Madness

17 A Consulta


Notas iniciais
gente, eu não sei pq... mas a formatação desse nyah zoa os meus parágrafos de vez em quando afff mas tudo bem aseuhasuehusaeuhea :P espero que gostem! *-*

– Afrodite? O que você veio fazer aqui?! – Saga estava lendo um livro e se surpreendeu com aquela visita tardia.

– Saga, que maravilha te ver novamente! Não está feliz em me ver também... Amigo? – O homem retirou outra rosa vermelha de sua jaqueta luxuosa, olhando atentamente para o enfermo.

– Me diga o que você veio fazer aqui, Afrodite... Quem te deixou entrar?

– Alguém. Nossa, Saga... Mas que recepção calorosa é essa? Achei que você ia me tratar melhor, principalmente depois da última vez que nos falamos...

Saga engoliu seco. Lembrou-se desse momento citado por Afrodite. Eles estavam internados em um quarto compartilhado, já que naquela época ele ainda não era considerado tão perigoso a ponto de ficar sozinho. Afrodite também foi do Exército e participou de vários crimes com o grupo do Grande Mestre e, por sorte, foi diagnosticado com outra doença psicológica, fruto de suas ações exageradas e formas extremas de chamar atenção para si. Talvez ele também tenha recebido ajuda da mesma advogada de Kanon... Saga não sabia dizer.

O problema começou quando Afrodite disse que Saga não deveria se deixar levar pelos tratamentos do Instituto e que ele faria de tudo para que os dois saíssem dali. Para continuar com os planos... Para continuar com o Grande Mestre. Saga surtou de tal forma que quase matou seu companheiro de quarto, enforcando-o com suas próprias mãos. Depois disso, os dois foram separados e Saga começou a ter suas crises de violência e oscilações de personalidade. Foi isolado por vários dias depois deste acontecimento.

– Eu já te pedi desculpas pelo que fiz, Afrodite. Agora, eu gostaria que você me deixasse em paz. Já estou melhor e pronto para terminar meu tratamento.

– Você tem certeza disso, Saga? Fiquei sabendo que você teve um daqueles episódios por essas semanas...

– Fique sabendo que eu não vou mais fazer nada do que fazia antes! Não quero matar ninguém! Não quero matar o General! – O grego levantou-se e ficou bem próximo de Afrodite, apontando seu dedo incisivamente para ele. Em contrapartida, o outro deu risada.

– Saga, Saga... Você não muda mesmo. Começa sempre assim... Fazendo-se de bom menino... – Ele olhava para a flor em suas mãos, calmamente. Era incrível a sua cara de desdenho em momentos tensos como aquele. – Mais fique ciente que isso não vai passar nunca... Nós vamos trazer o Grande Mestre de volta...

– “Nós”? Como assim? Não vai me dizer que o... – Saga estava assustado.

– Ele mesmo. Nós vamos te tirar daqui, Saga. Você era bem melhor naquela época e também reconhece isso. – Ele pousou a rosa em cima do quebra-cabeça completo de Saga, que estava em cima de uma mesa.

– Não! Eu não quero que você fique mais aqui! Eu não quero que você venha nunca mais me visitar! Já chega! – O paciente descontrolou-se, gritando todas as palavras.

– Não precisa ficar nervoso, Saga... E não grite assim, você vai acordar os nossos outros colegas! – Ele riu ironicamente. – Eu já estou indo embora. Só vim deixar o recado. – Ele dirigiu-se para a porta do cômodo. – Não sabemos quando, meu amigo... Mas sabemos que nós viremos de buscar. Você voltará conosco, Saga. – Seu sorriso não podia ser mais maldoso e cínico. Afrodite saiu do quarto, deixando um pensativo e inquieto Saga dentro de sua própria mente.

~

O homem entrou no carro estacionado na rua do complexo hospitalar, arrumando seu belo cabelo e suas roupas.

– E então, Afrodite... Conseguiu falar com ele?

– Sim. Ele está do jeito que imaginamos. – A sombra que segurava o volante sorriu maleficamente.

– Você trocou as pílulas também? – Afrodite meneou a cabeça, positivamente.

– Os placebos já estão lá novamente. Fiz do mesmo jeito que nas últimas semanas. Pelos deuses, como é fácil entrar naquela farmácia! – Ele soltou, olhando novamente para os próprios dedos.

– Perfeito. Logo mais ele surtará novamente... E será nessa hora que cumpriremos com o nosso objetivo. – O cabelo daquele homem sombrio era curto e bem azulado, seus olhos pareciam duas safiras infernais e grotescas. – Vamos salvar Saga de lá, finalmente... – Ele ligou o automóvel e saiu com velocidade suficiente para queimar os pneus e fazer bastante barulho.

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Alguns dias se passaram e Shaka retornou ao hospício para receber o aval dos médicos de Saga em sua empreitada para a cura do enfermo. Foram definidos os dias e horários de visita e, por motivos de segurança, foi definida também uma equipe de enfermeiros para acompanhar todas as sessões do indiano. Ele não gostou nada da idéia, mas sabia que já tinha conseguido muito da situação da forma como ele queria. Qualquer coisa era só servir um chá para os funcionários do hospital durante as benditas três horas de visita que foram combinadas... Ele riu internamente ao imaginar como os enfermeiros ficariam possessos ao descobrirem que não fariam praticamente nada neste tempo. Era notável a auto-confiança do homem.

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A manhã estava fria e Saga abriu seus olhos preguiçosamente. Um misto de ansiedade e felicidade tomou conta de seu corpo ao se deparar que ia, depois de quase 11 anos, sair dos perímetros daquele complexo. Estava para respirar o ar mais puro e livre possível... Sentir um pouco da brisa grega em sua face. Ele exalava força de vontade e apostou várias de suas fichas nas palavras de Saori. Lembrou-se que a menina tinha a mesma euforia e que o rapaz budista resolvia tudo, só não resolvia o problema da fome na África. Talvez ele seja mesmo a solução...

Saga apressou-se no seu banho e colocou o seu habitual uniforme branco, já que não tinha outra opção de vestimenta. Danou-se a arrumar os cabelos com uma escova emprestada pelo irmão gêmeo e que há tempos não era usada. Colocou um creme barato nas mãos e no rosto e aguardou a chegada da equipe de enfermagem para a sua escolta até o escritório-retiro-espiritual.

Por volta das 8h da manhã, os trabalhadores do hospital chegaram em seu quarto e levaram Saga até o estacionamento, onde um carro de luxo e uma menina extremamente contente estavam o aguardando.

– Saga! – Saori saltou nos ombros do paciente, que estava tão animado quanto ela. Um detalhe que não passaria despercebido aos olhos de Saga mas, por não estar ali, ele nunca saberia: a aliança de Saori. Ela optou por não usar o objeto durante as visitas que faria ao hospital psiquiátrico... – Está pronto para a sua visita com Shaka? – Ela questionou, observando bem (e não por falta de observação também) o homem que estava na sua frente. – Você escovou os cabelos? Está diferente! – O mais alto soltou um riso envergonhado.

– Sim, Saori... Já faz tanto tempo que eu não sei o que é sair desse hospital, seria interessante me ajustar um pouco para o momento, não acha?

– Você não precisa disso, Saga! – Ela soltou, recolhendo-se logo em seguida. Talvez tenha pensado alto demais. – Venha, vamos! Shaka já está nos esperando! Ele acorda, tipo, umas 4 horas da manhã pra ficar meditando e essas coisas importantes! – Os dois entraram no automóvel e a equipe de enfermagem optou por seguir em um carro diferenciado. Saori só ficou triste em ver Saga com suas mãos atadas pelo pessoal do Instituto, já que não era nada seguro ele andar por aí com as mãos soltas.

Depois de alguns minutos de viagem e um monólogo animadíssimo da patricinha, todos chegaram ao escritório do indiano.

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O lugar parecia ser bem confortável, com uma decoração tipicamente indiana e algumas estatuetas de deuses hindus espalhadas aleatoriamente. O cheiro de incenso era inebriante; deveria ser benjoim ou mirra... Saga não entendia dessas coisas. Uma simpática mulher, de vestido saari e vários apetrechos no rosto e nos braços, recebeu os integrantes do complexo e a mocinha da Fundação Kido.

– Bom dia! – A japonesa começou. – Nós somos do Instituto Psiquiátrico de Atenas e viemos para...

– Sim! Eu já estou ciente disso. O Senhor Siddhartha está esperando vocês! Me acompanhem, por gentileza. – A recepcionista levantou-se com um largo sorriso no rosto, sem tirar os olhos de Saga. Fez uma caminhada leve até uma porta branca que ficava nos fundos de um corredor.

– Shaka? – Saori indagou, recebendo uma olhada de canto do budista logo em seguida. O homem estava meditando no chão de sua sala. – Nós chegamos no horário que você pediu. – Saori soltou um sorrisinho amarelo e a ansiedade tomou conta de sua expressão. Ela sabia que o seu conselheiro não gostava de atrasos e eles já deviam estar uns 5 minutos fora da hora combinada.

O loiro fitou um relógio simples que estava pendurado na parede, no lado direito da sala. Suspirou rapidamente e, em um pulo, levantou-se do chão. Aproximou-se do quase-casal de forma tranquila.

– Você deve ser Saga, não é mesmo? – Ele esticou o seu braço para um cumprimento, parando logo em seguida. – O que aconteceu com as suas mãos?!

– Ah, sim... – Saga observou os próprios punhos amarrados. — Isso é porque não é legal me deixar solto por aí, vai que eu tenho alguma crise e...

– Isso é um absurdo! – O budista soltou. – Façam o favor de tirar isso dele, eu não quero ninguém desse jeito na minha sala. Já não basta ter essa turma de... Essas pessoas também. – Ele olhava para a equipe de segurança do Instituto que estava logo atrás de Saori e Saga. – Vamos, Saga... Não temos tempo para perder, certo?

O paciente acompanhou tudo incrédulo. Nem ele mesmo tinha confiança em ficar com as mãos soltas sabendo que o Grande Mestre poderia aparecer a qualquer momento... Mas não deixou de ficar feliz ao sentir a circulação de seus pulsos correr normalmente pelos dedos. Ele se sentou em um grande tapete colorido no chão do escritório enquanto ouvia Saori ter uma pequena discussão com Shaka. Ela queria muito acompanhar toda a consulta, mas foi praticamente escorraçada da saleta. Saga achou aquilo tudo muito engraçado.

Ao fechar a porta, Shaka colocou algumas xícaras de chá e um pequeno bule em cima do tapete e voltou para a sua posição de reflexão espiritual, fitando bem o grego.

– Sabe, Saga... Eu ouvi muitas coisas sobre você. Mas acredito que a maioria seja totalmente fora da realidade... Será um grande prazer saber tudo diretamente da fonte. – Ele sorriu para Saga, despejando o líquido quente nas duas peças de porcelana.

– Eu estou muito agradecido pela sua ajuda, Senhor Shaka. E também estou grato por me tirar um pouco daquele manicômio. – O mais alto riu, sendo acompanhado por outro sorriso de Shaka.

– Pra ser sincero, eu não consigo imaginar por qual motivo te tratam como um prisioneiro. Você só tem alguns problemas que não foram abordados da forma correta... Pelo menos, não ainda. – O loiro apoiou uma das xícaras na mão de Saga. – Tome um pouco de chá, fará bem para você. E não precisa me chamar de senhor, combinado?

– Combinado! – Saga assoprou um pouco da quentura da bebida, tomando um pequeno gole logo em seguida. O gosto era de um amargo quase puxado para o doce e era totalmente diferente dos chás que ele costumava tomar no hospital de vez em quando. Saga não conseguiu segurar a careta para a novidade líquida.

– Você vai se acostumar com o gosto, eu juro. – Shaka riu da feição do homem. – Eu gostaria de saber, primeiramente... Como aconteceram todas essas situações em sua vida, Saga? Por qual motivo você está assim hoje? – Seus olhos claros estavam bem atentos aos movimentos de Saga. Não por medo, mas sim por curiosidade.

– Bom, é uma história bem comprida. Mas eu acredito que tudo tenha começado no Exército, depois de alguns anos lá dentro... – Ele iniciou a sua história para Shaka, bebendo alguns goles do chá amargo de vez em quando. Ele pode sentir uma certa dormência em sua boca e na ponta dos dedos, seguido de uma leve tontura. Mas isso não impediu que ele continuasse a descrever os vários momentos de sua vida.

Ao término da narrativa, ele se sentia totalmente zonzo.

– Então, Saga... Pra que nós possamos começar o que pretendo fazer, nós precisamos treinar um pouco de meditação antes, sim? Dessa forma, você ficará mais concentrado nos exercícios que tenho para te oferecer. Esse treino durará, de acordo com as minhas contas e se tudo der certo, uns 5 dias. Está bem para você?

– Claro... Mas... Pelos deuses, o que tem nesse chá?! – Saga disse, meio grogue. Ele tentou focalizar a xícara vazia que estava em sua mão. A insensibilidade nas mãos e pernas crescia cada vez mais.

– É algo que vai te fazer bem, Saga. Só pra te deixar mais calmo. Agora eu vou pedir para que você arrume sua postura, esse é o primeiro passo para uma boa meditação... Saga? – O budista perguntou depois de fitar Saga fechar os olhos e quase cair para trás.

– Eu não estou me sentindo bem, Shaka... – Seu corpo pendeu para o lado, de forma súbita. Depois de alguns segundos, um ronco baixo foi ouvido... Shaka soltou um riso com toda a situação, arrumando o corpo do homem no tapete e deixando que ele dormisse no restante das horas. Talvez um chá tão calmante não fosse necessário para alguém como Saga.

Notas finais
esses chás aí ilícitos, sei não shaka vai pegar 10 anos de cadeia assim UASHEUAHESUASEHUE