Mais Que Um Segredo...

8 Capítulo 8 - Mais motivos para ficar...


A chaleira indicava que a água havia fervido. Hiram desligou o fogo e aproximou as duas xícaras, cada uma com seu devido sachê de chá mergulhado à espera da água quente. Leroy o olhou com um sorriso assim que ouviu a porta da frente batendo. Olhou para o relógio de parede e sorriu mais ainda ao constatar que sua estrelinha não o havia desapontado. Estava em casa dentro do horário determinado. A morena sabia que seus pais estariam à sua espera. Como sempre... A luz acesa da cozinha era um indicativo de que as coisas não haviam mudado. Seguiu naquela direção...

R: Cheguei conforme o combinado...

A figura doce da pequena morena batendo continência divertidamente poderia ter arrancado mais sorrisos de seus pais, mas algo nela lhes chamou mais atenção do que sua doçura:

L: Filha, que jaqueta é essa?

H: Você não saiu de casa assim e ela não é sua!

Rachel olhou para si e se achou estúpida por um instante. É claro que seus pais perceberiam que havia algo diferente em sua roupa...

H: De quem é essa jaqueta, filha? [perguntou confuso]

L: Por que você está com essa jaqueta?

A morena passou a mão nos cabelos e pressentiu que não iria conseguir fazer rodeios. Nada de pegar atalhos para falar sobre sua relação com Quinn. Ela teria que ser direta ou seus pais surtariam até conseguirem as devidas respostas para suas dúvidas.

R: Essa jaqueta é da Quinn.

L: Fabray? [perguntou surpreso]

R: É...

H: Filha, você furtou a jaqueta de Quinn Fabray? [preocupou-se]

R: NÃO! [defendeu-se] Claro que não! [respondeu surpresa com aquela pergunta]

H: Então como pode estar com ela?

R: Ela me emprestou. Está frio lá fora!

H: Filha... [aproximou-se] Não minta para nós. Você furtou essa jaqueta?

R: NÃO! Papai, pelo amor de Deus! [respondia ofendida]

L: Querida, sabemos que Quinn Fabray não iria te emprestar qualquer coisa, principalmente uma jaqueta de tamanha qualidade como essa.

H: Conversamos com você sobre isso no seu aniversário de 6 anos. As coisas dos coleguinhas são dos coleguinhas. Você não pode pegar sem eles consentirem.

R: Oh Deus! [levou a mão à testa] Eu não furtei essa jaqueta! E me admira muito vocês terem a capacidade de pensar que eu seria capaz de fazer algo do tipo! [começava a se irritar]

L: Você sempre teve uma espécie de obsessão ou admiração por ela. De repente poderia querer essa jaqueta como souvenir. [explicou]

R: Oh meu Deus! [sorriu nervosamente] É isso o que vocês pensam? Quer saber? [respirou fundo] Sentem-se! Eu preciso conversar sobre algo muito sério!

H: Você vai confessar que é cleptomaníaca, filha? [assustou-se]

R: Oh meu Deus, papai![exclamou irritada] Esquece essa jaqueta! Por tudo o que há de mais sagrado só me ouve, ok?!

H: Ok... O que é tão sério?

L: Precisamos nos preocupar? [perguntou já preocupado]

R: Espero que não!

H: Filha, fala logo! Tem a ver com aquele garoto? O Puckerman? Ele foi atrevido com você?

L: Oh meu Deus! Ele foi atrevido? [preocupou-se ainda mais]

R: NÃO! [disse alto] Por favor, só... Só me deixem falar! Por favor!

Os dois se calaram. Cada um olhando firme para o rosto de Rachel. Era perceptível que ela estava nervosa. Só poderia ser mesmo algo sério... A morena respirou fundo. Fechou os olhos por alguns segundos e os reabriu, olhando para qualquer lado menos para seus pais:

R: Eu e Quinn nos envolvemos de uma forma diferente. É o nosso imenso segredo! Ela me beijou e isso me despertou sentimentos que venho cultivando já há algum tempo. Nesse mesmo tempo nós estamos juntas de alguma forma e hoje ela me pediu em namoro e quer falar com vocês porque eu disse que não namoraria escondido dos meus pais. Então eu a convidei para tomar café-da-manhã aqui em casa para que vocês possam se conhecer de verdade e ela possa falar com vocês o que ela quiser falar. A jaqueta? Quinn veio até aqui porque tínhamos brigado na festa, eu disse que o que havia entre nós estava acabado, mas ela não aceitou e veio, e acabou me emprestando a jaqueta por causa do frio, como falei...

Rachel disse tudo de uma vez. Quase não empregou vírgula em sua fala. O ar ficou escasso em suas últimas palavras. Achou que se despejasse tudo de uma vez seria mais fácil... Estranhou o silêncio de seus pais. Enfim direcionou o olhar para eles e os viu boquiabertos. Não demorou muito e Hiram logo se manifestou:

H: Rachel Berry, você bebeu! [disse irritado] E bebeu muito! Porque esse seu delírio não é de quem bebeu um copinho não! Eu não acredito que você bebeu, minha filha!

R: Hã? [assustou-se] Eu não bebi!

H: E essa fantasia que você nos contou? Isso só pode ser fruto de alucinação causada pela bebida!

R: Papai... Eu não...

Ela não conseguia falar. Gastou suas forças naquela confissão e agora seu papai não acreditava. Ela não tinha forças para rebater.

H: Estou desapontado com seu alcoolismo! [apontou-lhe o dedo]

R: Alcoolismo?! [arregalou os olhos diante do quão dramático Hiram poderia ser]

Leroy se levantou. Continuava calado, com os olhos presos em Rachel. Percebeu a insegurança da filha e o olhar arredio enquanto contava sobre ela e Quinn. Aproximou-se dela e sem dizer nada a abraçou. Instantaneamente, a morena agarrou-se ao pai com força, iniciando um pranto que até então estava preso em sua garganta. Não era fácil dizer aos pais que estava envolvida com uma garota, mesmo que eles fossem gays...

H: O que está havendo?

L: Ela não está bêbada, Hiram... Nossa estrelinha está dizendo a verdade!

A algumas quadras dali, Quinn estava deitada olhando para o teto. Perguntava-se onde estava com a cabeça no momento em que se ofereceu para falar com os pais de Rachel. Ela só podia estar louca por se prontificar a fazer aquilo. Era se expor demais! Pegou o telefone para ligar para a morena e dizer que não ia. Achou melhor não ligar... Começou a redigir uma mensagem, mas a apagou. Também não parecia uma boa ideia... Sabia que Rachel ficaria muito desapontada se ela voltasse atrás. Pensar em perdê-la doía, como doeu quando ela disse que estava tudo acabado. Tudo o quê? Se ela pensasse bem, a morena até que foi bem paciente por esperar que ela resolvesse deixar que os Berry soubessem de alguma coisa. Numa pequena prece silenciosa, Quinn pediu a Deus que não levasse sua coragem embora e que ela ainda estivesse lá ao acordar...

Na casa dos Berry, Hiram estava perplexo com aquilo. Como aquela história que Rachel contou poderia ser verdade? Como ela poderia estar envolvida com Quinn Fabray?

H: Co... Co... Como assim? [gaguejava nervoso]

Demorou um pouco para a morena conseguir e ter condições de responder...

H: Filha, estamos falando de Quinn Fabray, o símbolo da beleza, rainha da sua escola? Filha de um dos maiores homofóbicos da cidade? Talvez o Senador mais homofóbico do país?

Rachel apenas assentiu com a cabeça...

L: Vem aqui...

Com calma, Leroy conduziu a filha até a sala, colocando-a sentada no sofá. Tranquilo, sentou-se ao seu lado e segurou em suas mãos:

L: Querida... [chamou com a voz suave] Por que você está chorando?

Hiram sentou-se no chão à frente deles, ainda surpreso, mas passou a acariciar a panturrilha da morena, tentando acalmá-la...

R: Me desculpem por ser um clichê! [choramingava constrangida]

L: Por que um clichê?

R: Filha de pais gays que acaba namorando uma garota! Mais clichê impossível! [o choro se intensificou]

L: Ei! Pare com isso! [repreendeu] Você não é um clichê! Nós não mandamos no coração.

H: Pare de chorar, filha!

L: Não há motivo para chorar...

Rachel tentou controlar o choro e foi conseguindo aos poucos, enquanto seus pais, pacientemente, esperavam...

R: Vocês não... Não estão desapontados comigo? [perguntou insegura] Nem por me envolver com uma garota, nem por manter isso em segredo?

L: Surpresos, confusos, preocupados... Mas não desapontados! [garantiu]

R: Preocupados com o quê?

L: Com o mundo... Com o fato de ser Quinn Fabray.

R: Ela é maravilhosa, pai! [tentou explicar]

L: Não estou julgando a pessoa. Nem sua escolha. Eu mal a conheço além do que todos sabem sobre ela. Mas ela é uma Fabray. Imagino que a essa hora ela não esteja tendo essa mesma conversa com os pais dela.

R: Não mesmo! [exclamou]

L: Isso me preocupa!

H: E a mim também...

R: Ainda não entendi... [disse confusa]

L: Nós te apoiamos 100%. Ainda queremos entender melhor como isso aconteceu, mas te apoiamos, filha. Confiamos em você! Mas precisamos te alertar que esse é um relacionamento desequilibrado. Daqui, do seu lado, não há mais segredo, mas lá, do lado dela, talvez nunca deixe de ser um... Não quero que você se magoe porque não vai ser fácil lidar com isso...

R: Mas eu quero arriscar! [disse decidida]

L: Estaremos sempre aqui pra você! [disse protetor]

H: Agora, pelo amor de Deus, conta como isso aconteceu! [pediu ansioso]

Rachel, como uma boa Berry, começou do começo do começo, sem esquecer qualquer detalhe. Enquanto contava, seus pais pareciam sentir as emoções das duas. Eles já haviam passado por situações parecidas. O segredo, o medo de serem descobertos, as incertezas típicas da imaturidade... Eles entendiam tudo o que a filha dizia...

L: Então vocês estavam se encontrando aqui em casa às escondidas? [arqueou a sobrancelha]

R: Desculpa... [murmurou constrangida] Era o único lugar seguro...

H: Melhor do que ficarem perdidas por aí, Leroy! [defendeu a filha]

R: Não é mesmo um problema para vocês? [perguntou insegura]

L: Você namorar Quinn Fabray?

R: Sim...

L: Queremos conhecê-la melhor para nos sentirmos mais seguros quanto a isso, mas se o que te preocupa é o fato de ser um namoro homossexual... Filha, nós não seríamos hipócritas a esse ponto, né?! Quanto a isso, não há qualquer problema... [garantiu]

O sorriso enorme de Rachel fez seus pais se alegrarem. Eles nunca a viram sorrir daquela maneira quando estava com Finn.

H: Você gosta mesmo dela, não é?!

R: Sim... [murmurou corada] E preciso da ajuda de vocês amanhã. Por favor, não a constranjam nem pressionem! [pediu] Se para mim não foi fácil contar a vocês, mesmo nossa relação sendo tão aberta, mesmo com a criação que vocês me deram, imaginem como é difícil para ela...

L: Não se preocupe, filha! Nós ajudaremos! Mas nos diga: Quinn é a primeira garota de quem você gosta?

R: Sim...

L: Então... O que podemos esperar dela? Seriedade, frieza, timidez? Como ela agirá amanhã no nosso café?

R: Bom... Com certeza vocês não verão uma cheerio. [sorriu] Ela é muito mais do que aquele uniforme e eu me sinto privilegiada por conhecer uma Quinn que ninguém mais conhece. Ela é doce, educada, paciente, divertida... Ela me escuta de verdade e presta atenção no que eu falo... Então, eu tenho certeza de que vocês entenderão porque não foi difícil eu me apaixonar por ela...

Apesar de ter ido dormir tarde, Rachel estava de pé muito cedo. Estava ansiosa demais para continuar dormindo. Sorriu ao se dar conta de que dormiu agarrada à jaqueta de Quinn. Mas era impossível não fazer isso se o perfume da loira estava ali, tão presente! Tomou banho, escolheu com cuidado a roupa que iria usar e desceu para a cozinha. Lá, seus pais já tinham dado início aos preparativos e a mesa da sala de jantar já estava metade preenchida com vários tipos de comida:

R: Bom dia! [disse animada]

L: Bom dia, querida!

H: Você está linda!

R: Obrigada!

Rachel usava um short preto, uma blusa rosa solta com bolinhas pretas e mangas compridas...

R: Acha que ela vai gostar? [perguntou insegura]

L: Temos certeza que sim! [sorriu]

R: Vocês... [olhou para a mesa] Não acham que tem comida demais?

H: Para sua sorte nós fizemos compras ontem, senão estaríamos malucos agora sem saber como receber a Quinn com o cardápio limitado. E você não nos falou sobre as preferências gastronômicas dela. Portanto, estamos tentando alcançar todas as áreas. [aproximou-se da mesa] Temos frutas, pois acreditamos que como uma atleta que é, ela deve ter uma alimentação saudável. Temos cereais, queijo, presunto, geleias, pães, sucos... Por sorte, Leroy come presunto e espero que Quinn goste também.

R: Ela gosta, mas não come tanto assim! [sorriu]

L: Queremos que ela se sinta à vontade, filha! Que horas ela vem?

R: Oh... [levou a mão aos lábios assustada] Eu não sei...

H: Que horas você disse para ela vir?

R: Eu não disse. Só disse que viesse...

L: Então liga pra ela e pergunta se ela está a caminho... [disse tranquilo]

R: Não! [respondeu rapidamente]

L: Por que não?

R: Eu... Eu tenho medo... [disse sem graça]

L: De quê?

R: De ouvi-la dizer que não vem...

H: Ela não é louca de fazer isso! [exclamou]

R: Espero que não... [murmurou mais para si]

Quinn não havia dormido quase nada. Foi difícil sair da cama. Não estava com sono, mas seu corpo pedia por descanso. Levantou-se e tomou um demorado banho frio. Precisava despertar seus músculos sonolentos. Quando estava em frente ao closet, respirou fundo... Ela não tinha certeza de que estava fazendo a coisa certa. Retirou um cabide com um vestido branco com detalhes cinza. Ela precisava se vestir melhor do que nunca diante dos pais da namorada. Oh Deus! Namorada? Quando ela poderia imaginar que teria uma namorada? Mas Rachel não tinha dito sim ainda... A loira foi até a cama e se sentou. Segurou os joelhos com força e respirou fundo, tentando conter o enjoo que embrulhava seu estômago...

H: Está tudo pronto, filha! Só falta a Quinn!

Leroy e Hiram prepararam uma mesa linda! Mais bonita do que as que preparavam para os feriados e datas comemorativas. Perceberam Rachel apreensiva. O medo de que Quinn não aparecesse começou a se fazer ainda mais presente...

L: Ela não ligou? Nem mandou uma mensagem?

R: Não... [segurava o aparelho com força] Talvez seja melhor eu...

O coração de Rachel foi até sua garganta quando ouviu o som da campainha. Os sorrisos de seus pais foram instantâneos. Quinn Fabray não poderia partir o coração de sua estrelinha. Ela havia marcado um ponto importante com os Berry...

Rachel correu ansiosa, enquanto seus pais deram privacidade. Resolveram esperar por elas na sala de jantar, onde já estavam.

Quando a morena chegou à porta, parou por um instante. Precisava de alguns segundos para ter certeza de que estava tudo certo... Não tinha como estar mais certo... Sua mão trêmula encontrou a maçaneta e logo a figura magnífica de Quinn estava à sua frente. Linda como ninguém além dela era capaz de ser... O vestido branco com detalhes cinza, uma outra jaqueta jeans protegendo-a do frio, uma botinha caramelo e os cabelos soltos. Nas mãos, uma caixa rosa...

R: Você veio... [murmurou encantada]

Q: Claro! [sorriu]

Ver o sorriso de Quinn tornava impossível Rachel imaginar o quão difícil foi para a loira chegar ali. Ela ficou vários minutos no carro, pensando se deveria mesmo fazer aquilo. A cada passo que deu pelo jardim dos Berry parecia que carregava pedras presas aos seus pés. E tocar aquela campainha foi uma das coisas mais difíceis que já fez na vida... Mas Rachel valia a pena...

Antes de pedir para a loira entrar, Rachel percebeu que ela havia deixado o carro no outro lado da rua, mais afastado da casa dela.

R: Eu vou abrir a garagem e você poderá colocar o carro dentro...

Rachel sabia do medo que ela tinha de que algum conhecido passasse por ali e associasse sua presença naquela rua à morena.

Q: Ok... [sorriu aliviada] Isso... [estendeu-lhe a caixa] É para o café...

Rachel segurou a caixa e a abriu, vendo que se tratava de vários tipos de donuts e cupcakes:

Q: São sem gordura, sem glúten... Os mais saudáveis que encontrei. Sei que vocês têm uma dieta diferenciada...

R: Não precisava... [disse encantada]

Enquanto a loira manobrava o carro para colocar na garagem, Rachel entregou a caixa aos pais e se mostrou eufórica com tudo aquilo...

R: Ela veio! Ela veio! [comemorava]

L: Vá abrir a garagem! Não a deixe mofar lá fora!

Leroy e Hiram trocaram um olhar cúmplice enquanto abriam a caixa levada por Quinn:

H: Ela acaba de conquistar mais um ponto conosco... [sorriu]

Enquanto a porta da garagem se fechava, Rachel se aproximou do carro de Quinn, que acabava de desligar o motor. Quando a loira abriu a porta, a morena percebeu a bolsa das cheerios sobre o banco...

R: Você vai treinar hoje? [perguntou confusa]

Q: Não... [sorriu] Mas eu precisava de uma boa razão plausível para sair tão cedo num sábado sem ser questionada por meus pais...

R: Ah... [suspirou aliviada]

Fora do carro, Quinn olhou para Rachel inteira e um sorriso suave brotou em seus lábios:

Q: Você está linda!

R: Você por acaso se viu no espelho? [corou]

Q: Sim... Mas ver você é muito melhor!

R: Oh... [corou ainda mais]

Quinn não estava sendo insegura. Estava sendo bem firme naquela conquista. O território era de Rachel, mas a loira estava se saindo muito bem! Colocou a mão dentro da jaqueta e retirou uma rosa branca, estendendo-a à morena:

Q: Não sei se estou fazendo certo. Cortejar é uma novidade para mim, você sabe disso... [disse um pouco corada] Mas achei essa rosa adequada à ocasião...

R: Adequada? [sorriu enquanto segurava a rosa] Por que tão formal?

Q: Cortejar ainda é uma novidade...

R: Mas eu... [aproximou-se] Eu não sou uma novidade para você... [circulou o pescoço da loira com os braços e beijou-lhe delicadamente os lábios] Nem as marcas que você deixa em minha pele...

Q: Rachel! [exclamou surpresa, sorrindo constrangida]

R: É verdade, ué! [deu de ombros divertida] E quanto a me cortejar... Você está se saindo muito bem! [piscou-lhe] Vem! [separou-se para puxá-la pela mão] Sua mão está gelada!

Q: Eu estou nervosa! Nunca imaginei passar por essa situação. Conhecer seus pais. Pais da minha namorada!

R: Eu ainda não disse sim! [brincou]

Q: Você entendeu...

R: Quinn... [olhou-a] Você não tem que fazer isso! Se não se sentir à vontade, não tem que fazer! Eu já conversei com meus pais e está tudo bem! Eles me apoiam e, consequentemente, nos apoiam. Eles estão ansiosos para te conhecer de verdade, mas se você não estiver à vontade, não faça! Eu sei que ontem eu fiquei nervosa e acabamos brigando, mas eu não quero te forçar a fazer algo que não queira...

Q: Eu terei meu sim mesmo assim?

R: Não tem como você não ter seu sim... [respondeu carinhosa]

Q: Ok... [sorriu satisfeita] Me leve até seus pais! [disse segura]

R: Tem certeza?

A resposta de Quinn foi um beijo...

A morena parou em frente aos pais com um sorriso enorme:

R: Eu sei que todos vocês já se viram em eventos na escola ou em qualquer lugar nessa cidade, mas agora lhes apresento oficialmente: pais essa é Quinn. Quinn, esses são meus pais, Leroy e Hiram!

L: É um prazer recebê-la em nossa casa, Quinn!

H: Seja muito bem-vinda, querida!

Q: O prazer é todo meu, senhores Berry! [disse ainda constrangida]

L: Senhores não! Por favor, pode nos chamar por nossos nomes...

Q: Vou tentar!

H: Não precisava trazer nada, querida, mas obrigada pelos donuts e cupcakes!

Q: Minha mãe sempre diz que quando recebemos um convite para fazer uma refeição na cada de alguém nós devemos levar algo para os anfitriões.

L: Muito educado de sua parte!

H: Mais um ponto para ela... [murmurou]

L: Por favor, sente-se! [indicou-lhe um lugar à mesa, ao lado do de Rachel]

Q: Obrigada! [sorriu educada] Eu gostaria de conversar com os senhores! Eu...

H: Nada de senhores! [repreendeu sorrindo] E vamos comer primeiro! Depois conversamos. Temos muito tempo! [piscou-lhe]

Rachel convenceu Quinn a retirar a jaqueta e ficar mais à vontade. Ela ficava ainda mais linda só com o vestido... A loira pôde desfrutar da interação entre os três Berry. Eles falavam sobre tudo e em longas sentenças que só a faziam entender de onde Rachel puxou a capacidade para ter tanto fôlego e criatividade ao formular frases. A morena e seus pais eram encantadores...

L: A comida está boa, Quinn? [perguntou atencioso]

Q: Tudo maravilhoso! [respondeu educada]

H: Você quer mais alguma coisa? Algo que tenhamos esquecido?

Q: Não, não! Estou satisfeita! Muito obrigada!

Rachel estava feliz! Desde quando os beijos com Quinn se tornaram rotina. Desde quando ela passou a ter a loira em sua cama quase que em todas as tardes, fazendo-lhe carinho e conversando sobre tantas coisas, ela sonhava em tê-la ali, diante de seus pais. Ela queria Quinn nos outros cômodos, ela a queria em todos os lugares...

Hiram terminou de servir o cafezinho a todos na mesa e sentou-se em seu lugar novamente. Leroy limpou a garganta e achou que estava na hora:

L: Fique à vontade para nos falar o que você queria dizer quando chegou, Quinn!

A loira sentiu o corpo gelar. Rachel pôs a mão sobre a dela e o calor de sua pele passou um pouco da calma que Quinn precisava...

Q: Bom... [respirou] Eu sei que a Rachel conversou com os senhores ontem à noite...

L: Senhores não...

Q: Desculpem... Vocês... Eu sei que ela conversou com vocês... [respirou mais uma vez]

H: Querida, você está bem? [perguntou atencioso]

Q: É que não é... Não é fácil... Falar...

Rachel conhecia bem essa dificuldade da loira em falar sobre sentimentos. Tinha alguma noção do quanto deveria ser difícil para ela se expressar ali, sobre o que sentia por ela. Mas essa noção que a morena tinha não chegava nem perto do quão difícil era de verdade...

L: Você não precisa, querida... Você já conversou sobre isso com alguém? [Quinn apenas negou com a cabeça]

Q: Só com a Rachel... Mas... Também não acho que falei o suficiente...

Leroy se levantou e deu a volta na mesa, puxando a outra cadeira ao lado de Quinn, sentando-se:

L: Nós sabemos e entendemos as dificuldades de aceitar um sentimento. E de falar sobre ele. E sabemos como é sufocante mantê-lo trancado dentro de nós... [levava a mão ao coração] Ficamos surpresos ao saber que você e nossa filha estão envolvidas, mas nosso senso de proteção é muito mais forte do que a surpresa. E esse senso se estende a você, Quinn. Nós estamos aqui para te apoiar também. Não estamos aqui para aprovar ou não o relacionamento de vocês, mas para dar o suporte necessário para que vocês se sintam seguras. Confiamos em nossa estrelinha e sabemos que ela não estaria com você se você não merecesse... [sorriu compreensivo]

Rachel estava com os olhos marejados. Seus pais estavam sendo melhores do que ela imaginava. Para Quinn, aquilo era muito surreal. Ela não tinha qualquer abertura em casa para buscar o apoio do qual precisava, mas os Berry estavam oferecendo isso a ela... Eles imaginavam perfeitamente como a loira estava perdida, confusa. O quão assustador era se ver apaixonada por uma garota. Logo ela que foi criada em uma família católica conservadora, com o pai publicamente homofóbico. Tudo o que os Berry poderiam oferecer à Rachel, eles ofereciam à Quinn...

Q: Eu... Eu não sei o que dizer... [sua voz falhou um pouco]

H: Vocês têm e terão muitos obstáculos ainda. Não ousaríamos ser mais um...

Q: Obrigada... [murmurou tentando conter o nervosismo]

Quinn não confiava em sua própria voz naquele momento... Nem Rachel... A morena estava calada, deixando que seus pais falassem tudo o que quisessem...

L: Você pode falar ou perguntar o que quiser, querida... As duas, aliás... [olhou para Rachel também]

Q: Eu achei que deveria vir aqui porque é sinal de respeito. Se eu venho à casa de vocês e... Bom... [estava completamente sem graça]

H: Beija nossa filha?

R: Papai! [repreendeu]

H: Ué... Só ajudei a terminar a frase...

Q: É... [sorriu nervosa] Isso mesmo... Então eu tenho que ter o aval de vocês para estar aqui...

L: Mais um ponto... [sorriu]

R: O que disse?

L: Nada não... [sorriu olhando para Hiram]

Quinn respirou fundo e direcionou o olhar para o prato à sua frente...

Q: Eu... Eu gosto de ser feminina... [disse um pouco baixo]

Hiram deu uma gargalhada...

H: Querida, você não precisa mudar! Em nada... Tenho certeza de que Rachel concorda!

R: Sim! [assentiu rapidamente] Nada!

Uma das coisas que Rachel mais gostava em Quinn era a delicadeza, a beleza perfeita da loira. Ela adorava a força com que ela a pegava em seus braços, a desenvoltura com que a beijava, a velocidade atlética... Mas adorava ainda mais o sorriso de princesa, a pele macia, a postura impecável... Ela jamais desejaria que Quinn fosse menos feminina do que era...

Quinn a olhou um pouco sem graça...

Q: Tem a ver com o cortejar... [olhou nos olhos] Eu quero te cortejar, agradar, cuidar de você, mas... Eu gosto de vestidos... Eu gosto de ser feminina...

Rachel sorriu, acompanhada de seus pais...

L: Você pode ser feminina, delicada, e ainda assim cortês, galante, forte... Realmente, querida, você precisa conversar conosco! [sorriu]

H: Com quem realmente entende!

Todos caíram numa gargalhada em meio ao nervosismo... Quinn teve medo de ir. Ela pensou em voltar atrás quando já estava lá. Mas ali, sentada diante de Hiram e Leroy, sentindo o calor da mão de Rachel sobre a sua, ela definitivamente tinha muito mais motivos para ficar...

[CONTINUA...]

Notas finais
Esse capítulo não foi fácil de escrever. Precisei me concentrar muito na personalidade de cada uma e no conflito de sentimentos. Na minha concepção, não poderia ter sido diferente do que foi. E espero que vocês gostem da forma como abordei... :-) No próximo capítulo veremos a continuidade disso... ;-) Quero agradecer à receptividade de vocês a essa história! Tenho recebido tantos elogios e tanto carinho de vocês que só posso agradecer muito! Fico imensamente feliz por escrever algo que toca seus sentimentos de alguma forma...