Madness

16 O Homem das Flores


Saga não conseguia ficar mais animado pela notícia dada por Saori. Ele estava eternamente agradecido pela atitude da garota em ajudar seu irmão mais novo.

– Eu espero que ele faça tudo certo por lá e não estrague as coisas!

– Tenho certeza que ele vai conseguir, Saga. Eu provei da comida dele e é realmente muito gostosa. – Ao longo do tempo, os dois ficaram mais próximos e conversavam bastante. A menina até arriscava sentar na cama dele de vez em quando. – Ele me disse que você é um bom dono de casa, sabia? Que limpa tudo direitinho.

– Aquele babaca... – Saga riu. – Bom, no orfanato nós só tínhamos a Mamá e ela era cheia de coisas pra fazer... Então a gente ajudava.

– Mamá?

– Sim. Eu e Kanon a chamávamos assim. Ela era mesmo como uma mãe pra gente, algumas pessoas falavam que ela fazia diferença para as outras crianças... Mas eu não acredito nisso. Ela até emprestou seu sobrenome para não nos deixar sem registro. – Ele encostou em seus travesseiros na cama. – Saori... Sempre que você vem eu fico falando da minha vida e tudo mais, mas você nunca fala de você pra mim. Conte-me uma de suas histórias, Senhorita.

A menina fez uma cara arteira e um pouco envergonhada. Saga sorria para a feição da moça.

– Eu não tenho muitos contos, Saga...

– Ah, você deve ter alguma história interessante! Quem sabe com o namorado...

– Como você sabe que eu tenho namorado? – Seu rosto ainda estava ruborizado.

– Eu acredito que uma moça como você não esteja solteira... E, se estivesse, não seria por muito tempo. – A japonesa soltou um risinho inibido, principalmente depois de notar os olhos marotos de Saga. Ele não flertava há muito tempo, mas não se esquecia dessa arte jamais. Era como andar de bicicleta.

– Bem, meu relacionamento não é um dos melhores... Quer dizer, ele é um bom rapaz, muito gentil comigo... Mas eu não sei se é o melhor pra mim.

– Parece que você está falando de um irmão mais velho e não um namorado. – Ambos riram com a observação.

– De fato, eu não sinto muita vontade com ele... Você sabe... – Saga respondeu que sim com a cabeça. Seus olhos se encheram de um brilho diferente, mais luxurioso que o costume. Ele parou de encarar a garota, antes que pudesse fazer algo mais atrevido.

– Talvez você devesse olhá-lo de forma diferente, Saori.

– Eu não sei se consigo. – A menina também tinha algo de anormal no olhar, seria a mesma libido que Saga experimentou. De repente, o interno sentiu um assopro em sua cabeça, trazendo à tona um dos seus maiores pesadelos.

“Mate-a, Saga.”

Ele fechou os olhos rapidamente. Saori não conseguiu entender a atitude do homem.

– Saga, você está bem? Está sentindo alguma dor?

“Mate-a Saga. Faça antes que ela vá embora.”

– Não, Saori... Eu estou bem... É só uma dor de cabeça...

“Você deveria se aproveitar dela e conquistar um pouco de espaço na Fundação, Saga... Poderíamos começar por ali...”

O paciente sentiu um grande mal-estar, parecendo sufocado em sua camisa branca.

“Imagine como será delicioso comer essa vagabunda na frente do avô dela... Matar o velho com um tiro na cabeça...”

– Saga, você está bem mesmo?

– S-Sim! – Ele disse, um pouco exaltado. – Desculpe. E-Eu estou sentindo um pouco de sede...

– Eu vou pegar um pouco de água para você. Não saia daí, hein! – Saori disse, brincando. Levantou da cama e Saga fitou bem o corpo da menina.

“Pense em como seria gozar enquanto ela chora e grita por socorro, Saga... Fazer essa vadia implorar pela vida dela... Enforcar esse pescoço delicado e continuar abusando do seu corpo sem vida...”

Saga pegou o copo das mãos de Saori, trêmulo. Tomou tudo em apenas dois goles.

“Você poderia virar dono da Fundação Kido, Saga... Seria um bom lugar...”

– Saori, você não se assustaria se eu fizesse algo agora? E te pedisse algumas coisas? — Ele não sabia, mas a garota já estava ficando assustada.

– C-Claro... Pode pedir.

“Você pode matar essa putinha agora também, não tem nenhum problema... Será um desperdício enorme deixar de trepar com essa japonesa...”

– Eu vou apertar o botão de emergência do quarto e vou pedir, por favor, que você fique perto da porta. Saia o mais rápido possível quando ela se abrir, tudo bem?

– M-Mas... O que está acontecendo, Saga?

– Eu menti, não estou me sentindo bem. Me desculpe... Não é seguro para você ficar aqui comigo assim. – Ele apertou o dispositivo vermelho e apoiou a sua cabeça nas mãos. – Não se assuste, Saori... Vai ficar tudo bem...

A menina ficou próxima da porta, como o enfermo havia pedido. Parte de seu corpo queria gritar e sair correndo, mas ela precisava ficar calma. Ouviu o quarto ser aberto com extrema rapidez e uma enfermeira puxou seu corpo para o lado de fora. Enquanto isso, outros dois enfermeiros e mais uma técnica acompanhavam os movimentos de Saga.

– Desculpe, mas a Senhorita não poderá ficar mais aqui. – A enfermeira dizia. – É perigoso para a sua segurança. – A porta do cômodo foi grosseiramente fechada, deixando para Saori apenas a visão dos funcionários cuidando de Saga pela janela negra na parede. Uma injeção foi dada em seu braço, mas ele não estava se debatendo ou reclamando. Parecia que a sedação foi pedida por ele mesmo...

~

A neta do Senhor Kido chegou em sua mansão, desconsolada. Durante todo o caminho ela lembrou da gravação de Saga e sentiu muito medo. Será que ele estava se transformando em Grande Mestre e não queria que ela visse? Ela não sabia dizer... Deixou seu corpo cair de forma destrambelhada pela cama, respirando fundo e imersa em seus próprios pensamentos. Escutou um barulho de notificação em seu celular e sorriu sinceramente ao ver que era Kanon, avisando que ele e seu amigo passaram no teste do restaurante Strofi. Uma outra mensagem de Seiya também chamou a sua atenção: era um pedido de encontro dos dois, em outro restaurante na cidade, no período da noite. Ele queria jantar com a namorada e mostrar uma surpresa.

Ela realmente não estava no humor para sair com Seiya, mas não queria ser rude com o menino. Eles combinaram o horário e ela decidiu ligar seu notebook para pesquisar mais sobre esquizofrenia e surtos mentais. Saori não gostou de ficar boiando na conversa entre Shaka e o médico de Saga e, por isso, quis estudar mais e mais sobre psicologia e psiquiatria.

Era por volta das 20h30 quando Seiya estacionou seu veículo de luxo para buscar a sua princesa. A garota estava belíssima, mesmo não se esforçando muito para tal resultado. Os dois trocaram um beijo rápido e tomaram rumo para o restaurante. Foram bem atendidos pelos funcionários do lugar, como era costumeiro com todos os clientes da alta sociedade.

Os dois sentaram-se à mesa reservada, que ficou mais próxima da varanda e estava poeticamente arrumada com velas e pétalas de flores. Saori ficou surpreendida ao pensar que tudo aquilo tinha saído da cabeça de Seiya.

– Então, minha deusa... – O rapaz começou. – Você está gostando?

– Está tudo tão lindo, Seiya... Obrigada! Mas me conta, qual é a surpresa que você queria me mostrar?

– Calminha aí, Saori. Não seja tão afobada. – Os dois riram. – Vou pedir um vinho e as nossas entradas, pode ser?

– Claro. – Ela estava gostando daquela postura de Seiya. Geralmente, ele era bem boçal e não muito romântico. Gostava de ostentar seus músculos para os amigos e marcar presença com a namorada. Para ele, era assim que um verdadeiro homem devia se portar. Mal sabia ele que Saori ainda o via somente como um adolescente bonito.

Os dois foram prontamente atendidos e começaram o jantar, com Seiya descrevendo como foi seu dia. Ele queria saber mais sobre a moça, mas ela omitiu boa parte de sua rotina. O prato principal foi solicitado pelo jovem que, depois, tomou fôlego para fazer uma pergunta.

– Então, Saori... Eu estive pensando bastante depois que visitamos minha tia e em algumas coisas que Tio Aioria me falou... Eu acredito, de verdade, que você é a mulher da minha vida. Mas acho que não demonstro totalmente esse meu sentimento por você... – Ele apoiou sua mão nos dedos finos da garota, que prestava atenção nas frases. – Eu queria que você soubesse o quanto eu te amo. Porque eu te amo muito, Saori. – Seus olhos estavam inteiramente devotados na japonesa.

– Eu também te amo, Seiya. – Ela fez um carinho no rosto do rapaz, que fechou os olhos ao sentir o toque. Ele pegou uma pequena caixa aveludada do bolso e Saori sentiu todos os músculos do corpo congelarem.

– Saori, eu gostaria de saber... Você quer oficializar o nosso namoro? – Ele abriu a caixeta, que continha duas alianças reluzentes dentro. Saori não conseguia fechar a boca, principalmente depois de ver o logo conhecidíssimo da loja: Louis Vuitton. – Eu encomendei diretamente dos Estados Unidos, é uma peça da Alta Joalheria. Foram feitas de ouro branco e o diamante é lapidado, de 3 quilates.

– S-Seiya! – Ela tapou os lábios, mas os olhos permaneciam arregalados. – Eles são lindos! – O menino sorria bastante, essa era exatamente a reação que ele esperava da garota.

– Isso é um “sim”, Saori?

– Mas é claro que sim, Seiya! – Ela agarrou o namorado, dando um beijo passional e excitado. O japonês colocou a aliança no anelar da menina, que não parava de olhar a peça.

– Eu tenho outros planos para a noite, também... Nós podíamos comemorar em outro lugar... Se é que você me entende. – O rapaz deu uma piscadinha mal-intencionada para a (agora oficialmente) namorada.

– Ah, Seiya... Me desculpe, mas... Eu estou naqueles dias, sabe? – Saori estava mentindo cada vez mais para Seiya e as outras pessoas de seu convívio. Para ela, as mentiras brancas não fariam mal a ninguém.

– Sei... Tudo bem, minha deusa. – Ele sorriu delicadamente para Saori. – Eu te deixo em casa, então.

~

Já estava próximo das 22h no hospital quando um homem alto e de cabelos azuis claríssimos chegou ao nono andar do edifício. Ele não era um estranho no Instituto... Melhor dizendo, era um ex-paciente. Cumprimentou algumas das enfermeiras e chegou até o balcão, sendo recepcionado por uma velha conhecida.

– Boa noite, Doutora Mikla. – O homem ofereceu uma rosa vermelha para a médica plantonista, que encarou demoradamente a flor. Olhou novamente para o ex-interno, lembrando-se do relacionamento que tiveram. Ele era extremamente bonito, sua visão era tão azul quanto os cabelos e uma pequena pinta na parte de baixo de um dos olhos chamava a atenção de qualquer pessoa. Sua beleza era andrógina e exótica, trazendo para si uma aura tão elegante e extravagante como ele mesmo era.

– Boa noite, Afrodite. – Ela pegou a rosa vermelha das mãos do homem. – Por qual motivo está aqui, e tão tarde da noite? – A morena não deixava de encarar o rosto de Afrodite.

– Eu estava passando pela rua do hospital e decidi parar. Fiquei me perguntando se hoje era a sua noite de plantão e, pelo jeito, ainda conheço a sua rotina. Diga-me, como está o meu querido amigo Saga?

– Está muito bem. Achei que você teria raiva dele depois daquele incidente no sexto andar. Como está o seu TPH, Afrodite? Bem controlado? – A mulher estava bem irônica em suas palavras. A sigla usada é a causa da internação de Afrodite, uma doença conhecida como Transtorno de Personalidade Histriônica.

– Eu sempre fui muito controlado, Mikla. Vocês do Instituto que me achavam exagerado em tudo. – Ele falou, mexendo nas unhas de forma descontraída. – Será que eu poderia rever meu antigo companheiro de quarto? Queria esclarecer algumas coisas sobre a época que estava aqui.

A mulher riu sarcasticamente. Seu incômodo era notável.

– Obviamente que não, Afrodite. Se quiser ver Saga, terá que falar com você sabe quem.

– Não tenho vontade de pedir nada para Kanon. Ele é um grande idiota e roubou algo que me pertencia. Aliás, você já contou pra ele do nosso lance, Mikla?

– Eu nunca te pertenci, Afrodite... Pelo contrário. Você foi um bom paciente... – Ela rodava a rosa em seu próprio eixo, não deixando de fitar o homem que, um dia, foi seu amante. – Mas é cheio de frescuras. – Ela jogou a flor no lixo. – Agora, com Kanon, é bem diferente...

– Realmente, Mikla. Eu sou cheio de frescuras. A maior delas foi acreditar em uma vadia como você...

– Olha como fala, Afrodite! – Ela apontou o dedo para o rosto do homem. – Saiba que você não tem passagem livre por aqui só porque é um ex-interno! Eu posso chamar os seguranças!

– Chame, Mikla. – A voz de Afrodite não se alterou e nem mesmo a sua pose. – Pelo jeito, seu namoradinho ainda não sabe que você já ficou comigo. Mais de uma vez... Quem sabe é uma boa hora pra contar tudo. Até explicar a situação para a Diretora Milla também... – Ele virou-se do balcão, sendo barrado pela voz exaltada da médica.

– Pare! Afrodite, o que você veio fazer aqui? O que você quer?!

– Eu preciso de 15 minutos de conversa com Saga, só isso. Mas já que preciso pedir para o irmão dele...

– Tá, que seja! – Ela saiu do balcão, com a chave codificada do quarto 96 em suas mãos. – Serão 15 minutos e nada mais!

– Obrigado, Mikla. Espero que seja feliz nessa sua amizade colorida com Kanon. – Ele disse, acompanhando a mulher abrir a porta, furiosamente.

Notas finais
esse grande mestre é dlç tbm hein gente qiso grande mestre qiso fas iso comiog ñaooooooo