Madness

44 A Testemunha


Notas iniciais
oi pessoas! tudo bão por aí? cmg td blz eu já estava arrancando os cabelos por causa da manutenção aqui no nyah USAEUHASUEH o capítulo ficou pronto na quarta e eu quis logo postar... quando cheguei aqui BLOCKED MOTHAFUC então esperei o site voltar e etc ainda bem que voltou hoje, né rsrs enquanto isso eu fui atualizando o restante, tem bastante coisa já! ENFIMMMM espero que gostem! um grande beijo :***

O gêmeo mais novo de Saga estava ajoelhado no chão, chocado com o cenário.

– Ac... Acacia... – Algumas lágrimas despontaram nos orbes azulados, mas ele não conseguia chorar. – Meu Deus...

– Hey! Não toque no corpo, ela é uma evidência agora! – Aldebaran disse de forma grave e ameaçadora.

– Meu... Deus...

– Kanon! – Mu pousou as mãos nos ombros do grego, afastando-o de Acacia. – Por favor, fique calmo, nós estamos procurando mais pistas...

– Ela... Ela era tão novinha e... – Um estalo atentou sua consciência. – Meu irmão! Doutor, onde está o Saga?!?

– Acalme-se, Kanon! Nós não sabemos ainda.

– Como assim?!? O que aconteceu?!?!

– Alguém deve ter levado ele. A polícia vai nos ajudar a achar, não se preocupe. A Saori veio?

– S-Sim, ela veio comigo... Está lá em cima... – Kanon levantou-se do solo, ainda atormentado por aquelas visões. – Mas, quem fez...

– Escute, este aqui é o delegado Aldebaran, ele vai cuidar deste caso.

– Bom dia. – O policial utilizou a mesma força costumeira de seu primeiro contato.

– Bom dia... – Kanon sacudiu os dedos após o aperto de mão e fitou Mu novamente. – Doutor, como assim alguém deve... Meu Deus. Tem gente morta ali!

– Sim, o assassino pegou a Mikla e...

– O quê?!? – O ex-marinheiro lançou-se pelo corredor e arrebatou-se com a perspectiva. Era inacreditável e horrível ao mesmo tempo.

– Quem é ele? – Aldebaran perguntou baixo para o tibetano, seguindo na mesma direção de Kanon.

– É o irmão gêmeo de Saga.

– Ótimo. Ficará mais fácil desenhar o retrato do fugitivo.

– É, é... – Mu disse. Entrou no cômodo, na tentativa de apaziguar os ânimos do grego. — Kanon, por favor, nós precisamos manter a cabeça fria.

– Por tudo que é mais sagrado... Mikla... Quem faria uma atrocidade dessas? – Kanon soprou, totalmente incrédulo. O coração disparou ao mirar os olhos claros da morena; o brilho índigo que não existia mais. A pele alva era, agora, apenas um tecido acinzentado e rijo.

– As coisas já estão tomando forma. No momento, o mais importante é encontrarmos quem levou o seu irmão daqui.

– Meu... Ah, não! – Ele pressionou as palmas na cabeça, agindo como se estivesse em desespero. – Não, não!

– O que há de errado?!

– Acho que... Tenho uma idéia de quem fez isso.

– Você tem?!?

– E-Eu acho...

– Senhores. – Aldebaran interrompeu a linha de pensamento de Kanon. – Fui informado de que a testemunha já acordou dos sedativos. Creio que conseguiremos maiores pistas.

~

Em um dos andares do Instituto, o homem visivelmente abalado se recuperava da ferida promovida pelo raspão da bala friccionada na região esquerda do tórax. O machucado causou uma fissura num dos ossos da costela.

– Bom dia, senhor. Meu nome é Aldebaran e eu sou o delegado responsável pelo caso. – O agente começou, sendo acompanhado por Mu, Milla, Kanon e Saori. – Vejo que tem espírito de guerreiro. Diga-me, como está? Recobrando a consciência?

– Sim... Eu... Só estou sentindo algumas dores. – Ele respirava com certa dificuldade e permanecia segurando o curativo em seu torso.

– Creio que estas dores não permanecerão por muito tempo. Quer dizer, o senhor já passou pelo pior, não é mesmo?

O enfermo acenou positivamente. Aldebaran parecia um pouco mais delicado em suas palavras.

– Veja bem... Seria de grande ajuda para a polícia se o senhor nos contasse o que ocorreu nesta madrugada. Podemos tentar agora, enquanto as lembranças estão frescas?

– C-Claro! – A testemunha ajustou-se no leito da enfermaria, meio zonzo pela quantidade de remédios que foram administrados e espalhados pelo corpo. – Eu me lembro que... Ontem eu estava com o meu parceiro e... Seria nosso turno de vigia. Eu e ele.

– Então o senhor é vigilante também?

– Sim. E já devia ter passado da meia-noite, nós descemos depois da nossa primeira ronda. Eu estava com fome, queria café e só tem café lá. No térreo.

– Certo... – O mais alto disse. Mu acompanhava toda a entrevista sem largar a Doutora, que parecia igualmente concentrada nas declarações. Kanon estava ao lado de Saori e ela segurava algo invisível com o punho fechado em seu peito. Talvez fosse a esperança de encontrar Saga novamente e curado de todas as suas loucuras.

– Daí chegaram dois homens. O primeiro tinha o cabelo curto... Usava regata branca. A barba por fazer... Ele pediu para subir, pois disse ser o marido de uma das enfermeiras do... Quinto andar. Isso, acho que é quinto andar. Ninguém ligou porque... Isso é comum, né? Às vezes algum parente vem trazer comida para os plantonistas... Eu achei esquisito porque ele estava com uma sacola... Mas o formato era muito estranho.

– Entendi. E depois? – Aldebaran anotava todas as informações num pequeno bloco de papel.

– E aí chegou esse outro cara... Depois de uns 10, 15 minutos. Disse que precisava falar com a Doutora Mikla, no subsolo. Foi aí que a recepcionista perguntou se era algo importante e explicou que o horário de visitas começaria pela manhã, e que ele poderia falar com os médicos depois. Ele jogou um charme, alegou ser um assunto urgente, entregou uma rosa pra ela...

Kanon alertou-se. Talvez as suas suspeitas estivessem certas.

– Como ele era? O senhor se lembra?

– Sim. Não tinha como esquecer... Ele tinha um cabelo azul, comprido e bem claro... Ele era... Extravagante. Usava uma camisa social escura e toda de seda. Era alto como o outro que entrou, mas todo arrumadinho. Parecia que ia pra uma festa.

– Compreendo. Ele carregava uma sacola também?

– Não. Mas tinha um volume no bolso da calça. Só depois eu descobri que aquilo era uma pistola.

– Ok. Continue...

– Aí a recepcionista deixou, né? Eu até comentei com o meu colega que... A madrugada estava agitada... Pela quantidade de gente que já tinha passado pela recepção. O rapaz chamou o elevador, ficou assoviando... Ah! Ele disse para ela que era um ex-paciente.

Doutora Milla olhou para Kanon e os dois puderam sentir a sintonia. Um dos autores da chacina estava quase definido.

– Ex-paciente? – Aldebaran perguntou, levantando parte da sobrancelha grudada. – Interessante. Nesse momento, alguém chegou a te ameaçar?

– Não. Passaram alguns minutos e nós ouvimos uns barulhos, algo parecido com gritos. Em seguida, um estampido fraco. Eu disse que ia olhar e... – Os olhos do vigilante encheram-se de lágrimas. Ele limpou-as rapidamente. – E... Meu colega disse que não. Que ele poderia ver enquanto eu terminava o meu café. Depois disso eu não o vi mais.

– Bem, isso é... Péssimo. – O delegado parou um pouco as anotações, possivelmente em sinal de respeito por aquela afirmação. – Suas lembranças irão nos ajudar a pegar o assassino dele, eu prometo.

– O-Obrigado. – O homem pareceu um pouco mais ameno. – Então... Ele desceu pela escada de emergência, porém eu não vi nada porque a porta é fechada e, enfim... Não sabia o que estava acontecendo. Aí eu ouvi mais uns barulhos e decidi checar... Quando fui entrar, senti um empurrão e caí. Depois veio o tiro... Eu senti o corpo todo queimar e não sabia onde a bala havia me atingido, mas uma idéia veio na cabeça e... Eu me fingi de morto.

– E o senhor ouviu mais alguma coisa?

– Ouvi sim. Um deles disse “agüente firme, capitão... agüente firme”. Escutei os berros das recepcionistas logo após. Eles pareciam estar com pressa. Eu não... Sabia o que fazer... – Novas gotas de esmorecimento afloraram no rosto abatido do observador.

– Esta foi a sua melhor escolha, acredite. O senhor está vivo e, além disso, poderá nos ajudar nas investigações.

– É... – Ele pousou a visão em algum lugar longe, como se novas recordações estivessem a caminho. Mordeu o lábio inferior e meneou a cabeça, vencido com a própria tentativa. – Eu só me lembro disso. Depois eu... Acho que... Desmaiei.

– Não tem problema. Seu depoimento irá contribuir muito para nós, pode confiar. Espero que se recupere bem.

O grupo afastou-se do atestante, cada um com uma conclusão diferente para a tragédia. Kanon já havia pronunciado a sua tese, porém era necessária a confirmação de todos os fatos. Eles aguardaram as gravações solicitadas pela Doutora Milla e o conteúdo foi liberado somente no período da tarde. Durante este tempo, Aldebaran procurava mais e mais vestígios deste mistério. Os corpos das vítimas foram levados e parte do funcionamento dos andares voltou ao normal.

~

– Por favor... Vocês poderiam trabalhar um pouco mais rápido?! – A Diretora Geral falou pelo telefone do escritório. Ela estava bem diferente do usual, um pouco rude e acelerada. Nenhum dos seus funcionários tinha visto a mulher daquela maneira. – Ok, ok! É que nós esperamos a manhã inteira! Certo... Tentarei acessar agora. Obrigada.

A Doutora desligou o aparelho e bufou, digitando rápido vários comandos no teclado. Aldebaran permaneceu com seu jeito ponderado, enquanto o restante acompanhava a aflição da psicóloga.

– Você conseguiu...? – Mu perguntou.

– Bem, acho que agora vai. – Ela virou a tela do computador e iniciou um arquivo na intranet do hospital. – Eu pedi para que separassem o dia inteiro, então vou acelerar a reprodução do vídeo, tudo bem?

E assim foi feito. Uma série de vultos percorreu o ambiente do térreo até a chegada da madrugada, quando os dois guardas desceram para tomar café, exatamente como a testemunha havia dito. Doutora Milla diminuiu a velocidade das imagens para o modo normal.

– Vejam... – O policial aproximou-se do pequeno painel. – Acho que é agora...

Não demorou muito para que o primeiro executor aparecesse.

– É ele! – Kanon apontou para a cena. – É o Máscara, eu falei!

– Ótimo. Já temos um dos responsáveis. Vamos esperar o próximo. Eu quero ver o que eles fazem... – Aldebaran comentou.

Mais alguns minutos e o outro assassino surgiu na câmera de vigilância.

– É o Afrodite! Eu falei, eu conheço esse dois! Eles são gente da pior espécie!

– Tudo bem, mas e o seu irmão? – Saori indagou, apreensiva.

– A gente vai descobrir o que aconteceu quando olharmos o restante. – Mu continuou.

A líder do Instituto Psiquiátrico continuou o vídeo e a ausência dos dois carrascos não passou de 15 minutos. Foi tudo muito rápido: o guarda foi jogado para o chão e Afrodite atirou, acreditando ter executado o homem. Máscara andava devagar atrás dele, alvejando cruelmente as duas recepcionistas. Saga estava inclinado em seu ombro, aturdido por completo. A dupla seguiu em direção ao estacionamento.

– A senhora tem as gravações de outras câmeras?

– Sim! – A médica digitava mais instruções no computador. – Eu solicitei as imagens de todas as câmeras que temos em atividade. A câmera do estacionamento está... Aqui! – Ela clicou em outro arquivo, acelerando mais o filme.

Afrodite abriu a porta traseira de um dos carros parados e ligou a partida, talvez para correr com o plano. Máscara da Morte deitou o interno no banco, sentou no lugar do motorista e fugiu dali.

A placa do automóvel não estava tão nítida, mas ainda era legível. Aldebaran transmitiu a série de números e letras numa espécie de rádio-comunicador. A resposta da pesquisa foi rápida.

– Temos uma ocorrência registrada pela Central com esta numeração, senhor. Um carro com as mesmas características foi furtado por volta das 23h, perto da região leste.

– Vocês já rastrearam o GPS? Conseguiram captar alguma trilha?

– Sim, senhor. O veículo foi deixado na rua de um mercado, na Unidade 457. Nós já o recuperamos. Entrei em contato com o chefe da 457 e estamos coletando gravações do circuito de segurança.

– Perfeito. Bom trabalho. Aguardarei o seu retorno com as filmagens. – Aldebaran levantou do assento, animado com as novas descobertas. Ele soltou um riso fraco por conta de seus pensamentos. – Era muito óbvio. Com certeza eles fariam isso.

– Fariam o quê? – Mu questionou, erguendo-se também.

– Esses dois sabiam que as câmeras estavam ligadas. Seria muita burrice fazer tudo isso sem esconder o próprio rosto. Roubaram um carro qualquer, vieram até aqui, mataram todos que poderiam agir como possíveis delatores e foram embora. É bem provável que eles deixaram este carro num lugar estratégico, para pegarem outro e se esconderem.

– Isso não faz sentido da mesma forma. – O tibetano soltou. – Se eles estavam tão preocupados em cometer o crime perfeito, por qual motivo manteriam as câmeras ligadas? Por que não esconderiam os corpos?

– Talvez porque eles não queriam cometer o crime perfeito. – Kanon murmurou, fixo em seu raciocínio. – Esta é a última preocupação deles.

– Então, qual é o plano? – Aldebaran virou-se para o grego. – Você tem alguma idéia?

– Sim. E, se é o que eu estou pensando, é melhor nós agirmos rápido.

Notas finais
imagina uma pessoa que almoçou HORRORES agora