Magic Blood
30 Eu tenho visto coisas
Notas iniciais
– Vocês ai. – Eu disse abrindo a porta de uma cabine assustando os calouros. – Pra fora! – Eles se entreolharam assustados.
– AGORA! – Kol disse os fazendo saírem correndo se empurrando.
– Nada como assustar os calouros. – Eu me joguei no banco rindo.
Como sempre fazíamos, nós expulsamos os alunos de sua cabine no expresso porque éramos preguiçosos demais pra procurarmos em vão por uma cabine que saberíamos que iríamos dividir com alguém, o que estava fora de cogitação. Eu e Kol sempre dividíamos a cabine, não só porque não tínhamos amigos além de nós mesmos para dividirmos uma cabine, mas também porque gostávamos da companhia um do outro.
Kol se jogou no outro banco e começou a girar sua varinha entre os dedos enquanto eu olhava as paisagens pela janela londrina apoiando minhas costas na parede da cabine. Era quase impossível não sentir medo ou apreensão, afinal meu pai e Elijah estavam na cova do leão esperando por Mikael, o mostro das minhas antigas historias infantis. Historias que para a maioria das crianças, meu pai e meus tios eram os monstros selvagens e para mim eles eram os cavalheiros de armadura brilhante e Mikael e os outros inimigos da minha família eram os monstros sem piedade. Mesmo depois de anos e sabendo a verdade e como o mundo funcionava, meu pai ainda seria o meu herói, mas isso não significava que eu não poderia temer por sua vida.
– Pode parar. – Kol disse me tirando do meu devaneio e o olhar confusa. – Eu sei o que você esta pensando, e pode para. – Ele virou o rosto pra me encara. – Eles vão ficar bem e nós também vamos.
– Eu sei... É só que... – Eu desviei o olhar para janela por um instante antes de voltar a olhar em seus olhos castanhos. – Eu nunca pensei que ele fosse voltar e atormentar nossas vidas de novo e eu pude sentir... – Eu disse levemente frustrada. – O medo. – Eu finalmente achei a palavra e olhei bem no fundo de seus olhos compreensivos. – Meu pai estava com medo Kol, eu nunca o vi assim e isso me deixa apavorada. – Ele se sentou em seu banco me olhando nos olhos. – Eu não quero simplesmente fugir e deixar eles para trás, mas aquela cidade me faz sentir como se não estivéssemos seguros e... – Eu fechei os olhos balançando a cabeça me lembrando das noites que eu passei em claro.
– E, o que, Elizabeth? – Ele disse delicado e pude sentir o calor de seu corpo aproximar de mim. – O que aconteceu? – Eu apertei os lábios e balancei a cabeça me negando a dizer. – Você precisa me dizer. – Pude o sentir apoiar as mãos em meus ombros.
– Eu tenho tido pesadelos. – Eu disse depois de um tempo em silencio e o olhar nos olhos. – E eu tenho visto... Coisas, que já aconteceram ou vão acontecer.
– Você tem previsões... – Ele disse baixo e olhou para a porta de vidro que estava coberta por uma cortina. – Sabe que não pode contar isso a ninguém? – Ele disse agachado em minha frente e eu balancei a cabeça concordando. – O que você viu?
– Não muito... – Eu enxuguei as lagrimas. – Algumas mortes, como a de Cedrico Diggory, o dia que vocês se transformaram, uma festa minha de aniversário... – Eu desviei o olhar nervosa eu não queria acreditar no que eu tinha visto.
– O que mais? – Ele sabia que aquilo não era tudo, mas ainda conseguia ser delicado.
– Voldemort. – Eu disse por fim, mas não era aquilo o que realmente me deixava com medo, ele sabia disso, mas não me pressionaria.
– Vai ficar tudo bem. – Ele se sentou ao meu lado e me envolveu em seus braços. – Confie em mim, Effy vamos ficar bem, assim como Klaus e os outros também.
– Eu não quero perder você de novo. – Eu murmurei encarando seu peito me encolhendo em seus braços.
– E não vai. – Ele murmurou fazendo carinho em meus cabelos. – Vou sempre estar com você, Effy.
– Promete? – Eu olho em seus olhos em uma tentativa desesperada de não estar sozinha.
– Eu prometo. Eu vou sempre estar com você. – Ele disse olhando em meus olhos erguendo o dedo mindinho. — Sempre e para sempre.
– Sempre e para sempre. – Eu disse com um sorriso enlaçando o seu dedo ao meu. – Sempre teremos um ao outro, não importa o que.
Ficamos mais alguns segundos naquele jeito, quente e reconfortante. Entrelaçando os nossos mindinhos enquanto ele abraçava as minhas costas me fazendo se sentir segura e protegida, eu sempre iria parecer uma garota frágil e indefesa aos olhos de Kol, porque só com ele eu poderia mostrar alguma fraqueza, só com ele eu poderia ser eu mesma e não aquela que forte e inabalável Effy que eu demonstrava pra todo mundo. O que somos de verdade e o que somos para sobreviver são coisas completamente diferentes.
– Eu sei o que você fez. – Ele murmurou como se não houvesse mais outro tom que nós pudéssemos conversar. – Lá em casa, você fingiu. – Eu me mantive em silencio, enquanto separávamos nossos dedos e uníamos nossas mãos. – Fingiu estar sendo sufocada e termos uma ligação pro Klaus não me matar. Nossos corpos não estão ligados. – Mas ainda tínhamos outro tipo de ligação que nem para nós tínhamos admitido. – Por que fez isso?
– Sabe que se eu não tivesse feito isso agora você estaria em um caixão ou morto. – Eu respondi no habitual tom de sussurro quase como se fosse pecado falar isso em voz alta. – E não quero que fique longe de novo. – Eu desviei o olhar sentindo o conforto de seus braços e sua mão contra a minha, seus lábios pareciam interessantes. – Não é como se fosse uma completa mentira... – O ar parecia mais pesado entre nós e nosso rosto anormalmente mais próximo nos fazia compartilhar o mesmo ar pesado entre o espaço pequeno e frustrante que nos separava.
– Não, não é. – Ele disse devagar provavelmente compartilhando dos mesmos pensamentos que o meu. – Sabe que é errado, não sabe? – Ele perguntou devagar e eu só balanço a cabeça. – Sabe que pode ser nossa alegria e a nossa ruína e que vamos à contra a diversas leis naturais e principalmente contra seu pai? – Eu novamente só balanço a cabeça deixando os centímetros entre nós cada vez menor e ainda mais frustrante. – Você esta noiva.
– Eu não quero me casar com ele. – Eu murmurei olhando em seus olhos castanhos.
– Eu não quero que se case com ele. – Ele disse.
– Então foda-se. – Eu disse olhando em transe para seus olhos.
– Então foda-se. – Ele disse me olhando do mesmo jeito.
Ele selou nossos lábios. Beijou-me, nossos lábios tinham a sincronia sedenta de desejo perfeita, nunca desejei alguém tão arduamente em toda a minha vida. Seus lábios eram agridoces e quentes que me envolviam com paixão. Era doce, era errado, gentil e selvagem, sabíamos das consequências, sabíamos o que aconteceria se alguém descobrisse, mas valia a pena. O calor que eu sentia em meu peito vazio que só ele conseguia preencher me fazia acreditar que todo o risco que eu corria para ter os seus lábios contra os meus valiam a pena serem corridos se eu pudesse tê-lo pra mim. Não teria um final feliz, sabíamos muito bem disso, mas minhas mãos já estavam em sua nuca aprofundando ainda mais o nosso beijo longo e demorado, mas felizmente não precisávamos de ar.
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