Magic Blood
15 Dividindo o Vagão
Era ótima a sensação de morder um pescoço e sentir o sangue quente e gostoso na minha boca. Eu estava mais controlada do que antes, então tirei a minha boca do pescoço da mulher e olhei em seus olhos e a mandei por um xale no pescoço e seguir a sua vida sem lembrar-se de nada. Voltei até onde meu tio, meu pai e Rebekah estavam apoiados no carrinho.
– Parabéns. – Disse meu pai saudoso. – Esta se controlando melhor.
– Aqui querida. – Meu tio me ofereceu um lenço.
Limpei a minha boca e respirei fundo fazendo as presas voltarem ao normal. Kol voltou um pouco depois de mim com a boca normal e limpa. Atravessamos a barreira e por alguma razão eu já não estava tão ansiosa pra voltar ao castelo.
– Vejo você no natal, sweetheart. – Meu pai falou.
– Ok. – Eu respondi.
Não estava muito afim de despedidas então só entrei no trem depois que Kol entrou segurando as nossas coisas. Dessa vez a cabine estava vazia. Me joguei no banco, e um pouco depois que o trem vermelho começou a andar pude ver os gêmeos Weasley passarem em frente a porta, mas passaram direto. Pelo visto eu tinha me saído bem hipnotizando eles pra fazerem eles não falarem comigo.
– Chega pra lá Mikaelson. – Ouvi a voz de Malfoy depois que eu tinha cochilado.
– O que você que Malfoy?! – Eu perguntei rude pro garoto.
– Eu gostaria de poder sentar, mas vocês estão ocupando os dois bancos. – Ele disse.
– Procure outra cabine se esta incomodando. – Kol disse sem abrir os olhos.
– Eu até gostaria, mas as ordens foram pra seguir vocês pra todo lado. – Ele disse irritado. – Vou ter que fingir ser seu amigo.
– Por quê?! – Eu não entendi o que ele queria dizer com isso.
– Minha mãe disse que o noivado é pra parecer genuíno, não um acordo. – Eu ergui uma sobrancelha. – As pessoas não podem suspeitar que foi um acordo formal e sim como se... – Ele pareceu ter a mesma vontade de vomitar que eu. – Que foi por espontânea vontade.
Eu recolhi as minhas pernas deixando ele se sentar no banco, já que eu sabia que Kol não iria ceder. Assim que o garoto sentou eu coloquei as minhas pernas no seu colo e voltei a dormir com o balançar do trem. Acordei sentindo o doce e delicioso cheiro de doces do carrinho, que infelizmente já tinha passado e me fez ficar cobiçando a cestinha de doces do loiro.
– Pega. – Ele disse me oferecendo a cestinha. – Não faz essa cara é só um doce garota.
– Valeu. — Eu continuei o olhando desconfiada, mas peguei um sapo de chocolate.
– O que é meu é seu, querida. – Ele disse e eu quase cuspi o doce fora.
– Cadê o Kol? – Eu rolei os olhos pegando outro doce.
– Foi se trocar. – Ele disse emburrado. – Se incomoda?
– Sim. – Eu relaxei ainda mais as minhas pernas em seu colo. – Me incomoda muito.
– Você é insuportável Mikaelson. – Ele rola os olhos e tenta tira as minhas pernas de cima dele, mas eu coloco a minha perna em seu peito. – Da pra me soltar?
– Qual é a palavrinha mágica? – Eu fiz uma carinha manhosa.
– Agora! –Ele disse serio.
– Uhm errou. – Eu sorri de lado prendendo o pescoço dele com o pé. – Vai ter que fica preso ai.
– Você é bem flexível. – Ele me olhou travesso.
– Faço yoga. – Eu dei os ombros.
– Não vai mesmo me soltar?! – Ele perguntou depois de um tempo que eu já tinha abaixado o pé, mas mantém as pernas no seu colo e devoro os seus doces.
– Não. – Eu o olho pegando o pacote de caramelos. (ela faz a mesma careta que o Damon)
– Se eu fosse você eu me soltava. – Ele me olha de forma maliciosa.
– Sou mais forte que você Draquinho. – Eu pisco pra ele vendo os seus olhos faiscando de raiva.
– Você que pediu. – Ele se curvou na minha direção trazendo o seu rosto pra perto do meu e antes que eu pudesse raciocinar ele começou a fazer cócegas em mim. – Vai me soltar, Mikaelson?
– Ok! – Eu disse entre risadas tomando ar. – Esta bem! Esta bem!
– Draquinho...? – Vi atrás do ombro do loiro a cara de choro de Parkison que saiu correndo.
– Pelo menos esse noivado serviu pra algo! – O garoto se endireitou risonho.
– Irritar a cara de buldogue! – Eu sorri vitoriosa e ainda sobre o efeito das cócegas e tirei as minhas pernas de cima do garoto.
– É um alívio ter algo pra tirá-la da minha cola. – O garoto disse mais pra si mesmo.
– Pensei que gostasse da Parkison. – Eu ergui uma sobrancelha subindo em cima do banco pra pegar o meu uniforme no malão.
– Eu odeio aquela vadia. – Ouvi ele dizer. – Ela não parava de dar em cima de mim e tinha esperanças que meu noivado fosse com ela.
– E quem deu o azar foi eu, viva! – Eu disse irônica ainda vasculhando o malão.
– Pelo menos essa tradição ridícula me trouxe uma vantagem.
– Que tradição? – Eu perguntei involuntariamente.
– Os Malfoy ficam noivos com treze anos com uma garota de sangue puro que esteja nos padrões. – Ele pareceu notar que a pergunta foi sem quer, mas ainda assim respondeu.
– Como assim padrões?! – Eu virei à cabeça pra olhá-lo.
– Não interessa. – Ele me respondeu da mesma forma que eu disse na festa. – Enfim! Pansy não se encaixa em nenhum dos padrões, mas ainda é bom excluir a possibilidade.
– E por que ela era uma possibilidade se não se encaixa nos “padrões”? – Eu e minha maldita boca sem filtro.
– Nossas famílias se conhecem há anos. – Ele ainda sim respondia. – A conheço, infelizmente, desde pequeno então as chances dela eram maiores.
– ACHEI! – Eu exclamei erguendo o uniforme.
O trem deu um solavanco e eu desequilibrei de cima do banco e cai. Ia ser uma queda feia, dolorosa e se eu fosse humana teria quebrado o pescoço, mas por um azar do destino que adora me ferrar Malfoy me pegou bem a tempo da queda que iria ser “fatal”. Me surpreendi já que não sabia que ele seria forte o suficiente pra carregar um livro quanto mais a mim caindo. Depois de um breve momento estranho ele me colocou no chão de um jeito até delicado e olhou pro outro lado.
– Eu vou sair e me trocar. – Eu disse saindo do vagão e indo até o vagão toalete.
Depois que eu me troquei e procurava o caminho de volta pra cabine quando alguém falhou miseravelmente me empurrar. Eu torci o pulso e prensei contra a parede colocando a minha varinha bem na garganta do infeliz. Obrigada Kol pelas aulas de auto defesa.
– Você gosta de apanhar, Parkison? – Eu ri olhando pra cara de choro e com raiva da garota.
– Vá pro inferno! – Ela choramingou. – O que você tem com o Draco?!
– Achei que fosse Draquinho. – Eu zombei.
– Desembucha! – Ela cuspiu as palavras.
– Hey pelo que eu sabia. – Ergui as sobrancelhas a apertando mais contra a parede. – Sou eu que estou te prendendo e eu tenho uma curiosidade. – Eu fiz biquinho. – Quanto custou a sua varinha nova?
– Sua...
– ahn ahn Pansy, querida olhe os bons modos.
– Diga logo! – Ela tinha lagrimas nos olhos. – O que você e o Draco têm?!
– O que eu e a oxigenada temos não é da sua conta! – Eu disse baixo perto do ouvido dela. – E acho muito bom você parar de se intrometer nas nossas vidas ou eu vou ter o prazer de quebrar o seu lindo pescoçinho.
Eu a soltei a deixando cair sentada no chão perto do banheiro. Sai de perto dela com prazer de ouvir o seu choro, quando eu cheguei na cabine Draco já estava com o uniforme e Kol ainda vestia o suéter por cima da gravata com um nó mal feito.
– Pensei que tinha saído pra se trocar. – Eu ergui uma sobrancelha.
– E fui, mas tive um... Imprevisto. – Ele disse malicioso enquanto eu me jogava no banco macio. – E você esta com um rostinho feliz de mais, o que houve?
– Bem enquanto você comia alguém, provavelmente nos dois sentidos. – Eu sorri maliciosamente enquanto vi de lado Draco com uma cara esquisita. – Eu ouvia a minha música preferida, o choro de Pansy Parkison.
– A lobinha e seu feito pelo chora das inimigas. – Kol fez aquela cara e se sentou de forma relaxada do meu lado.
– Quem era? – Eu perguntei.
– Gabrielli Waterson ou Whinston... – Kol disse tentando recordar o nome da amante.
– Gabriela Wincovall. – Draco corrigiu.
– Isso! – Meu tio bateu palma e apontou pra ele.
– Sabe... – Eles me olharam. – Algum dia esse seu fetiche por bruxas vai matar você.
– Sou imortal, darling. – Ele beijou a minha bochecha.
Não demorou muito até chegarmos em Hogwarts. Dessa vez fomos de carruagem e pra minha felicidade fomos só eu e Kol, enquanto Draco deve ter ido com Zambini, Crabbe e Goyle.
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