Notas iniciais
Muito obrigada pelos rewiens minhas lindas amo vcs! Só pra avisar que eu vou embora hj da casa da minha avó, então vou tentar escrever o mais rápido que puder

Pude ouvir alguém chamar meu nome ao longe, mas ainda parecia ser só um sonho distante. Tudo era escuro e frio, mas eu ainda consegui sentir o toque quente contra o meu rosto e ai eu consegui despertar. A falta de ar chegou aos meus pulmões me fazendo abrir os olhos e procurar loucamente por ar. Meu corpo estava molhado e deitado sobre a cama da área hospitalar destruída. O pânico pós-morte finalmente me atingiu em cheio, mas o pânico maior foi estar sozinha. Cerrei os punhos e senti algo áspero contra a minha mão esquerda. Mesmo com os sentidos embaralhados eu consegui ler o pergaminho em minha mão apesar da visão turva.

Me Desculpe.

– Kol... – Só ele poderia ter escrito isso.

Levantei-me cambaleando da cama e logo os meus ouvidos começaram a funcionar. Pude ouvir gritos de dor vindo do pátio me fazendo correr pelos destroços até a janela sem vidro da enfermaria. Kol, meu pai e Elijah lutavam pelo o que eu sabia muito bem qual era o motivo.

– KOL!!!! – Eu gritei da janela sentido meus olhos embaçarem pelas lagrimas.

Eu corri o mais rápido que as minhas pernas cambaleantes conseguiam, eu não podia deixar fazerem isso com ele, não era sua culpa. Eu fui curiosa demais e por isso o basilisco me pegou Kol não tinha nada haver com isso.

– O DEIXE EM PAZ! – Eu gritei quando cheguei ao pátio. – ME SOLTE ELIJAH! – Eu me debatia nos braços do meu tio que me impedia de chegar perto dele.

Eu estava desesperada com os sentidos contrários e pedindo pra que o libertassem, mas nada surgia efeito. Eu ainda me debatia contra Elijah com forças que eu nem sabia que ainda tinha, mas era tarde demais. Meu pai já havia o apunhalado no peito e ele já havia caído no chão e a culpa era minha. Era tudo minha culpa. Se eu não tivesse seguido os sibilos nada disso estaria acontecendo.

Elijah finalmente me soltou e eu pude correr até ele e inutilmente tentar tirar a adaga. Mas infelizmente toda vez que eu encostava nela minha mão queimava, mas eu ainda assim tentava puxar ela pra cima só parei quando minha mão ardeu em brasas que poderiam queimar o corpo do meu único amigo.

– Por que fez isso?! – Eu virei o rosto pro meu pai. – Não foi culpa dele! Ele não podia ter evitado!

– Kol falhou com a única coisa que o mantinha fora do caixão. – Ele respondeu.

– Mas a culpa foi minha! – Eu atirei ainda me sentindo tonta quando tentei encara-lo de pé.

– Vamos embora. – Meu pai respondeu me pegando nos braços. – Você não fica nem mais um dia nesse castelo.

– Eu vou tirar essa maldita adaga dele. – Eu disse com as forças que ainda me restava. – Eu prometo.

– Você pode tentar sweetheart, mas será difícil. – Ele respondeu no fundo duvidando de mim. – Pegue suas coisas. Vamos pra casa.

– Eu não vou pra New Orleans. – Eu recuei um passo.

– Só pegue suas coisas Effy. – Ele disse calmo pegando o corpo do irmão do chão.

Eu não podia discutir. Só sequei as lagrimas com as costas das mãos e ignorar a ajuda de Elijah e também o fato que eu tinha morrido pela primeira vez há poucas horas atrás. Desci até as masmorras joguei todas as minhas coisas no malão.

– Até nunca mais. – Pude ouvir Parkison que infelizmente era minha colega de quarto.

– Não fique tão alegre assim buldogue. – Eu me virei pra ela. – Por que quando eu volta pode ter certeza que o mais sedutor inferno vai voltar junto comigo pra dentro desse castelo. – Ela recuou um passo. – E pode ter certeza... – Eu aproximei o meu rosto do dela. – Que você vai ser a primeira a se queimar com ele.

Eu afastei observando seu rosto pálido apavorado. Deixei os malões caírem escada abaixo e joguei a mochila nas costas e segurava a vassoura na mão esquerda. Eu já tinha colocado um uniforme seco e agora eu só tinha que pegar as coisas de Kol em seu quarto. Passei ao lado das minhas malas que eu mesma atirei no chão e segui até o dormitório masculino. Pelo que eu soube ele dividia o quarto com Patrick e alguns outros garotos do último ano. O quarto estava vazio e ligeiramente bagunçado e soube exatamente qual era a cama de Kol já que tinha o seu inconfundível cheiro de canela e sangue. Fiz o mesmo que fiz com minhas coisas, esvaziei as gavetas e joguei tudo dentro malão.

– O que é isso? – Eu disse pra mim mesma quando vi um pequeno caderninho.

Dentro dele estava vários rabiscos e detalhes de feitiços que eu nunca havia visto e fotos. Uma pequena fileira de fotos que tiramos numa cabine quando fomos ao parque de diversões. Era simples. Era só eu e ele fazendo caretas pra câmera enquanto dividíamos um banco minúsculo. Guardei as fotos e o caderno no bolso da minha capa e arrastei o malão pra fora do quarto segurando sua vassoura junto com a minha.

– Eu levo pra você. – Patrick parecia entrar no quarto.

– Obrigado. – Eu disse, ele era o mais próximo que teríamos de amigo nesse lugar.

– Acho que vou sentir saudades de vocês dois. – Ele disse com um leve sorriso de lado.

– Vou sentir saudades de você também Pat. – Eu disse enquanto descíamos as escadas. – Boa sorte pra conseguir outro batedor e outro zagueiro tão bons quanto nós.

– Vou me esforçar. – Ele riu do comentário quando chegamos ao pé da escada.

– Não ouse perder a taça. – Eu o alertei.

– Sim senhora! – Ele bateu continência e beijou minha bochecha. – Se cuida Effy.

– Vou sobreviver. – Eu piquei pra ele. – Quando estiver na liga profissional eu quero ingressos de graça.

– Pra você eu te arranjo camarotes. – Ele sorriu talvez pelo fato de eu souber que ele queria ser jogador profissional. – Tenho que ir Effy. Tenho transfiguração e duas aulas de poções ainda.

– Pode entregar isso pra mim? – Eu vasculhei a minha mochila e tirei alguns pergaminhos e frascos. – Os com tinta azul são pra McGonagall e os de tinta verde para a aula de astronomia. O frasco é meu trabalho de final do semestre de poções.

– Ainda acho estranho você não ter ido pra Corvinal. – Ele ri e pega as folhas e o frasco da minha mão logo se afastando vendo meu pai e meu tio se aproximar com Dumbledore. – Me mande uma coruja um dia desses.

– O que era aquilo? – Elijah perguntou interessado.

– Mandar uma coruja é o mesmo que um sms. – Dei os ombros. — Meus trabalhos do fim de semestre.

– Mas acabamos de começar o segundo semestre. – Meu pai me olhou confuso.

– Gosto de me adiantar. Pelo menos pude entrega-los antes das provas finais. – Eu rolei os olhos. – Agora podemos ir ou vão me deixar assistir à aula de feitiços? Ou podemos esperar até depois do almoço e vocês podem assistir ao treino de quadribol. – Eu disse irônica fazendo meu pai rolar os olhos. – Ah espere! O zagueiro e o capitão do meu time esta com uma adaga no peito então acho que vamos ter que fazer uma nova seleção de jogadores.

– Quando entrou para o time? – Meu pai perguntou.

– Eu até teria avisado, mas do que adianta se não temos mais um capitão? – Eu dei os ombros. – Agora vou ter achar outra utilidade pra essas vassouras por que elas certamente não servem pra varrer. Vejam pelo lado bom, eu ainda posso jogar beisebol usando a minha habilidade de batedora. – Eu sorri de lado sem querer. – Pelo menos já pensaram em como vamos sair daqui? – Silencio. – Sabem que eu não posso aparatar muito menos em Hogwarts. Como chegaram aqui?!

– De carro. – Elijah respondeu.

– Dirigiram até o meio do nada da Escócia?! – Eu os olhei incrédula. – Não quero saber! – Eu abanei a cabeça.

Joguei a vassoura de Kol perto das nossas coisas e do caixão feito pra ele. Com um movimento da varinha as coias desapareceram deixando eles e Dumbledore surpresos.

– Mais trinta pontos para Sonserina. – O diretor disse com um sorriso triste. – Pelo desempenho perfeito de um feitiço avançado.

– Legal ganho pontos mesmo saindo da escola. – Ergui as sobrancelhas.

– Nós sempre seremos alunos de Hogwarts, mesmo depois de nossa partida ela ainda é nosso lar. – O velho disse me arrancando um sorriso. – Lembre-se disso.

– Até mais professor. – Eu sorri acenando com a cabeça.

Eu andei até o pátio onde alguns meninos do time de quadribol me cumprimentavam, até mesmo Olívio Wood me deu um aceno com a cabeça. Tirei uma folha de pergaminho da mochila bati com a ponta da varinha nele fazendo um mapa da escola até o vilarejo ao lado e dei na mão do hibrido.

– Encontro vocês no Três Vassouras.

– Como assim nos encontra lá?! – Meu pai me olhou como se fosse louca.

– Vocês vão ter que ir a pé e eu tenho uma vassoura. – Eu disse o obvio.

Antes que eles pudessem falar algo eu subi na vassoura e dei um forte impulso levantando uns cinquenta metros do chão. Demorei cerca de três minutos pra chegar até Hogsmead o que me deu vinte minutos de vantagem o suficiente pra compra doces na Dedos de Mel, artigos na Zoncos e garrafas e mais garrafas de cerveja amanteigada, no qual depois eu iria mandar endereço. Pude ver meu pai e tio Elijah chegarem ao vilarejo. Pelo visto esse seria de longe o pior outono da minha vida.