Magic Blood
10 Resgatamos o Cicatriz
Deveria ser pelo menos uma hora da manha quando eu ouvi bateram na porta da mansão. Eu estava assistindo televisão e comendo um grande balde de pipoca e vestindo só a minha blusa do Batman. Normalmente as pessoas não recebem visitas a essa hora da noite, mas como vampiros têm uma necessidade menor de dormir, então pra mim não era estranho que alguém batesse em minha porta a essa hora.
– ALFRED! – Eu gritei para o mordomo que me fazia companhia. – A PORTA!
Bateram novamente na porta então eu dei um suspiro irritada já que o mordomo já deveria ter se recolhido e não atenderia a porta. Me levantei e pausei o filme Senhor dos Anéis que eu revia pela centésima vez na enorme tela plana e coloquei o balde de pipoca em cima da mesa e me levantei caminhado descalça e com a blusa cobrindo até metade das minhas coxas e o meu enorme cabelo preto levemente bagunçado preso em um coque froxo. Estava chegando perto da porta e peguei uma adaga por via das duvidas. Antes de baterem na porta de novo eu abri a porta enorme e um pouco pesada da mansão e dei de cara com os gêmeos Weasley que ficaram com os rostos escarlates.
– Eu disse que a casa era essa! – Rony saiu de trás deles e depois ficou mais vermelho que o próprio cabelo.
– Boa noite pra vocês também! – Eu digo irônica jogando a adaga de volta. – Pela hora vocês devem ter vindo para festa do pijama.
– Hoje não. – Fred voltou ao normal rindo.
– Ótimo não estou afim de trançar o cabelo de vocês hoje. – Eu ri de lado. – Adoro a companhia de vocês. – Eu mudei o meu humor de bom para mal. – Mas o que vocês querem? Sabe não se pode pausar Senhor dos Anéis.
– Senhor do quê?! – Jorge fez uma careta confusa. – Deixa pra lá viemos aqui pra perguntar se você quer vir com a gente resgatar o Potter.
– Como assim? – Agora eu estava confusa.
– Lembra que dissemos que talvez os tios dele o deixassem preso? – Ronny perguntou ainda muito vermelho. – Vamos até a casa dele pra poder saber.
– E onde ele mora? – Eu perguntei.
– No subúrbio trouxa na Inglaterra. – Fred respondeu.
– Ok. – Eu dei os ombros. – Vou por uma calça e já desço, sentem ai por enquanto.
Eu os deixei entrarem e se sentarem no grande sofá preto e confortável da sala onde eu vi o filme. Subi a enorme escada e entrei no meu quarto pondo a primeira calça moletom que vi jogada na minha cama enorme. Invés de descer a escada do modo tradicional eu escorreguei pelo longo corrimão o que eu sempre fazia quando não tinha ninguém olhando. Eu os vi sentados no sofá olhando vidrados pra TV enorme e comendo pipoca quando cheguei eles se levantaram, então eu desliguei a TV e peguei o meu IPhone e as chaves de casa.
– ALFRED VOU SAIR! – Eles se assustaram com o grito que eu dei.
– Aonde pensa vai? – O moreno parou na minha frente.
– Quem é esse? – Ronny perguntou olhando para o meu “mordomo”.
Ele não parecia mesmo um mordomo. Tinha a aparência de ter uns 19 ou 16 anos, era magro, mas ao mesmo tempo forte e alto. Cabelos castanhos em um corte de topete moderno e olhos azuis esverdeados. Ele era o vampiro que meu pai “contratou” pra ser a minha babá.
– Digam oi ao Alfred. – Eu apresentei o vampiro que continuou me olhando com uma expressão seria. – Tchau Alfred!
– Você não vai sair. – Ele me disse com a voz firme como se fosse mesmo me impedir.
– Vou sim. – Eu ergui uma sobrancelha. – Adios bitch!
– Qual é Effy! – Ele segurou o meu braço quando eu passava por ele. – Seu pai foi claro pra você não sair de casa.
– Mas eu já sai, varias vezes. – Eu rolei os olhos.
– Se seu pai descobrir ele vai me matar. – Ele saiu daquela pose de durão.
– Mando flores no seu funeral. – Eu sorri de lado. — To indo no subúrbio da terra da rainha. – Eu pisquei pra ele passando direto. — Vamos meninos!
– Vou com você! – Alfred disse depois que eu já tinha saído de casa.
– Ta legal só não enche. – Eu rolei os olhos. – Como vocês pretendem ir até lá?
– No carro do meu pai. – Fred disse apontando pro velho carro turquesa.
– Eu não vou andar nessa coisa, se quiserem tem um monte de carros na garagem. – Disse o vampiro e eu concordava com ele.
– O carro do papai é enfeitiçado. – Ronald explicou. – Vamos logo não temos a noite toda.
Eu entrei no banco do passageiro junto com Fred, Jorge ficou no banco do motorista e atrás Alfred e Ron. Quando Jorge deu a partida o carro deu um tranco e depois de andar alguns metros ele começou a sobrevoar uns 20 metros do chão e continuou subir.
– Que porra é essa?! – Alfred deu um chilique no banco de trás.
– Eu disse que o carro era enfeitiçado! – Ron olhou feio pra ele.
– Mas não disse que ele voava. – Eu disse me contendo. – Porque não fomos de vassoura?!
– Como iríamos trazer as coisas do Harry com as vassouras?! – Fred disse o obvio.
– Relaxa vamos chegar a algumas horas. – Disse Jorge do banco do motorista.
– Eu te odeio. – Alfred disse.
– O ódio é recíproco Alf! – Eu disse a ele.
Levamos umas duas horas voando até que Jorge “estacionou” o carro em frente a uma janela com grade que ele deduziu ser a do quarto do Potter. A janela do quarto estava fechada e com as luzes apagadas. Podemos ver o garoto deitado na cama e Ronny praticamente se pendurava na janela enquanto víamos o garoto deitado na cama se remexendo e murmurando algo para que parássemos de chacoalhar as grades para acordá-lo.
– Ele fala enquanto dorme?! – Eu ri olhando incrédula para o garoto que estava pendurado na janela do banco de trás.
– Você não faz idéia do quanto isso pode ser chato. – Ron reclamou.
Ele finalmente abriu os olhos e nos encarou o ruivo por um momento como se estivesse confuso.
– Ronny! – Ele murmurou deslizando da cama e abrindo a janela para conversar com o ruivo entre as grades. – Como é que você...
O queixo do garoto caiu quando viu a mim, os gêmeos e a Alfred sorrindo pra ele. Bom Alfred não sorria, mas deu pra entender.
– E ai cicatriz! – Eu dei um tchauzinho pra ele.
– Harry o que esta acontecendo?! – Ronny perguntou pra ele da janela traseira. – Porque não tem respondido as minhas cartas?! Eu o convidei para nos visitar umas doze vezes e então papai chegou em casa dizendo que você levou uma advertência oficial por usar magia na frente de trouxas.
– Não fui eu... E como ele ficou sabendo disso? – O quatro olhos pareceu confuso.
– Ele trabalha no ministério e você sabe que não podemos fazer magia fora da escola.
– Olha quem fala. – Disse ele olhando pro carro turquesa.
– Isso não conta! – Disse Ron. – É do papai só pegamos emprestado, não é como se fosse nós que tivemos enfeitiçado. Mas fazer magia na frente dos trouxas que você mora...
– Já disse que não fui eu que fiz isso... Olha não da pra explicar agora, será que vocês podem avisar a Hogwarts que os Dursley me trancaram e não vão me deixar voltar e, é claro, não posso sair usando mágica por que ai o ministério vai pensar que é a segunda mágica que é a segunda mágica que uso em dois dias e aí...
– Para de falar besteiras Potter! – Eu rolei os olhos fazendo ele se calar. – Viemos buscar você!
– Mas vocês também não podem me tirar usando mágica...
– Não precisamos. – Ron indicou a mim e aos meninos com a cabeça. – Você se esqueceu de quem eu trouxe comigo.
– Sai da frente garoto. – Disse Alfred puxando Ronny pra trás. – Elizabeth segura à outra ponta da grade.
– Sai de trás Cicatriz. – Eu disse passando por cima de Jorge e segurando um lado da grade.
– No três. – Alfred me olhou e eu confirmei. – Um.
– Dois.
– Se os Dursley acordarem, estou morto. – Harry comentou chegando pra trás.
– Três. – Alfred terminou a contagem e puxamos com nossa força a grade da janela a fazendo soltar as soldas.
– Como vocês... – O Potter ficou com a cara ainda mais estupefata.
– Não temos tempo pra isso entra logo! – Eu disse ajudando o vampiro a por a grade no banco de trás.
Cai sentada no colo de Jorge quando o mesmo deu marcha ré pra chegar o mais perto possível da janela do garoto.
– Todo o meu material de Hogwarts, minha varinha e minha vassoura.
– Onde esta? – Ron perguntou.
– Trancado no armário debaixo das escadas. – Harry falou. – Não posso sair desse quarto.
– Não tem problema. – Eu disse ainda do colo de Jorge. – Nos convinde pra entrar.
– Ahh entre. – Ele disse confuso.
– Legal agora sai da frente guri! – Alfred disse e Harry deu distancia.
Assim que Alfred entrou furtivamente no quarto de Harry eu entrei logo depois e pude ver Jorge pulando na janela como se fosse um gato.
– Não posso fazer barulho. – Alfred murmurou.
– Deixa comigo. – Eu tirei um grampo do meu cabelo e em menos de um minuto a porta se abriu com um clique. — Sabe muitos vampiros acham isso inútil, mas eu sabia que algum dia isso iria fazer diferença.
– Vamos lá em baixo pegar o seu malão em quanto isso você pega o que precisar do quarto e passa para Ron e Fred. – Jorge murmurou.
– O último degrau range. – Harry avisou.
Andamos pelo corredor no escuro e pelo menos eu e Alfred descemos as escadas com a velocidade vampiresca. Enquanto Jorge ainda descia as escadas eu já estava abrindo a portinha do armário de vassouras e Alfred carregava o pesado malão com um braço só fazendo Jorge deixar o queixo cair. Subimos as escadas de volta e pude ouvir alguém tossir. Eu entrei no carro e comecei a puxar o malão enquanto Alfred e Jorge o empurravam do outro lado. Assim que conseguimos colocá-lo dentro do carro eu e Fred ajudamos Jorge a entrar no carro enquanto Alfred ajudava Harry a subir ouvimos um forte piado de coruja.
– ESSA CORUJA DESGRAÇADA! – Suponho que esse seja o tio de Harry.
– Esqueci Edwiges! – Harry disse urgente voltando depressa.
– Como esqueceu uma coruja?! – Alfred perguntou já dentro do veiculo pegando a gaiola.
Quando Harry estava subindo a cômoda um cara gorducho com olhinhos de porco entrou no quarto bufando feito um touro.
– ELE ESTA FUGINDO PETUNIA! – O mesmo gritou.
– Anda logo Potter! – Eu disse urgente.
Antes que o homem conseguisse segurar o garoto Alfred o segurou pelos braços o puxando pra dentro ao mesmo tempo em que Fred acelerava a toda. O homem continuava a errar furioso da janela enquanto riamos aliviados e com o carro um pouco mais cheio dessa vez. Eu e os gêmeos estávamos na frente enquanto Harry, Alfred, Ronny e o malão iam no banco de trás que agora parecia estranhamente maior. Sem contar a coruja de Potter que Alfred quebrou a fechadura e agora voava atrás do carro.
– Espere ai! – Disse Harry do nada. – O que você faz aqui?!
– Effy é nossa vizinha Harry. – Fred respondeu rindo da cara do garoto.
– E quem é esse? — Ele apontou para Alfred.
– Achei que os ingleses fossem mais educados. – Alfred rolou os olhos. – E de nada por ter te ajudado.
– Esse é Alfred meu elfo domestico. – Eu disse.
– Quer parar de me chamar de elfo domestico! – Alfred disse irritado.
– Ok. Ele é o meu vampiro faxineira. – Eu ri da cara irritada dele.
– To mais pra sua babá. – Ele rolou os olhos. – Você me põe em cada uma garota.
– Vai contando a sua historia Harry. – Eu me virei pro garoto.
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