Mago da Água e do Gelo

6 Seu desde sempre ...extended version...


Notas iniciais
Boa noite, queridos! Hoje vos trago um capítulo nostálgico (para quem leu a "Nunca mais sem você") e enoooorrrmeee! S2 Amei reescrevê-lo para essa fic :) Esse é o último capítulo com os pequenos pessoal ;) Boa leitura XD

Meses depois...

#Visão em primeira pessoa______________________________________

Abre os olhos ainda embaçados pelo sono e pisca algumas vezes. O excesso de lágrima se esvai e a visão volta a ter foco... Vê-se as grades azuis do berço, o chão de pedra, as paredes amarelo-claro e pernas revestidas pela Armadura de Ouro de Gêmeos, que emitia seu brilho dourado de sempre.

Ergue o tronco e se senta no berço, olha mais para cima e dá um meio sorriso para o amigo mais velho que o acordara aquela manhã. Ele se debruça na grade do berço e seus cabelos loiros e longos se pendem e tampam um pouco da visão. Ele sorri:

– Bom dia, Camus. – diz ele baixinho.

– Bo bia, Aga. – responde-se.

– Shhh... Vem. – ele estende os braços em sua direção – Vem comigo.

Vê-se seus próprios bracinhos se estenderem e Saga o pega no colo. Vê-se agora o rosto do amigo mais de perto, seus ombros e braços recobertos pela Armadura.

– Vamos lá pro outro quarto, tá? – sussurra ele – O Mestre pediu.

Concorda-se com a cabeça de leve e a visão oscila para cima e para baixo. Sente-se o movimento do andar de Saga, olha-se para frente, vê-se os outros bercinhos dos amigos de relance. Visão oscila para os lados, procurando por algo importante, mas logo o balançar do andar de Saga para e se vê a porta do quarto sendo aberta pela mão do amigo.

Volta-se o andar. Olha-se para trás, sente um cosmo se elevar fracamente e vê a porta se fechando sem nenhum movimento físico de Saga.

– Viu, Caminho? – diz ele, lhe piscando um olho – Tô ficando bom nisso.

Dá um sorrisinho para o amigo e concorda de leve. Visão oscila para baixo e para cima. Olha-se mais uma vez para a porta e preocupa-se.

– O Mestre não chegou ainda... – comenta o amigo.

Olha-se para frente e para os lados... Vê-se nas paredes de pedra quadros, emblemas, prateleiras e janelas que deixavam a luz do Sol entrar. No chão havia um tapete grande e estampado com emblema de Atena e, sobre ele, uma mesa de madeira grande cheia de pergaminhos, livros, um castiçal com velas apagadas, um tinteiro e uma pena que repousava nele. Encaixada na mesa, estava uma grande cadeira estofada de veludo azul escuro e com detalhes dourados.

Saga voltou a andar e a porta se abriu e fechou novamente sem que ele fizesse qualquer ação física. Vê-se agora o longo corredor que dava para os outros aposentos da Sala do Mestre.

De repente, a visão oscila bruscamente da porta ao teto de pedra. Foi virado de barriga para cima. Sente sua blusinha ser levantada. Ouve-se um barulho de “pum” e dá uma risada gostosa de cócegas. Com os olhos cheios d’água de rir, tenta erguer a cabeça... Vê-se seu próprio Pingente Sagrado ♒ e sua barriguinha branca descoberta, o amigo lhe dando um sorriso de canto e enchendo a boca de ar...

– PUUUUUUUUUURRRMMMMMMMM!

Ri mais de cócegas. Visão do corredor e dos quadros que o decoravam de cabeça para baixo.

– E agoraaaa... – diz Saga, divertido.

Visão oscila bruscamente e se sente ser erguido alto. Olha para baixo e vê o amigo sorrindo novamente.

–... Avião! – diz ele, rindo – Prepare-se!

Abre os bracinho, estende as perninhas e ri. Adorava aquela brincadeira. Olha-se para frente e vê-se o longo corredor em vista quase panorâmica.

– Senhores passageiros, eu sou Saga de Gêmeos e serei seu piloto nessa viagem. Por favor, apertem os cintos de segurança e ponham as máscaras de oxigênio.

Ria do amigo.

– JÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!

Vista sacodindo, quadros e pedras na parede passando rápido, som de passos correndo juntamente com o som metálico da Armadura de Gêmeos se chocando com o chão de pedra. Risadas...

– VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMMMMM!

Tudo passava rápido, até que se vê uma porta no final do corredor se aproximar. Sentiu Saga passar a segurá-lo com uma mão só.

– Torre de comando... sshhhrrr... Câmbio... srrrhhh... Shhhrrrr... Permissão para pousar... – o garoto levou a mão livre à boca e imitava um rádio –... Permissão concedida... Shhhrrrr... – fez uma voz mais fina, imitando uma mulher -... Câmbio e desligo... Shhhhrrrrrrr!

Sentiu o amigo voltar a segurá-lo com ambas as mãos. Visão da porta se aproximando cada vez mais. A velocidade foi diminuindo e a altura também... Até que sentiu um impulso de ar empurrá-lo para trás.

– TURBULÊNCIA INESPERAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAADAAAA!

Saga freou bruscamente com os pés.

– UUHHUUUUUUUUUUUUUUUUULLLLLL!

Ouviu-se o estridente barulho da Armadura se atritando com o chão de pedra. Parou com um palmo de distância da porta.

– Senhores passageiros, seu piloto deseja que tenham feito uma ótima viagem. – disse Saga com a voz séria – Por favor, dirijam-se aos portões de desembarque.

O amigo o pôs nos braços novamente. Viu seu rosto se aproximar e sentiu seu beijo na testa. Vê seu próprio bracinho e mãozinha se estenderem e acariciar o rosto de Saga.

– Você gosta, né? – disse Saga, dando uma mordida carinhosa na mãozinha, voltando a aproximar o rosto e lhe dando “um cheiro”.

A porta se abriu. Viu-se Shura com vestes de treinamento e com uma expressão impaciente.

– Vamos, Saga! – disse o amigo, bravo.

– Já vou! Calma. – disse Saga, entrando no quarto.

Viu-se três caminhas enfileiradas e um berço verde, onde viu Aldebaran adormecido com a boquinha entreaberta. Havia um tapete felpudo branco em meio ao chão, e cordas , elásticos compridos, espadinhas e escudos de brinquedo espalhados por ele. Afrodite e Máscara da Morte, também de vestes de treinamento, se aproximaram e se postaram ao lado de Shura.

– Você quer voltar a dormir? – perguntou Saga, encarando-lhe.

Fez que não com a cabeça. Vista oscilou de um lado para o outro.

– Então, eu vou treinar com eles e você fica aqui brincando, tá? – disse o amigo – Depois eu trago o seu berço pra cá.

Saga o colocou em cima do tapete branco. A vista foi se aproximando do chão, e sentiu suas perninhas encostarem nos pelos macios deste.

– Vamos lá, seus malas. – disse Saga, virando-se de costas e indo em direção à porta.

Viu os três o seguirem e a porta se fechou.

– Ahhhh... Humm... – virou a cabeça e viu Deba ressonar e se mexer no berço, ainda adormecido.

Suspirou e deitou no tapete. Vista oscilando da parede para o teto. Resolveu brincar de rolar para um lado e para o outro naquele macio. Vista rodando. Depois parou, pegou os pezinhos e ficou balançando sentado uns minutos. Levantou com um pulo do nada e resolveu correr e pular em volta do tapete fofo. Vista do tapete subindo e descendo.

– Um... Um... Dô... Tê... – contava cada pulo – Um... Dô... Tê... – é, só sabia contar até ai – E depo do tê? – falou sozinho, indignado em não saber.

Parou com o dedinho na boca, pensativo.

– A-mus! – disse uma vozinha conhecida.

Virou-se e viu Deba sorridente e sentado no berço, agarrando-se às grades para ficar de pé.

– Ô, Beba. – respondeu, andando na direção do amigo.

Estendeu a mãozinha, Deba passou a dele pela grade e deram um aperto de mão. Só depois que pensou consigo mesmo que estaria cometendo um erro... E se Deba lhe desse AQUELE aperto? Ainda bem que o bebê de Touro pegou leve daquela vez.

De repente, ouviu-se ao longe...

– BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!

Arregalou os olhinhos e se virou de costas para Deba. Vista da porta fechada.

“Milo...”

Virou a cabeça e olhou para Deba, demonstrando sua preocupação. Vista de Deba lhe retribuindo o olhar, cumplice.

– A poda... – disse o amigo apontando para a porta, com a carinha triste – da bedada...

Virou-se novamente para a porta e suspirou, decidido. Andou até ela. Vista da porta se aproximando. Olhou para cima... A maçaneta era redonda. Ouviu de novo:

– AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

Franziu as sobrancelhas e pulou para tentar alcança-la inúmeras vezes. Várias vistas da maçaneta se aproximando e se afastando.

– Bai, A-mus! – torcia Deba, sacodindo as grades do pobre berço – BAI!

Pulou e pulou... Ouvia-se sua própria respiração ofegante. Até que parou um pouco e descansou uns segundos. Vista das próprias mãozinhas sobre os joelhinhos.

– A oda! A oda, A-mus! – gritou Deba.

Virou-se para trás. Vista de Deba apontando para os brinquedos no chão.

– Oda! Oda! – apontava Deba.

Correu até lá. Vista próxima do dedinho do amigo apontando para uma longa corda de pular.

– É! – concordou animado. Vista de suas mãozinhas pegando a corda.

Virou-se para trás e correu. Vista da porta se aproximando.

Pegou a corda, dobrou em um laço, como Aiolos o havia ensinado, e lançou na maçaneta. Vista da corda se prendendo nela.

– Amus! – ouviu-se uma voz conhecida – O Mio...

Virou para o lado. Vista de um Mu preocupado e apontando para a porta. Entendeu que o amigo havia se teleportado do outro quarto para lhe avisar do que estava acontecendo lá. Retribuiu o olhar preocupado. O amigo franziu a testa e foi em sua direção. Vista de Mu decidido, com olhar cumplice, fazendo que sim com a cabeça e segurando a corda.

– Êêê! – fez Deba do berço, forçando-o para frente e derrubando-o com um estrondo.

Vista de Deba engatinhando na direção deles e pegando a corda com as mãozinhas. Lançou-lhe um olhar cúmplice e também assentiu.

Sorriu para os amigos. Vista de Mu e Deba sorrindo em resposta.

– AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH! – ouviu mais ao longe.

Vista da maçaneta envolvida pela corda.

– Um... Dô... Tê... – disse, segurando a corda com força – ÁA!

Puxaram. Vista da corda tensionada. E puxaram mais e mais... Só que o laço não era tão forte. Mais um puxão com toda força e todos foram parar longe.

Vista da porta se afastando e dor... Baque da própria cabeça batendo na parede. Cabecinha latejando de dor. Levantou-se e olhou para os lados. Mu se levantava com dificuldade e esfregava o joelhinho ralado. Deba rolava para o lado e voltava a ficar de quatro para engatinhar. Não se machucara.

– Mu... – disse, preocupado com o ferimento do amigo.

– Nã... – disse Mu, com um gestinho de “tudo bem”.

Sorriu para o amigo.

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH! — ouviu.

Vista da porta fechada.

Olhou para baixo e tentou pensar em algo. Fechou os olhinhos.

Uma lâmpada imaginária brilhou sobre sua cabeça. Abriu os olhos e olhou para o lado. Vista da janela aberta.

Olhou para os amigos, que já haviam sacado. Vista de Mu e Deba com sorrisinhos de lado cúmplices.

Deba engatinhou até debaixo da janela. Mu lhe encarou e sorriu, correndo até Deba e subindo em suas costinhas, fazendo uma posição de pé-pé em seguida.

Sorriu e franziu as sobrancelhas, decidido. Andou para trás para pegar distância. Vista de Mu e Deba se afastando.

Correu o mais rápido que pode, deu o salto mais alto de sua pequena vida, pegou impulso nas mãozinhas de Mu e saltou para a janela aberta...

Vista da janela sendo fechada repentinamente.

Não dava para parar... Bateu com força contra o vidro e ali ficou parado uns segundos com as perninhas e bracinhos abertos e a carinha esmagada.

Voz vinda lá de fora:

–... O vento frio estava batendo forte ali. – sem dúvidas, era o Mestre se afastando e indo na direção da entrada da Sala – Os meninos podem se resfriar... (não mais audível).

Caiu e bateu de costas no chão de pedra. Tudo apagou.

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Uma hora depois...

– Amus! Adoda!

– A-mus!

Abriu os olhos e sentiu dor em todas as partes do corpinho. Vista turva de Mu e Deba com olhares preocupados.

Sentiu as costinhas na superfície fofa do tapete. Os amigos o haviam colocado ali enquanto estava desacordado.

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

“Milo!”

Se levantou num pulo e se pôs de pé. Suas perninhas bambearam.

Vozes vindas do corredor. Eram Saga, Afrodite, Shura e Máscara da Morte.

Vista de Mu com uma carinha assustada e desaparecendo em seguida. A porta se abriu e os quatro entraram pelo quarto. Saga trazia o berço azul e o pôs do lado do de Deba, arregalando os olhos quando notou que este estava arruinado.

– Saga, o Deba saiu do beço! – caguetou Dite.

– Eu vi. Pô, Deba, não faz mais isso, tá? – disse Saga.

Vista de Saga pegando Deba no colo e colocando o berço em pé. Repousou o pequeno no berço. Deba lhe lançou um olhar de “poxa, não deu...”.

Sorriu tristemente para Deba, que se deitou no berço em seguida.

– Po que o Camus tá aqui? – perguntou Máscara, pegando a corda e pulando.

– O Mestre pediu para eu ajudar o Aiolos com os bebês, Máscara. – disse Saga.

Vista de Saga lhe pegando no colo e sorrindo.

– Né, Camus? – disse o amigo, sacudindo-o nos braços.

Apontou para a porta aberta.

Vista de Saga não entendendo e franzindo a testa.

– Vamos comer, então. – disse o amigo, indo até uma prateleira. Vista da mão de Saga revestida pela Armadura pegando três mamadeiras.

Vista de Shura, Afrodite e Máscara da Morte vindo na direção deles e pegando cada um uma mamadeira.

– Para a cama. – disse Saga – Dormir.

Vista dos três indo cada um para sua caminha e mamando.

Vista de Saga pegando mais duas mamadeiras, indo na direção do berço de Deba e oferecendo uma ao bebê de Touro, que se ergueu, a pegou de sua mão e deitou para mamar.

– Aqui, Camus. – Saga o pôs em seu berço – Toma. – ofereceu-lhe uma mamadeira.

Vista da mamadeira oscilando de um lado para o outro.

– Não quer? – Saga não entendeu – Por que, moleque?

Vista da mamadeira oscilando de um lado para o outro.

– Mas você tem que comer, Camus.

Vista de seus bracinhos se estendendo. Pediu colo para Saga.

O amigo o pegou nos braços. Apontou para a porta.

– Quer brincar de avião?

Vista do rosto de Saga oscilando de um lado para o outro. Apontou para a porta.

– Tá bem. Você venceu.

Vista da porta aberta se aproximando! Finalmente! Corredor... Mas... Vista da porta ao lado se abrindo e do pátio da Sala do Mestre.

– Quer ficar um pouco aqui fora? É isso? – disse Saga – Tomar Sol?

Vista do rosto de Saga oscilando de um lado para outro.

– Afff... Camus, eu tô cansado, tá? – disse o amigo, se irritando – Você vai é ficar no berço e vê se sossega.

Tentou concentrar seu pequeno cosmo para falar com Saga, mas a irritação e cansaço do amigo o bloqueou totalmente.

Vista da porta se aproximando, se fechando. Corredor... Porta do quarto abrindo. Berço se aproximando. Seus pezinhos tocaram o lençol. Se segurou na grade azul e olhou para Saga com os olhos pedintes e cheios de lágrimas.

– Nem vem. – disse o amigo, lhe dando as costas – Nem te dou atenção. Vai dormir. – disse com a voz trêmula – Todos vocês, ouviram?!

Vista de Deba no berço segurando a mamadeira vazia e já adormecido, Shura dormindo de bruços na caminha com o bracinho pendendo para fora, Máscara da Morte dormindo todo encolhido e Dite adormecido profundamente, segurando seu peixe de pelúcia.

– Ótimo. – disse Saga, se deitando no tapete – Só falta você, filhote de iceberg.

Virou-se de costas para Saga, indignado. Cruzou os bracinhos e se sentou no berço, pensativo.

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!

“Milo!”

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O jovem Cavaleiro de Sagitário se postou diante de Shion e se ajoelhou.

– Mestre, desculpe interromper, mas o pequeno não para de chorar. – disse Aiolos, desesperado – Não sei o que eu faço!

Shion estava sentado em sua mesa com vários papéis e pendências de assuntos do Santuário para resolver. Suspirou, irritado por ser interrompido e com o choro do bebê que vinha durando desde manhã cedo...

– Brinca com ele. – disse o Mestre, sem nem olhar para o jovem Cavaleiro de Sagitário – Veja se está com fome, sede ou talvez com a fralda suja.

– Eu já tentei de tudo... – se justificou o menino – Ele não para... Está assim desde que acordou.

O Mestre estava irritado aqueles dias, mas buscava se controlar para não explodir ou tratar mal as crianças e repetir seu erro de quase dois anos atrás.

“Atena, me dê paciência...”.

Não conseguia dormir bem há meses. Por mais que soubesse que não tinha como cuidar de todos os bebês de Ouro, não sobrecarregava os criados, ordenando somente que cuidassem das crianças à noite. Sabia que não devia desviá-los de seus afazeres diários, o que lhe acarretaria ainda mais dor de cabeça. Contava muito com a ajuda de Saga e Aiolos para cuidar dos tantos pequenos durante o dia...

– Tisc... – resmungou o Mestre, meio impaciente – Peça ajuda ao Saga... – suspirou — Sinto muito, Aiolos, mas não posso sair daqui agora. Veja o tamanho desta pilha de papéis.

O jovem Cavaleiro de Sagitário assentiu, compreendendo a situação de Shion. Virou-se e correu até onde estava o amigo, em um dos quartos dos Aposentos do Mestre.

#Visão em primeira pessoa_____________________________________

Ruídos metálicos ecoaram levemente pelo quarto.

– Afff... Preciso mijar. – disse Saga para si mesmo.

Virou-se para trás. Vista de Saga andando até a porta, saindo e... Deixando-a entreaberta!!

Suspirou decidido. Era sua única chance. Fechou os olhos e, instintivamente, concentrou seu cosmo.

“Milo.” Sua própria voz ecoou por sua mente. Sentiu a energia percorrer fracamente por seu corpo.

Abriu os olhos, deu um salto sobre-humano e caiu sobre o tapete. Correu até a porta. Vista da porta aberta se aproximando e se abrindo.

Olhou para os lados e não viu ninguém. Saga iria voltar rápido, com certeza.

Tentou correr aos passos leves pelo corredor para que ninguém o escutasse. De repente, sons metálicos de passos correndo... Vista de Aiolos se aproximando rapidamente.

“Não!” pensou, desesperado. Tinha que fazer alguma coisa rápido!

Vista do tapete vermelho que se estendia pelo corredor inteiro sendo levantado por sua mãozinha. Se jogou embaixo do dele, deixando seus cabelos do lado de fora... Escuridão...

Ouviu Aiolos se aproximar mais... E um puxão violento nos cabelos. Mordeu seu cordão dourado por não gemer de dor. O jovem Cavaleiro de Sagitário pisou logo ali quando passou sem notar um montinho logo ao lado. Ouviu os passos de Aiolos se afastarem e a porta lá atrás sendo fechada.

Vista do corredor e do tapete sendo colocado no lugar por suas mãozinhas. Cabelos sujos... E uma dor de cabeça...

– BUUUUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!

Correu na direção do quarto dos bebês.

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– Saga, me ajuda! – falou Aiolos esbaforido ao entrar correndo pela porta.

– Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh... – fez o jovem Cavaleiro de Gêmeos para que ele se calasse imediatamente – Vai acordar eles. – cochichou o menino, ralhando com o amigo.

O jovem Cavaleiro de Gêmeos, durante aquele período, estava responsável pelos três garotos mais velhos: Shura, Afrodite e Máscara da Morte. Depois de tomarem café da manhã, os meninos eram levados por Saga a uma das arenas ou ao Coliseu do Santuário para treinarem de maneira leve. Afinal, o tempo passava rapidamente e logo o trio atingiria a idade em que se tornariam Cavaleiros de Ouro. Até que daquela vez eles tinham dormido bem facilmente, mas se acordassem...

Aiolos observou as caminhas e berços que se encontravam ali. A caminha encostada na parede sustentava Shura, de quatro anos, cabelos negros curtinhos e arrepiados. Dormia um sono agitado, mexendo-se muito e fazendo caretas, com uma respiração acelerada. O jovem guardião da Nona Casa foi até lá, se sentou ao lado do garotinho e segurou sua mão.

– Hehehehe... – riu Saga, baixinho – Cuidado pra não se cortar...

Aiolos retribuiu a risada e olhou para o garotinho, que havia parado de se mexer e agora ressonava. Um cordão fino de ouro com o Pingente Sagrado ♑ brilhava em seu pescoço.

– Ahhh... – disse Saga, divertido – Ele gosta de você, cupido de quatro patas... Hehehehe...

Na caminha do lado estava Mascara da Morte, de três anos e cabelos cinzentos. Dormia todo torto com um sorriso nos lábios. Seu cordão de ouro continha o Pingente ♋. Ao lado, dormia profundamente o lindo Afrodite, loiro, de quatro anos, agarrado a um peixe de pelúcia. O Pingente ♓ brilhava em seu cordão. O berço azul ao lado estava vazio e, ao lado dele, havia um maior da cor verde, com um bebê muito grande de um ano de idade. Pingente ♉.

– Por que esse berço azul e o Aldebaran estão aqui? – perguntou Aiolos, estranhando a presença de berços naquele recinto em que antes só havia caminhas.

O Mestre reservara aquele quarto para os três garotinhos, já que eram muito agitados, barulhentos e precisavam de mais espaço. Não dava certo deixa-los no mesmo recinto que os bebês, que eram acordados continuamente pelos três. Saga cruzou os braços e encarou o amigo.

– O Mestre me falou que você está muito sobrecarregado cuidando dos bebês, ai eu trouxe esses dois pra cá, pra eu cuidar deles. – disse Saga – Ai, você fica com os quatro lá. Se quiser, a gente pode trocar de quarto... Mas não se anime. Humpf...

O jovem Cavaleiro de Sagitário sorriu ao ver a expressão engraçada de Saga, e lembrou-se de como não sabiam absolutamente nada de como cuidar de crianças e bebês há um ano e meio. Aprenderam bem rápido no decorrer da chegada de mais e mais pequeninos.

– Hum... Hehehe. – riu Aiolos – Vamos fazer isso um dia desses, pra você trocar umas fraldas. Hehehe. – murmurou Aiolos – Obrigado, Saga.

Saga assentiu, dando um sorriso cansado para o amigo. De repente, seu sorriso foi substituído por uma expressão de espanto. Se tocou e sentiu um calafrio percorrer sua espinha. O que Aiolos tinha dito mesmo?!

– Perai, você disse... Berço azul?... – e olhou para o berço vazio e ia falar algo alto, mas teve sua boca tapada por Aiolos antes que acordasse as crianças – E-Está vazio?! Cadê o Camus?! – disse com a voz abafada.

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Corria o mais rápido que podia pelo corredor até seu fim. Vista de uma porta entreaberta.

Se aproximou devagar e na ponta dos pezinhos. Se esgueirou pelo espelho da porta e tentou olhar lá dentro. Estendeu a cabeça até o nível dos olhinhos para dentro do quarto.

Vista do Mestre escrevendo concentrado com a pena.

Vista da porta seguinte entreaberta.

Abaixou a cabeça, desanimado. Vista do chão de pedra.

“Milo...”

Passos metálicos vindos lá de dentro. Se encostou todo na parede.

Vista do Mestre saindo da Sala e andando pelo corredor.

“Isso!” pensou animado. Vista do Mestre entrando em uma das portas do corredor. Virou-se e entrou na Sala. Vista da porta que dava para outro corredor sendo aberta por suas mãozinhas.

Vista do corredor seguinte. Vazio. Porém... Porta do quarto dos bebês: fechada.

“Oh, não! Não!” pensou com raiva.

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O jovem Cavaleiro de Sagitário arregalou os olhos e encarou o amigo, que se desvencilhou de suas mãos.

– Você o perdeu? – espantou-se Aiolos – Era pra ele estar no berço?! – olhou para o berço verde escuro vazio — Caraca, Saga!

– “Pelamor” de Atena... Eu só tinha ido ao banheiro e ele me foge... – disse Saga, começando a procurar pelo quarto pelo único bebê ruivo presente no Santuário – Me ajuda aqui, meio-pônei...

Aiolos balançou a cabeça negativamente.

– Afff... E eu que tinha vindo te pedir ajuda, Xerox... – suspirou Aiolos, e começou a procurar também.

Procuraram embaixo de camas, berços e de todos os outros móveis do quarto sem sucesso.

Saga tentou se acalmar. Fechou os olhos e buscou pelo pequeno cosmo de Camus, mas sem sucesso. Sentia-o por perto, mas não entendia aquele bloqueio que o impedia de encontra-lo precisamente... Afinal, sempre conseguira se comunicar mentalmente com o pequeno muito bem, desde aquela primeira vez.

– A porta estava fechada. Ele não pode ter saído, pode? – disse Saga, nervoso.

– Nunca vi nenhum deles fazer isso. – respondeu Aiolos, e foi até a porta – Mas ela estava entreaberta quando eu entrei.

– Droga... – praguejou Saga — Ele estava muito estranho hoje... Não quis comer, nem brincar... Só ficava olhando pra porta e apontando... – levou a mão ao rosto, confuso — Dei umas voltas com ele lá fora, pensando que queria passear ou tomar sol...

Aiolos espantou-se ainda mais ao ouvir a última frase. Como assim?! O Saga não conseguia se comunicar com o Camus? Como pode levar logo o geladinho para se esquentar? Absurdo! Não era mais nenhuma novidade que o futuro Cavaleiro de Aquário era o bebê mais anormal ali... O que ele estava pensando?! Só podia estar maluco.

– Clone, você sabe que ele odeia sol. Não fica nem um minuto sem tentar sair... – disse Aiolos, confuso, porém em tom repreensivo.

Saga encarou o amigo, perdido. Tentou não se importar com a bronca de Aiolos... Hoje, definitivamente, o bebê ruivo estava mais estranho do que nunca. Tentou se concentrar de novo em seu pequeno cosmo, mais uma vez sem sucesso. Notou o tom acusativo de Aiolos, porém evitou qualquer discussão com o amigo.

– Eu sei, mas foi o que eu entendi, pô! – o jovem Cavaleiro de Gêmeos nem sabia mais o que dizer ou justificar. O importante naquele momento era encontrar Camus.

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– AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH! – ouviu, vindo lá de dentro.

Respirou fundo e fechou os olhinhos. Franziu as sobrancelhas. Tentou concentrar seu pequeno cosmo mais uma vez.

Abriu os olhos e olhou para a maçaneta redonda. Saltou anormalmente alto e a agarrou, escorando os pezinhos na porta. Vista da maçaneta sendo girada. Fez força para frente para abri-la. Sem sucesso... Não só estava fechada como trancada.

“Não!”

– AAAAAAAAAAAAAAHHHHHH!

“Milo!”

Vista da maldita maçaneta em suas mãozinhas. Apesar de tudo, mantinha-se calmo. Fechou os olhinhos e concentrou-se novamente.

“A-Atena...” disse instintivamente em pensamento.

Sentiu a energia correr por cada célula de seu corpo.

Abriu os olhos e os fixou na maçaneta, que estremeceu e ficou embaçada pelo frio que saiu de suas mãozinhas.

Respirou fundo... Ainda não era o suficiente.

– AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!

“Atena!”

Concentrou ainda mais a energia que percorria seu corpo nas mãos.

Vista da maçaneta perdendo a cor dourada e se tornando... Azulada. O ruído do gelo que se formava em volta dela ecoava pelo corredor.

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!

“Milo!”

Seus olhinhos vermelhos tomaram um brilho azul vivo.

“Congele...”

A maçaneta trincou.

“CONGELE, MEU COSMO!!”

A energia congelante percorreu violentamente seu pequeno corpo... E o lançou contra a parede. Havia passado dos limites...

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“As crianças! Controle-se!” ralhou Aiolos.

– Shhhhhhhhhhhhhhhhhh... – e fez para que Saga entendesse muito bem o recado de que devia se calar.

– Tisc... – irritou-se o menino, que levou as mãos à cabeça desesperado.

“Vamos procurar por ele lá fora...” disse Saga.

E saíram do quarto em silêncio, fechando a porta. Procuraram pelo corredor, salas, banheiros... Aiolos, assim como Saga, tentava encontrar o cosmo de Camus e se comunicar com o pequeno, mas também não conseguia. Sabia que o bebê estava por ali, mas ao mesmo tempo, não sabia como acha-lo... Olhou de relance para o amigo, que olhava debaixo de uma mesa, e culpou-se por tê-lo acusado de incompetência, mesmo que mentalmente, uns minutos antes.

Bem, já que não conseguiam por cosmo:

– Ô Caaaaamuuuuuusss! Caminhooooo! Vem cá, v...

Saga se desesperou e calou a boca do amigo.

– V-você quer acabar com a minha vida, cupido?! – cochichou Saga, encarando Aiolos, irritado – Se o Mestre descobrir, ele me mata.

Aiolos tirou a mão do amigo de sua boca e cruzou os braços, indignado. Saga era muito exagerado, às vezes. Até parece que o Mestre...

– Achei que seria o modo mais rápido de encontrarmos ele. – disse o jovem Cavaleiro de Sagitário, incompreendido.

– Cala a boca e me ajuda... – rosnou Saga, fazendo um gesto de “não enche”.

– Cala você, humpf... – respondeu Aiolos, dando um bico na mão do amigo que fazia o gesto.

Procuraram por quase todos os lugares dos Aposentos do Mestre. Até que chegaram à sala do próprio, que ficava próxima ao quarto onde os bebês ficavam. Os dois espiaram por uma fresta da porta e viram Shion concentrado em seus afazeres, afundado nos papéis e escrevendo rapidamente.

– Como a gente vai procurar na Sala do Mestre? – disse Saga, tremendo. Sabia que era impossível para eles dois passarem despercebidos por Shion.

– Acho que ele tá tão ocupado que nem vai ver a gente... – disse Aiolos, aceitando o desafio e tentando ser otimista – Já sei. – estalou o dedo com a ideia que surgia em sua mente.

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Havia se chocado contra a parede com muita força. Ergueu seu tronco e sacodiu a cabeça, que latejava como nunca. Se levantou e cambaleou para frente.

Vista turva da porta... Aberta!

Estava tonto e andava em ziguezague. Entrou no quarto e seguiu uma direção certa.

Vista turva de um berço vermelho.

Cambaleou mais para frente e caiu, sem força. Ainda teve o reflexo de apoiar as mãozinhas no chão... Dor e ardência terríveis... Sentiu a pele delas rachar devido às geladuras. Soltou-as do chão, deixando as marcas de sangue vivo estampadas ali e rolou para o lado, deixando-se cair no chão de pedra.

Vista turva das grades vermelhas do berço e do móbile sobre ele. Fechou os olhos e respirava ofegante. Sentiu uma lágrima de dor escorrer por seu rostinho corado.

– Aahhnn... Aaahhh... – ouviu, muito perto.

Abriu os olhinhos devagar.

Vista ainda mais turva do que parecia ser um bracinho e uma mãozinha saindo das grades do berço vermelho.

“Mi... Lo...”

Concentrou seu cosmo novamente... Não acreditou que seria possível sentir mais dor do que naquele momento. Se levantou bruscamente e saltou para dentro do berço.

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– O que? – disse Saga, olhando curioso para o amigo.

– Você me manda pra OUTRA DIMENSÃO* e eu vou parar no quarto dos bebês, ai, eu entro por um lado e você, pelo outro. – revelou Aiolos, animado com a ideia que parecia brilhante.

– Tisc... – resmungou Saga.

– Que foi? Não gostou do plano? – aquietou-se Aiolos, sem entender o desânimo do amigo.

– A ideia é boa, mas eu ainda não tenho controle de onde você vai parar não... – suspirou o jovem Cavaleiro de Gêmeos, e encarou o amigo com um sorriso maroto — Vai que eu te mando pro além...

– Ah... Então deixa. – contentou-se o jovem Cavaleiro de Sagitário, rindo da cara do amigo — Vamos entrar devagar pra ele não nos ouvir.

“Isso não vai colar...” pensou Saga enquanto seu sorriso se esvaía.

– Ok. – concordou assim mesmo.

Os dois respiraram fundo, empurraram a porta devagar e entraram na Sala pisando na ponta dos dedos.

“Esconde o cosmo ai!” ralhou Saga, ainda sentindo a presença da cosmo energia do amigo.

“Eu tô tentando, pô!” retrucou Aiolos.

Procuraram com os olhos nos locais possíveis, depois se separaram e cada um foi para um lado.

– Hahahahahahahaha!

Os dois deram um pulo de susto e seus corações quase saíram pela boca.

– Saga, está escondendo seu cosmo muito bem, apesar de deixar passar um pouco de medo. Aiolos, você precisa praticar mais. – disse Shion, rindo dos dois aprontando e achando que iam passar despercebidos por ele – Vocês me divertem muito, crianças.

Os dois se entreolharam, engoliram seco e arregalaram os olhos de espanto. Realmente, esse tinha sido o pior plano que já tinha sido bolado. Pensaram em quanto tinham sido ingênuos e tontos em tentar passar por ali sem causar umas boas risadas em Shion.

– Hahahahahaha!! – o Mestre ria de chorar – Mas que coisa... Hahahahaha!

Saga não se conteve e começou a rir do Mestre rindo, e Aiolos também se deixou levar. Riram até que Shion parou subitamente.

– Mas então, crianças, o que estão procurando tão assiduamente? – disse ele, encarando os meninos.

Acabou a graça.

– M-mestre... É que... É... – os dois tentavam falar ao mesmo tempo.

– Um de cada vez. – disse Shion, sério.

Aiolos olhou para Saga e vice-versa. Não havia mais para onde correr e o jovem guardião da Terceira Casa resolveu tomar coragem e assumir sua falha. Tremia de medo. Sentia-se um completo incompetente.

– M-mestre é que o... – tentou dizer Saga.

– Ah, sim. – interrompeu Aiolos, tendo uma ideia – A gente estava procurando uma chupeta, Mestre!

Saga olhou embasbacado para o amigo. Hã??!

“Chupeta?”

“É. Deixa comigo.”

– Mas o que uma chupeta estaria fazendo aqui, na minha Sala? – disse Shion, achando engraçado.

– Errr... Anhhh... – enrolou-se Aiolos.

Shion riu novamente da inocência dos dois.

– Hahahahahahaha!

Os dois se olharam, sem entender.

– Quero reforçar – Shion se levantou de sua mesa e foi até os dois, se ajoelhando e olhando em seus olhos seriamente – que nunca devem mentir nem para mim, nem para ninguém. A mentira é o maior princípio da injustiça. Lembrem-se que nossa Deusa preza sempre a justiça, crianças.

Aiolos abaixou os olhos e corou, envergonhado. Saga olhou para o amigo e depois para o Mestre.

– A culpa foi minha, Mestre. – disse, se encorajando e assumindo seu erro. Preocupou-se se o amigo seria punido por mentir, mesmo que para tentar lhe ajudar.

Shion apenas sorriu calmamente e bagunçou o cabelo dos dois, carinhoso.

– Tudo bem. – disse ele, e olhou para Aiolos – Está um silêncio, não? Sem mais choro... – e piscou um olho para o menino.

O jovem Cavaleiro de Sagitário virou a cabeça e franziu a testa, sem entender de imediato. Porém, logo se tocou e a culpa veio bruscamente. Seus olhos se encheram de lágrimas.

– Por Atena! – disse ele com voz de choro – Milo! O deixei chorando e não fiz nada!

Shion secou uma lágrima que caiu dos olhos do menino e sorriu.

– Acalme-se, criança. Por que não vamos lá ver? – e pegou cada um em uma mão e os levou até o quarto dos bebês.

A porta estava estranha e tinha sido arrombada. Pingos de água caíam no chão vindos da maçaneta, que havia sido esmagada e forçada para dentro. Parecia estar... Descongelando?!

– ????! Mas o que... – espantou-se Aiolos com o estado da porta.

– Shhhh... Vamos ver. – disse Shion baixinho.

Havia quatro berços neste quarto, que cheirava a talco e lenços umedecidos. Da esquerda para a direita, no primeiro berço, havia um bebê lemuriano loirinho, com as inconfundíveis pintinhas na testa dormindo com uma expressão serena. Lá estava seu fino cordão de ouro com o Pingente Sagrado ♈. Ao lado, um bebê também loiro e bem acordado cravava seus poucos dentinhos em seu mordedor. Olhou para Aiolos e sorriu:

– Imão...

Seu Pingente no cordão, ♌. À direita, estava mais um bebê loiro que parecia dormir sentado de pernas cruzadas, repousando as mãozinhas sobre as coxas. Pingente: ♍.

– C-Camus... – disse Saga, sem acreditar no que via no último berço.

E os três foram até ele. Lá estava o mais novo dos Cavaleiros de Ouro, um bebê de meses de idade loiro dormindo profundamente com uma chupeta na boca. Pingente: ♏. Ao seu lado e olhando atentamente para os três, estava o bebê ruivo, que repousava sua mãozinha no peito do outro, que por sua vez a segurava. Pingente: ♒.

– Parece que o Camus achou a chupeta. – disse Saga, sorrindo.

– Não... – disse Aiolos, espantado – O Milo estava gritando e chorando mesmo com ela.

Shion suspirou e disse, também sorrindo.

– Saga, você tirou o Camus daqui?

– Aham. – concordou o menino.

– Quando?

– De manhã cedo.

Aiolos, boquiaberto e impressionado, disse:

– Mas, isso foi logo antes do Milo começar a...

Shion riu e pegou Camus no colo.

– Então, vamos trazê-lo de volta se ainda quisermos ter ouvidos saudáveis e portas inteiras não é, Camus de Aquário?

O bebê ruivo fez que sim com a cabeça e sorriu para o Mestre, que lhe deu um beijo na testa e voltou a coloca-lo no berço de Milo.

– Mestre? – disse Saga.

– Sim.

– Ammm... Eu não consegui encontra-lo através do cosmo hoje... – disse o menino, confuso — Por quê?

Shion se sentou em um pufe, cansado, e disse:

– Talvez porque ele estivesse concentrando todo o seu pequeno cosmo para entrar neste quarto. Consumiu-o todo, logo a energia que sobrou foi bem pouca. – disse o Mestre – O que ele fez com a porta... Bem... – riu levemente — Foi muito bom para a idade dele.

Shion arregalou os olhos e se tocou. É... Tinha sido bom até demais! Levantou-se rapidamente e foi até o berço vermelho de novo. Pegou Camus nos braços. O bebê não conseguiu se conter dessa vez e fingir que estava tudo bem. Soltou um gemido de dor.

– Por Atena, Camus... – disse Shion, olhando para o pequeno dos pés à cabeça. Estava com muitos hematomas por sua pele branquinha e...

A hiperaudição de Shion o deixou escutar algo pingar no chão. Olhou para a origem do som e viu uma gota vermelha espalhada pelo chão. Seguiu a direção de onde ela tinha vindo e viu as mãozinhas de Camus em carne viva.

– Ah... Não... – ele não aguentava... Não podia ver aquilo em um bebê. Seus olhos se encheram de lágrimas – Ahhh, Atena... – disse com a voz trêmula.

Andou em direção à porta destruída com o pequeno no colo.

Os meninos se entreolharam, erguendo as sobrancelhas e preocupados, agora entendendo o porquê do sumiço de cosmo de Camus que ocorrera há uns minutos. Fizeram menção de seguir o Mestre.

– Não... Fiquem ai com eles. – disse Shion, agora chorando e saindo do quarto – E-Eu já volto.

– Ele vai ficar bem, Mestre? – perguntou Saga, se sentindo um fracasso.

– Vai sim... – disse Shion, já fora dali.

– Poxa... – disse o garoto, entristecido e se sentando no chão -... Foi culpa minha.

– Não, Saga. – disse Aiolos, pondo a mão no ombro do amigo e se sentando ao seu lado – É minha culpa.

Um baque alto repentino ecoou pelo quarto. Os garotos se levantaram num pulo e olharam para onde ele tinha surgido.

– Aiolia... – disse Aiolos baixinho.

O berço do bebê de Leão estava tombado, e o pequeno Aiolia ria gostosamente sentado sobre as grades amarelas destruídas deste.

– Ah, não... – suspirou Saga, já tampando os ouvidos.

Varias respirações baixinhas e alteradas se manifestaram, mas felizmente, nenhum choro.

– Ufa... – os meninos se entreolharam, aliviados.

Enquanto Aiolos resgatava o berço e Aiolia, Saga olhou na direção de onde se ouvia uns passinhos leves. Seus olhos encontraram-se com dois pequenos e verdes.

– Oi, Mu. – andou na direção do berço lilás do futuro Cavaleiro de Áries e apoiou as mãos na grade, sorrindo para o pequeno.

O bebê lemuriano deu uma risada gostosa... E sumiu repentinamente.

– O que?! Ih... – Saga balançou a cabeça, preocupado e confuso – Aiolos, o Mu desapareceu!

– Hã?! – espantou-se Aiolos – Ah, não... Já não bastou o Camus hoje? – suspirou – Ele deve estar querendo brincar de se esconder... Faz isso todo dia desde que aprendeu a se teleportar.

– Hum... – suspirou Saga, aliviado – Ah, tá. Amm, cupido?

– Oi. – respondeu Aiolos e encarou o amigo.

– Obrigado por me ajudar. – disse o garoto com um sorriso.

– Ah, de nada. – disse o jovem guardião da Nona Casa – Amigos são pra isso, certo? – e ergueu a mão, sorrindo.

– Aham. – disse Saga, batendo na mão do amigo num gesto de companheirismo.

– Ammm... Oooommm...

Os dois se viraram na direção de um dos berços e riram de chorar. Mu havia aparecido no berço do futuro Cavaleiro de Virgem, e se sentou com as perninhas cruzadas e apoiou as mãozinhas sobre as coxas como Shaka, fechou um olho e deixava o outro aberto para imitar todos os movimentos do futuro amigo. O pequeno Buda loirinho franzia a testa, bravo pelo outro estar quebrando sua concentração.

Aiolia engatinhava pelo quarto, cantarolando uma canção indecifrável que ele mesmo inventou. Aiolos se sentou no chão e começou a lançar de leve brinquedos de pelúcia sobre o irmãozinho, que se animou em brincar.

Saga foi até o berço de Milo, que dormia um sono conturbado, balançando as mãozinhas e se contorcendo. O jovem Cavaleiro de Gêmeos arregalou os olhos, que se encheram de lágrimas, ao ver a mãozinha de Camus estampada com sangue no macacãozinho branco do bebê de Escorpião.

Estendeu os braços e pegou o pequeno agitado no colo. Sentiu sua roupinha úmida de suor.

– Miilooo... – chamou carinhoso e com a voz trêmula pelo choro – Miilooo... – sacodiu os braços levemente e fez carinho nos cabelinhos loiros e molhados do bebê.

O pequeno abriu os olhinhos e os esfregou sem jeito com as mãozinhas.

– Oi, bebê. – disse Saga, olhando para o pequeno.

– Ahhh... – respondeu o pequeno com um meio sorriso, olhando para os lados com os olhinhos muito azuis.

– Ô meio-cupido-pônei, o Milo sua assim? – perguntou Saga, já se recompondo do choro.

– Suar? Não... – disse Aiolos enquanto brincava com o irmãozinho, olhando para Saga sem entender.

– É que ele tá todo molhado... – disse Saga, erguendo o pequeno com as duas mãos e observando melhor sua roupinha branca toda encharcada.

– Deve ter feito xixi e vazou... – disse Aiolos, já esperando a reação do amigo.

– Eca! – fez Saga.

– Hahahahaha! – riu Aiolos da cara de nojo do amigo.

– Mas não ia vazar nele todo, ia? – disse Saga enojado, e afastando ainda mais o bebê com os braços.

O pequeno o olhou indignado. Fechou os olhos, franziu as sobrancelhas, cruzou os bracinhos e virou o rostinho para o lado.

– Ele não gostou, Saga... Pffffffff... Hahahahaha! – Aiolos ria de chorar – Vai magoar os sentimentos dele, hien? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

– O que é tão engraçado? – disse Shion, voltando para o quarto com Camus nos braços.

– Ahhhhhhhhhh! – o bebê molhado nos braços de Saga abriu um sorrisão.

Shion olhou para o garoto e não entendeu o porque de estar afastando o pequeno de seu corpo daquele jeito.

– Ele está sujo? – disse Shion, sem entender.

– Molhado... – disse Saga com os olhos fechados de nojo.

– Troque a fralda dele, ué! – disse Shion.

– Digo, todo molhado! – disse o garoto, olhando para o Mestre – Dos cabelos ao pé.

– Deixe ver. – Shion se aproximou dali e cheirou o pequeno sem medo – Não é xixi. É suor. – Shion se virou para Aiolos – Ele tremeu ou ficou quente, Aiolos?

– Não que eu tenha visto, Mestre. – disse o menino, preocupado.

– Deve ter tido febre enquanto você ficou fora. – disse o Mestre, pondo a mão na testinha de Milo – Mas já passou, pelo visto.

Saga olhou para o pequeno, que virou o rostinho para não encará-lo.

– Ahh... Desculpa, Milo. – disse o menino – Pô... É que colocar a mão em xixi é nojento.

– Humpf... – o bebê se manteve indignado.

– Ammm... Olha, poxa... Eu tô pedindo desculpa. – disse Saga, fazendo carinho na barriguinha do pequeno, que tentava afastar sua mão com as mãozinhas e pezinhos, bravo – Caraca... Pô, seu chato...

– Hahahahahaha! – ria o Mestre, se sentando no pufe – Não vai adiantar muito, Saga. Esse ai...

– Tisc... – fez Saga, e não se conteve – Hehehehe! – ria e continuava a tentar encostar a mão na barriguinha de Milo, que lutava com todas as forças para afasta-la – Ele é muito orgulhoso! Ah, lá! Hahahaha!

Aiolos se aproximou do Mestre e se ajoelhou ao seu lado. Fez carinho nos cabelinhos ruivos de Camus, que fez uma carinha de dor.

– Tadinho... – suspirou o menino, entristecido.

Milo parara de lutar contra a mão de Saga e se virou na direção de Camus.

– Ahhh... Ahhh... – olhou para Saga e para o Mestre, estendendo os bracinhos.

Saga se aproximou e o repousou no colo de Shion, que o segurou com uma mão. O bebê de Escorpião olhava Camus dos pés à cabeça, preocupado.

O bebê de Aquário tinha as duas mãozinhas e a cabeça enfaixadas e alguns curativos pelo corpinho. Encarou Milo com o olhar carinhoso, apesar de tudo.

– Eu já lhe dei um remédio para dor, Milo. – disse Shion, dando um beijo na cabeça do pequeno – Logo ele estará melhor, sim? Atena o guarde.

O pequeno Milo estendeu as mãozinhas, pegou uma de Camus e lhe deu um beijinho. Encarou-o profundamente. O bebê ruivo lhe retribuiu o olhar.

Milo pegou a mãozinha ferida de Camus com todo o cuidado e repousou-a em seu peito, cobrindo perfeitamente a marca de sangue estampada ali.

O bebê de Aquário deu um sorriso ao ouvir as batidas aceleradas e leves ali. Suspirou, já quase sem dor.

– C-Camus... – disse o bebê de Escorpião, carinhoso e olhando hipnotizado para ele.

– Ele falou! – disse o Mestre, feliz em escutar a primeira palavra de Milo...

Notas finais
*ANOTHER DIMENSION, no original. Espero que tenham gostado :)