Magic Blood
28 Um bom erro
Notas iniciais
– Como conseguiu me trazer de volta? – Ele me perguntou quando chegamos ao Mystic Grill.
– Bom demorou dois anos, mas eu consegui achar um feitiço de controle de corpo no grimório da família da minha mãe. – Eu dei os ombros.
– Se o feitiço já estava lá, por que demorou tanto? – Ele me olhou desconfiado. – Você criou o feitiço, não foi?
– Sabe é realmente um saco não conseguir mentir pra você! – Eu senti meu rosto corar empurrando ele de leve. – Eu só tive a ideia do controle do corpo bem depois, mas eu não podia usar o Império por razões obvias e também por que não tem como eu executar o feitiço sem mirar a varinha pro seu corpo.
– Você não me via? – Ele me olhou surpreso.
– Não deixaram. – Eu olhei pra baixo. – Depois que colocaram a adaga em você eu tentei puxar ela, mas a minha mão pegou fogo sei lá porque e depois disso me arrastaram por ai deixando o seu corpo escondido longe, mas eu consegui ver o seu corpo mais uma vez depois de muito tempo sem ninguém saber. – Ele segurou a minha mão e ficamos em silencio por um tempo. – Eu tentei voo Du, hoo Du, feitiçaria chinesa, mas ai eu descobri que há muitos anos atrás, tipo muito mesmo mais velho que você, aliás. – Ele riu. – A galera medieval de Gales, os druidas versão dark, usavam magia negra pesada com sangue pra controlar os seus inimigos, então associei uma coisa com a outra. – Dei os ombros. – Usei sangue de dúzias de criaturas diferentes, o seu sangue e o meu com algumas ervas e palavras mágicas e tcharán! Você acordou do seu sono profundo. – Eu ergui os braços. – Eu sabia que você ia acordar e ter alguns segundos de força pra arrancar a adaga.
– Você é um gênio. – Ele disse. – Mas nunca mais vou repetir isso.
– Eu sei só queria ter tido essa ideia antes. – Eu dei um sorriso sem graça e olhei pras nossas mãos.
Era estranho e normal ao mesmo tempo. Sempre tive esse tipo de contato carinhoso com ele, mas parecia que os anos afastados tinham os tornados diferentes, especiais. Sua mão era grande e quente e me fazia sentir confortável e segura, mas ao mesmo tempo me fazia sentir estranha com uma sensação diferente e gostosa e parecia que ele podia sentir a mesma coisa.
– Acho que eu fiz algo errado. – Eu me toquei.
– O que? – Ele pareceu sair de um devaneio e finalmente olhou nos olhos confuso.
– Eu... – Eu não queria admitir o erro e não queria que ele pensasse que esta diferente por minha causa. – Eu... Deixa pra lá, esquece. – Eu abri um sorriso tentando disfarçar e chacoalhei a cabeça devagar.
– Vai ficar tudo bem. – Ele disse acariciando o meu rosto devagar com os dedos deixando meu rosto quente.
Kol não era idiota ele sabia que eu tinha nos ligado sem querer, mas não disse nada por alguma razão que nem com a nossa ligação eu conseguia saber. Talvez não fisicamente, mas as emoções sim era uma ligação fraca, mas ainda era uma. Era estranho o sentimento quente que eu sentia no meu peito eu não conseguia saber o que era então era mais fácil ignorar e ver até onde ia.
– Quanto tempo acha que temos até meu pai descobrir? – Eu voltei ao normal.
– Não faço ideia. –Ele deu os ombros afastando sua mão de meu rosto. – Mas acho que temos o suficiente pra bebermos essa cerveja horrível e você me contar o que fez nesses dois anos.
Foi o que eu fiz. Pedimos algumas garrafas enquanto eu contava cada uma das historias que eu tive durante esse tempo sem ele e eu sabia que se ele estivesse lá seria muito menos tedioso. Contei também que mesmo sem frequentar Hogwarts meu pai ainda mantém o noivado com Malfoy e isso o deixava tão irritado e indignado quanto eu.
– Quase que eu me esqueci. – Eu lembrei colocando a mão dentro da minha bolsa. – Guardei isso pra você. – Eu entreguei a sua varinha e o caderninho pra ele que achei em suas coisas em Hogwarts. – Quando eu guardei suas coisas pra ir embora eu achei esse caderno, então o guardei pra caso você não quisesse que meu pai visse.
– Bem pensado. – Ele sorriu guardando a varinha no bolso e vasculhado o caderno como se procurasse especifico. – Onde esta? ... – Ele parou a sentença franzindo o cenho.
– Eu as guardei no meu quarto. – Eu disse me referindo as nossas fotos. – Se quiser eu as devolvo depois.
– Não precisa. – Eu posso jurar que o vi sorrir levemente. – Podemos tirar outras depois e obrigado eu realmente não queria que meus irmãos vissem isso. – Ele disse arrancando algumas páginas aleias e as queimando até o pó com a mão.
Meu telefone começou a tocar e previsivelmente era a única pessoa que iria me ligar. Meu pai. Mostrei a tela do smartphone para Kol que ficou em silencio e indicou que era pra atender a ligação do hibrido. Repirei fundo e tentei ser o mais natural possível.
– Onde esta? – Ele perguntou e provavelmente já sabia a verdade.
– No horário do almoço me preparando pra matar as aulas finas do dia, por quê? – Eu disse naturalmente.
– Depois falamos sobre isso. – Ele disse irritado. – Não vou poder buscar você, então se puder vir logo pra casa. Elijah esta aqui.
– Ok. – Eu disse franzindo o cenho. – Beijo. – Desliguei o telefone olhando para Kol.
– Não me parece que ele descobriu. – Ele deu os ombros também franzindo o cenho.
– Ele não iria conseguir esconder a raiva nem por telefone. – Eu concordei com a cabeça. – Tem algo errado.
– De qualquer forma é melhor irmos e esperarmos pelo pior. – Ele deu um sorriso e jogou umas notas na mesa. – Mas vai dar tudo certo. – Ele disse de modo cômico.
Pegamos um taxi que nos deixou na porta de casa por um preço absurdo, mas justo levando em conta quanta gasolina gastamos pra chegar lá. Abri a porta com um movimento da mão a abrindo. Andamos até a sala de estar onde meu pai e Elijah discutiam alguma coisa qualquer, mas logo pararam quando perceberam que eu cheguei.
– Que porra é essa? – Meu pai disse fazendo uma careta cômica.
– Bom ver você também Nik. – Kol disse atrás de mim. – Acho que já podem começar a reunião de família.
– Como você conseguiu sair? – Elijah olhava surpreso para o irmão mais novo de cima a baixo.
– Fui eu. – Eu ergui um dedo dando uma sonsa. – Se me lembro bem você disse que eu poderia tentar. – Eu disse ao meu pai.
– E como você conseguiu tirar a adaga se não ia até o porão? – Ele me olhou surpreso e furioso.
– E quem disse que fui eu? – Eu era muito dissimulada. – Sou uma bruxa tenho outros meios de fazer as coisas, mas enfim qual foi o porquê de tanta urgência que me fez voltar até aqui? – Os mais velhos se entreolharam.
– Vamos mandar vocês dois de volta para Hogwarts. – Me pai disse depois de um silencio estranho me fazendo franzir o cenho e olhar pra Kol.
– Por quê? E porque agora? – Eu perguntei estranhando.
– Temos muitos inimigos à solta. – Ele deu a mesma desculpa de sempre. – E o único lugar seguro pra você agora é aquela escola.
– É o Mikael, não? – Kol disse me fazendo prender a respiração. – Pra você querer fugir desse jeito só pode ser ele.
– Eu vou ficar. – Ele disse firme levemente irritado. – Só vocês dois vão e Kol preste atenção... – Meu pai o prendeu pelo pescoço contra a parede. – Desta vez não vou aceitar falhas se alguma coisa, qualquer coisa machucar a minha filha eu mato você.
– Não pode matar ele! – Eu disse indignada segurando os ombros do meu pai fingindo falta de ar. – Temos uma... Ligação.
– O que?! – Ele e Elijah me olharam estupefatos quando ele soltou Kol que acariciava o próprio pescoço.
– Foi o preço que pagamos pra poder conseguir tirar a adaga. – Eu disse a meia verdade parando de fingir. – Se o machucar eu vou me ferir também.
– Então desfaça! – Agora ele estava furioso.
– Não. – Eu respondi firme. – Essa é a única garantia que temos que ele não vai voltar para o caixão, então eu não vou desfazer.
– ELIZABETH! – Muito zangado era pouco pra descrever meu pai.
– Não vou desfazer. – Eu disse o encarando. – Já posso ir arrumar minhas coisas?
– O voo de vocês é em três horas. – Ele disse entre dentes me deixando com o caminho livre. – Só pegue o necessário.
Eu subi as escadas sem falar mais nada os deixando para trás. No fundo eu sabia que meu pai estava orgulhoso por ter sido mais esperta que ele, mas ele não admitiria isso nem pra ele mesmo. Comecei a guardar nas malas só as coisas que eu achava importante, como algumas roupas, alguns livros, materiais da escola e guardei as fotos minha e de Kol no bolso do casaco, tudo deu em duas malas. Eu não sabia como ainda tínhamos vagas em Hogwarts se faltava só quatro dias para as aulas começarem, mas isso não importava. Se Mikael estava vindo à única coisa que eu podia fazer era obedecer meu pai e correr para o mais longe possível, mesmo que eu não queira.
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