Madness
37 O Banho
Notas iniciais

Vários flashes em preto e branco rastreavam e atormentavam a visão do homem, que corria sem parar por um corredor largo. O efeito era causado por janelas milimetricamente assentadas nas paredes, que estavam escuras pela falta de luz.
Ele percorria a passagem de forma veloz, ofegante e fugindo de algo desconhecido. Do quê ele estava escapando? Seu rosto instintivamente voltou-se para o fundo do corredor.
Algumas risadas ecoaram pelo espaço. Eram gargalhadas malignas. Eram conhecidas por ele.
No final daquele caminho havia uma luz. Pequena, cintilante, esperançosa. Ele não parou de correr rumo ao clarão que o esperava no final da perspectiva. Ele precisava fugir...
Subitamente, seu corpo rolou por alguns centímetros e ele notou um grande volume alongado pelo chão. Ele tropeçou em um corpo. Suas mãos sujaram-se na poça de sangue deteriorado; aquele cadáver já devia estar lá por muito tempo. Logo se arrependeu pela sua curiosidade em fitar o rosto do defunto estirado no piso frio do corredor.
Ele gritou.
Gritou mais do que seus pulmões poderiam agüentar.
Saga sentiu as lágrimas caírem copiosamente dos orbes.
Seu irmão. Estava morto. Cruelmente esfaqueado. A visão apagada pela Morte.
As risadas deslocaram-se ligeiras pela parte de trás de seu cérebro e continuaram em frente, na mesma rota que ele tomou quando corria. Ele encarou um novo cadáver. Seu vestido era branco. Os cabelos estavam horrorosamente espalhados pela face.
O homem agarrou de forma desesperada o corpo torturado de Saori. Equimoses grotescas afixadas em seu pescoço. Havia sangue fresco por todo o lado.
O choro voltou.
Não adianta fugir...
Seus olhos acompanharam a fonte daquela voz. Dessa vez, os berros não saíram de sua garganta.
Ele estava mudo. Como todo o som dali. Nem a sua respiração era ouvida.
Sou eu.
Não fuja.
Sou eu.
Saga pressionou as têmporas, numa tentativa miserável de parar aquele ruído.
Ele observou os pés descalços e ensangüentados caminhando em sua direção. Uma luminescência revelou o responsável pelas frases.
Saga fitou o homem. Era ele mesmo. Carregando um sorriso pernicioso e um uniforme branco repleto de esguichos e manchas vermelhas, recém-conquistadas.
A miragem falou, mas seus lábios não se moveram. Aquilo não parecia ser possível.
Sou eu, Saga. Sentiu a minha falta?
~
— Saga? – A menina pousou suavemente uma das mãozinhas no ombro do mais velho, receosa em fazê-lo. Tomou um susto quando Saga abriu os olhos subitamente, arfando e suando frio. Ele levantou rápido do travesseiro e foi arrebatado por uma forte tontura.
— Saori?! – Ele parecia apavorado com algo. Seus dedos apertaram os braços da garota, como se ela estivesse para desaparecer num segundo. – Você está bem?!?
— S-Sim! É que eu vi você se debatendo um pouco, e... – Ela sentiu um abraço enérgico e não conseguiu entender. – Saga, você estava tendo um pesadelo?
— Não! – O gregou exaltou-se. – Quer dizer, foi um sonho esquisito. Mas não se preocupe comigo! – Ele reparou no tecido de fina espessura que envolvia seu corpo nu. Também constatou que ela vestia uma camisola de cetim azul-bebê. – O que aconteceu...?
— O que aconteceu, seu dorminhoco, é que você passou da hora hoje! – A japonesa beijou amorosamente a lateral do rosto de Saga. — Eu acordei com frio no meio da madrugada e procurei um lençol para cobrir a gente. Como não consegui pegar no sono direito, levantei de manhã e adivinha só! – Ela apontou com a palma fechada para a sua cômoda, que apoiava um grande tabuleiro repleto de guloseimas. – Eu fiz o café-da-manhã!
O antigo paciente do Instituto viu a bandeja recheada por pães e geléias de diferentes tipos e cores, acompanhados por mais alguns quitutes perfumados. Ele sorriu para a jovem, tocado pela atitude afetuosa.
— Você fez tudo isso sozinha?
— Hm... – Saori fez uma careta pensativa. – Eu pedi para entregarem, na verdade. Mas valeu a intenção, não valeu?
O casal riu deleitosamente com a confissão da mimada.
— Bom, eu imaginei que poderia ser algo assim. – Ele disse. Saori encostou o queixo no peitoral masculino, alisando os fios azulados de Saga.
— Que sonho esquisito foi esse? – A garota indagou, curiosa. Seus olhos verdes brilhavam como dois holofotes novos. – Algo ruim?
— Ahn... – O homem procurou as palavras. Não queria contar as suas visões na íntegra. Aproveitou para fazer carinho no cabelo de Saori também. – Não foi nada. Coisa boba.
— Será que foi a falta dos seus remédios na parte da noite?! – Ela falou, agitada. Lembrou-se de que tinha combinado com o Doutor Mu de não esquecer nenhuma dose. – Saga, onde eles estão? Na sua mala? Eu vou buscar e você toma agorinha mesmo!
— Shh, calma... – Ele agarrou a menina que estava para saltar da cama efusivamente. Seus braços envolveram todo o corpo de Saori. – Não precisa se desesperar. Eu tomo depois do nosso café. Pode ser?
— Mas Saga... – Um dedo aterrissou de forma suave nos lábios da moça.
— Fique tranqüila, Saori. É sério.
— Ok... – A patricinha mordeu o lábio inferior, aflita. Olhou para os petiscos e se levantou, passando um pouco de geléia em um dos pães. – Espero que você tenha descansado bastante, porque eu tenho vários planos para a gente hoje. – Ela levou o alimento para a boca de Saga. – Nós podemos passear novamente pela praia, ou eu posso te mostrar um pouco mais da Ilha... Tem um museu arqueológico também!
— Hum... – Ele comeu mais uma porção de pão, servido novamente por Saori. – Nós podemos fazer tudo isso. Só eu e você.
— Sim! Eu já conversei com os enfermeiros na cozinha, inclusive deixei uma mesa de café-da-manhã pronta e já solicitei o almoço e o jantar. Falei que eles podem aproveitar a piscina e o restante da casa. – Ela mordeu um pedaço de torrada, encarando Saga de um jeito malandro. – Você devia ter orgulho de mim. Não faço isso pra qualquer pessoa.
O ex-capitão abriu um largo sorriso. Ele estava verdadeiramente feliz pela mudança de Saori.
— Eu estou. Sempre soube que batia um coraçãozinho aí dentro. – Ele recebeu um tapa fraco em seu abdômen, rindo em seguida. – Sem contar que você precisa acordar feliz, até por que... Você sabe...
— Eu sei...? – A menina entrou na brincadeira.
— Você teve uma ótima noite. Não haveria motivos para acordar mal-humorada. – Saga piscou matreiramente, encaixando os dedos na parte de trás da cabeça. – Eu só gostaria de tomar um banho antes de irmos.
O casal trocou olhares e um silêncio incomum pairou por ali. Não era desconfortável... Era aconchegante, até. Como se os dois estivessem entrando em sintonia.
Saori respirou fundo, segurando a vontade de falar o quanto estava apaixonada por Saga. Parecia ser um passo prematuro para a menina. O homem decidiu cessar a quietude fazendo um convite.
— Você não gostaria de tomar banho comigo?
Ambos sorriram mutuamente. Era exatamente isso que a japonesa mais queria naquele momento.
~
Saga enrolou a toalha em sua cintura, depois dela ter sido jogava por Saori de forma brincalhona. A garota entrou no banheiro, colocando algumas roupas leves em cima de um pequeno móvel. O grego observou a extensão delicada e ordenada que era o banheiro da patricinha, combinando perfeitamente com o quarto: uma porção de cremes e pequenos tubos de várias cores e embalagens diferentes estavam enfileirados numa espécie de estante; as paredes eram pintadas por um rosa claro e infantil. O box possuía divisórias grandes e compostas de vidro fosco, com detalhes em alumínio. O ambiente exalava algo doce, parecido com o aroma de chiclete.
O ex-combatente hipnotizou-se com a visão de Saori retirando a camisola, expondo toda a parte traseira de seu corpo. Dessa vez, ela vestia uma peça íntima também azul, porém sem florzinhas ou algo do tipo. Era uma calcinha rendada e bem menor do que a primeira.
Ela virou o rosto para Saga, ainda de costas. Sensualmente fitando o mais alto.
— Algum problema?
Saga meneou a cabeça negativamente. Talvez em transe. Sentiu seu membro manifestar-se com pulsações. Ela se aproximou do amante, morosamente beijando seus lábios. As mãos de Saga percorreram as costas nuas da jovem, por baixo do cabelo lilás.
Ela nunca se cansaria de receber aqueles carinhos. Ele nunca enjoaria dos beijos da moça.
Saori puxou Saga para dentro do box, antes livrando-se da calcinha índigo. O chuveiro era grande e molhou os dois corpos, sem nenhuma dificuldade. Ela derramou um pouco de líquido cheiroso em uma esponja e começou a banhar Saga carinhosamente. A água escureceu o seu cabelo e correu pelos ombros, braços e tórax. Saori sentia-se anestesiada; aquele era um sonho bom que ela gostaria de permanecer para sempre.
— Você é melhor do que qualquer enfermeiro que já me deu banho, Saori. – Saga disse, retirando o excesso de água dos olhos e virando-se de costas.
— Ah é? – A patricinha fitou bem o bumbum do grego. Perguntou para si mesma se haveria qualquer parte no corpo de Saga que não fosse perfeita. – É bom saber disso... Mas, como assim? Você não tomava banho sozinho?
— Quando eu estava bem, sim. – Sua voz grave ecoava pelo espaço do box. – Quando eles me dopavam nas crises de raiva, daí não tinha jeito. Eles me limpavam quando eu estava inconsciente. Que nem uma pessoa em coma, sabe?
— Sei. – A menina ficou triste ao imaginar a cena. – Bom, pelo menos você está acordado agora!
— Sim... – O homem girou novamente e agarrou a mais nova pelo quadril, beijando sua bochecha e pescoço. – Estou ficando mais atento...
Saori riu, deixando as carícias de Saga eletrizarem sua carne. Ela sabia exatamente o que ele queria dizer com isso.
— Sua vez. – Ela colocou a esponja na palma do antigo interno, que fez um biquinho de insatisfação. Imitou a patricinha nos atos: usou um pouco do sabonete líquido no pedaço rosa e fofinho, espumando a pequena suavemente. Acompanhou as fileiras brancas moldando os seios empinados e o abdômen magro da moça. Afastou os cabelos molhados para um lado quando ela rodou em seu próprio eixo, aproveitando para massagear seus delicados ombros.
— Estou te machucando? – Saga questionou num sussurro perigosamente próximo ao ouvido direito de Saori.
— Não... Está ótimo. – Ela estava com os olhos fechados, usufruindo do momento. Os dedos desceram pela lateral do corpo e um deles alisou o sexo de Saori, que ofegou baixo. Ele aproximou os dois troncos e a japonesa notou o membro totalmente duro de Saga encaixando-se em suas costas.
Os lábios do grego arrastaram-se pelo pescoço, enquanto ele masturbava Saori lentamente. A cabeça feminina pendeu mais para o lado e sua mão acompanhava o mais velho, apenas para sentir o jeito delicado e firme de tocá-la. Ela se afastou do contato no intuito de alcançar os mesmos lábios para mais beijos e seu corpo molhado combinou com a pele aquecida dele; tudo deslizava com mais facilidade devido aos membros ensopados pela água e pela lascívia.
A jovem usou as duas mãos para acariciar o pênis de Saga, indo e voltando, mordendo o homem e arfando ao mesmo tempo... Ele ficou feliz em descobrir mais uma qualidade em Saori. Ambos ficaram assim, excitados pelo onanismo e cada vez mais próximos do ápice. Saga guiou a patricinha para uma das paredes do box, nivelando-se com ela e roçando seu membro na intimidade da garota. Ela gemia com vontade e estava sensível com aquele contato: a ameaça de penetração que nunca acontecia.
Ele sabia exatamente como tirar a razão da menina.
Saga agarrou as coxas de Saori e suspendeu o seu corpo, inserindo o pênis rapidamente em sua cavidade. Ela arranhou as costas do grego, deliciosamente surpresa pela atitude. Os fios de cabelo misturavam-se em vários desenhos, cachos molhados que grudavam na parede daquele espaço. Ali, os dois olharam-se, harmonicamente e repletos de luxúria. A patricinha apertou ainda mais o pescoço de Saga, na procura de um apoio. Ele foi delirantemente de encontro com o corpo menor, não compadecendo ou medindo a força como na primeira vez. Saori não era uma boneca tão frágil assim...
Tudo fora muito rápido e muito intenso, o orgasmo não demorou para ambos. Novamente, Saga ocupou Saori com o seu próprio prazer; farto, claro e escorregadio. Ela viu pequenos estalos brancos em sua vista, entontecida pelo auge do sexo. O cansaço em suas pernas começou a surgir. Entretanto, ela não estava nem um pouco arrependida. Poderia ficar ali pela eternidade, se assim fosse necessário.
Os beijos carinhosos voltaram e o casal terminou o seu banho. Começaram os preparativos para a tarde apaixonada que se seguiria...
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