Madness

29 O Vinho


Notas iniciais
oi pessoas bonitas! como estão? muito bem, obrigado? como alegria de pobre dura pouquíssimo eu estou péssima rsrs altas tretas, babados e confusões nesses últimos dias. mas não largarei a fic, prometo! só se eu morrer pq né asuehuaehuaheuhae brincadeira e eu sou geminiana, então a bipolaridade faz parte do meu ser. sem isso eu não sou ninguém uhasuehuasheuahes ~saga feelings~ mas enfim, espero que vcs gostem desse capítulo! um grande beijo pra todo mundo!

Saori enclausurou-se por exatos dois dias depois dos acontecimentos no aniversário de Seika, sem tocar em seu celular ou conversar com alguém de fora da sua família. A única coisa que deixou a japonesa mais alegre e receptiva foi uma mensagem encaminhada por Kanon, avisando que Saga estava em seu apartamento e passava muito bem.

Talvez essa fosse a injeção de ânimo necessária para a patricinha lembrar-se de que, pesando todos os prós e contras com Seiya, ela havia se livrado de um grande tormento e sem fazer nenhum esforço (como ela pensou que seria).

A menina arrumou-se ineditamente naquela tarde, deixando os vestidos de lado e trajando algo mais informal. Optou por uma maquiagem leve e poucos acessórios. Era dolorido só de lembrar na quantidade de saltos altos guardados em seu closet; seu tornozelo ainda doía pela desgraça ocorrida dias antes. Ela pegou as chaves de um dos carros da Mansão Kido, preferindo dirigir-se ao lar de Kanon sozinha.

Chegando ao novo condomínio do grego, Saori sentiu várias borboletas em seu estômago. Era uma sensação parecida com a das primeiras semanas de paixão platônica por Saga no Instituto Psiquiátrico de Atenas. Era como se ela fosse visitar um novo paciente e, pensando bem, isso não deixaria de ter o seu punhado de verdade.

A garota ajeitou um pouco o cabelo, respirou fundo e tocou a campainha.

– Já estou indo! – Uma voz grossa e abafada foi ouvida pelo outro lado da porta, que foi aberta em seguida. – Saori! Mas que surpresa!

– S-Saga? – A moça indagou desconfiada. Aquele parecia ser Saga, mas poderia ser Kanon. Ou Saga fingindo ser Kanon. Ou Kanon fingindo ser Saga. Nada em sua aparência apontava algum indício de ser um ou o outro.

– Sim? – O mais alto disse, com um largo sorriso. – Entre! Poxa vida, eu achei que você não ia me ver nunca mais! Tomou chá de sumiço?

– Ahn... Saga, você está diferente! – A menina recebeu um abraço afetuoso do homem.

– Pois é, Saori... Eu estou mudado. Interessante você notar essa diferença! Venha... – Ele apoiou levemente seus dedos no braço de Saori, levando-a até o sofá, que servia de base para várias capas de jogos e dois controles de um video-game. Os dois se sentaram e o homem aproximou-se perigosamente da patricinha, apreciando sedutoramente seus lábios. – Diga-me, Saori... Por qual motivo você desapareceu assim?

– E-eu não...

– Eu te disse que ela ia suspeitar, Kanon. É impossível se passar por mim, você sabe. – Saga saiu de um dos cômodos do apartamento, segurando um copo d’água e rindo animadamente. – E outra, quem fala chá de sumiço?

– Ah, Saga... – Kanon levantou-se, fitando o pequeno rosto assustado de Saori. – Eu tentei usar esse seu jeito delicadinho de falar com as pessoas. Ela quase caiu, foi por pouco! – A menina cruzou os braços e mostrou a língua, zombando das frases de Kanon. – Se estivesse com algumas doses de álcool no corpo, eu tenho certeza que ia conseguir!

– Nunquinha, Senhor Kanon! Eu sabia que você estava saidinho demais para alguém como o seu irmão!

– Aposto que no escuro você não perceberia...

– Kanon, pare de perturbar a garota. – Saga adensou o tom de voz e usou aquele olhar para o gêmeo. Voltou-se para Saori, abraçando carinhosamente a patricinha. – Perdoe-me pelo comportamento do meu irmão, ele parece um animal no cio...

– Hey! – Kanon deu um cutucão nas costas de Saga. – Não fale assim de mim, eu estava brincando!

– E eu já estou acostumada com essas brincadeiras, sério... Não se preocupe! – Saori ria, extremamente feliz por encontrar o verdadeiro Saga. – Mas devo repetir o que disse para Kanon: você está bem diferente!

– Erm... – O ex-capitão sorriu timidamente, olhando para o próprio corpo. – Acho que são essas roupas que ele me emprestou. Fico parecendo uma franga com esses trajes... Ai! – Saga levou outro cutucão, dessa vez com um pouco mais de força.

– Bem! – Kanon grudou as palmas das mãos de uma forma engraçada. – Já que os dois pombinhos precisam conversar, eu vou até a minha despensa para procurar um vinho bacana, vocês sabem, pra dar aquela quebrada no gelo e...

– N-não é necessário! Eu juro que minha visita é rápida...

– Ah, pára com isso! – Kanon empurrou sutilmente o par para o grande sofá da sala. – Agora que vocês têm todo o tempo do mundo para papear, falar sobre a vida, colocar as fofocas em dia... – O gêmeo mais novo recolhia as embalagens dos jogos eletrônicos no estofado. — Sem nenhuma enfermeira enchendo o saco... Sem ninguém para atrapalhar...

– Kanon! – Saga interrompeu. – Apenas... Veja se tem algo para beber. Ok?

– Com certeza, monsieur! Eu vou separar o meu melhor Cabernet Sauvignon, duas taças e...

– Uma taça. – O mais velho cortou novamente. – Eu não posso beber. Tomo remédios controlados, lembra?

– Verdade! Tinha me esquecido por completo. – Kanon arrumou os cartuchos em cima da mesinha de centro. – Fiquem à vontade, tudo bem? Podem fingir que eu não estou aqui!

– Kanon... – Saga estava ficando nervoso com aquilo. – Vá. Pode ir.

O irmão do antigo paciente do manicômio deu uma piscadela, seguindo para a cozinha. Saga expirou profundamente, encabulado com aquela cena.

– Saori, me desculpe mesmo...

– Ah, Saga! – A menina alegrou-se. – Você sabe que seu irmão é assim! – E ela com certeza não reclamaria das atitudes de Kanon. – Eu também estou precisando me distrair, esses últimos dias foram tristes para mim...

– O que aconteceu?

– Uhm... Eu e o meu namorado... Nós terminamos.

– Jura? – Saga perguntou, preocupado. A sua inquietação pode ser notada claramente. – Ele fez algo de ruim para você?

– É uma história complicada. – Saori puxou os lábios para um sorriso consolador. – Mas, me conta... Como você está se sentindo fora do hospital?

– Ah, Saori... – O homem recostou-se no sofá, com a sua expressão longe dali. – É deslumbrante. Quer dizer, eu imaginei que não ia me acostumar com a rotina aqui no lado de fora, mas... Não existe nada melhor do que deitar em sua própria cama, acordar no horário que quiser, comer de tudo, assistir televisão e jogar video-game, não ser perseguido por imagens na sua cabeça...

Kanon interceptou a conversa com um pigarro. Comicamente, ele jogou um pano de copa em seu braço e fez uma pose de garçom, colocando dois cálices na mesma mesa de centro. Com um pouco de dificuldade, ele abriu uma garrafa esverdeada e começou mais uma ceninha:

– Senhores, boa tarde! Para começarmos o nosso almoço, temos aqui um... – Ele espremeu os olhos para o rótulo do frasco. – Vinho francês. Esprit de Sérame. Safra de... Não sei. – Kanon deu de ombros, derramando a bebida nos dois copos. – Serve pra comer com qualquer coisa, eu acho. Peguei no restaurante sem ninguém ver.

A patricinha não conseguia parar de rir com as pilhérias do gêmeo mais novo, enquanto Saga não escondia a sua cara de chateação.

– Eu falei uma taça, Kanon.

– Quem disse que a segunda é pra você?! – O ex-marinheiro deu um grande gole no líquido purpúreo. – Alguém precisa acompanhar a madam Saori. Aliás, Saga! – Ele se sentou do lado do irmão, animado com a sua grande idéia. – Por que você não mostra o nosso quarto para a Saori? Ela ficou toda preocupadinha achando que você não ia ter lugar para dormir, que dó...

– Kanon...

– É verdade! Ela achou que eu ia te deixar no chão! Mostra pra ela a cama legal que você ganhou! Eu juro que vou ficar aqui... – O homem pegou um dos controles do video-game, iniciando um jogo qualquer. – E daqui não sairei!

Mais uma piscadinha saiu do olhar malicioso de Kanon. Saga bufou de aborrecimento, levantando logo depois.

– Vamos, Saori. Meu irmão está mais gozadinho que o costume hoje. – Ele estendeu sua mão para a japonesa, que sentiu seu rosto ruborizar com o toque. Saga fitou mais uma vez Kanon antes de seguir para o corredor, que gesticulou de uma forma um tanto quanto obscena.

~

– Kanon pode ter vários defeitos, Saga... Mas confesse que ele tem um bom gosto para apartamentos. – A menina riu, sendo acompanhada pelo grego. Ele observava sutilmente o movimento dos quadris de Saori, enquanto ela caminhava na sua frente.

– Sim... Bem, ele já não ganhava muito dinheiro e se sentia o máximo... Imagine agora que o salário aumentou um pouco? Pior... Imagine se ele ouvisse seu elogio? – Saori sorriu para a pergunta.

Ambos entraram no cômodo, que era tão simples e aconchegante quanto o resto do lugar. Saori mirou as duas camas, cada uma com a sua cor específica de lençóis e fronha. Uma camiseira dividia o espaço no meio dos dois leitos e outra mobília, maior que esta última, estava encostada na parede esquerda. Em cima dela, as duas fotos já conhecidas por Saori cintilavam em seus porta-retratos; apenas mais uma imagem era inédita para a patricinha.

– Quem é esta? – A moça apontou para a mulher de longos cabelos azuis, que estampava felicidade entre os dois gêmeos. Eles aparentavam ter seus 9, 10 anos. A semelhança entre os três era assustadora.

– Esta é a Mamá. Quer dizer, agora ela é minha tia. – Saga soltou, com um pouco de graça na voz. – Kanon achou essa foto quando estava organizando a mudança.

– E quem é quem aqui? – A mais baixa perguntou, também com gracejo. Ela tentou acalmar seu nervosismo bebericando mais o seu Cabernet Sauvignon.

– Eu sou... Esse. – Saga apontou para a criança mais alegre. — E o Kanon é esse.

– Como você sabe? Vocês estão com a mesma roupa...

– Eu sei porque essa cara de emburrado é inconfundível. – Ambos riram em cumplicidade.

– É uma pena a sua tia ter falecido tão nova...

– Sim... Sabe, Saori... Às vezes eu fico pensando como seria tudo se ela não tivesse morrido... Talvez eu não enlouquecesse e meu irmão não teria tomado um rumo tão diferente na vida... – O grego falou enquanto fitava àquela fotografia. Saori apenas observou a feição quase nostálgica de Saga; era como se ele sentisse saudades de um passado que nunca existiu. Mais goles de vinho foram consumidos. – Eu imagino como seria uma vida normal, sem todo esse drama que aconteceu...

– Saga... Eu não sei se vale de consolo para a sua imaginação, mas... Pense que se você não tivesse vivido tudo isso, não teria se tornado o homem que é. Possivelmente não seria essa pessoa forte de hoje. Nós só aprendemos de verdade com os nossos erros e, mais do que isso, com as pedras que nos fazem tropeçar pelo caminho.

– Isso é verdade. – Ele apreciava os olhos verdes da menina, pensativo com aquelas frases. Desde quando Saori havia se transformado em uma cópia de Shaka? É uma dúvida eterna. Ou, quem sabe, ela estava amadurecendo... – Você quer mais?

– Como? – A patricinha não entendeu no começo, mas viu que sua taça já estava vazia. – Ah, sim! Eu aceito mais vinho sim.

– Eu vou buscar e já volto. Não fuja. – Ele pegou o cálice com cuidado e o toque rápido dos seus dedos quentes na mão feminina fez com que Saori sentisse um choque pelo corpo. Os sorrisos não poderiam ser maiores e foram dados antes que Saga retornasse para o corredor. A garota respirou fundo, procurando afastar qualquer tipo de ansiedade que poderia virar um estorvo para aquele momento mais íntimo.

~

Saga pousou a taça cristalina na pia, ouvindo passos atrás de si. Soltou uma bufada rápida de insatisfação.

– E aí? Como estão as coisas? – Kanon sussurrava ao lado do irmão.

– Kanon, você pode parar de dar uma de santo casamenteiro pra cima de mim? Eu não preciso de cupido. E essas suas brincadeiras me deixam envergonhado.

– O quê?! – O gêmeo mais novo fez uma careta de surpresa. – Você está com vergonha de mim? Seu irmãozinho?! Olha, eu só quero te ajudar! Você tem dez anos de atraso pra tirar, Saga!

– Kanon, você precisa tirar da sua mente que eu tomo as mesmas atitudes que você quando vou me relacionar com as outras pessoas! – Ele preencheu o objeto com mais bebida e Kanon aproveitou para servir-se também.

– Não precisa fazer como eu, só não seja tão lerdo!

– O que você disse?! – Saga encarou o parente, indignado com a confissão. Os dois permaneciam com o tom baixo na conversa.

– É isso mesmo, Saga! A menina está literalmente esfregando na sua cara o que ela quer e você não faz absolutamente nada!

– Kanon... – Saga fechou os olhos e procurou manter a calma. – Entenda que eu não vou, de maneira alguma, apressar nada com Saori. Ela é uma menina muito bacana, muito nova e, com toda a certeza, cheia de dúvidas na consciência. Eu não vou me forçar pra ninguém e muito menos para alguém como ela. Provavelmente eu sou só mais um louco bonitinho de se olhar.

– Ela não hesitou em te oferecer ajuda, em nenhum momento. Também não hesitou quando ficou ao seu lado e, sendo muito sincero, eu nunca vi um pingo de dúvida no olhar dela desde o momento que a conheci. – Kanon engoliu com vontade uma grande porção de vinho, enchendo o copo novamente. – Ela gosta demais de você, Saga. E você pode negar, mas eu tenho certeza que você também está gostando dela.

– Exatamente. E, sendo assim, eu não quero que ninguém fique ferido com essa situação. Eu me coloco no meu lugar, Kanon. Não posso oferecer nem um décimo do que ela precisa financeiramente e socialmente, não sou uma pessoa com a cabeça boa e, além de tudo isso, não quero me magoar com um relacionamento que pode não acontecer.

– Eu acho que você deveria tentar. – O antigo Cabo da Marinha deu de ombros. – Pois eu sei que ela está tentando. Se não quiser, eu uso meu charme especial e conquisto aquele coraçãozinho japonês em dois minutos!

– Kanon... – Saga não segurou o riso com a frase. – Você é um imbecil mesmo. Não deixa ninguém passar... Não foi assim que eu te ensinei, foi?

– Há, pois é! O que você me ensinou não me ajudou muito. E você tem sorte por ser o meu irmão, tá legal? Se não fosse, eu já teria comido esse sushi há muito tempo...

– Pelos deuses, Kanon... Tá, eu tento ser mais rápido, sim?

– Isso! Tem camisinhas na primeira gaveta da minha...

– Shh! – Saga virou-se, exasperado. – Não vou fazer nada com você aqui dentro, tá maluco?! E fala baixo!

– Me desculpa... – Kanon murmurou novamente. – Saga... Saga! Espera, e se eu inventasse a desculpa de ir ao mercado comprar cois... Saga!

O gêmeo viu-se ignorado pelo irmão, que tomou o rumo de volta para o quarto com a taça de vinho em seu poder.

Notas finais
gestinho do kanon: http://media.giphy.com/media/fmHIjpuU7DMgE/giphy.gif hu3hu3hu3br