Magia Do Destino

34 32. Ano Novo, vida nova


Notas iniciais
Oi, leitores amados! Vamos aos agradecimentos: - aos leitores novos que descobriram a Trilogia só agora, sejam bem-vindos e obrigada por prestigiar a história! - a todos que deixaram reviews, no último capítulo e/ou nos anteriores, saibam que isso ajuda muito na motivação e ajuda a desenferrujar uma escritora depois de tanto tempo de hiato. Vocês me inspiram! - a todos que deixaram recomendações, seja aqui ou nas histórias anteriores, muito, muito obrigada! E agora, vamos ao capítulo que é o que interessa! Boa leitura!

Capítulo 32

Ano Novo, Vida Nova

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− Nem acredito que estou aqui no reveillón mais famoso do mundo! − Mônica estava excitada por estarmos na Times Square. Melhor dizendo, estávamos na varanda de um escritório com vista privilegiada para a quadra. Cortesia de um dos patrocinadores do Nimbus.

− Quem não acredita sou eu! Coisa mais clichê − resmungou DC.

− Clichê é ficar lá embaixo, ó − Nimbus apontou a multidão que se aglomerava na rua. − Aqui em cima é só pros VIPs. E você pare de reclamar da vida boa que te dou, rapaz.

O patrocinador, dono do escritório, chamou Nimbus e DC para alguma roda de conversa de negócios. Mônica e eu ficamos apreciando a vista e bebericando um coquetel de frutas.

− Magá, o que aconteceu entre vocês? Tô sentindo um clima estranho − Mônica interpelou.

− Desde quando você aprendeu a ser tão direta? − reclamei.

− Tenho andado muito com o DC − ela riu.

− E desde quando o clima não está estranho entre nós, Mô? Já nem me lembro mais da última vez que conversei com o Nimbus sem sentir que estava fazendo algo errado. Só de chegar perto dele parece que eu sou a pior pessoa do mundo. Parece que eu tenho que estar o tempo todo pisando em ovos com ele.

− Acho que você é quem tá complicando uma coisa que era pra ser mais simples.

− Simples como, Mônica? Você acha que pra mim é fácil enxotar o Quim pra fora da minha vida, depois de tanto tempo?

− Não tô dizendo que é fácil, mas às vezes a gente não tem alternativa. Temos que tomar as medidas necessárias. O que não dá mais é você ficar procrastinando. Porque você sabe que é isso que você tá fazendo, né.

− Olha, eu tava decidida, juro! Mas o Quim tá passando por uma barra, o pai dele tá no hospital há muitos dias, e...

− Chega, mulher! Toma rumo na sua vida! Tô falando pra você terminar com o Quim, não enfiar uma faca no pai dele! Pelamor!

Fiquei em choque com as palavras da Mônica, e meus olhos se encheram de lágrimas. Corri para o banheiro e me tranquei lá, enxugando meus olhos com um lenço diante do espelho.

Um tempo depois, alguém bate na porta. Eu conheço essa batida, é a Mônica.

− Magá... Magá, me deixa entrar... Olha, eu tenho aqui uma bandeja de canapés de camarão que estão muito bons.

Abri a porta e peguei um canapé. Realmente estava delicioso.

Peguei a bandeja toda e me sentei no vaso.

Mônica começou:

− Amiga, desculpa, eu não escolhi as melhores palavras...

− Você tá certa, Mô.

− Estou? Pois é, estou. Meu ponto é, do jeito que está, sofre você, sofre o Nimbus, e você tá privando o Quim de uma solteirice em que ele poderia muito bem encontrar alguém que realmente o corresponda.

Não consegui responder.

− Você percebe agora que é egoísmo seu não deixar o Quim livre?

Apenas assenti com a cabeça e mastiguei mais um petisco.

− Encare da seguinte forma: terminar com ele não significa que ele vai sair da sua vida. Apenas mudará de status no Facebook − ela deu uma risadinha da própria piada sem graça. − Não vê o Cebola? Nós continuamos amigos.

− Amanhã eu vou falar com ele − falei de boca cheia. − Ele falou que hoje ia a uma festa na casa do Fabinho.

− Então vamos aproveitar a nossa festa aqui? Tem mais um monte de comida lá fora.

− Ok, vamos.

Voltamos até a varanda, para onde Nimbus e DC já tinham voltado.

− Onde vocês tavam? − o caçula indagou.

− Conversando um pouco − Mônica respondeu.

− Quer um drink? − Nimbus me perguntou.

Assenti, fazendo bico.

Ele desapareceu entre as pessoas e não muito depois retornou com duas taças de coquetel nas mãos.

− Andou chorando? − ele puxou assunto.

− Um pouco. Bem pouquinho, coisinha de nada.

− Quer falar sobre isso?

− Apenas algumas resoluções de Ano Novo... O dia primeiro de janeiro é sempre uma boa data pra se começar uma nova vida, né?

− Sem dúvida. Já dizia Drummond: "Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre."

− Drummond tem razão, eu acho − suspirei e tilintei minha taça na dele. − E que venha 2016!

−−−−−

− Um minuto! − alguém gritou.

Todos corremos para olhar a Ball Drop, a famosa "bola que cai".

− Dez! Nove! Oito! − o coro se formou.

Mônica e DC se deram as mãos.

Olhei para Nimbus, sem saber como agir.

Ele sorriu e segurou minha mão.

− Três! Dois! Um! Feliz 2016!! − gritos efusivos anunciavam a chegada do Ano Novo.

Nimbus e eu nos abraçamos. Às vezes eu quase me esqueço de que aquele é o melhor abraço do mundo.

− Feliz Ano Novo, gatinha − ele sussurrou em meu ouvido.

− Feliz Ano Novo − acariciei seu rosto e voltei a abraçá−lo, repousando minha bochecha em seu peito.

Eu queria só por um momento ignorar o nó no estômago e os calafrios que me atormentavam toda vez que eu tinha um mau pressentimento.

−−−−−

Acordei por volta de onze da manhã. Eu queria não ter que acordar hoje. Mas eu havia prometido a mim mesma: eu tomaria coragem e encararia o que estava por vir.

Levantei e fui arrumar algo de comer. Pois não tem a menor condição de conversar com o Quim de barriga vazia.

A mesa do café estava posta, mas não havia ninguém na sala nem na cozinha. Chai e Tofu estavam dormindo juntinhos. Não quis acordá−los. Peguei um pão e uma xícara de café e voltei para o quarto.

Peguei o celular e abri o Skype. Respirei fundo e disquei para o Quim.

Chamou até cair, embora ele estivesse online.

Chamei de novo. Nenhuma resposta.

Que estranho. Quim não é de acordar muito tarde.

Talvez tenha virado a noite na festa de Ano Novo do Fabinho.

Decido esperar algumas horas até tentar de novo.

Vou até a sala e me sento no sofá. Tento ler um livro, mas não consigo me concentrar.

Ouço um ruído de porta. É o Do Contra saindo do quarto. Ele se senta ao meu lado e pega dois marshmallows do baleiro da mesa de centro, engole um e me oferece o outro. Aceito.

− Ressaca? − ele pergunta.

− Eu não bebi.

− Mas tem um tipo pior, a ressaca moral.

Suspiro:

− É, então acho que eu estou sim.

− Quer ver um filme? − ele mudou de assunto tão rápido que quase não entendi o que ele disse. − Nem a Mô nem o Nimbus vão acordar tão cedo.

− Se for "O Palhaço e a Panqueca", não quero não.

− Ah, que pena. Vamos ver então "Laranja Mecânica"!

− Não! Vamos assistir algo mais ameno! Tô de ressaca moral, esqueceu?

− "Cisne Negro"? "Réquiem Para Um Sonho"? "Apocalypse Now"?

− Você não sabe o que é "ameno", não, né?

− Algo do Expressionismo Alemão?

Segurei as têmporas e contei até dez.

− DC, vamos fazer o seguinte: vamos pegar a lista dos 250 melhores filmes do IMDB e você fala um número. O filme que estiver nesse número, a gente assiste.

− Tá. Número... 240.

Rolei a tela do celular até achar o filme em questão.

− A Bela e a Fera! Yes!!

− Mentira sua!

− Tá aqui, ó − mostrei a prova irrefutável. − Sem reclamar, foi você que escolheu.

Ele fez bico, mas tratou de achar o filme em algum site de streaming para assistirmos na TV.

Assistimos ao filme bem concentrados, sem trocar palavra.

No fim, é claro, eu estava em prantos. Não importava quantas vezes eu assistisse a esse filme, eu sempre me emocionava.

E qual não foi minha surpresa quando olhei para o lado e vi DC igualmente ensopado em lágrimas:

− Que coisa mais triste!

− Triste como, DC? Deu tudo certo no fim!

− O cara era mó diferentão e virou um príncipe normal e óbvio! Isso é muito triste! Ele devia ter ficado Fera! A Bela amava ele do jeito que ele era! Buááá!!

Balancei a cabeça dando risada.

− Vou ligar pro Quim agora. A sala é toda sua pra assistir a um filme do seu gosto agora − despedi−me e fui para o quarto.

Sentei−me na cama e comecei tudo de novo. Suspirei fundo, abri o Skype e chamei o Quim.

Chamou até cair novamente.

Comecei a ficar preocupada. Já passava da uma da tarde no Brasil.

Enquanto eu pensava sobre o que poderia ter acontecido, o telefone tocou. Era o Quim chamando. Atendi correndo.

A imagem dele encheu a tela, e ele estava horrível. Com olheiras, olhos vermelhos, cabelo desalinhado, rosto amarrotado.

− Quim, o que houve?

− Oi, amor.

− Aconteceu alguma coisa?

− Feliz Ano Novo.

− Feliz Ano Novo... Eu liguei mais cedo e você não atendeu.

− Eu tava dormindo ainda...

− Foi boa a festa ontem?

− Não. Foi horrível.

− Por quê?

Ele ficou em silêncio e baixou a cabeça.

− Joaquim, fala logo. Tô ficando preocupada.

− Eu... Eu fiz uma coisa horrível, Magá.

Apenas fiquei em silêncio, esperando-o terminar.

− Eu sou um traste. Me perdoa.

− O que foi que você fez, criatura? Fala logo!

− Eu... Eu bebi demais e... Fiquei fora de mim.

− E...

− E quando eu vi, eu tava no quarto do Fabinho, com uma menina tirando minha roupa.

Fiquei boquiaberta até encontrar minha voz novamente.

− E isso significa...

− Eu te traí, Magali. Me perdoe.

Notas finais
Ou vocês vão me amar ou vão me odiar depois de hoje! No próximo capítulo: vamos descobrir uma Magali que ninguém conhece! Aguardem! Ah! Algumas curiosidades sobre o capítulo: - a bronca da Mônica foi inspirada num review de uma leitora que me fez cair da cadeira de rir, e eu não resisti e tive que usar aqui. Viu só como vcs me inspiram? Obrigada, Silvana Batista, por me deixar te copiar! - o filme "A Bela e a Fera" de fato está na posição 240 da lista do IMDB na data de hoje (13/01/2016). É um filme muito lindo, quem nunca assistiu, assista, vale a pena. - "O Palhaço e a Panqueca" é o filme favorito do DC na edição 70. Os demais filmes citados são reais e eu amo e recomendo todos. Beijo grande a todos =*