Magic Blood
25 Boneca Assassina
Notas iniciais
Elijah sempre era pontual, então chegou bem na hora marcada em frente ao estádio francês de quadribol. Dessa vez ele havia mudado o blazer por um elegante sobretudo preto que sem querer combinava com o meu.
– Boa noite tio. – Eu sorri.
– Boa noite Elizabeth. – Ele me ofereceu o braço.
Depois do que tinham feito com Kol eu fiquei um ano inteiro sem falar com eles, literalmente eu não pronunciava uma palavra sequer com ninguém, mas aos poucos eu voltei a falar com eles. Eles pensam que eu havia esquecido Kol e ficaram felizes já que eu me apeguei muito a ele, mas estavam enganados. Eu somente agia como deveria agir nessa família. Por baixo dos panos. Ninguém poderia saber que ainda estou tentando trazê-lo de volta pra evitar interrupções indesejadas por isso eu conseguia os ingredientes e tudo o possível sem ninguém saber, porque era o melhor jeito, a melhor maneira de trazer ele de volta pra mim.
– Então tio, presumo que nunca tenha visto um jogo de quadribol antes. – Eu digo sorrindo enquanto subíamos até os camarotes.
– Nunca tive o prazer, mas eu ouvi falar que você e Kol eram muito bons no jogo. – Ele sorriu pra mim.
– Éramos esplêndidos na verdade. – Eu dei um sorriso nostálgico involuntário. – Podemos jogar em qualquer posição, mas tive que ficar como batedora por ter o braço mais forte e por que o nosso batedor tinha se formado no ano anterior ao meu.
Finalmente chegamos aos camarotes que eram no topo do estádio a pelo menos 170 metros longe do chão. Apoiei-me na barra de segurança enquanto via o time subir ao ar. Patrick Reeds era o jogador dez do time Puddlemere United que usava um uniforme azul-marinho com dois juncos no meio, eles jogavam hoje pela taça europeia contra o time francês Fura-bolas de Quiberon que usava um uniforme roxo e rosa ridículo. Os times estavam subindo ao ar, mas subitamente foram interrompidos pelo batedor dos Puddlemere que se agarrou ao próprio braço e forçou um pouso que resultou em uma perna quebrada. Nada bonito. Todos os jogadores desceram e se reuniram com os árbitros e com os treinadores e depois de pelo menos dez minutos de uma discutição fervorosa os capitães pareceram chegar a um acordo e saíram de campo.
– O que aconteceu? – Elijah me olhou curioso. Com tanta gritaria não conseguimos ouvir eles lá em baixou.
– Não sei. – Eu franzi a testa. – Acho que vão ter que substituir o jogador, mas não existem reservas no Quadribol.
A porta do camarote se abriu bruscamente e um velho barrigudo de boné entrou por ela seguido por Patrick e Olívio Wood. Eu franzi a testa confusa e olhei pra Elijah e que estava tão confuso quanto eu.
– Precisamos de um batedor. – O treinador barrigudo disse.
– Isso é obvio. – Eu ergui as sobrancelhas.
– O nosso foi enfeitiçado antes do jogo começar por um francês, então os árbitros nos deixaram que se arranjássemos um batedor poderíamos colocar ele em campo. – Pat explicou.
– Os molengas disseram que tinha a pessoa perfeita no estádio. – O barrigudo disse com a voz grossa e irritadiça. – Você até que vai servir, tem a altura boa e o braço forte...
– Treinador... – Olívio e Patrick tentaram chamar atenção dele.
– Você vai servir só tem que tirar esse terno de trouxa, temos um uniforme sobrando que vai caber em você. – Ele disse andando em volta de Elijah.
– Presumo que eles não se refiram a mim. – Elijah disse tentando se manter composto.
– Então de quem estavam falando?!
– Dela! – Eles apontaram pra mim.
– Impossível! Como vocês dois palermas me fizeram perder tempo pra ir atrás de uma nanica de quarenta quilos! – Ele ficou vermelho de raiva. – OLHEM OS PALITOS QUE ELA CHAMA DE BRAÇO!
– Eu tenho 1,70 de altura. – Eu retruquei. – E sou mais alta que você!
– Treinador ela é a melhor batedora que já vimos. – Patrick apelou. – Ela foi à única garota a entrar pro time da Sonserina em toda a historia de Hogwarts!
– Isso é impressionante, mas eu preciso de jogadores e não de impressões. – Ele atirou me fazendo franzir a testa confusa.
– Treinador Flyn ela é a melhor batedora confie em nós, imagina a vantagem que seria quando o time adversário a visse. – Olívio apelou. – Ela de fato é magricela, então pensariam que ela só esta lá pra completar o time.
– Mas não podemos vencer faltando um batedor de verdade! – O treinador cuspiu.
– Eu estou bem aqui pessoal. – Eu balancei as mãos.
– Então tá! – O treinador disse. – Mas eu quero só uma prova de que ela não é um total desperdício!
– Quem disse que eu ia topar? – Eu ergui uma sobrancelha.
– Effy, por favor! – Patrick pegou as minhas mãos. – Essa é a minha chance de ficar rico.
– Você já é rico! – Eu franzi a testa.
– Ok mais rico! – Ele fez cara de cachorro pidão.
– TÁ LEGAL! EU FAÇO! – Eu soltei minhas mãos das dele. – Só para de me olhar assim.
Eu olhei em volta da sala e fiz a única coisa que me veio à cabeça. Dei uma pesada em cima de uma cadeira de madeira a quebrando em pedaços peguei um dos pés da cadeira e olhei significamente pra Patrick que me olhava um pouco surpreso assim como Olívio e o Treinador, mas ele logo saiu do estado de estupefação e conjurou uma bolinha. Dei alguns passos pra trás e ele também, Patrick arremessou a bolinha com força e precisão que um artilheiro deve ter e assim que ela chegou perto eu a rebati com força a fazendo voar pro outro lado do estádio e batendo contra a parede de concreto fazendo uma pequena rachadura e os torcedores daquela região se calar.
– Vou arranjar uma vassoura pra essa garota. – O treinador disse depois de um silencio estranho. – Acho que o uniforme do Wild vá caber nela! – Ele parecia bem animado. – Reeds, Wood já posso sentir o cheiro da vitoria! – Ele saiu correndo.
– Nunca vi o treinador tão feliz. – Olívio riu animado. – Parece que mais uma vez você é a única garota da equipe.
– Cara tem anos que eu não jogo! – Eu disse.
– O seu talento é natural.
– Acha mesmo que vão me deixar jogar? – Eu os olhei. – Ainda sou menor de idade.
– Besteira! – Pat afanou com a mão e depois me olhou de cima abaixo. – Quantos anos têm?
– Quinze. – Ergui as sobrancelhas e eles se entreolharam e descartaram uma possível ideia.
– Talvez isso seja problema, mas você é o pai dela pode autorizar ela a jogar. – Olívio disse pra Elijah.
– Na verdade sou o tio e não acho que a deixaria jogar. – Eu olhei pra Elijah. – Com todo respeito sobrinha, você seria um perigo pras outras pessoas.
– E é exatamente pra isso que serve os batedores. – Dei os ombros. – Posso fazer o que eu quiser?
– Só tente não matar ninguém. – Pat deu um sorriso enorme bagunçando meus cabelos. – Vamos magrela, tem que por o uniforme e acertar a cara daqueles molengas.
Os dois jogadores seguraram cada um em minha mão e me aparataram até um vestiário cheio de jogadores de quadribol. Uns lindos, outros com narizes fraturados. Eles protestaram quando me viram e começaram a discutir quando o treinador me atirou um uniforme azul.
– CALADOS! – O treinador berrou fazendo eles se calarem. – Eu mesmo a escalei, o que se significa que ela vai jogar e vai livrar as caras feias de vocês dos balaços queiram vocês OU NÃO! AGORA LEVANTEM E VÃO GANHAR A PORRA DA TAÇA!
– SIM SENHOR! – Eles o respeitavam muito.
– Esse é o menor uniforme que tem? – Eu perguntei saindo de trás dos armários onde me escondi pra trocar de roupa, a camisa cabia pelo menos três de mim e batia nos meus joelhos, mas pelo menos os equipamentos de proteção das pernas e dos braços cabiam.
– Você ta ótima! – O treinador sorriu pra mim fazendo todos o olharem estranho como se fosse estranho ele ser gentil. –Agora vai lá bater neles garota.
– Sim senhor treinador. – Eu disse pegando uma vassoura e um bastão.
Andamos até o campo e eu parecia uma criança nanica do lado dos caras enormes e musculosos, o cara mais franzino era o apanhador que ainda sim tinha 1,80 de altura e um corpo bem modelado. As pessoas me olharam estranhado o fato de eu estar lá, principalmente os caras do outro time, alguns até riram, então eu forcei o meu rosto corar pra parecer mais frágil.
– Isso não é uma creche! – O treinador do outro time disse. – Meus jogadores não podem jogar contra isso! O uniforme nem cabe nela!
– Vocês disseram que podíamos por qualquer um em campo, essa é nossa jogadora. – O treinador Flyn disse.
– Ela pelo menos tem 17 anos?! – O outro treinador disse enquanto seus jogadores me secavam.
– Tenho quinze. – Eu disse da maneira mais fofa possível segurando o bastão de forma desajeitada. – Mas meu deixou jogar.
– Vai trreinadorr deixa, pra lá. No é como se eles fossem conseguirr ganharr mesmo. – Um jogador com forte sotaque francês que parecia ter 17 anos bonitão me secava de forma safada. – Vamos tenter não te machucar, boneca.
– Isso seria muito gentil da parte de vocês. – Eu disse em francês piscando pra ele.
– Então está resolvido! Subam logo! – Um árbitro disse.
Eu pulei em cima da minha vassoura, mesmo que tenha sido um pouco difícil pela blusa enorme. O locutor começou novamente a falar o nome dos jogadores. O time adversário me olhava com uma mistura de pena com desejo, os do meu time com pena e a plateia confusa.
– Os Puddlemere United têm uma... uma? – Até o locutor estava confuso. – Sim, isso mesmo! UMA! Nova jogadora, na camisa 6 na posição de batedora... – Essa deve ser a parte que ele acha que leu meu nome errado. – EFFY MIKAELSON!
O esperado segundo de silencio correu pelo estádio, mas felizmente logo acabou quando o locutor voltou a falar anunciando os outros jogadores do meu time que ganharam vários gritos femininos histéricos merecidos. A enorme blusa estava me atrapalhando, então quando Pat colocou a sua vassoura ao lado da minha e dei o bastão em sua mão.
– Ta vendo o artilheiro moreno da direita? – Ele apontou discretamente pro cara.
– To. – Confirmei tirando a blusa do time.
– O que esta fazendo?! – Ele me olhou como se fosse louca assim como o resto do estádio. – Ficou maluca?!
– Ela ta me atrapalhando, assim vou cair da vassoura e não vou movimentar o braço. – Eu mexi o cotovelo de modo cômico. – Fora que assim vamos ganhar muito mais rápido. – Eu pisquei pra ele. – Não é contra as regras.
– Danem-se as regras. – Ele secou o meu top decotado volumoso da cor do time. – Peitos lindos alias! Enfim preciso que derrube aquele artilheiro ele é rápido demais e gosta de roubar a goles.
– Ok, vou derrubar o pervertido. – Eu disse pegando o bastão de volta.
– Destrua eles boneca! – Ele bagunçou meus cabelos soltou.
Assim que soou o apito Pat marcou dez pontos porque o goleiro adversário olhava pros meus peitos. O primeiro balaço veio na minha direção então eu o rebati pra acertar o tal artilheiro que desviou por um tris e me olhou embasbacado. O segundo balaço veio pro batedor do meu time que evitou que Olívio fosse acertado o devolvendo rapidamente pro artilheiro do outro time que quase foi acertado. Eles são rápido, esse é o problema. Vamos jogar direito. Rebati o balaço com a mão esquerda antes que ele acertasse o meu apanhador.
– Valeu. – Ele falou voando pra longe.
Era obvio que eu tinha impressionado a todos. Eu era a única garota de entre 13 caras enormes segurando um bastão pesado com a mão esquerda.
– Essa é minha chance. – Eu sorri vendo o que eu faria.
O artilheiro moreno vinha com a goles na tentado marcar o primeiro gol pro seu time e pro seu azar um balaço estava vindo. Só fiz o que tinha que ser feito. Rebati o balaço com as duas mãos o acertando em seu rosto e cheio. Ele largou a goles que foi pega por Patrick que marco o quinto gol deixando o placar 50x0. O jogador que eu acertei caiu da vassoura, mas foi socorrido a tempo. Agora o outro time só tinha dois artilheiros e nenhum gol.
– Opps! – Eu disse fazendo cara de inocente fazendo a multidão vibrar.
Rebati um balaço e logo o segundo balaço veio à tona pra cima de mim, mas graças aos reflexos naturais eu consegui bater ele de volta acertando a vassoura do apanhador adversário que quase caiu, mas machucou a perna o que nos daria mais vantagem. O outro batedor do meu time nem sequer levantava o seu bastão direito, mas sabia que eu o podia ouvir e deu uma boa ideia de jogada. Assim que o balaço veio em direção de um de nossos artilheiros ele a reateu pra mim sendo que um dos artilheiros adversários estava atrás de mim tentando não ser acertado, então eu simplesmente desci a minha vassoura e o balaço o acertou na cara. Agora o outro time só tinha um artilheiro pra marcar os gols e o placar estava 120x30 ganhávamos de lavada. Tínhamos os melhores jogadores.
– BOA GAROTA! – O outro batedor ergueu a mão no ar e eu bati nela.
Os outros batedores começaram a focar os seus balaços em mim o que deixou o caminho livre pro nossos artilheiros que podiam marcar gols a vontade só tendo o goleiro meia boca comoo empecilho e pro azar do time deles que mesmo com cinco artilheiros não conseguiriam marcar um gol tão fácil em Olívio, nem se eles pegassem o pomo eles conseguiriam ganhar. O batedor camisa sete do meu time emparelhou sua vassoura com a minha pra me ajudar a manter os balaços fora da minha cara.
– PEGA ESSA O MANÉ! – Eu gritei rebatendo o balaço que acertou o batedor do outro time bem no estomago o fazendo cair da vassoura.
Os apanhadores passaram correndo na nossa frente disputando pelo pomo, mas o do time francês foi atrasado por cotovelado e logo depois por um balaço que eu atirei nele.
– A BONECA ATACA NOVAMENTE! – Eu ouvi o locutor gritar eufórico e só depois que eu percebi que a multidão de sei lá quantos bruxos gritava eufórica me chamando de boneca assassina.
– KILLER DOLL! KILLER DOLL! – Era do que os torcedores me chamavam.
– Você já tem fãs! – O artilheiro número 3 do meu time disse sorrindo antes de marcar o gol número 160.
Com o outro apanhador atrasado por mim, que mesmo todo quebrado ainda estava no ar, o único batedor que tinha sobrado tentava acertar o apanhador do nosso time. Tive que voar o mais rápido que pude pra poder acompanha-lo e rebater os balaços, o batedor do outro time era bom, mas eu era melhor. O camisa sete do meu time batia o segundo balaço na direção dele e ele o mandava pro meu apanhador e assim ficava o circulo.
– PEGUEI! – O apanhador do meu time disse erguendo o pomo quando eu finalmente consegui acertar o outro apanhador.
O jogo finalmente acabou depois de uma hora, o que foi rápido pros padrões, o placar encerrou com 330 pro meu time e 60 pro time francês que estava arrebentado e soado e se perguntavam como eu tinha conseguido fazer aquilo. A multidão gritava Killer Doll enquanto descíamos até o gramado. Os garotos do meu time correram em minha direção e me jogaram por cima de seus ombros comemorando, enquanto eu ria de felicidade em muito tempo.
– Quem vai erguer a taça? – Perguntou o ministro da magia francês levemente mal humorado por perder em casa.
– QUEM VOCÊ ACHA?! – Gritou o treinador Flyn entregando a taça na minha mão enquanto eu estava sentada no ombro de Pat que era o mais alto. – DA BONECA DOS PUDDLEMERE!
Os fogos brilhavam no céu noturno brilhante de estrelas, a multidão estava louca gritando eufórica. Todos me elogiavam pela bela pureza em voo e por rebater as pesadas bolas de ferro na cara das pessoas.
– Garota você tem talento! – O treinador não parecia mais estar de mau humor. – Se quiser pelo amor de Merlin se juntar à nossa equipe pro próximo campeonato ficaríamos honrados.
– Se meu pai concordar, por mim não tem problema. – Eu dei os ombros erguendo a taça. – É divertido jogar.
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