Madness

3 O Grande Mestre


Notas iniciais
nossa, gente pq que o título da história fica tão longe do texto? nyah qisso arrume logo ok (não me exclua do site nyah ficarei #xatiada) SAGA DOIDÃO NA ÁREA, GEEEENTE Espero que vcs gostem! 1bj

Saori chegou em sua mansão luxuosa, sempre acompanhada por Tatsumi. Ele carregava algumas de suas malas, enquanto outros empregados descarregavam o restante da bagagem. Ela se sentia cansada, talvez um pouco enjoada pelas bebidas, então decidiu tomar um banho e aguardar seu namorado.

Tirou algumas fotos no espelho e mandou para o grupo de amigas: “sem shopping hoje em Atenas. Voltei para casa. Sorry” e uma carinha triste no final da frase. Enquanto aproveitava seu banho de espuma, sentiu uma pontada de curiosidade em procurar o nome de Saga pelos arquivos da Fundação. Talvez se achasse mais sobre ele, saciaria a vontade de ficar mais próxima daquele homem. Mas balançou a cabeça em reprovação, talvez fosse muito cedo para começar a buscar por respostas.

~

Enquanto isso, a Diretora Milla Enmusè conversava com seu colega de profissão, em sua sala particular. Um homem alto, carregando um cabelo comprido e liso de cor lilás preso por um simples elástico, óculos e duas pequenas pintas na testa. Aquele era o Doutor Mu, um médico estrangeiro e responsável pelo atual tratamento de Saga. Ele tomava uma xícara de café com a mulher, observando a mesma andar de um lado para o outro no pequeno espaço reservado para ela.

– Você acredita que ela não estava nem prestando atenção nas minhas palavras... Mas quando viu seu paciente, mudou na hora! Não dá nem pra acreditar, ela não conseguia fingir o interesse! – O homem ria.

– Este Saga sempre me impressiona... Mas pense pelo lado bom, Milla. Você conseguiu a tão necessária verba para cobrir os buracos deixados pelo Diretor Aiacos. Temos que agradecer a fraqueza por rapazes bonitos da Senhorita Saori...

– E eu nem cheguei a mostrar o segundo prédio para ela! Eu estava imaginando que toda a estrutura revirada e abandonada deixaria a sua mente mais aberta para negociação... Nem isso foi necessário! – A Diretora sentou-se. Precisava se acalmar. – Espero que ela não mude de idéia.

– Ela não vai mudar, Milla. Acalme-se. Falando em Saga, como ele se comportou enquanto eu estava longe? – Doutor Mu acabara de voltar de uma viagem feita no Tibet, sua cidade natal. Precisava participar de alguns seminários sobre psiquiatria e tratamentos alternativos para distúrbios mentais.

– Ele está ótimo. Só acho que precisamos dar outra coisa para ele fazer. Ele quebra vários cubos mágicos por semana de tanto que utiliza. – A Doutora suspirou pesadamente. Sentia por aquele interno um carinho muito grande, por ser um dos primeiros casos que ela tratou quando começou a trabalhar no hospital. – Eu estava pensando, e se nós voltássemos com a montagem de miniaturas? Ou talvez ele se interessasse por leitura novamente... Agora que teremos a ajuda da Senhorita Saori, podemos reativar a biblioteca.

– Acredito que ele vai gostar muito da sugestão. Trouxe para ele um livro do meu professor, o Sr. Shion. Ele pergunta sempre de Saga quando tem a oportunidade. – O homem levantou-se, deixando a xícara na mesa da Doutora. – Vou fazer uma visita para ele, perguntar como estão as coisas. Você acha que a medicação está surtindo efeito?

A Senhora Milla sacudiu a cabeça negativamente.

– Ele só consegue ficar calmo tomando três comprimidos da dosagem mais alta. Estou com medo de que os remédios estejam perdendo a sua eficácia...

– Acho que preciso criar outra abordagem. Tentar a hipnose mais uma vez... Não sei. Vou pensar quando estiver voltando para casa. Qualquer problema, me ligue, está bem? – Os dois sorriram em sintonia. Doutora Milla sentia uma aura muito calma e transparente no seu colega. Foi por isso que escalou Doutor Mu para cuidar do caso de Saga. Imaginava que sua tranquilidade poderia ajudar o paciente de forma mais efetiva.

~

Doutor Mu, já trajado com suas vestimentas médicas, bateu três vezes na porta do quarto 96 antes de entrar. Ele sempre fazia isso. Era um código dele para Saga, para que o interno não ficasse ansioso demais. Abriu a porta e viu o homem comer pacientemente sua refeição da noite.

– Olá, Saga! Como estão as coisas por aqui? – Ele sentou-se numa cadeira próxima da cama. Viu a pilha de cubos mágicos organizados em pirâmide, em cima da cômoda que ficava perto da cabeceira. Fez questão de anotar isso mentalmente.

– Olá, Doutor. Como foi de viagem? Achei que ficaria mais tempo por lá... – Saga disse, após tomar um gole de suco.

– Ah, não foi necessário. Participei apenas de alguns seminários. Meu professor mandou um livro para você! – Disse o homem de cabeleira lilás, antes de remexer em sua mochila. Tirou um pequeno livro de capa grossa, no título estava escrito “Seu Pior Inimigo é Você Mesmo”. Mu não disse, mas este livro foi feito pelo Professor Shion após extensa análise do caso de Saga. O paciente fitou o livro, curioso. Limpou a boca com as costas da mão.

– Este livro é sobre o quê?

– Transtorno dissociativo de identidade. Tem até alguns exercícios que eu te passei...

– Não estou interessado. – Saga jogou o livro na cama. Continuou a comer sua refeição, encarando o Doutor.

– Saga... Você sabe que negar seu estado atual é a pior coisa.

– Eu não estou negando, só estou cansado de ler sobre o assunto! – Ele disse, alterado. – Eu já sei todos os sintomas, todos os tratamentos, e nada disso está fazendo efeito em mim! Acho que tenho o direito de parar de ler sobre a minha doença, o senhor não concorda?!

– Concordo com você, Saga. Apenas dê uma folheada quando tiver tempo, tudo bem? – Não queria deixar seu paciente mais nervoso. Geralmente era assim que os episódios de loucura começavam. – Seu irmão já veio te visitar hoje?

– Sim. Ele gostaria de saber se pode me trazer uns Kourabiédes de vez em quando. Eu sei que não é Natal ainda, mas eu gosto muito desses bolinhos. – Ele disse, já mais calmo. As oscilações de humor eram frequentes em Saga.

– Claro. Darei o recado para a nutricionista. Mais algum pedido? – O Doutor perguntou, sorrindo. Já se conheciam tempo suficiente para conversarem informalmente entre si.

– Sim... – Saga olhou os cubos organizados. – Não teria outro passatempo disponível por aí? Estes cubos já estão me dando nos nervos...

– Não se preocupe, Saga. A Diretora Milla conseguiu uma ajuda na verba do hospital e acredito que conseguiremos reativar a biblioteca. Posso te trazer algum quebra-cabeça?

– Hum... Pode ser um com 8 mil peças? Que nem aquele que você me trouxe uma vez, com a pintura da Santa Ceia. Eu fiquei um bom tempo me divertindo com aquele quebra-cabeça.

– Eu trago um para você amanhã. Onde está seu rádio, Saga?

– Meu rádio... – Ele coçou a cabeça, parecia envergonhado. – Eu o arremessei na parede na última vez que o Grande Mestre apareceu.

Doutor Mu sentou-se mais próximo da beirada da cadeira e encarou seu paciente como era de costume. Grande Mestre era o nome que ele dava para a sua outra personalidade. Mu ainda não sabia muito bem o motivo, só sabia que o Grande Mestre se chamava assim por achar que era “um salvador para as pessoas da Terra” e que ia dominar tudo e todos, para comandar o mundo da forma como ele queria. Era megalomaníaco e extremamente violento, o total oposto de Saga. O Doutor ficou incomodado, pois o enfermo não chamava a sua outra face de Grande Mestre há tempos e, sendo assim, achava que estava no caminho para a cura.

– E o Grande Mestre está aparecendo com frequência, Saga? – Os dois se olharam. Saga colocou seu prato em uma mesa móvel que estava do lado da cama.

– Nos últimos dias, não chegou a aparecer... Acho que o último calmante que o senhor me receitou está me ajudando a dormir bem. Mas quando eu acordo, às vezes, eu escuto ele me chamar lá fora... – Ele olhou para o lado esquerdo do quarto, e não para a janela com um gradeamento forte o suficiente para segurá-lo lá dentro. Mu entendeu que a voz estava chamando Saga para o corredor, e não para a saída de trás do hospital.

– Saga, vamos fazer o seguinte: toda vez que você escutar a voz do Grande Mestre, eu quero que repita aquele exercício de apresentação que eu te passei, tudo bem?

Saga assentiu. Ele não quis contar, mas sempre repetia as frases que foram ensinadas por Doutor Mu quando ouvia o Grande Mestre chamar. Para ser sincero, ele ouvia a voz em sua mente com mais e mais regularidade, mas não chegava a se transformar por completo. Era como se a sua outra personalidade estivesse esperando o momento certo para o ataque... Ao lembrar-se disso, Saga decidiu perguntar:

– Doutor... O senhor acha que eu tenho cura?

Mu não esperava por esta dúvida, tão direta.

– Saga... Eu acredito que você está na direção certa para curar-se totalmente. Ainda falta alguma coisa, e vamos descobrir juntos. – O homem levantou e apoiou a sua mão no ombro do interno. — Qualquer problema que tenha, por favor, peça imediatamente ajuda para a Senhora Milla. Ela vai me ligar na hora e eu estarei aqui para te auxiliar.

– Obrigado, Doutor. Desculpe-me pela rispidez com o livro... Vou começar a ler agora mesmo.
Doutor Mu sorriu de forma honesta. Sabia que seu paciente não era, de fato, um monstro. Só precisava de ajuda para livrar-se de uma vez desta voz em sua mente.

~

Já era início de madrugada quando Saga sentiu o corpo retesar-se em nervosismo. Ouvia um sussurro na parte de trás da cabeça.

“Saga... Saga... Pare de me negar, Saga... Somos mais fortes juntos...”

Ele levantou um pouco mais o lençol, cobrindo a sua cabeça. Ele queria criar uma barreira contra aquela maldita voz, mas nada adiantaria.

“Saga... você não se lembra? Quando nos divertíamos juntos... Matávamos os impuros... Fazíamos justiça, Saga...”

Ele respirou fundo. Começou a repetir as frases do Doutor Mu:

– Meu nome é Saga, tenho 33 anos, moro em Atenas, capital da Grécia. Tenho um irmão gêmeo e alguns amigos...

“Saga... Pare com esta merda! Preste atenção em mim! Escute... Você não se lembra quando estávamos na frente de batalha... Você era o melhor soldado...”

– ... Meu nome é Saga, tenho 33 anos, moro em Atenas, capital da Grécia...

“Lembra-se, Saga? Nós éramos imbatíveis. Não precisávamos de arma nenhuma para vencer... Você era o mais glorioso daquele grupo! Éramos invencíveis, Saga... Vamos, deixe-me tomar a sua mente mais uma vez...”

– ... Um irmão gêmeo...

“Saga... Foi ele que me colocou aqui... Foi ele que me trouxe até aqui! Vocês dois conseguiam tudo juntos... Não se lembra?”

– ... E alguns amigos... Meu nome é Saga, tenho 33 anos...

“Hahaha, seus amigos! Lembra-se deles? Eram assassinos como você... Nós matávamos por prazer, Saga... Vamos fazer isso novamente... Eles virão te buscar... Você será o melhor Marechal que o mundo já viu... Saga...”

– Meu... Meu nome é... Meu nome é Saga...

“Vamos! Você sabe que é fraco ficando aqui! Vamos! Derrube esta porta e fuja correndo! Eles estão te esperando lá fora... Vamos, seu babaca!”

– Não!!! – Saga gritou em desespero. Apertou o botão vermelho que ficava próximo do seu leito, um apito ritmado podia ser ouvido. Ele levantou-se da cama e começou a bater na porta, numa cólera crescente. – Não!!! Me tirem daqui!!! Me tirem daqui!!!!

Num ato insano, Saga começou a jogar os cubos mágicos contra um ponto imaginário na parede, estilhaçando-os. Ele chorava de forma incontrolável e desesperada, gritando que o Grande Mestre viria busca-lo.

Uma equipe de 5 seguranças e 3 enfermeiras entrou no quarto. Ele empurrou alguns homens, mas foi imobilizado logo em seguida. Seu corpo foi prensado violentamente contra o chão. O sedativo entrou cruelmente na parte de trás do seu braço e depois de alguns minutos se debatendo, a sua respiração estava começando a ceder. A visão ficou escura, e uma paz interior foi sentida pelo homem...

Notas finais
2bj pra quem chegou até aqui