Magic Blood
26 Mystic Falls
Notas iniciais
– Deixa eu ser se entendi. – Eu disse enquanto caminhava lado a lado com meu pai pelos corredores. – Você não me deixa ir pra escola, não me deixa jogar quadribol profissionalmente, quer prender meu bichinho de estimação numa coleira... – Eu contava com os dedos de modo sonso. – Prendeu o meu melhor e único amigo num caixão, esta me forçando a manter um noivado a distancia com um babaca, me arrastou pelo mundo inteiro, agora esta me fazendo morar em outro continente em um país detestável numa cidadezinha no meio do nada, colocou Rebekah em um caixão e ainda quer me proibir de ir a um bar? – Ele parou na porta do escritório me olhando cansado. – Esqueci de alguma coisa?
– Eu duvido que tenha. – Ele disse irônico. — Posso saber o porquê de tanta vontade de ir a um bar, por que você certamente não irá beber se é o que estava planejando.
– Fome é por isso que vou ao bar. – Eu respondi com o meu sorriso mais atrevido.
– Se esta com fome pegue uma sacola de sangue na geladeira. – Ele começou a andar me deixando pra trás.
– Não quero sangue. – Eu menti. – Quero comida normal, não como uma descente há meses e ainda não tem empregadas.
– Fomos aos restaurantes mais famosos do mundo! – Ele disse.
– Sim, mas nenhum deles tinha comida tão boa quanto à da senhora Weasley ou dos elfos de Hogwarts. – Eu reclamei descendo as escadas.
– E que tipo de comida você espera de um bar de uma cidadezinha no meio do nada de um país detestável? – Ele disse irônico me vendo descer as escadas.
– Um bom cheeseburger, é isso que eu espero. – Eu sorri. – Já posso ter a permissão pra sair ou vou ter que fugir de madrugada?
– Nem pense em sair desta casa, Elizabeth! – Ele disse.
– Ou o que? – Eu ergui uma sobrancelha. – Vai me por de castigo? Não tem nem com o que me castigar. – Ele parecia considerar.
– É perigoso você sair por ai. – Ele disse por fim.
– É perigoso pras outras pessoas não pra mim. – Eu rolei os olhos. – Eu tenho uma faca e sou considerada um perigo a sociedade.
– Ok! – Ele rolou os olhos me fazendo abrir um sorriso largo. – Quero você de volta as dez ou mesmo vou te buscar.
– Por que tão cedo? – Eu ergui a sobrancelha.
– Por que você tem aula amanha. – Ele me deu um sorriso de lado andando em direção ao escritório.
– As aulas em Hogwarts só começam em primeiro de setembro e eles não enviaram nenhuma carta. – Eu franzi a testa me lembrando que já estávamos em final de agosto.
– Não disse que você ia pra Hogwarts. – Ele disse alto e sarcástico. – Agora vá antes que eu mude de ideia!
Eu não parei pra pensar muito só corri até a garagem e peguei o Nissan mais próximo é dirigi pela pequena e patética Mystic Falls. Era uma cidade pequena e caipira na Virginia na detestável Estados Unidos, mas pelo menos a vida aqui era mais barata que na Europa, mas ainda era um saco. Dirigi até a cidade já que a mansão ficava há alguns minutos fora da cidade, já fazia um dia que havíamos chegado e ninguém ainda sabia que estávamos aqui e provável que pensassem que sejamos só dois mitos. Meu pai tinha pensado em vir aqui antes de eu nascer pra roubar o sangue das duplicatas Petrova, mas no meio do caminho achou uma duplicata mais idiota e usou-a mesmo. Estacionei em frente ao Mystic Grill que estava com as luzes acesas e cheio de gente cheia de vida e sangue pra me dar.
Ajeitei o decote da minha blusa e retoquei o batom no retrovisor tecnicamente eu não podia dirigir por ainda ter quinze anos, mas nada como hipnotizar o instrutor pra ganhar a habilitação alguns dias mais cedo não resolvesse. Sai do carro batendo o meu salto no chão, eu usava shorts jeans, regata cinza e cardigan preto fininho, meu cabelo preto estava solto de modo casual e a única maquiagem que eu usava era o batom vermelho que se destacava junto com meus olhos azuis no meu rosto pálido. Entrei no bar falhando miseravelmente no quesito, não chamar atenção. A maioria das pessoas estava distraída em seus próprios mundos, mas os pervertidos da mesa de sinuca me secaram e um grupinho de meninas e dois garotos me olharam rapidamente.
– Bem vinda ao Mystic Grill. – Um loirinho simpático veio me atender quando eu sentei no balcão. – O que vai querer?
– O que eu quero... Hugo? – Eu disse sedutora e divertida lendo o nome em seu crachá. – Bom eu quero um carro novo, voltar pra Inglaterra e muitas outras coisas, mas acho que um porção de fritas e Whisky por agora seria ótimo. – Eu sorri vendo que ele tinha percebido o meu sotaque.
– Essa vadia ta dando em cima do Matt! – Eu ouvi uma garota irritada dizer atrás de mim.
– Meu nome é Matthew e que ainda não me deram o crachá certo. – Ele riu. – Quantos anos têm?
– Maturidade o suficiente pra um Whisky pode acreditar. – Eu disse o influenciando.
– Eu acredito sim. – Ele me olhou de cima a baixo pegando uma garrafa e enchendo uma dose. – Então posso saber por que uma inglesa faz numa cidade como Mystic Falls?
– Se eu soubesse te diria. – Eu disse a verdade de forma irônica bebendo tudo de uma vez erguendo o copo pedindo por mais. – E como sabe que eu sou inglesa?! – Eu fiz uma falsa cara surpresa falando mais naturalmente sem tentar esconder o sotaque.
– O seu sotaque americano é horrível. – Ele riu da minha falsa cara ofendida me trazendo a porção de batatas. – Me deixa adivinhar... Você é de Londres.
– Não sei, eu sou? – Eu banquei a misteriosa. – Na verdade eu nasci um pouco mais ao oeste.
– Escócia? – Ele chutou com um sorriso divertido.
– Itália. – Eu o corrigi. – Em algum lugar bonito em Veneza, mas passei a maior parte em York, não na Nova, na antiga mesmo. – Eu dei os ombros rindo com ele da minha piada. – Minha vez. – Eu ergui um dedo comendo uma batata.
– Adivinhe o que quiser. – Ele parecia entretido enquanto servia bebida pra um moreno. – Vamos ver o quão misterioso eu consigo ser.
– Você é do... Texas. – Eu chutei olhando pros seus músculos e sua pele levemente dourada pelo sol.
– Nunca ouviu um sotaque Texano, não é? – Ele riu da minha falha.
– Nunca. – Eu ri pegando outra batata. – Então da onde o loiro misterioso vem? – Eu apertei os olhos pondo outra batata na boca enquanto ele voltava pra minha frente.
– De um lugar estranho, misterioso e agitado, chamado... – Ele fez uma cara misteriosa exagerada falando mais baixo. – Aqui mesmo.
– Então a minha companhia é regional, bom saber. – Eu ri. – Sua vez.
– Filha única. – Ele disse.
– Acertou em cheio. – Eu bebi todo o liquido ardente. – Dado aos seus músculos você com certeza é um atleta. – Eu disse olhando ele por mais Whisky no meu copo. – E dado ao pai que estamos com certeza é futebol americano.
– Acertou, mas se quiser parecer daqui lembre-se que nesse país só chamamos de futebol. – Ele riu enquanto eu comia mais uma batata. – Você fez teatro.
– Já atuei muito nessa vida, mas não necessariamente em um palco. – Eu dei os ombros.
– Acho que errei essa. – Ele se deu por vencido enquanto eu descia o álcool pela garganta. – Acho que já te dei bebida demais. – Ele disse se recusando a servir o quarto copo.
– Vai precisar de muito mais pra me derrubar Matt. – Eu disse travessa olhando para o relógio. – Mas hoje eu sou um tipo de Cinderela e se eu chegar muito tarde invés de perder o sapato eu perco o carro, então eu já vou indo. – Eu me levantei do balcão pegando a última batata e deixando uma nota de cem no balcão. – Foi um prazer conhecer você, Matt.
Eu saio antes que ele pudesse me devolver o troco que seria pelo menos metade do dinheiro deixado lá. Eu não estava bêbada, nem tonta e isso era graças à resistência vampiresca e aos genes de lobo, e também aos longos anos bebendo sem ninguém ver. Bati a porta do carro e comecei a dirigir. Em poucos minutos eu cheguei à floresta escura e nebulosa, larguei o carro, peguei a minha bolsa e comecei a andar para dentro da floresta.
– Vai dar certo. – Eu digo a mim mesma pegando uma garrafa de whisky da bolsinha mágica e tentando ficar bêbada o suficiente pra ter mais coragem. – Vai ter que dar certo.
Ajoelhei-me no chão sujo de terra peguei dentro da bolsa uma grande tigela e vários frascos, dentro dos frascos tinha sangue de varias espécies diferentes. Dragão, vampiros, lobos, goblins, centauros, até mesmo o puro prateado sangue de unicórnio, levei anos pra achar o feitiço e conseguir o sangue ilegalmente sem ninguém saber, mas ia valer a pena. Despejei um por um dentro da tigela pronunciando uma palavra mágica diferente, até finalmente chegar o mais difícil de arranjar. O sangue de Kol. Meu pai não me deixava vê-lo nunca durante esses dois anos e meio, mesmo que eu não fosse conseguir tirar a adaga de seu peito, tive que dar a ele um chá pra dormir por horas e passar pelas inúmeras barreiras até conseguir pegar algumas gotas de seu sangue, depois disso eu não tentei mais chegar até ele fazendo meu pai acreditar que eu tinha desistido de tentar trazê-lo de volta. Mordi minha mão fazendo o sangue escorrer pra dentro da tigela sentindo o vento bater mais forte contra os meus cabelos enquanto eu murmurava mais rápido em latim sujando as minhas mãos de sangue de varias criaturas diferentes fazendo os meus caninos esfomeados saltarem pra fora.
– Vai dar certo. – Eu disse incerta quando acabei.
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