Notas iniciais
OI GENTE TCHAU GENTE mentira, gente espero que gostem!!!! eu postei hoje pq estou postando nos mesmos dias que atualizo no spirit! UM BEIJÃO PRA TODOS E TODAS

Saori espreguiçou-se lentamente da cama, observando seu namorado ainda roncar na outra extremidade. Ela pegou seu celular e decidiu chamar um grupo qualquer de amigas japonesas para ir ao shopping, já que não tinha feito isso na tarde anterior. De repente, sentiu um estalo em seu cérebro e lembrou-se do e-mail que havia encaminhado para o seu avô, sobre a liberação de dinheiro para o Instituto de Psicologia. Ligou seu notebook rapidamente e abriu um grande sorriso ao ver a resposta do Senhor Mitsumasa: ela poderia e deveria ajudar o Instituto, ainda mais se tratando de um dos órgãos públicos do Governo de Atenas. Ele ainda escreveu que confiava muito em sua neta e todas aquelas frases sem sentido algum... A menina não estava se aguentando de felicidade. Resolveu encaminhar outra mensagem para a Doutora Milla, dando as boas notícias.

Se ela pudesse, voaria de volta ao hospício hoje mesmo. Mas precisava realizar os trâmites de orçamento, primeiramente. Quem sabe se ela só fosse dar mais uma visita ao local? Ou melhor, ao nono andar? Seria um bom motivo também para ver as suas amigas da Grécia. Levantou-se e agitou o corpo do menino nu em sua cama.

– Seiya... Seiya! Acorda! Seiya... – Ele abriu os olhos, sem pressa. Soltou um bocejo gracioso e sorriu.

– Onde está o incêndio, minha deusa?

– Não tem nenhum incêndio, seu bobo. Vamos voltar para a Grécia hoje! Tenho que visitar mais uma vez o Instituto de Psicologia e...

– Nossa! Bom dia para você também! – Ele se ergueu do colchão, esticando seu corpo logo em seguida. Ele não se importava muito em ficar pelado na frente dos outros. – Precisamos voltar hoje mesmo?

– Sim! – A garota já estava arrumando algumas roupas em um canto de sua escrivaninha. – Eu quero resolver algumas pendências com a Diretora do hospital... Depois disso vou sair com as meninas e ir ao shopping... Tudo bem se eu te deixar em casa, meu amor? – Saori deu um beijo carinhoso nos lábios de Seiya. Ela sabia ser doce quando queria.

– Bom... Já que não tenho escolha, não é? Eu queria ficar mais um pouquinho aqui com você... – Ele colou seu rosto no pescoço da menina, soltando leves beijos em sua pele. Ela soltou algumas risadinhas de cócegas e voltou a organizar sua bagagem. Nunca, na história da família Kido, Saori havia tomado um banho tão rápido e definido o que levar de forma tão sucinta. Depois de duas horas, ela já estava pronta e aguardando o carro para leva-la ao aeroporto. Estava claro que ela tinha mesmo muita pressa...

~

Doutora Milla estranhou ao receber a ligação da mimada da Fundação. Para maior surpresa, ela perguntou se não poderia visitar o hospital novamente, já que elas precisariam acertar as etapas das reformas e a contabilidade do complexo. Por causa de tantas tarefas, a Senhora Milla não teve tempo de ler o e-mail com a resposta positiva de Saori. A mulher começou a ajeitar um pouco sua sala e ligou imediatamente para a cozinha do hospital pedindo alguns quitutes e mais café.

Saori não esperaria que ela encaminhasse o orçamento antes? Agora Doutora Milla estava começando a ficar confusa. Mas aceitou a visita da moça em sua mente. Talvez ela tivesse outros motivos para voltar, também.

Depois de algumas horas, lá estavam a patricinha e o seu inseparável empregado sendo recebidos pela Diretora Geral. A mais velha tinha uma planilha parcialmente pronta de tudo que precisava para as reformas e os setores que seriam remodelados. Seguindo os conselhos de Saori, a Senhora Milla não foi econômica em sua lista. Além disso, ela recebeu alguns relatórios que apontavam as seções com maior falta de dinheiro, como a Farmácia e o Almoxarifado. Muitos equipamentos médicos estavam parados pelo excesso de uso, então a Doutora decidiu solicitar também a compra de novos itens.

Toda aquela conversa sobre números, concreto e compras de coisas chatas estava deixando Saori um tanto quanto entediada. Na verdade, aquele nem era o trabalho dela. Ela só fazia a ponte entre representante (Fundação Kido) e representado. Só que ela queria demonstrar interesse, talvez assim ela conquistasse um dos seus objetivos: ir até o nono andar novamente. Enquanto o monólogo acontecia (porque Saori não estava entendendo bulhufas do que a Doutora Milla estava falando), um toque na porta pode ser ouvido pelos três. A Diretora solicitou para que a pessoa entrasse.

– Senhora Milla, o Doutor Mu mandou avisar que o paciente do quarto 96 acabou de acordar.

– Ah, sim! Diga para ele que eu estou resolvendo um assunto importante, mas que logo estarei lá. Obrigada! – A porta fechou-se e Saori permanecia com os olhos analíticos. Se ela não estava enganada, o quarto 96 era o cômodo de Saga. Por qual motivo ela foi avisada? A garota foi interrompida em seus pensamentos quando a Doutora continuou com a conversa.

– Então, Saori... Posso chamar um dos meus engenheiros para mostrar as plantas e os locais de cada reforma?

– Sim, Senhora Milla... Meu mordomo, que também é o meu braço direito, poderá acompanhar seu engenheiro para fazer as observações necessárias. Não é, Tatsumi? – O empregado fez uma cara esgazeada, não entendo absolutamente nada. Ele nunca tinha feito nada daquilo. – Você pode acompanha-lo, não pode?

– Cl-Claro, Senhorita Saori. – O homem não era louco de negar qualquer pedido da sua patroa.

– Ótimo! Enquanto isso, Doutora Milla, podemos ficar aqui e conversar um pouco mais?

– Eu adoraria, Senhorita Saori, mas tenho outros assuntos pendentes para resolver hoje. Só um momento, enquanto eu chamo a equipe de engenharia para conduzir o Senhor Tatsumi até os locais devidos. – A mulher começou a ligar para alguns números. Saori viu que aquele plano não estava dando certo, então decidiu ser um pouco mais direta. Ao desligar o aparelho, a menina começou:

– Então, Senhora Milla... Como está o seu paciente mais antigo? Aquele dos cubos mágicos?

– Ah, o Saga... Eu acredito que ele já esteve melhor. Nesta madrugada, ele sofreu mais um ataque de ansiedade e tivemos que sedá-lo. Inclusive, ele é um dos assuntos que eu preciso resolver.

– Como assim? Ele se machucou?

– Acredito que não, mas tivemos que imobilizá-lo no leito para que ele não ferisse nenhum funcionário. – A Doutora deu uma boa olhada na feição curiosa da moça. Decidiu usar um pouco daquilo em seu favor. – Aliás, se a Senhorita não fosse uma moça tão atarefada, eu a levaria até o nono andar novamente. É uma pena que a Senhorita não pode...

– N-Não! Quer dizer, sim! Eu posso acompanha-la sem problemas. Não tenho nada marcado para o dia de hoje. Posso deixar Tatsumi cuidando dos afazeres técnicos...

– Tudo bem, então. Só não prometo que a Senhorita conseguirá vê-lo hoje, já que ele está passando por alguns exames depois desta crise, creio eu. – Após Tatsumi seguir para o térreo com o Engenheiro-Chefe do complexo, as duas tomaram o caminho oposto, indo até o último andar.

Durante a caminhada, Saori quis ser ainda mais direta com a Diretora. Estava se preparando para o pior, que seria não ver Saga naquele dia. Ela precisava garantir seu lugar na próxima visita.

– Escute, Doutora Milla... A Senhora acredita que um dia eu poderei conhecer Saga? Quer dizer, ele é um dos seus pacientes mais antigos e, sei lá, a Senhora também disse que ele era uma pessoa muito fácil de lidar quando está calmo... Eu gostaria muito de conhecer um pouco mais a sua história. – A Doutora encarou a garota. De fato, a menina parecia estar muito interessada em Saga. Ela só não sabia dizer se aquilo era bom ou ruim.

– Bem, não sou eu que tomo este tipo de decisão. – Agora as duas se encaravam simultaneamente. – Você precisa de uma autorização da família. E, no caso de Saga, a única pessoa que pode te dar este consentimento é o irmão dele. Se quiser, eu posso falar da sua vontade em conhecê-lo, sem problemas. – Ela sorriu, calmamente. Esperava uma atitude mais ousada da menina, mas isto não aconteceu. Saori assentiu prontamente, entendendo a situação.

– Quem sabe eu não consigo conhecer ele também. – Agora a patricinha também sorria. As duas caminharam até o quarto de Saga, onde o Doutor Mu estava conversando pacientemente com o homem, que ainda estava atado pelos membros inferiores e superiores. A visão foi um pouco surpreendente para Saori, que não estava acostumada a ver ninguém naquele estado. Ainda mais alguém tão bem-apessoado como Saga.

A Doutora pediu licença para Saori e explicou que precisava entrar e conversar um pouco com o seu antigo interno. Ao abrir a porta, a menina tentou notar um bocado do aroma do quarto de Saga. Ela poderia se sentir um pouco mais próxima do homem, quem sabe?

~

Saga abriu um largo sorriso ao ver a sua antiga conselheira e médica entrar pelo recinto.

– Saga! Como você está se sentindo? Por acaso ficou com saudades das amarras de couro e decidiu utilizá-las novamente? – Os três deram risadas. Geralmente, esta era a abordagem que a Doutora Milla utilizava em seus pacientes. Ela costumava utilizar do bom humor para obter mais confiança de seus internos.

– Sabe, Doutora Milla... Se eu não estivesse amarrado nessa cama, eu levantaria e te daria um abraço. Eu estava com saudades das suas visitas. – E, geralmente, este era o Saga. Um homem tão bom que, às vezes, era difícil imaginar que ele se transformava em outra pessoa tão violenta.

– Acalmem-se, vocês dois. Deste jeito eu ficarei com ciúmes dela, Saga. – Doutor Mu brincou. Eles gargalharam novamente. Não que isso fosse totalmente mentira.

– Então, Saga... O que aconteceu ontem? Ouviu alguma voz te chamando, é isso?

– Isso mesmo, Doutora... O Grande Mestre voltou a me aporrinhar novamente. Eu estava bem tomando aqueles calmantes, não sei explicar direito o que está ocorrendo comigo.

– Primeiro, Saga: ele não é seu Grande Mestre. Lembra que nós conversamos sobre isso, várias e várias vezes?

– Sim, mas... É difícil. É difícil não chamar ele assim.

– Você já conseguiu uma época, por que acha que não vai conseguir novamente e de forma definitiva?

– Eu não sei... – Seus olhos baixaram, em sinal de tristeza. Era realmente lastimável ver Saga daquele jeito.

– Milla, nós conversamos um pouco antes de você chegar e ele me confessou que as frases de auto apresentação não estão mais ajudando em sua concentração. E que ele está ouvindo a voz com uma certa frequência... Não é mesmo, Saga? – O homem assentiu. Ela nítida a expressão de descontentamento da Diretora, Mu também não estava muito feliz com aquilo.

– Saga, você não pode nos esconder o que sente. Nem se as nossas tentativas de tratamento estão sendo eficazes com você ou não. Só assim nós chegaremos a algum lugar. Promete que não irá omitir nada para nós novamente? – Saga consentiu com as palavras. Mas, mesmo assim, não queria admitir algumas coisas. Aproveitando a deixa, a Diretora questionou o enfermo. – Me diga, você não está querendo fugir, está? Quer dizer, não você, mas sim a voz que fica na sua cabeça. Ele não está pedindo para você tentar sair daqui, não é?

– Doutora... – A voz de Saga ficou mais pesada. – Eu não quero fugir. Eu quero ficar aqui e terminar meu tratamento. Eu não posso... Eu não posso desistir agora. Mas ele vive me dizendo que alguém vem me buscar, alguém está me esperando lá fora... Eu não consigo entender.

– Tem alguma outra pessoa, além do seu irmão, que te deseja fora daqui? – Ela estava sentada próxima da cama de Saga. Mu acompanhava tudo, com seus óculos bem posicionados em sua face.

– Não sei dizer, Doutora... Depois que entrei aqui, perdi o contato com a maioria das pessoas que conheço...

– Saga... Poderia ser alguém do Exército?

Notas finais
QUEM GOSTA DO KANON LEVANTA A MÃO o/