Magic Blood
20 O Que Quer Que eu Faça?
Notas iniciais
– Quando vai voltar a falar comigo? – Kol me seguia pelos corredores da escola enquanto eu o ignorava fingindo que ele não existia. – Não pode fingir que eu não existo pra sempre! – Ele me fez virar e olhar em seus olhos quando chegamos ao gramado perto do lago negro. – Quer pelo menos me dizer o porquê esta brava comigo?!
– Por que eu estou brava com você?! – Eu o olhei com toda a irritação que eu sentia. – Você realmente não sabe o porquê de eu estar brava, Kol?! – Eu o empurrei o afastando o suficiente pra me afastar. – Deixa eu te explicar o porquê! – Eu falava alto. – É por que eu estou noiva de um cretino, babaca e egocêntrico!
– E o que eu tenho haver com isso?! – Ele gritou no mesmo tom de irritação que eu.
– VOCÊ TEM TUDO HAVER COM ISSO! – Eu pude sentir meus olhos arderem. – Você deveria ser meu amigo, deveria ter me defendido e dado o seu jeito de fazer meu pai tirar essa ideia maluca da cabeça, deveria ter pegado nossas coisas e me convencido a fugir pra longe, matado Draco ou qualquer um que pudesse ser um noivo em potencial, DEVERIA TER LUTADO POR MIM KOL ERA ISSO O QUE DEVERIA TER FEITO! – Eu senti as minhas lagrimas descerem pelo meu rosto quente de raiva.
– E ACHA QUE EU NÃO QUIS FAZER ISSO?! – Ele gritou de volta com o rosto vermelho. – ACHA MESMO QUE EU NÃO QUERIA TER ARRANCADO A CABEÇA DE MALFOY?! ACHA QUE EU NÃO QUERIA TER PEGADO NOSSAS COISAS E TER PELO MENOS UMA SEMANA DE VIDA NORMAL OU TER LUTADO POR VOCÊ?! – Eu o encarei por um segundo olhando em seus olhos castanhos frustrados. – Acontece que seu pai... – Ele pareceu em hesitar. – Meu irmão é um maluco sedento de poder, acha mesmo que poderíamos convencer ele de fazer o contrario que conseguiríamos fugir sem ter nossas cabeças em espetos ou que matar o Malfoy realmente ajudaria em algo? – Era a primeira vez que eu via Kol lacrimejar. – Você é a única amiga que eu já tive, e a única pessoa que eu realmente me importo, acha mesmo que eu me daria o luxo de perder você pra oxigenada?! Eu só tenho você, Effy!
– Não é verdade... – Eu tentei desviar o olhar.
– Não é? – Ele soltou uma risada. – Esta se referindo aos irmãos que me deixaram séculos dentro de um caixão e que só me tiraram de lá quando você pediu?! – Ele ergueu os braços em frustração. — Se não fosse por isso nós poderíamos nos conhecer a mais tempo do que dois anos e eles nem sequer confiam em mim.
– Mas eu confio e agora eu estou noiva daquele ser desprezível! – Eu voltei a olhar nos olhos.
– Você ainda confia em mim. – Ele pareceu dizer isso mais pra ele do que pra mim. – O que quer que eu faça? – Ele parecia tão perdido quanto eu.
– Eu não sei... – Eu tentei secar as lagrimas que insistiam em sair. – Eu estou com medo, Kol. – Eu tentava olhar pra tudo menos ele. – Não podemos fugir, não podemos tirar essa ideia da cabeça do meu pai...
– Posso matar o Malfoy. – Ele disse olhando nos meus olhos sem um pingo de duvida.
– Não sou uma assassina, Kol.
– Mas eu sou. – Ele disse convicto.
– Não pode fazer isso, meu pai vai ficar furioso! — Eu o olhei um pouco incrédula. – Ele vai por a adaga em seu peito.
– Eu não me importo. – Ele deu os ombros.
– Mas eu sim! – Ele me olhou surpreso. – Vamos ser expulsos de Hogwarts e eu não posso deixar que suje suas mãos por mim.
– Vale a pena se não for pra ver você com a Barbie. – Eu não sabia o que fazer.
– Não vai valer a pena se não nos vermos mais. – Eu disse. – O que vamos fazer?
– Eu não sei. – Ele me abraçou acariciando meus cabelos e eu passei meus braços em sua cintura respirando o seu cheiro de canela. – Você não vai casar com ele eu prometo. Vamos achar uma saída, mas até lá precisa se manter firme e confiar em mim.
– Eu confio em você. – Eu disse de verdade e eu sabia que podia confiar nele, meu rosto estava pressionado contra seu peito eu saberia se mentisse. – Precisamos voltar pro castelo, hoje é noite de lua cheia. – Eu murmurei depois de um tempo.
– Tem razão. – Ele só pareceu ter se dado conta disso agora.
Nas noites de lua cheia eu ficava com um humor mais insuportável que o normal sem contar a fome, se acha que os vampiros podem ser temperamentais sanguinários é porque nunca viu um hibrido em semanas de lua cheia. Ele secou minhas lagrimas e logo depois voltamos ao castelo, depois do ataque a uma nascida trouxa tinhas um toque de recolher acirrado em que nem mesmo nós podíamos burlar.
Kol seguiu em direção à biblioteca enquanto eu caminhava em direção as masmorras observando a noite cair pesadamente sobre as janelas do velho castelo. Eu já havia parado de chorar, mas talvez eu estivesse com uma cara abatida, não que eu me importasse muito com a minha aparência ou com o que os outros pensavam. Eu vagava pelos corredores da escola ignorando o toque de recolher, eu simplesmente não estava com saco pra aturar os meus colegas que eram como sacos de batatas fritas ambulantes apreciando o momento de solidão. O castelo ficava cada vez mais escuro e silencioso tento só a grande e tentadora lua cheia como iluminação, tudo estava belamente sinistro, assim como o som de rastejar e pequenos sibilos que definitivamente não eram comuns. Não corri, não fiquei parada, somente seguiu os sibilos estranhos que pareciam vir do teto e ecoavam na minha cabeça. Não sabia por onde eu estava indo ou sequer o que eu estava seguindo ou o porquê, mas eu continuava indo contra todos os meus sentidos.
Senti meu pé pisar no chão ensopado de água do chão do banheiro da Murta que Geme. O cheiro de podridão invadiu as minhas narinas assim como o cheiro do meu próprio medo, todos os meus sentidos me mandavam recuar e correr o mais rápido que eu pudesse, mas eu simplesmente continuei andando e andando em direção à estranha torneira que continuava a vazar enquanto meus ouvidos doíam com o som do estranho sibilar. Eu não parava de pensar o quanto eu era estúpida, mas eu ainda continuava a mover a minha mão até a torneira com a lateral com gravuras de cobras e ai eu pude resolver o mistério. Pude saber o porquê a nascida trouxa foi atacada e porque mais nascidos trouxas eram congelados e como tantos outros ainda corriam perigo. Eu tentei correr, tentei fechar os olhos, mas antes que eu pudesse fazer tudo isso eu fui atirada contra uma parede e com um grito de dor eu senti meu corpo gelar num calafrio súbito ao ver aqueles aterrorizantes e frios olhos amarelos.
Eu não tinha mais fôlego. Não tinha mais calor. Não tinha mais frustrações sobre a lua ou sequer com quem eu iria me casar.
Eu não tinha mais vida.
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