Magic Blood
27 Eu vou para escola
– Vai mesmo me obrigar a ir pra uma escola trouxa?! – Eu reclamei quando meu pai estacionou enfrente a um colégio publico apinhado de adolescentes que olhavam o novo carro caro.
– Você reclamou que não estava em uma escola. – Ele disse sarcástico. – Ta ai sua nova escola.
– Odeio você. – Eu rolei os olhos pegando a minha bolsa no banco de trás e abrindo a porta do carona.
– Amo você também, sweetheart. – Ele disse quando eu bati a porta em sua cara.
– Espero que bata o carro! – Eu gritei quando ele virava a esquina e eu tenho certeza que ele me ouviu e que ria da minha cara.
Eu estava de saia preta de pregas acima do umbigo e muito acima dos joelhos, uma blusa preta por dentro da saia, um casaco fino largo e comprido nas costas e botas pretas com meias cinza até o joelho. Meu cabelo estava trançado de lado e ainda assim chegavam à metade das minhas costas, na maquiagem só um pouco de lápis, rímel e gloss. E o meu básico ainda chamava atenção, já passei tanto por isso que de constrangedor passou a ser chato.
– Você é a senhorita Mikaelson? – Um cara de terno me parou. – Sou o diretor da escola, seja bem vinda.
– Obrigada. – Eu disse sem realmente estar interessada.
– No seu histórico diz que ainda faltam alguns dias pra você completar dezesseis, mas todas as suas aulas são muito avançadas. – Ele disse impressionado.
– Eu frequentava colégios... Especiais na Europa. – Eu dei um sorriso.
– Entendo, seu pai concordou em deixarmos você frequentar a turma do segundo ano. – Ele disse mexendo nos papeis. – Aqui esta a sua grade de horário deste semestre e a senha do seu armário.
– Ok. – Eu disse olhando as matérias que já estava cansada de ver.
– Se puder me acompanhar, vou leva-la pra sua classe. – Disse o homem de meia idade.
Eu o segui até uma sala de aula qualquer, onde todos olharam pra porta quando ela se abriu. Vampiros. Eu conseguia os farejar de longe, era pelo menos três. Uma morena, um gatinho de cabelo arenoso e uma loira que me olhava com ódio e um moreno lobo. E Matthew estava lá também e me deu um tchauzinho.
– Esta é a aluna de intercambio nova. Elizabeth Mikaelson. – O diretor disse fazendo um terço da turma gelar em suas cadeiras. – Ela é um pouco mais nova e esta avançada nas matérias, então façam com que ela fique o mais confortável possível.
O diretor saiu e eu andei até a cadeira vazia ao lado da morena que ainda estava gelada em sua cadeira. Eu conseguia esconder a minha aura mágica, mas agora que eles já sabiam meu sobrenome não tinha o porquê de não assusta-los. O professor continuou a aula normalmente que por sinal era de matemática e conseguia ser mais tediosa que aula de historia da magia.
– Algum voluntario? – Ele segurava três gis em frente ao quadro com três equações não resolvidas. – Não? – Ele olhou pra turma em silencio. – Ok, Gilbert, Forbes e Mikaelson. – Ele chamou a mim, a loira que me chamou de vadia e a morena da minha frente.
Eu me levantei e pude ouvir um garoto no fundo da sala assoviar, rolei os olhos e peguei o gis depois da loira e olhei pro quadro. Olhei por alguns segundo para a equação que tinha escolhido e me aproximei do quadro enquanto as outras duas se matavam pra tentar descobrir suas respostas. 4 era o resultado final da minha equação, escrevi o resultado no quadro e entreguei o gis para o professor que me olhava como se fosse louca, assim como o resto da turma que ria levemente achando que eu era burra.
– Senhorita Mikaelson... – O professor me olhou e olhou pro quadro.
– Esse é o resultado final, acho mais fácil por só ele do que perder meu tempo com toda equação. – Eu voltei pro meu lugar vendo as duas vampiras nem na metade do caminho para o resultado. – Pode conferir se quiser.
E ele conferiu, varias vezes e me olhou desconcertado.
– Esta certa. – Ele disse por fim acabando com as risadinhas.
Depois de dois minutos as outras duas tinham acabado as suas equações. A morena voltou pro seu lugar e me deu um sorriso um pouco forçado, mas simpático de quem queria puxar assunto.
– Elena. – Ela sorriu me estendendo a mão.
– Elizabeth. – Eu apertei a mão dela, mesmo estranhando o gesto. – Você deve ser a duplicata Petrova.
– Sou eu. – Ela disse como se não gostasse de ser reconhecida assim.
O sinal tocou então eu simplesmente peguei as minhas coisas e sai da sala junto com os outros alunos. Procurei o meu armário pelos corredores e quando finalmente achei eu o abri movendo a mão discretamente. Era obvio que as pessoas estavam prestando atenção em mim, eu era a novata gênio estrangeira que tinha o bônus de ser gostosa e com um sobrenome assustador.
– Olha se não é a garota nova. – Um cara qualquer fechou a porta do meu armário me fazendo virar pra ele. – Sou Josh, a gracinha é...
– Alguém cujo você não tem a honra de ouvir a sonoridade perfeita do belo nome. – Eu devolvi sorrindo o empurrando pro lado.
– A gatinha tem garras. – Ele disse me seguindo até o pátio. – Eu gosto.
– Na verdade estou mais pra loba. – Eu disse sarcástica. – Agora Jimmy se puder sair da minha frente eu tenho coisas mais interessante pra fazer do que ouvir suas cantadas baratas.
– Se essa coisa mais interessante é sair comigo acho que podemos pular a parte das cantadas e ir logo pro que interessa... – Ele pegou o meu pulso me fazendo virar pra ele com a sobrancelha erguida. – Cinema ou jantar?
– Seu funeral. – Disse uma voz atrás dele o segurando pelo pescoço. – Agora saia daqui antes que eu arranque suas tripas fora. – Kol disse ameaçadoramente fazendo o cara me soltar e sair apreçado.
– Porque elas sempre têm namorados ciumentos?! – Pude o ouvir resmungando enquanto eu sorria.
– To de volta Darling! – Ele disse abrindo os braços dando um sorriso cansado.
– Kol! – Eu disse pulando em seu colo enquanto ele me abraçava forte pela cintura. – Deu certo!
– Seja lá o que você fez, deu certo. – Ele riu beijando os meus cabelos. – A única coisa que eu sei é que eu acordei com uma adaga no peito, mas eu consegui ter forças pra arrancar ela e pular uma janela. – Ele disse como se tivesse estranhado algo, mas me abraçou mais forte. – Onde estamos?
– Mystic Falls. – Eu respondi beijando sua bochecha e respirando o seu cheiro de canela. – Estados Unidos. – Eu o soltei e olhei bem pro seu rosto que tinha os olhos castanhos arregalados.
– Quanto tempo se passou? – Ele me olhou de cima abaixo e depois desviou o olhar.
– Uns dois ou três anos. – Eu ri. – Meu pai já viu você?
– Não. – Ele riu bagunçando os meus cabelos. – Mas vai descobrir depois da trilha de corpos que eu deixei até conseguir achar você. – Eu estava muito feliz de finalmente poder ver ele de novo. – Você ta mais alta.
– É o que acontece quando você cresce. – Eu ri vendo que agora eu batia em seu ombro, não em seu cotovelo. – Estou feliz por ver você de novo.
– Estou feliz por ver você também, nanica. – Ele acariciou o meu rosto.
Pude ouvir pessoas murmurando por nossas costas e só depois que me liguei que estávamos com uma demonstração de afeto exagerada no meio de um pátio e Kol estava vestido como um louco. Ele ainda usava o uniforme da Sonserina, blusão, calça e sapato social, suéter preto, capa que ia até as panturrilhas com um brasão de cobra e uma gravata verde e prata no calor de verão da Virginia. Inglês e estranho demais.
– Vamos! – Eu o puxei pela mão. – E tira essas roupas, você ta chamando muita atenção já com o sangue na cara!
– Sangue? – Ele me olhou ligeiramente confuso e depois que se tocou que sua bochecha estava levemente suja de sangue.
– Vem. – Eu rolei os olhos e o puxei pra perto de mim.
Fiquei nas pontas dos pés e limpei o sangue passando os lábios lambendo discretamente seu rosto. Era a primeira vez que tinha visto Kol corar e provavelmente a última, mesmo que fosse só um pouco e não durar muito, mas já era o suficiente pra eu ganhar o dia. Eu ri de sua cara enquanto ele rolava os olhos, mas ainda mantém o sorriso no rosto. Ele tirou a capa e o suéter ali no meio do pátio mesmo e afrouxava a gravata enquanto eu o arrastava pela mão.
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