela quase perdeu todo o controle que demorou anos para adquirir... Antes que a morena dissesse algo, Quinn saiu em disparada da casa, frustrando toda uma torcida que queria ver a briga do século...
“Você é um pedaço de carne disputado, Puck...”
O rapaz ouviu aquilo de alguém que ele sequer se deu o trabalho de procurar saber quem era. Apressou-se em tirar Rachel dali. A morena tremia em seus braços. Ele a colocou no carro e a levou para casa...
P: O que houve?
R: Eu terminei com ela... [murmurou chorosa]
P: Como se termina algo que não tem nome? [perguntou confuso]
R: Não sei... [murmurou desanimada] Acho que a gente esquece como se nunca tivesse acontecido...
O carro de Puck parou em frente à casa da morena. Do outro lado da rua, estava parado o carro de Quinn.
P: Eu acho que não acabou para ela... [disse compreensivo]
Rachel olhou através da janela e viu o olhar triste da loira. Seu coração se partiu um pouco...
P: Tenha calma... É óbvio que vocês precisam conversar...
Rachel o olhou com carinho e sorriu suavemente...
R: Você é um bom amigo, Noah!
P: Eu sou um cara bacana! [sorriu orgulhoso] Agora vá e converse com ela...
A morena assentiu suavemente com a cabeça e saiu do carro. Puck olhou para Quinn e acenou cúmplice. Ele precisava que a loira confiasse nele. Pôs o carro em movimento e saiu dali.
A morena atravessou a rua cautelosa, cruzando os braços para conter o frio que fazia. Parou ao lado do carro de Quinn e se assustou quando a loira abriu a porta, saindo dele. Sentiu a aproximação dela com a jaqueta jeans em mãos, colocando-a sobre os ombros de Rachel...
Q: Está frio... [sussurrou] Entra no carro...
R: Eu não quero entrar!
Q: Por favor! Por favor, vamos conversar...
A voz de Quinn era sofrida. Rachel sabia que a loira estava magoada. Não havia autoridade, não havia imposição. Ela estava pedindo encarecidamente. Era de partir o coração... A morena se moveu e retirou a jaqueta dos ombros para vesti-la corretamente. Deu a volta no carro e entrou. Quinn respirou aliviada e voltou para o interior do veículo, dando a partida.
R: Para onde vamos?
Q: Não sei...
R: Vamos ficar andando por aí sem rumo?
Q: Não termine comigo... [pediu chorosa] Não termine comigo!
R: Terminar o quê? [perguntou calma] Até quando você vai me querer, Quinn? Até quando isso vai ter graça pra você?
Era uma pergunta válida. Rachel queria saber se aquilo tinha futuro. Não era o segredo o maior problema, mas por quanto tempo aquilo teria importância para a loira. Quando o doce sabor da novidade passasse, ela ainda teria interesse em passar as tardes em seu quarto antes dos pais da morena chegarem?
Q: Eu te pedi paciência...
R: E eu tenho sido paciente... [sentiu que Quinn ia diminuindo a velocidade do carro]
Pararam em frente a uma praça. Não havia muito movimento e aquilo preocupou a morena...
R: Não parece um lugar seguro para estacionar, Quinn...
Q: Eu vou te levar pra casa logo! [assegurou] Eu só quero conversar um pouco...
R: Ok... Estou te ouvindo...
Quinn baixou a cabeça, respirando fundo mais uma vez naquela noite. Suas mãos seguravam o volante com força e Rachel podia sentir o nervosismo da loira em seu próprio corpo...
Q: Você quer ser minha namorada?
R: O quê? [surpreendeu-se]
Q: Se nos tornarmos namoradas... [ergueu o olhar para encará-la] Você continua comigo?
Rachel a olhou incrédula. Ela estava mesmo ouvindo aquilo?
R: Você está brincando comigo?
Q: Não! [disse rapidamente] Não estou brincando!
R: Você está usando um possível namoro só para continuar “me pegando”... [fez aspas com os dedos] Eu pensei que você me respeitasse, Quinn! [disse ofendida]
Q: Eu respeito! [garantiu] Claro que respeito! E, por isso, eu quero que você seja minha namorada!
R: Por quê?
Q: Por que o quê?
R: Por que você quer ser minha namorada?
Q: Não é óbvio?
R: Eu quero ouvir!
Quinn soltou o volante e passou as mãos nos cabelos. Estava nervosa, isso era óbvio... Via na postura de Rachel uma tentativa de se manter segura em meio a toda a insegurança do momento... Sorriu suavemente, soltando o ar preso em seus pulmões de forma trêmula...
Q: Porque eu estou apaixonada por você!
Era a primeira vez que Quinn admitia o que sentia, que verbalizava seus sentimentos com completa honestidade. Rachel queria avançar sobre ela e enchê-la de beijos, mas não fez isso. Seria muito fácil se assim fosse...
R: Eu não namoro escondido dos meus pais... [disse com o máximo de controle que conseguia ter]
Q: Mas temos ficado esse tempo sem que eles saibam...
R: Ficado, Quinn... Namorar é diferente...
A loira a olhou por algum tempo, tentando organizar os pensamentos. Virou-se para frente e ligou o carro novamente, acelerando para saírem dali.
Q: Seus pais estão acordados?
R: Hã?
Q: Eles estão acordados para que eu possa falar com eles agora?
R: Você está falando sério? [perguntou surpresa]
Q: Eu quero que você seja minha namorada. Você não namora escondido dos seus pais. Então eu preciso conversar com eles. Eu acho que por eles serem gays e por terem conversado com você sobre isso, talvez eles possam manter segredo e...
Rachel avançou sobre ela, fazendo Quinn perder um pouco do controle do carro...
Q: Deus, Rachel! Quer nos matar? [disse assustada]
R: Pare o carro!
Quinn obedeceu. Parou no acostamento e sentiu a morena soltar seu cinto de segurança, puxando-a para um abraço.
R: Você tem certeza disso?
Q: Tenho meu sim?
Rachel a soltou e a olhou sorridente...
R: Você terá um sim amanhã!
Q: Amanhã?
R: Eu preciso falar com eles antes. Venha para o café-da-manhã...
Quinn a puxou para um beijo... Sedento, faminto, intenso... Naquele momento, ela não pensava se estavam em público, se alguém conseguia ver através dos vidros. Ela estava grata por ter Rachel em seus braços.
Q: Desculpe... [murmurou entre os beijos] Desculpe por tudo...
R: Desculpe também...
Ambas tinham razão, ambas tinham desculpas a pedir... Ambas tinham um desejo enorme para alimentar...
Quando Quinn parou o carro em frente à casa da morena de novo, faltavam cinco minutos para meia-noite. Rachel sabia que seus pais ligariam tão logo o ponteiro chegasse no 12... A morena se virou para a loira e lhe sorriu carinhosa:
R: Você não vai desistir enquanto dorme? Não vai me deixar com cara de tonta diante dos meus pais e uma imensa mesa de café-da-manhã, vai?
Q: Não... [sorriu suavemente] Eu não vou desistir...
Rachel se aproximou mais dela e deu-lhe um beijo suave, carinhoso... Moveu-se para retirar a jaqueta, mas foi impedida pela loira:
Q: Não! Amanhã quando eu vier você me devolve...
Era uma espécie de garantia de que ela voltaria. Rachel sorriu com o gesto sutil. Era óbvio que a jaqueta não tinha força suficiente para isso. Era um símbolo. Quinn estaria lá... Estaria lá para ela, com ela... A morena abriu a porta do carro e parou de repente. Antes de sair do veículo voltou a olhar para Quinn. Com um sorriso doce nos lábios, levou a mão esquerda ao rosto da loira que fechou os olhos ao toque em sua pele...
R: Olha pra mim... [pediu carinhosa]
Quando os olhos claros de Quinn se abriram, Rachel estremeceu e finalmente disse o que estava preso em sua garganta:
R: Eu também estou apaixonada por você...
Antes que a loira dissesse algo, Rachel saiu apressada do carro, com um sorriso que há muito tempo não morava em seu rosto... Quinn lhe sorriu de volta, feliz por ter conseguido consertar as coisas a tempo e com a consciência de que Rachel Berry sabia mesmo provocar...
Assim que a morena entrou em casa, a loira pôde acelerar o carro. Respirou fundo, sabendo que não dormiria nem tão cedo. Teria que organizar as ideias e saber exatamente o que dizer aos Berry. Ela tinha muito o que pensar sobre sua orientação sexual, família e coragem... Seria uma longa noite...
[CONTINUA...]
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