Magic Blood
21 Me Desculpa
Tudo o que eu falei pra ela era verdade. Cada palavra. Eu não aguentava a ver com Malfoy ou qualquer outro e eu realmente faria de tudo pra que ela se livrasse dele, incluindo mata-lo ou fugir se ela quisesse e no fundo eu me sentia um pouco covarde por ter feito ela se sentir triste e desamparada, mas uma coisa era certa. Ela não se casaria com ele e isso eu mesmo iria impedir.
Eu entrava na masmorra um pouco depois do horário de recolher e ainda assim eu me deparo com uma porção de adolescentes que me encaram como de costume, mas algo estava mais estranho do que ver Potter e o Weasley tentando se disfarçar de Crabbe e Goyle com poção polissuco, mas era que eu não via ou sentia o cheiro de Elizabeth em lugar algum o que significava que ela ainda não tinha chegado o que era preocupante com um Basilisco à solta, mesmo que ela não fosse nascida trouxa. Os outros continuavam a bater papo e viver as suas vidas medíocres enquanto eu olhava em volta tentando espantar as minhas preocupações.
Infelizmente elas voltaram à tona quando eu escutei a única coisa que nunca queria ouvir no mundo. O grito de Elizabeth. Não pensei duas vezes antes de correr a toda a minha velocidade em direção a ela.
Ela estava estirada ao chão do banheiro ensopado, seus cabelos negros espalhados pela água e sua pele não estava mais com o pálido semelhante à neve e sim ao pálido semelhante à morte. Eu mal conseguia respirar quando segurei seu corpo molhado e sem vida em meu colo. Não podia acreditar que a única coisa que me fazia bem estava estirada sobre meus braços e eu não pude ter feito nada para salvá-la, não pude simplesmente ter entrado com ela na maldita masmorra, não pude evitar que ela fosse até o maldito banheiro e desse de cara com o maldito mostro. Era minha culpa eu estava aqui para protegê-la e tinha falhado. Tinha falhado comigo, com meus irmãos e principalmente com ela.
– MERDA! – Eu gritei furioso comigo mesmo. – Me desculpe Effy. Me desculpe. – Era a única coisa que eu conseguia repetir enquanto acariciava o seu rosto gelado e macio com as maças do rosto sem mais o corado vivido de sempre e com os lábios carnudos rosados pálidos e frívolos.
– Senhor Mikaelson. – Eu ouvi ao longe a voz de Dumbledore que parecia estar me chamando há horas. – Acho que talvez devesse levar a sua sobrinha...
Eu não esperei até ele terminar e simplesmente me levantei com os olhos embaçados pelas lagrimas com o corpo molhado e inerte de Effy em meus braços. A multidão de crianças chocadas simplesmente se abriu em minha frente me dando espaço pra que eu corresse até a enfermaria. Deitei o corpo de Elizabeth na maca mais próxima e enlouqueci.
Nada era salvo do meu ódio. Mesas, camas e remédios tudo voava contra a parede mais próxima enquanto eu me culpava por algo que eu poderia ter evitado. Eu sabia que ela era imortal, mas a dor de sua morte ainda pesava em meu peito, a culpa, a tristeza e o ódio ainda eram os mesmo do que o de alguém que havia perdido alguém próximo com quem se importava e eu de fato me importava com ela. De fato não conseguia ver ela ferida. De fato a amava.
– SENHOR MIKAELSON! – Pude ouvir a voz de McGonagall atrás de mim. A velha senhora tinha lagrimas nos olhos, mas ainda mantinha a compostura me fazendo parar de tacar as coisas e só então eu tinha percebido que havia estragado muito mais do que pretendia com o excesso de magia liberado pela raiva, era como se um furacão houvesse passado pela ala hospitalar e a única área salva era envolta de Elizabeth.
– Por favor, procure se acalmar. – Dumbledore disse calmo. – Sua sobrinha é uma hibrida certo? – Eu balancei a cabeça em confirmação passando as mãos pelo cabelo frustrado. – Isso significa que ela pode voltar dos mortos.
– Eu nunca a vi morrer... – Eu disse com a voz extremamente barganhada e nem tinha percebido que eu ainda chorava. – Nem sei se ela sequer já... – Eu nem conseguia completar a frase. – Pode levar horas ou minutos ou dias, mas nunca vi um vampiro ser morto por um maldito basilisco! – Quando eu disse a última frase os vidros que ainda restavam na janela estouraram revelando à redonda e reluzente lua cheia.
Sentei-me na cadeira ao lado de seu corpo e a única coisa que pude fazer foi morder meu pulso e por nos seus lábios gelados com a esperança de que desse certo e que isso fizesse com que ela voltasse mais rápido pra mim.
– Senhor Mikaelson. – Eu ouvi o velho falar novamente enquanto eu tirava o pulso sangrento da boca de Effy. – Devo lhe informar que chamamos seu irmão avisando sobre Elizabeth.
– Ótimo, então é melhor preparar o meu caixão e mais trezentos anos de agonia. – Eu ri sem querer perante a triste verdade e a única coisa que eu poderia fazer era acariciar seus cabelos negros sedosos e torcer pra que ela não me visse ser esfaqueado ou morto.
– Lamento, mas seria contra a política da escola... – Ele respondeu.
– Assim como é contra a política de ter um cão de três cabeças ou uma cobra gigante! – Eu atirei o cortando. – Em algumas horas o grande hibrido malvado vai bater contra as portas desse castelo espumando de raiva e vai por mim... Um Mikaelson com raiva faz muito mais estrago do um bando de cães gigantes de três cabeças e pode apostar que Niklaus é o pior dele, ainda mais quando se trata da preciosa Effy. – Eu os olhei com desprezo. – Torçam pra que o único estrago que ele faça seja enfiar uma estaca de carvalho branco em meu peito... Do contrario é melhor esconder a gasolina e tudo o que seja inflamável. – Eu passei de novo a mão no rosto. – É melhor esconder as crianças.
Nenhum deles falou mais nada e simplesmente saíram depois que eu comecei a os ignorar contemplando a maior merda da minha vida. Acho que nunca agiria assim se um de meus irmãos morresse, nem por Rebekah talvez. Passei todo o resto da madrugada olhando pra ela, esperando no fundo de meu peito que ela acordasse antes que eu fosse forçado a um sono profundo, ansiava pelo seu perdão e para ver seus olhos azuis brilhantes vivos e despertos novamente. Peguei no sono com a cabeça em cima de seu corpo gélido. Respirando o doce cheiro de sua morte.
– ELIZABETH! – O berro furioso de meu irmão do outro lado do pátio foi o suficiente pra me fazer despertar do meu sono sobre a barriga de Effy.
Me levantei vendo seu corpo ainda morto na enfermaria destruída onde o sol brilhava contra as janelas sem vidro. Ao longe eu conseguia ouvir McGonagall pedir calma a meu irmão furioso que provavelmente veio acompanhado de Elijah. Dei uma última olhada nele que estava tão bela parecendo tomar um sono profundo. Contemplei seus lábios tão cheios e fartos e beijei sua bochecha colocando o pequeno pedaço de pergaminho dobrado em seu bolso.
Andei até o pátio e pude ver Klaus furioso seguido por um Elijah sempre a cola e presumidamente antes mesmo de poder me explicar senti meu corpo ser segurado por traz provavelmente pelo meu irmão de terno que já não estava mais em minha frente.
E como das outras vezes eu tentei me debater e dessa vez mais eficiente que palavras consegui derrubar Elijah no pátio lotado e socar em cheio seu rosto. Ele me empurrou me fazendo bater com o meu uniforme ainda úmido no chão de pedra do pátio lotado de estudantes, rolamos e trocamos socos quando Klaus decidiu interferir me puxando pelos ombros.
– AHHHHH! MERDA! – Exclamei quando o bastardo mordeu meu pescoço com força e por mais que eu me debatesse e por mais que eu quisesse eu não conseguia ser mais forte que ele, nem se eu o fizesse ter um aneurisma.
Consegui me livrar do aperto de Klaus e dei uma cotovelada no estomago de Elijah, mas antes que eu pudesse fugir ou qualquer coisa eu ouvi sua voz. A voz que me fazia querer parar o mundo só pra ouvi-la.
– KOL!!! – Ela gritou chorosa da janela sem vidro do segundo andar.
Niklaus ignorou o seu aneurisma e com o nariz jorrando sangue me apunhalou. Bem no peito. Como já havia feito tantas outras vezes. Senti as veias de o meu corpo saltarem pra fora, meu corpo ficar frívolo e duro me dando apenas alguns segundos de consciência enquanto o meu corpo desfalecia até o chão, mas o suficiente pra ver Elizabeth chegar não sei da onde e ser impedida por Elijah de se aproximar.
“Me desculpa” Era o que eu queria dizer a ela.
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