Notas iniciais
Ainda esta chovendo. Ainda sinto sua falta. Ainda te amo. — Chão-

Seus pés pisaram nas pequenas poças de água, acumuladas nos pequenos buracos no asfalto. Seus dedos, envolvidos em torno da corda, começavam a ficar com os nós das dobras, brancos. Sua respiração estava pesada, devido ao esforço de arrastar o corpo por tantos metros.

A cabeça da garota, agora inconsciente, arrastava ao chão. Seu cabelo loiro estava sujo de lama, com pequenas folhas e gravetos grudados por entre os fios. Seus braços, tombados acima da cabeça, começavam a ficar esfolados. O enorme corte em sua testa há tempos havia parado de sangrar, deixando uma trilha de sangue, que marcava parte do seu rosto.

— Estupida. – murmurou ele, enquanto afrouxava um pouco do aperto em torno da corda.

Os riscos prateados dançavam por sua íris, o castanho havia se clareado ficando de um tom avermelhado. Ele soltou um longo suspiro. A fumaça saindo de seu nariz, apenas indicava o quanto estava frio, mas seu corpo estava tão quente, quanto um dia de verão.

Paul

O dia amanheceu nublado. Grossas nuvens cinzentas deslizavam pelo céu. O vento agitou minhas roupas, me causando um leve arrepio. Apertei a grade de proteção da varanda, fazendo com que a forma dos meus dedos ficasse no ferro.

A casa ainda estava silenciosa. Os sons dos roncos, partindo dos quartos e de algum lugar na sala, eram reconfortantes, pois isso significava que ainda estávamos em segurança. Há alguns dias, Mael resolveu recolocar a barreira de proteção em torno da casa. Ele acreditava que talvez ficássemos mais protegidos desse jeito. Parte me mim se sentia feliz por tal pensamento, mas eu sabia que essa tranquilidade não ia durar.

Os pingos de chuva caíram com força. E olha que novidade, está chovendo de novo.

Deixei meu corpo cair pesadamente sobre a cama. Meu humor não está muito legal esses dias. Na verdade, o de nenhum de nós. A cada dia que passa, ficamos mais irritados, frutados e coisas desse tipo. Sem dizer que é como se estivéssemos esquecendo uns dos outros, esquecendo do elo que nos liga.

O jornal local continuava a narrar sobre o desaparecimento de jovens, em todo o estado. O ultimo desaparecimento ocorreu em uma cidade há umas nove horas daqui. Uma garota chamada Lisa, cabelo loiro, olhos verdes e um sorriso doce. Ela havia simplesmente sumido de dentro do quarto, apenas tinha um buraco enorme no lugar que era sua janela, e sangue espalhado por todos os lados. Algo me dizia que tinha dedo dele nisso tudo. Sim, eu estou falando do santo Vinicius, o novo herói da cidade.

Há alguns dias, ele simplesmente e magicamente, salvou um garoto de ser ataco por supostos lobos na floresta. Deste então, as pessoas deixaram de falar sobre mim e começaram a focar toda a atenção nele. Ta! Isso não é de tudo ruim. Mas é tão irritante ver como para ele nada aconteceu. Como ele simplesmente esqueceu tudo entre nós, como esqueceu que havia morrido. E vê-lo todos os dias na escola, era como ser esmurrado no estomago.

Rolei em meio às cobertas, e encarei a televisão. O filme sobre um apocalipse zumbi, já não estava tão interessante assim. Apoiei a cabeça sobre o braço, e assisti enquanto as pessoas corriam desesperadas.

— Bando de idiotas. – murmurei.

Vinicius

Para ele, o sono era algo raro de acontecer. Suas mãos, agora manchadas de sangue, se esfregavam enquanto a água da torneira as lavava. Ele se encarou no espelho. Algo estava errado em meio a toda aquela cena. O reflexo não lhe encarava. Ele batia desesperadamente contra o vidro, enquanto sua voz parecia ecoar apenas na cabeça de Vinicius. Os gritos angustiantes, o som dos dedos se quebrando ao se chocarem com força contra o vidro.

— Cale a boca. – disse ele revirando os olhos. – Você não sou eu. Eu não sou você. Então, apenas cale a droga da boca! – sua voz aumentou a cada palavra, até ele estar praticamente gritando. Suas mãos envolveram sua cabeça, enquanto ele gritava. As luzes no teto piscavam freneticamente. – VOCÊ NÃO SOU EU. – seu punho se chocou contra o espelho, o fazendo se partir em vários pedaços.

A fina linha de sangue lhe escorreu por entre o nariz, descendo até seus lábios. Um pequeno sorriso se formou, enquanto ele se virava e caminhava até a porta, limpando o filete de sangue, com as costas da mão. A pouca luz que entrava na casa, provinha da janela da sala, cujas cortinas, em tom pastel, estavam escancaradas.

Ele pegou sua mochila, largada sobre o sofá e saiu porta a fora. O vento frio lhe atingiu o rosto, fazendo suas roupas se agitarem levemente. Os primeiros pingos de chuva lhe atingiram assim que ele entrou em sua picape.

— Que ótimo. Agora não para de chover nesse inferno.

O carro deu ré e partiu a uma velocidade, considerada alta, pelas ruas desertas.

Ismael

Ismael acordou em meio aos braços fortes de Andrew. O calor do mais velho era agradável, em meio ao frio que parecia estar fazendo. O som da chuva e o leve cheiro de terra molhada fizeram com que todos os seus sentidos implorassem para que ele não saísse de debaixo das cobertas.

Andrew murmurou algo, antes de puxar Ismael para mais perto de si. Sua respira quente, sobre o pescoço do mais novo, fez com que um arrepio atravessasse seu corpo. O volume avantajado, que rosava levemente sobre as nádegas de Mael, lhe fez ficar excitado.

— Está chovendo lá fora. – sussurrou Andrew. – Um ótimo motivo para você não sair dessa cama.

— E quem disse que eu ia sair? – sussurrou Ismael em resposta.

Ele sorriu, enquanto lábios volumosos tocavam seu pescoço.

Paul

O barulho de alguém batendo na porta me fez desviar o olhar da TV.

— Entra ae. – falei baixo, totalmente sem animação.

Uma cabeça surgiu por entre a brecha da porta entreaberta. O cabelo castanho, e aqueles olhos brilhantes me fizeram sorrir de imediato. O cheiro de seu perfume me atingiu em cheio. Ele estava usando o moletom do time, a cor vinho destacava ainda mais sua beleza.

— Oi. – disse Jack.

— Ai meu deus. – saltei da cama, enquanto os braços dele se abriam. Deixei minha cabeça afundar em seu peito. – O que você esta fazendo aqui?

— As aulas foram canceladas. Alerta de furacão. E eu vi algumas noticias sobre desaparecimentos em lugares próximos daqui. – Jack me apertou com força. Era tão bom ouvir sua voz novamente. – E como você não me ligou mais, então comecei a ficar preocupado. E aqui estou.

— Mas como você entrou? – o soltei lentamente.

— Um daqueles garotos lá embaixo abriu a porta para mim. – Jack deu de ombro. Seus lábios se abriram em um sorriso, que eu conhecia tão bem. – Eu não quero ser chato nem nada. Mas você se importaria se eu apagasse por algumas horas na sua cama? Foi uma viagem longa.

— Claro que não. – sorri junto com ele.

Ele largou a mochila ao lado da cama. Sua bota, cor de mostarda, estava começando a ficar velha. Assim como sua calça favorita, a qual ele largou ao lado da bota.

— Eu sou um garoto de sorte. – a voz de Jack cortou o silencio que se estabeleceu no quarto. Saindo baixa e rouca.

Meu corpo se encaixou ao seu, enquanto seu braço me envolvia e suas pernas se entrelaçavam com as minhas. O som do seu ronco, baixinho e entrecortado, me fez sorrir, enquanto algumas velhas sensações voltavam.

Will

Will não estava com muita vontade de ir para a escola. Mas ele preferia ter que encarar todos aqueles adolescentes, a ficar dentro de casa ,em outro dia de chuva, sem ter nada para fazer.

Seus dedos formigavam enquanto ele caminhava pelo corredor, quase vazio. Os poucos alunos que ainda se encontravam por ali, o cumprimentaram, com alguns “Oi” calorosos e sorrisos que podiam ser considerados amistosos.

As salas estavam praticamente vazias. Metade dos alunos havia faltado. Na aula de história, apenas seis pessoas se encontravam lá dentro, entre elas aquele garoto o Eduardo. Mesmo depois de todas as grosserias desferidas por ele contra Will, o garoto ainda sentia e alimentava algo por aquele garoto.

As horas se arrastaram lentamente. Will caminhava em direção ao banheiro, quando algo lhe chamou a atenção. Alguém corria em sua direção, o rosto em uma expressão de puro terror. Conforme a pessoa se aproximava, Will pode reconhecer quem era.

— Me ajuda. – disse Eduardo parando em frente ao outro garoto. Seus olhos carregavam certo tom de pavor, e sua voz tinha certo tom de urgência. – Por favor.

— O que aconteceu?

— Ele está vindo. Ele vai nos pegar. – respondeu Eduardo segurando a mão de Will. Uma corrente elétrica atravessou o corpo do garoto, o fazendo arfar. Seus pés se moveram, pronto a correr junto com Eduardo.

O chão tremeu, enquanto as luzes do fim do corredor se apagavam. Algo tremulou a alguns metros a frente dos dois.

— Ele está aqui. – sussurrou Eduardo.

Notas finais
Acharam que eu ia parar de postar aqui, não foi? Pois bem. Eu não vou. E eu estou pensando seriamente em levar a fic para a minha outra conta. Todas as minhas fics, na verdade. Mas não quero perder todas as visus e review. Enfim. Eu to com duas fics novas, e eu acabei me perdendo em Magic e não sabia mais o que escrever nela. Mas finalmente achei uma playlist que me fez ter inspiração. Agora, espero que gostem. Comentem ai, se sentiram minha falta e o que acharam do cap. Beijos de luz. Ps: Corram até minha outra conta e leiam minhas fics novas. Ps2 : Procurem por Chão e vocês vão achar.