Magic Blood

17 Pensamentos do Malfoy


Depois que a Sprout ignorou o pedido de saída da Mikaelson e puxou a planta feiosa do vaso pude ver que a garota na minha frente parecia berrar de dor. Elizabeth colocava as mãos nos ouvidos e aparentava berrar e começou a cair. Eu a peguei pelos braços antes que caísse no chão sujo de terra. A professora gorducha colocou a planta de volta no vaso e eu arranquei os abafadores do meu ouvido e me ajoelhei do lado do corpo inconsciente da garota irritante a apoiando nos meus joelhos.

– Pelo visto ela falava serio quando disse que não poderia participar. – A professora disse se aproximando quando eu tirei o protetor das orelhas dela que sangravam. – Malsoy, acha que pode levá-la até a Madame Pomfrey?

– Claro. – Eu respondi passando um braço de baixo do joelho dela e o outro debaixo do ombro.

Enquanto eu atravessava o campo debaixo do sol com a Mikaelson inconsciente um ruivo idiota veio correndo em nossa direção.

– O que aconteceu com ela Malfoy?! – Era um dos gêmeos pobretões.

– Não interessa, agora sai da frente! – Eu detesto os Weasley.

– Deixa que eu levo ela! – O garoto parecia com raiva. – Você não tem força pra levar ela para enfermaria.

– Ninguém te perguntou nada e tira as mãos dela! — O que eu odiava mais que um Weasley era ver ela com um Weasley. – Não precisamos da sua ajuda sua escoria.

Eu desviei do grifinorio patético e ajeitei a garota nos braços. Ela não era pesada e o fato de ser mais baixa facilitou pra eu carregá-la até a enfermaria no segundo andar. Madame Pomfrey a enfermeira desocupada me fez colocá-la em uma das camas e me fez esperar em uma cadeira desconfortável enquanto fazia sei lá o que com a morena. Eu não me importo com ela, mas uma chance de faltar às aulas era imperdível.

– EFFY! – O Mikaelson mais velho praticamente estourou a porta da enfermaria. – O que aconteceu com ela?!

– Ela esta bem! — A enfermeira tentou acalmar o maluco. – Ela ouviu um grito de uma Mandragora, mas em algumas horas vai acordar.

– Como ela ouviu um grito de uma Mandragora?! – Ele me olhou acusadoramente.

– Eu sei lá ela estava usando os abafadores! – Eu ergui as mãos em minha defesa.

– Temos super audição, aquela porcaria nunca funcionaria em nós. – Ele pareceu mais relaxado e se sentou na cadeira ao lado da cama. – Ainda mais ela!

– Como assim? – Por alguma razão idiota eu sempre queria saber mais sobre eles. – O que esta fazendo?!

– Sangue de vampiro pode servir com cura. – Ele respondeu depois de colocar o pulso sangrando na boca da sobrinha. – Ela tem a audição mais potente da terra. Vampiro e Lobo, nem com cem abafadores ela iria deixar de ouvir tudo ao redor.

Eu fiquei quieto na minha. Eu realmente não conseguia entender esses dois. Uma hora querem se matar e no segundo seguinte estão cheios de carinhos um com o outro. Fora o fato de serem bipolares, quase explodindo de raiva, literalmente quebrando tudo ao redor e depois estão rindo feito crianças. Quando diziam que os Mikaelson eram pessoas difíceis eu achei que a pessoa estava de sacanagem, mas depois de um ano e uma festa com eles eu pude perceber que eles eram loucos e quase selvagens, porém eles ao mesmo tempo admiráveis. Claro que se alguém me perguntasse eu negaria até a morte, mas era verdade. Eles eram uma família. Podia haver intrigas, lutas e traições entre eles, mas era muito claro que se alguém arranjasse uma briga com um Mikaelson na certa iria ter que enfrentar toda a família também. Outra coisa que era clara pra todos verem era que eles claramente se odeiam e são desunidos planejando uns contra os outros, mas ainda assim se mantém juntos.

Já testemunhei diversas brigas entre Elizabeth e Kol, mas ainda assim ele vem correndo quando soube que ela estava com problemas e esta repetindo as series da escola só pra ela poder vir também. Minha família aos olhos de todos era perfeita, mas a verdade é que meu pai é um cretino. Nunca esta em casa e quando esta é um perfeito idiota. Nunca me deu atenção e sinceramente é vergonhoso dizer que Lucio Malfoy é meu pai. Minha mãe é diferente ela sempre foi muito carinhosa e cuidou de mim, até me colocava na cama pra dormir quando eu era menor, mas com cinco anos meu pai a proibiu de fazer isso dizendo que me mimaria muito. Para todos somos a família perfeita, eu faria de tudo por minha mãe, mas já por meu pai a historia era outra. O cara praticamente me vendeu pros Mikaelson como se ainda estivéssemos na era medieval e eu fosse uma garota indefesa e virgem. Nem sequer precisamos dessa porcaria de aliança com eles, somos podres de ricos e poderosos. Elizabeth obviamente não estava feliz com isso também, mas não tão revoltada aparentemente. Pelo que eu entendi ela fez isso “pela família” e os Mikaelson pareciam precisar do acordo pra alguma coisa que eu não sabia o que era, mas ela ainda assim fazia o que tinham pedido a ela porque a família precisava. Mas eles são tão ricos e poderosos quanto os Malfoy e eles obviamente não se importam com sangue puro, então o porquê de ela ter aceitado é que me intriga.

Eu odiava e me odiava por admitir, mas eu sairia na desvantagem com esse noivado. Quero dizer ela é extremamente chata, irritante e violenta, mas cara era como se eu tivesse ganhado na loteria. Pode perguntar pra qualquer um e todos vão dizer. Elizabeth Mikaelson é a garota mais linda de Hogwarts e esta no topo da lista de garotas solteiras do castelo no banheiro masculino do terceiro andar – Kol não vai naquele banheiro. – Mesmo só tendo treze anos ela já tinha um corpo legal e com pelo menos dezesseis vai ser a maior gostosa que esse castelo já viu. Ela era inteligente, mais até que a Granger, poderosa ela faz os feitiços mais complexos como se fosse nada e pode fazer magia sem a varinha, elegante, forte, rica, assustadoramente gata e talentosa pelo que eu soube ela fazia balé antes de Hogwarts e atuava em peças trouxas tocava dúzias de instrumentos e sem contar que eu mesmo já vi ela pintar centenas de quadros de tinta muito belos e nem sequer se importava em se sujar. Elizabeth tinha um belo par de olhos azuis brilhantes, pele branquinha e macia, lábios rosados pequenos e carnudos, cabelos loiro lisos que caiam sedosamente na cintura, mãos pequenas ágeis e delicadas e coxas que por Merlin. Eu podia odiar ela com todas as forças, mas ser noiva do sonho de consumo de toda a escola me faz me sentir um pouco melhor.

De acordo com a minha família ela era a noiva perfeita para os padrões Malfoy, era tudo o que Pansy não era. Os padrões eram: Ser da Sonserina, ser sangue puro quanto maior e antiga a linhagem melhor, habilidosa, inteligente, rica, uma dama, bonita, astuta e talentosa. Depois do encontro que nossos pais tiveram na livraria e meu pai conheceu Elizabeth quando chegamos em casa ele subitamente decidiu que faria de tudo pra me casar com ela. Doentio eu sei. E depois que minha mãe a conheceu foi pior ainda pra tirar essa idéia da cabeça dele já que ela recebera a aprovação de Narcisa Malfoy.

– Draco ela é perfeita. – Disse minha mãe quando chegamos em casa. – Você disse que ela era grosseira e feia, mas ela não é nada disso.

– A garota é educada Narcisa. – Meu pai concordou e até sorria. – Ela foi claramente criada como uma princesa.

– E inteligente também pelo que eu soube é a primeira aluna em tudo. – Minha a bajulava em casa. – Encantadoramente linda.

– Você quis dizer assustadoramente linda. – Eu a corrigi mal humorado. – Ela é uma selvagem devia ver o que ela fez com a Parkison na escola.

– E o que a Pansy fez a ela? – Minha mãe a perguntou delicadamente sabendo que a buldogue não era uma santa.

– Insultou a família dela, incluindo a falecida mãe. – Eu rolei os olhos.

– Isso só prova que ela é ainda mais apropriada. – Disse meu pai seco. — Ela defendeu a honra da família com as próprias mãos e demonstrou poder.

– Não vai ser uma coisa ruim querido. – Minha mãe falou. – Imagine quantos queriam estar no seu lugar agora.

– Com o maluco do tio dela sempre na cola?! Duvido. – Eu sabia muito bem que muitos matariam pra estar no meu lugar. – Ele é um psicopata!

– Então você não precisa se preocupar com a segurança dela. – Meu pai falou. – Até porque pelo que eu vi na livraria ela sabe se defender sozinha.

– Como assim? – Minha mãe perguntou.

– Ela derrubou Gilderoy Lockhart e quase quebrou o pescoço dele com o pé. – Eu ri a cena foi hilária. – Depois o humilhou publicamente.

– Foi merecido, pude ver que ele a tentou pegar de surpresa. – Meu pai ainda a defendia.

– Vamos Draco você mesmo admitiu que ela é bonita. – Minha mãe me encheu. – Quero que me prometa que vai tentar conseguir a amizade dela para que isso de certo e tente parecer que o seu noivado com ela foi genuíno e não arranjado.

– Ela não tem amigos, mãe! – Eu disse contrariado. – É completamente anti social.

– Talvez ela só seja reservada, não sabemos por o que essa menina passou e é mais que obvio que tem problemas de confiança. – Nunca tinha pensado nisso. – Se aproxime dela e conquiste sua confiança aos poucos e garanto que ela vai ser mais fácil de lidar.

– Vou ter anos pra isso, mãe. – Eu rolei os olhos.

– Mas para isso der certo terá que começar agora. – Ela insistiu. – Me prometa que vai se aproximar dela.

– Ok eu prometo. – Eu não faltava com a porcaria da palavra.

Pude ver ela abrir os olhos azuis depois de algumas horas me tirando do meu devaneio. Ela se sentou e parecia mais que tinha acordado de uma noite de sono do que um desmaio numa estufa.

– Maldita planta! – Ela coçou a cabeça.

– Desmaio causado por uma planta! – Kol disse zombando dela. – Quem diria!

– Cala a boca! – Ela rolou os olhos. – Que dor de cabeça! – Ela olhou ao redor e pousou os seus olhos brilhantes em mim. – O que esta fazendo aqui Malfoy?!

– Uau! Belo jeito de agradecer quem te carregou até aqui e te impediu de cair num chão imundo. – Eu disse irônico me levantando em direção à saída.

– Malfoy! – Ela disse me fazendo parar. – Obrigado.

Eu não respondi. Nunca pensei que aquela grosseira iria me agradecer então só continuei a andar em direção as masmorras. Talvez minha mãe tivesse razão. Talvez ela só fosse fechada por ter passado por muita coisa, mas isso ainda não mudava o meu pensamento de achar ela um pé no saco. Infelizmente eu fiz uma promessa pra minha mãe então eu vou ter que aturá-la.