Madness

46 As Últimas Confissões


Notas iniciais
oi coisas lindas! TESÕES! CEIS TAO DELÍCIA HOJE? tá parei gente, eu já to afim de postar hoje, mas gostaria de avisar que os próximos dois (pelas minhas contas) capítulos vão demorar um pouco mais para sair. eu já vou postar o último e o epílogo em seguida, então só vou me pronunciar quando estiver tudo TININDO, ok? esse é o maior que eu fiz até hoje (mentira, nem é), mas servirá como explicação pra várias coisas que aconteceram na fic. espero que gostem! deixo com vocês a música que, na minha concepção, fica perfeita pra esse capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=tRHzcDxaP_o um grande beijo!

A companheira do militar rebateu seu tronco de forma feroz, numa tentativa de se soltar do mais alto. O máximo que conseguiu foi arrancar gargalhadas e maiores apertos em sua pele.

— Ah, não, não faça isso... Nós só estamos começando. Sabe, eu adoraria descobrir o que você tem de tão importante para segurar alguém como Aioros por tanto tempo... — O Grande Mestre cheirou o pescoço da vítima, passando o cano alongado da pistola em suas partes íntimas. – Deve foder como uma vadia... O meu problema é que... – Ele forçou o objeto no torso da menor, que gemeu de dor. Voltou a falar, cuspindo todas as frases. – Eu sou muito rancoroso. Não consigo comer nenhuma vagabunda que tenha atirado nas minhas costas. Entendeu?!?

Um tapa jogou a mulher longe e ela começou a arrastar-se para o lado oposto do assassino, grogue pela violência. A entidade caminhava lentamente, diminuindo o espaço entre eles.

— N-Não... P-Pare... P-Por fa-favor...

— Eu só vou parar... – O grego puxou os longos cabelos de sua presa, encarando-a de um jeito cruel e animalesco. – Quando seu maridinho chegar aqui. É melhor ele não demorar, caso contrário eu vou descontar toda a minha raiva na sua bunda. Você me ouviu?!

O choro intensificou-se na medida em que as torturas continuavam. Ela recebeu outros tapas e foi carregada para a suíte; os braços estavam doloridos pela força do homem e pelas investidas inúteis de sair dali.

~

O General do Exército desceu do carro, observando bem o casarão e o quintal. Tudo parecia tranquilo... Mais que o comum. Sua intuição dizia que algo de muito estranho aconteceu ou, na pior das hipóteses, estava acontecendo.

Aioros, um pouco manco, adentrou a sala e explorou o ambiente. O rosto parecia cansado e mais surrado devido à sua nova rotina. A descoberta recente de uma lesão no menisco, uma cartilagem presente no joelho, fez com que o período no Quartel diminuísse consideravelmente e, nas horas restantes, ele poderia fazer seus tratamentos e preparar-se para uma possível cirurgia reparadora.

Esta situação era péssima para a sua saúde física mas, para assassinos como Máscara da Morte e Afrodite, aquilo pareceu ser uma oportunidade. E foi daí que vários planos começaram a surgir.

Estava tudo muito quieto. O grego não ouviu a voz fininha e pueril de Monika ou a sua mulher. Ele iniciou a caminhada para a cozinha, porém um grito apavorou-o. Era um timbre conhecido...

Imediatamente Aioros buscou o seu celular, digitando o número que foi lhe dado dias antes. Ele se lembrou das instruções do investigador e não titubeou em segui-las:

“Não hesite em me ligar, General. Se ouvir qualquer coisa estranha, se observar qualquer movimento diferente, não faça nada. Apenas me ligue e eu chegarei o mais rápido possível.”

O militar sussurrou o pedido de ajuda e desligou. Ele não podia mostrar que estava ali. Caçou um revólver escondido numa das gavetas em uma escrivaninha da sala de estar. Escutou mais alguns berros. Colocou o objeto cós traseiro da calça, na parte de dentro, imaginando como nunca precisou usá-lo dentro de sua própria casa. Começou a subir as escadas, fazendo o mínimo de silêncio. Sim, ele atiraria em qualquer um para salvar a sua esposa... Só não considerou quem poderia ser o alvo.

Aioros caminhava de um jeito taciturno, quase imperceptível. Aquele corredor parecia infinitamente maior, devido à pressão que o pânico causava em seu cérebro. Ao chegar à porta do quarto de casal, ele parou.

O vulto sorriu para o homem. A consorte ainda estava presa em um dos braços do agressor, imobilizada num golpe que entrelaçava todo o seu pescoço. A pistola prateada estava pronta para agir, caso fosse necessário.

— General Aioros... Quanto tempo.

— Sa-Saga?! – O mais velho não conseguia acreditar. Era ele mesmo. Havia fugido e tramado toda aquela retaliação.

— Grande Mestre, para os mais íntimos. – A criatura riu com escárnio. – Se eu fosse você, eu largaria essa arma agora.

— Como...?

— Eu te conheço. Não subiria aqui sem algo para se defender.

— E-Eu não...

— Vamos. Ou você faz isso ou... – Ele apontou o silenciador para a cabeça da companheira. – Eu me livro dela.

— Não! – Aioros exaltou-se. Pegou o revólver e, devagar, pousou o armamento no chão. – Por favor, não faça nada com a minha mulher. Ela nunca te fez nada, Saga.

— Você tem certeza disso? – Os olhos sanguinários cravaram-se no inimigo. – Entre e tranque a porta. Rápido.

O general obedeceu prontamente. O cômodo enegreceu-se e o horror tomou conta de todos os seus sentidos. Uma das mãos permaneceu em estado de guarda, enquanto a outra procurava apoiar o joelho debilitado.

— Por favor, filho... Não transforme isso numa tragédia.

— Isso já é uma tragédia desde o dia que eu nasci, General.

— Não fale assim... E-Eu... Me desculpe por aquela noite...

O som de um helicóptero interrompeu a fala de Aioros. Vários alarmes, típicos de viaturas, soaram no grande espaço do recinto.

O ex-capitão ficou aterrorizado e incrédulo com o alvoroço. Apertou a mulher em seu braço e apontou a pistola com mais raiva para o lugar que Aioros estava.

— O que você fez, seu imbecil?!?

— Eu chamei a polícia. – O combatente disse. – O delegado que está cuidando do seu caso veio até aqui e montou uma patrulha durante três dias. Disse que eu deveria ligar caso você aparecesse... Seu irmão falou que você poderia vir aqui.

— O que... – As luzes da suíte acenderam, revelando a fisionomia horrenda e abalada do Grande Mestre.

~

“Atenção, todos os suspeitos. Saiam agora do recinto. Deixem as mãos visíveis na frente do corpo e não façam movimentos bruscos. Atenção, todos os suspeitos...”

As orientações eram reproduzidas em um mega-fone, na área externa do lugar. Atiradores de elite estavam posicionados na aeronave, enquanto outros agentes aguardavam as ordens de Aldebaran para continuar.

— Ele está aí dentro?! – Kanon indagou, buscando um pouco de fôlego após correr em direção ao caos. Ele e Saori foram os primeiros a serem chamados por Aldebaran e apressaram-se para acompanhar todo o processo de resgate. O Doutor Mu e a Doutora Milla chegaram logo após, perplexos com a cena.

— Acredito que sim. – O xerife respondeu. – Vou pedir para que meus subordinados entrem. Não sabemos se eles estão com algum refém, ou quantos são.

— N-Não! – O tibetano se colocou na frente do policial. – Delegado, ele tem um problema sério de esquizofrenia, se entrar bruscamente a situação pode sair do controle!

— É mesmo? – O mais alto perguntou com sarcasmo e soltou um riso fraco pelo nariz. – O que você me aconselha, Doutor?

— Me desculpe, eu não quero agir com soberbia, mas conheço bem o quadro de Saga e sei que nas crises de raiva ele costuma tomar atitudes terríveis! E se nós... Tentássemos falar com ele?!

Aldebaran lembrou-se de que ainda tinha o contato de Aioros no celular. Aquela não seria uma má idéia.

~

— Não é possível!!! – O Grande Mestre gritou, mirando furiosamente a pistola para o seu inimigo. – Eu vou te matar, seu filho da puta!!!!

— Saga, por favor, você precisa se acalmar! – Aioros ficou com as mãos para cima, em auto-defesa. – Abaixe essa arma, vamos conversar sobre o que aconteceu...

— Não!!! – Ele agarrava com mais raiva o fino pescoço da mulher, que permanecia em sua posse e não parava de chorar. – Eu não cheguei até aqui para conversar! Eu não... – O antigo interno começou a sufocá-la, de forma cruel e irritada. Os gritos de socorro de ambos não findaram as atitudes do Grande Mestre e ele continuou, derrubando depois o corpo inconsciente da companheira no chão.

— Por favor, deixe-a em paz!!! – Algumas lágrimas brotaram nos olhos escuros do general. Toda a situação era tensa, agonizante e desesperadora. O ar do quarto era denso, como se todo o oxigênio dali fosse infectado pela maldade do alter-ego de Saga. – Não mate a minha esposa, faça o que quiser comigo, mas não mate a minha esposa...

A súplica foi cortada pelo toque do celular de Aioros. Ele meteu a mão no bolso para atender, porém o cano mortífero ficou mais próximo de sua cabeça.

— Desligue essa merda.

— Saga, veja bem... Provavelmente deve ser o delegado, ele já está lá fora, devem ter vários policias prontos para arrombar a minha casa... – O suor aflito escorria por toda a testa do combatente. Ele procurava utilizar as palavras com calma. – Se eu não responder, ele pode achar que me matou e vai entrar aqui atirando em você. Apenas...

— Foda-se. Eu mandei desligar!

— Filho... – Aioros sentia-se genuinamente arrependido por todo o fato. O peso do remorso consumia sua mente e ele não pode deixar de pensar que parte daquilo era sua culpa. – Me dê a oportunidade de explicar tudo. Por favor.

O invasor engoliu seco. Fez um sinal com a arma para que ele atendesse logo o aparelho telefônico.

— A-Alô?

— General, quem está falando é o Aldebaran. Eu preciso saber como está a situação. Não podemos esperar mais. Vou mandar meus agentes neutralizarem este cenário e...

— Não! – O grego disse, acalorado. – Não é necessário. Está tudo sob controle.

O militar findou a ligação, deixando Aldebaran falando sozinho no outro lado da linha.

— Você não sabe quanto tempo eu esperei para te encontrar assim, atormentado e ajoelhado aos meus pés. Como uma cadelinha. Eu tenho um propósito importante para seguir. Você nunca foi e nunca será metade do que eu serei um dia.

— Do quê você está falando?!? – Aioros procurou se apoiar melhor no piso da suíte, esticando o joelho combalido. – Saga, por favor, me escute. Eu sempre fiz o possível para você no Exército. Te ajudei, via o seu esforço diário em ser o melhor de todo o Quartel. Sempre teve privilégios de minha parte... Você compreende isso, não?

— Não estou vendo nenhum privilégio agora.

— Sim, sim, é verdade! Olhe aonde nós chegamos! Tudo isso por... Algumas frases mal ditas?

O smartphone tocou novamente e Aioros desligou a chamada.

— Não consigo entender essa tua explicação, General. Fale logo!!!

— Veja bem... – Ele respirou fundo para começar suas declarações. — Eu conhecia... A sua tia. Laskarina. Nos conhecemos quando eu ainda era soldado. Ela e sua mãe... Eram pessoas de bom coração, sabe? Mulheres ingênuas. O problema é que a sua mãe conheceu o seu pai e ele, ao contrário delas, não era um homem benevolente.

O Grande Mestre espremeu o cabo da pistola, enraivecido pelo começo da narrativa.

— Você sabia quem era... O meu pai?!

— Acalme-se. Eu nunca o vi pessoalmente, nem mesmo a sua mãe. Somente a sua tia. Quer dizer, eu fui saber dele há dois anos atrás.

O ex-capitão parecia confuso. Decidiu continuar ouvindo a confissão de Aioros.

— Como eu disse, eu só conhecia a Laskarina. Ela e sua mãe trabalhavam num orfanato na área mais pobre de Atenas e, certo dia, ela veio desesperada até o Quartel. Disse que sua mãe não apareceu no serviço e quando foi ver, você e seu irmão estavam sozinhos dentro de casa. Ela havia sumido. Seu pai não estava lá. Tinha sangue pelo chão, pelas paredes... Ela estava angustiada, não sabia o que fazer! Acreditava que sua mãe havia sido assassinada.

— E ela foi. – O delinquente interceptou.

— Eu sei. Descobri depois de uma extensa investigação, mas... Nunca consegui achar o corpo de sua mãe. Essa dor me consome até hoje, pois eu não consegui ajudar totalmente a sua tia.

Eles se olharam de forma intensa. Parecia que alguns muros da personalidade colérica e malfeitora de Saga estavam, por fim, desabando.

— Então?

— Ela decidiu cuidar de vocês. Você não sabe o tamanho da felicidade dela ao receber a sua tutela e a de Kanon! Laskarina não podia ter filhos e cuidar de seus sobrinhos foi a maior benção que ela seria capaz de receber... Porém, ela foi diagnosticada com uma doença precoce e muito séria em seu sangue. Começou a definhar e, como você mesmo presenciou, ela... – Aioros inspirou e expirou novamente. — Acabou morrendo. Antes de falecer, Laskarina me fez prometer que eu continuaria olhando por vocês. Ela sabia que uma vida no Exército seria boa para os dois. Consegui te colocar perto de mim, mas seu irmão... Ele não parecia gostar da Marinha. É uma pena, pois eu sabia que vocês iriam muito longe numa carreira militar!

— Não ouse falar do meu irmão, General.

— Saga... Olhe... Eu encontrei seu pai. Ele já estava à beira da morte, em um leito sujo num hospital presidiário em Corinto, a vários quilômetros daqui. Só foi pego por ter se envolvido numa briga de bar e matado um homem inocente. Ele estava cumprindo pena por este homicídio e outros crimes, e ainda era suspeito pela morte de sua mãe. Ele sofria muito, tinha cirrose e a doença avançava cada vez mais...

— É o mínimo. Merecia ter todos os órgãos apodrecidos! – Grande Mestre rosnou, semicerrando os dentes.

— Filho... Eu expliquei tudo o que estava acontecendo. Sua situação, como Kanon passou por dificuldades também, eu contei tudo. Ele me disse que se arrependia amargamente por tudo o que fez. Por sua mãe, por ter abandonado vocês, por... Por toda a vida que levou. – O combatente pausou um pouco antes de continuar. — Ele tinha problemas, Saga. Como você. Passou por vários psiquiatras na prisão. Ele... Ele não morreu em paz. Suas atrocidades não permitiriam que sua alma descansasse como deveria.

— Ele que queime no inferno!!! – O mais novo voltou a mirar o antigo chefe de forma incisiva. — E que você vá junto!!!

— Saga, não...

O celular chamou mais uma vez. A situação estava ficando fora de controle.

— Desligue essa bosta antes que eu atire na sua mão!!!! Vamos!!!

— A-Acalme-se... – Aioros deslizou a digital suada pelo nervosismo na tela do aparelho. – Saga, por favor, abaixe a pistola e vamos conversar. Eu te tenho como um filho! Eu que arranjei aquela advogada pro seu irmão, eu que pedi para te colocarem na prisão do Exército, eu tenho noção do que fiz, Saga!!! Não fui justo com você!!

— Então tudo era verdade, não era? – Os orbes, não tão avermelhados, começaram a brilhar pelas repentinas lágrimas que queriam cair. — Você realmente sentia aquilo sobre mim, não sentia?!

— Eu não quis falar daquele jeito... E-Eu estava muito bravo, já tinha tudo pronto para você subir a patente, aquele desastre aconteceu e...

— Não importa. Você... – A entidade enxugou as gotas fugitivas ligeiramente. Fungou algumas vezes, o corpo parecia trepidar de ódio. – Você achava que eu era um demente, não é? Que nunca teria filhos como eu e meu irmão. Que entendia o meu pai e o motivo dele ter nos abandonado!!! Que nunca sentiria orgulho... – Foi impossível conter a emoção. Ele berrava as sentenças, ao mesmo tempo em que o choro surgia com mais força. – De alguém como eu!!!

— Saga, por favor, me perdoe... – O general engoliu seco. Baixou os olhos, já vencido pela situação. – Eu não sei mesmo o que posso fazer para me redimir!

— Você tem que morrer!!!! – O assassino aproximou a arma na testa de Aioros, trêmulo e ofegante. Ele apertou firmemente o gatilho, encarando algumas vezes a sua vítima.

.

Ele precisava fazer isso.

Ele almejava aquele revide e teria naquele momento.

Era a sua meta, não é? O seu objetivo...

A sua vingança.

Um estrondo ecoou pelas paredes do quarto. Um lampejo percorreu o crânio do Grande Mestre e ele paralisou na hora. Estava descrente pelas vozes repentinas em sua cabeça.

Notas finais
"This is sweet revenge, And karma's a bitch; You glutton for punishment! What did you expect?"