Magia Do Destino

33 31. Então é Natal


Notas iniciais
Amadinhos, Muito, muito obrigada a todos que não desistiram de mim! Fiquei feliz demais em ver tantos comentários no interlúdio! E vamos continuar! Boa leitura.

Capítulo 31

Então é Natal

– Uau. Eu estou explodindo de tanto comer – falei, acariciando minha pança.

Nossa primeira ceia de Natal longe de casa tinha sido um sucesso.

– Na verdade, tô espantado que tenha sobrado comida pras demais pessoas – Nimbus provocou. Dei língua a ele e ele respondeu jogando um beijo no ar.

– Ok, agora é hora dos presentes! – Do Contra mudou o assunto.

– Vocês vão odiar meus presentes. Com dez dólares não deu pra fazer muita coisa – Mônica reclamou.

– Os meus vocês vão amar – Nimbus estava com um sorriso confiante.

– Eu primeiro! – pedi.

Entreguei a cada um deles um embrulho. Uma caixa retangular pequena.

Todos abriram e ficaram meio entusiasmados e meio intrigados. Mônica me olhou com cara de interrogação.

Expliquei:

– É uma caixa com várias coisinhas pra artesanato. Miçangas, pedrinhas. Pra fazer colares, pulseiras, chaveiros...

Todos emitiram um "ahhh" de entendimento e começaram a brincar com as pecinhas e trocando itens entre si.

– Que bom que gostaram! Mas agora eu quero os meus presentes! Brinquem depois – protestei.

– Ok, agora é a minha vez – Mônica anunciou. Entregou um embrulho para cada um. Pelos pacotes – e a etiqueta da Barnes & Noble – dava para imaginar que eram livros de bolso.

Nimbus ganhou uma biografia de Houdini. Eu ganhei uma edição especial com duas histórias da Agatha Christie. Amo. Do Contra ganhou um livro de nome "Tudo que fizer, pense ao contrário". Ele logo começou a ler, de trás para frente, claro.

– Do Contra! Lê depois, agora é a sua vez de entregar os seus presentes – Mônica chamou a atenção.

– Ah, tá bom, tá bom, já vai – ele entrou em seu quarto e saiu com quatro caixas grandes. Pareciam caixas de sapato do tipo botas.

Todos nós rasgamos os embrulhos apressadamente, e qual não foi nossa surpresa em ver dentro das caixas pares de patins para gelo. Caríssimos.

– DO CONTRA!!! – todos reclamamos ao mesmo tempo.

– O que aconteceu com a regra do "só presentes até dez dólares"? – reclamei.

– Eu resolvi desobedecer – ele deu de ombros.

– Mas foi você que criou essa regra! Seu mala! – Nimbus deu um tapa na nuca do irmão.

– Eu amei, amor! Obrigada – Mônica agradeceu com um beijo e ficou admirando os patins cor–de–rosa dela.

– Você já viu esses patins, linda?

Mônica só assentiu com a cabeça, sorrindo como quem se lembra de algo agradável.

– Tá certo, chega de melação, agora é minha vez – Nimbus pediu atenção, batendo palmas.

Ele entrou em seu quarto e saiu com duas caixinhas quadradas, não muito grandes, e entregou à Mô e ao irmão.

Os dois abriram e tiraram de dentro, cada um, um aquário. O de Mônica tinha um peixe beta exuberante. O de DC tinha vários peixinhos pequenos.

– Por que o da Mônica é tão diferente e os meus são normais? – DC disse, inconformado.

– Acontece, maninho, que todo mundo quer aquele peixe beta ali, o macho – Nimbus apontou o aquário da cunhada. – Em compensação, ninguém dá atenção às peixinhas beta fêmeas, que são essas daí. Então diferente é quem tem elas.

Os olhos de DC brilharam, e ele se deu por satisfeito.

Coloquei a mão na cintura e fiz minha melhor cara inquisitiva, com direito a biquinho:

– E eu? Não vou ganhar um peixinho? Hashtag xatiada!!

– Não. Pra você eu tenho coisa melhor – Nim fez sinal para que eu aguardasse. Entrou novamente em seu quarto e saiu de lá segurando uma cesta.

Aproximei–me e, quando olhei dentro da cesta, vi um filhotinho de gato dormindo, com um lacinho de fita no pescoço e uma pata engessada.

Não resisti e acariciei o bichano, encantada. Ele tinha cor de areia, e a pelagem escurecia gradualmente até as pontas das orelhas e das patas. Um gato siamês.

– Esta é a Chai Safira – Nimbus anunciou, entregando–me a cesta.

Então era uma gatinha. E de fato tinha cor de chai latte. Era um bom nome para ela.

– Entendo o Chai, mas por que Safira?

– Você vai ver logo, logo.

– Ela é uma gata de raça. E um filhote de raça não custa só dez dólares, Nimbus.

– Ela não custou um centavo. Eu a peguei num abrigo. Ela tinha acabado de chegar. Foi atropelada por uma bicicleta.

– Pobrezinha... – fiz cafuné em sua orelha direita. – Mas agora você tem uma casa, viu, princesinha?

Foi então que a gatinha abriu os olhos, e eles eram de um azul tão azul, que eram hipnotizantes.

Agora sim eu entendi o porquê de Safira.

Peguei–a no colo e naquele momento eu sabia que já não podia mais viver sem ela.

− Este é o melhor presente do mundo. Sério – agradeci Nimbus com um beijo no rosto. – Quero tirar uma foto deste momento.

– Eu tiro! – Mônica logo se ofereceu e pegou meu celular.

Ficou uma foto bem legal: um close de Nimbus, Chai e eu.

Não resisti e postei no Facebook. Queria que minha mãe visse o presente.

– Agora quem sabe você pode parar de tentar roubar o meu coelho de mim – Nimbus não perde uma chance de me provocar.

Seu coelho? Vai sonhando.

O celular de Nimbus tocou, e ele atendeu alegre, falando em inglês:

– Oi, querida. O quê? O que aconteceu? – ele escutou por um tempo enquanto arregalava os olhos. – Você quer se acalmar? É só um gato inofensivo. Um presente de Natal. Precisa de tanto drama?... – escutou mais um pouco. – Eu posso falar? Você vai me deixar falar? Quer saber, eu estou cansado desse seu ciúme da Magali. – De repente ele ficou vermelho e realmente nervoso. – Eu não acredito que você está me acusando disso. Eu vou fingir que nem ouvi isso que você falou. Isso é muito injusto da sua parte. Para começar, nem fui eu que postei aquilo! Sim, eu não posto fotos suas, nem de mais nada! Olha lá minha timeline e conta quantas vezes eu postei no último mês! Você quer a verdade? Então eu vou falar a verdade. Eu nunca escondi de ninguém que eu tenho, sim, sentimentos pela Magali. Muito antes de te conhecer. Só uma pessoa muito cega não vê isso. Eu nunca te enganei quanto a isso. E, a despeito disso, eu tenho tentado ter um relacionamento sério contigo, e tenho sido fiel e dedicado. Mas não dá mais. Não dá. Acabou. – ele afastou o telefone do ouvido fazendo careta para a gritaria do outro lado. – Ah, você acha que eu te usei? É diferente, Lindsay. Sim, eu gosto de outra pessoa, mas se eu não tenho a mais remota chance com ela, o certo a se fazer não é tentar ser feliz de outra maneira? Eu gosto de você. Gosto muito. Mas quer saber, você tem toda a razão. Enquanto a Magali rondar a minha vida, eu não vou conseguir me envolver com mais ninguém. Mas eu não quero me afastar dela. Não vou me afastar nunca dela, porque, honestamente, eu prefiro as migalhas da amizade dela ao amor de outra mulher. Tenha um feliz Natal, Lindsay, e uma vida linda. Seja feliz sem mim, porque eu não sou capaz de fazer ninguém feliz. – Nimbus desligou.

Todos ficamos um momento em silêncio: Nimbus de olhos fechados, eu encarando Nimbus, Mônica e DC me encarando, esperando minha reação.

Hashtag climão – DC quebrou o silêncio. – Linda, que tal a gente ir estrear os patins naquela pista de gelo aqui perto?

– É véspera de Natal, DC, não vai ter ninguém na pista a essa hora.

– Por isso mesmo, melhor hora pra ir! Vamos?

Mônica, hesitando em me deixar sozinha com Nimbus, olhou–me perguntando silenciosamente se eu ficaria bem. Assenti de leve, e ela e DC vestiram seus casacos e saíram de casa.

Nimbus sentou–se no sofá e ficou a fitar o vazio durante muito tempo, talvez horas. Eu apenas me sentei a seu lado, sem coragem de puxar assunto.

Por fim, resolvi perguntar:

– De que ela te acusou, que te fez ficar tão nervoso?

Ele suspirou e meneou a cabeça:

– Ela me acusou de ser racista.

O quê?!?

– Ela disse que eu tenho vergonha de postar fotos com ela, enquanto que com você eu não tenho. Que eu não queria que minha família visse que eu namoro uma negra.

– Eu não acredito que ela falou isso. Pois eu vou tirar satisfação com ela agora. Quem ela pensa que é pra te tratar assim?! – fiz menção de pegar meu celular.

Nimbus segurou minha mão, impedindo–me.

– Não. Deixa quieto. Eu já disse tudo que tinha pra dizer pra ela.

– Se ela pensa isso de você, não te conhece. E não te merece.

– Pra falar a verdade, eu tô aliviado que finalmente acabou tudo.

– E sobre tudo aquilo que você falou a meu respeito... Eu...

– Lembra que uma vez eu te disse que eu jamais me permitiria rastejar por você? Pois isso me tornaria amargo e ressentido?

Assenti em silêncio.

– Parece que eu tava enganado. Acho que eu acabei de atingir o estágio de rastejar. E isso não é bom.

Eu não sabia o que responder.

Chai, que estava no meu colo, andou com dificuldade até Nimbus e lambeu a mão dele. Ele sorriu e fez cafuné nela.

Sem pensar, eu peguei a gata do colo dele e coloquei no chão. Então eu me sentei em seu colo, segurei sua nuca e o beijei.

Ele correspondeu no início, me puxando pela cintura mais para perto. Mas logo ele se desviou do beijo, um pouco ofegante, com um olhar interrogativo.

– O que você tá fazendo, Magali?

– Não sei. Não faço a menor ideia.

– Você tá com pena de mim.

– É claro que não.

– Enquanto você não for livre, eu prefiro que você não faça essas coisas. Por favor.

– Depois do Ano–Novo eu vou falar com o Quim. Prometo.

– Por que não agora?

– Porque é Natal, e...

– Nunca vai chegar o dia certo, Magali. Um dia é Natal, depois é Ano–Novo, depois é carnaval, aniversário, formatura, funeral... Você vai esperar pra falar com ele no altar da igreja? No dia do casamento de vocês?

Me levantei de seu colo:

– Não seja insensível. O pai dele tá no hospital.

Dessa vez ele se levantou e me olhou nos olhos:

– Talvez eu devesse sofrer um acidente e ir parar no hospital, quem sabe assim eu tivesse uma chance de ter sua atenção.

– Você tá de cabeça quente porque terminou com a Lindsay.

– E não era pra estar?

– Eu não te pedi pra fazer isso por mim.

– Eu fiz o que meu coração mandou. E o seu coração não quer terminar com o Quim. Então não termine. Talvez seja até melhor.

– Você tá dizendo que não vai mais me esperar?

– Eu tô dizendo que tô cansado. Só isso – ele saiu andando e entrou em seu quarto, me deixando sozinha com Chai e com meus pensamentos.

Notas finais
Então é isso por hoje, amados! Já respondi alguns comentários, mas já li todos e vou responder tudinho! Continuem comentando! No próximo capítulo: comemoração de Ano-Novo e um papo com o Quim! Beijo grande a todos =*