Madness

21 A Revelação


– O Afrodite?! – Ele exclamou, surpreso. – O que ele foi fazer lá?!?

– Não sei! Eu só sei que ele me pediu 15 minutinhos de conversa com ele e...

– Você deixou?!? – Kanon desencaixou-se da morena, arrumando melhor o seu corpo (também despido) na cama. – Eu não consigo acreditar, Mikla!

– Me perdoe, Kanon... Ele me disse que era rápido, e eu juro que foi! – A menina gesticulava, procurando manter o homem em seu leito.

– Eu já te falei mil vezes pra não deixar esse cara falar com o meu irmão, Mikla!

– Ah, agora eu entendi! – Ela soltou um risinho. – Ele não pode falar com Saga ou comigo?

Kanon respirou fundo, incrédulo com aquela pergunta. Em sua cabeça, ele não podia dar a mínima para o que Mikla fazia ou deixava de fazer com outros homens. Ele já desconfiava de Afrodite e que, provavelmente, ele deve ter feito parte do passado da médica (outro assunto que Kanon realmente não se importava). Mas, para não perder a sua aliada dentro do hospital, ele preferiu não responder da forma que queria. Na verdade, foi importante saber que Afrodite havia falado com Saga.

– Mikla, por favor, não deixe que ele visite meu irmão, sim?

– Agora eu saquei tudo! Seu ciumentinho! – Ela passou o dedinho indicador no nariz de Kanon, procurando amenizar sua cara séria. – Você sabe que eu sou todinha sua, não sabe?

– É, eu sei. – Ele levantou-se da cama, vestindo sua roupa íntima logo em seguida. – Me desculpe mesmo, Mikla... Mas eu não posso ficar.

– Não, Kanon! – A mulher agarrou o gêmeo pela cintura, usando o seu tom mais dramático. – Eu juro que não deixo ele entrar para ver seu irmão! Eu não deixo ele entrar nem no hospital!

– Tudo bem, Mikla. Eu acredito em você. Mas eu preciso arrumar minhas coisas para ver Saga.

– Você tem tempo ainda! Não precisa ir embora agora! – Ela implorou, com seus olhinhos suplicantes. – Eu só fiz isso porque ele me ameaçou, Kanon! Disse que ia contar do nosso relacionamento para a Diretora!

– Tá bom, Mikla! Eu já entendi! – Nessa hora, Kanon perdeu completamente a paciência. – Agora eu preciso ir para a minha casa!

– Fique mais um pouquinho, por favor... – Ela sentou-se no colchão, alisando o seu rosto no abdômen de Kanon. Ele suspirou mais uma vez, buscando um pouco de calmaria. – Escute, tem mais uma coisa que eu queria te pedir hoje.

– E o que é?

– Sabe... – A menina começou a beijar a parte mais baixa da barriga do ex-marinheiro, deixando-o mais alerta. – Já faz tanto tempo que eu não faço algo com você...

– Algo?

– Sim. – Ela continuou com os beijos, chegando à meia ereção de Kanon. – E eu estou com tanta saudade, uma noite só com você não é o suficiente... – Ele fechou os olhos, acarinhando os cabelos da psicóloga. Ela roçava seus lábios na parte mais sensível de Kanon, que podia sentir a sua respiração quente contra o seu pênis.

– E o que você quer que eu faça, Mikla?

Ela sorriu, puxando o tecido para baixo. Suas mãos acariciaram o membro de Kanon, enquanto ela beijou delicadamente a glande. A língua tomou o lugar dos lábios, arrancando um gemido baixo do homem.

Mikla permaneceu provocando Kanon com as mãos, até sentir que seu pênis estava totalmente pronto para o que ela mais queria. A médica começou os movimentos de vai e vem, permitindo a entrada do membro pouco a pouco em sua boca. Ela executava tudo de forma muito lenta e extremamente tentadora para o irmão mais novo de Saga.

A médica sentiu umas das mãos de Kanon em seus cabelos, como se quisesse aumentar o compasso da preliminar. Ela passava a língua quente por toda a extensão do pênis de Kanon, demorando um pouco mais no topo, fitando-o intensamente e excitando-se cada vez mais com a feição de desejo do homem. Ele não gemia muito alto e seu rosto estava ficando rubro e aquecido pelos toques da morena. Kanon não queria dar o braço a torcer, mas Mikla sabia exatamente como fazer aquilo e ainda mais como terminar...

Ela parou ao ouvir o homem dizer que estava a ponto de chegar ao orgasmo.

– Venha, Kanon... – Ela continuou massageando-o, com bastante velocidade. – Eu quero que você goze na minha cara...

– Você tem certeza? – Ele disse, puxando os fios escuros da mulher com força e afastando o seu belo rosto.

– Por favor... – Mikla mordeu os lábios e encarou Kanon, de forma voluptuosa. Ambos não seguraram seus sorrisos em suas faces.

– Feche os olhos, então. Pode arder se cair neles...

A menina riu com a frase, obedecendo ao comando do ex-marinheiro. Ele começou a masturbar-se apressadamente e, em poucos segundos, um suspiro alto foi ouvido. A boca da psicóloga estava semi-aberta e recebeu os jorros do líquido de Kanon, que foram se espalhando pelas bochechas e pelo pescoço. Ela podia sentir toda a sua pulsação em sua vagina, que ficou ainda mais úmida ao escutar os gemidos de Kanon e receber o seu prazer dessa maneira.

Ao término do ato, Mikla passou os dedos por todo o sêmen grudado em seu corpo, levando o seu indicador até a língua.

– Acho que eu vou ficar aqui por mais um tempo. – Kanon disse, sensualmente. A doutora puxou o grego para um beijo e os corpos voltaram para a cama...

~

Saori voltou para a sua casa e era aparente o seu cansaço naquele dia. Ela ficou mais tranqüila ao não ouvir os gritos de Saga dentro do consultório de Shaka mas, em sua cabeça, ela ainda tinha dúvidas. Desde a primeira sessão com o budista, parte da sua rotina transformou-se num laboratório de estudo sobre doenças psiquiátricas, tratamentos e artigos sobre o assunto.

A patricinha fitou um jogo recém-comprado de xadrez e sorriu. Sim, ela esperaria Saga terminar o tratamento para que ele pudesse ensiná-la como jogar...

Sua imaginação foi interrompida pelo sonzinho do celular. Ela apressou-se em atender, fazendo uma leve careta ao ver quem estava chamando.

– Seiya! Meu amor! – A japonesa sabia fingir bem algumas coisas.

– Minha mulher de negócios! Como vão as coisas por aí? Esqueceu do seu namorado, é?

– Ótimas e não, Seiya... – A menina riu. – Não me esqueci de você... Diga-me, como você está?

– Com saudades. E planejando uma festa de aniversário para a Seika. Ela me pediu para organizar a melhor balada de Atenas! E você, muito cheia com as obras no hospital?

– S-Sim! – Ela gaguejou, lembrando-se da mentira contada para Seiya. Ela precisava de um álibi para as suas manhãs com Shaka e o seu louco preferido. – Estou bastante... Bom, eu tenho certeza que você vai montar a melhor festa! Já que você é bem entendido nisso, não é mesmo? – Ela gargalhou e escutou seu namorado rir da mesma forma.

– Digamos que sim... E terei uma surpresa para você também! É só esperar, eu tenho certeza que gostará...

– Surpresa? – Ela indagou, olhando a sua aliança caríssima em seu anelar. Ela estava começando a gostar das surpresas de Seiya.

– Sim! Vai ser bem especial!

– Tudo bem... Escute, eu preciso desligar pois tenho algumas planilhas para estudar, aquelas obras são cheias de detalhes... Te vejo amanhã?

– Sem problemas, minha deusa! Não se esqueça do seu príncipe encantado aqui!

A menina riu fracamente, desejando não ter ouvido toda aquela baboseira.

– Não esquecerei! Um beijo, Seiya... – Ela não esperou o menino responder, desligando logo em seguida. A japonesa voltou-se para o seu computador e alguns livros que estavam ao lado do eletrônico. Ela focou-se na leitura, imaginando como seria perfeito se Saga melhorasse logo de sua enfermidade e saísse do hospital.

~

Enquanto isso, Shaka aproximou-se da grande porta amadeirada do complexo hospitalar, dando alguns toques e abrindo a porta ao ouvir a Diretora autorizar sua entrada.

– Doutor Mu, Diretora Milla... – O indiano começou. – Namastê. – Suas mãos juntaram-se em sinal de respeito.

– Senhor Shaka! Por favor, sente-se... Já pedi para que nos trouxessem um pouco de chá, acredito que você não queira tomar café. – Ela ajustou seu vestido no corpo e arrumou o seu cabelo. Shaka não quis imaginar o que aqueles dois estavam fazendo tão próximos um do outro.

– Você acertou, Doutora. – Ele cumprimentou o tibetano e sentou-se na cadeira, em frente à mesa. – Agradeço imensamente o seu tempo disponibilizado para o nosso encontro hoje.

– Eu que é te agradeço, Senhor Shaka! – Ela apertou as mãozinhas, animada. – Vejo que Saga está melhorando bastante com o seu tratamento!

– Sim... – Mu continuou. – Ele está dando vários indícios de melhora. Não precisamos utilizar toda aquela medicação para que ele pegue no sono e ele está bem calmo nos últimos dias.

– Isso é ótimo, Doutor Mu. – Shaka respirou fundo antes de iniciar a fala. – Bom, o motivo da minha visita hoje é porque eu preciso anunciar-lhes dois comunicados.

– E quais seriam? – A médica levantou-se para a porta, agradecendo uma das funcionárias do hospital pela bandeja recheada de guloseimas e o chá. Ela não queria interromper a fala do budista naquele momento.

– Bem... Primeiramente, eu gostaria de avisá-los que precisarei de mais alguns dias de consulta com o Saga. Eu sinto que já sei bastante do caso dele, porém... Existe algo que ainda não foi revelado totalmente. E eu preciso saber o que é, antes de liberá-lo de minhas sessões.

A Doutora fitou Mu com rapidez, mordendo os lábios logo em seguida. Decidiu preencher as xícaras com o chá antes de expressar sua opinião.

– Bom... Por mim, não há problemas. – Mu deu os ombros, tranquilamente. – Creio que ele esteja bem controlado de suas emoções e que nada irá acontecer de ruim. – A Diretora observou bem o seu parceiro por debaixo daqueles óculos. Voltou-se novamente para Shaka, reparando que seus olhos verdes não saíam daquela calmaria por nada.

– Tudo bem, Senhor Shaka. Leve o tempo que for necessário para auxiliar o nosso interno a resolver seus problemas. – Ela bebericou o chá, estranhando a falta do gosto de cafeína. – E o outro comunicado, qual é?

– Ah, sim... – O loiro arrumou-se na cadeira, cruzando os dedos em seu colo. – Durante todo este tempo com Saga percebi que, em várias situações, ele não demonstrava ter um bloqueio mental tão grande, ou uma personalidade totalmente diferenciada como vimos no vídeo. Pra ser sincero, eu não sei se esse tal de Grande Mestre existe de verdade...

– Como assim? – A mulher depositou a peça de porcelana em sua mesa, curiosa com aquela frase.

– Bom... Eu comecei a minha abordagem com Saga esperando que esta outra personalidade se manifestasse, utilizando chás calmantes e os mantras mais poderosos que conheço. Estava realmente crente de que algo ia aparecer, mas até agora nada veio... Suas lembranças são muito dolorosas e o início de sua vida foi muito complicado, porém ele não tem outra pessoa dentro de sua cabeça. Saga é uma pessoa normal, Doutora Milla. – Shaka tomou um pouco do chá para aguardar as respostas dos dois médicos.

– Você quer dizer que ele não tem TDI e esquizofrenia? – Mu aprontou seu óculos em sua face, imitando os dedos cruzados do indiano.

– Não digo que ele não tenha esquizofrenia, mas... – Ele pensou um pouco, olhando para os quitutes da bandeja prateada. – Com certeza ele não possui outra personalidade, Doutor Mu.

– Então, o que isso pode ser? – A Diretora encarou bem as orbes verdes de Shaka.

– Eu acredito que Saga apenas transpõe suas dificuldades para uma outra pessoa, para que ele não seja obrigado a encará-las da forma devida. Ou seja, ele criou um alter-ego violento que desconta em tudo e todos o que ele já passou. Para mim, Saga tem total controle de suas emoções, porém deixa que este alter-ego tome o controle das situações indesejadas.

– Sendo assim, ele não está doente? – A mulher tentava entender todas aquelas palavras.

– Como falei, a esquizofrenia é um caso a ter tratado com mais calma... – O budista pegou alguns petiscos amanteigados na mesa, comendo-os tranquilamente. – Esses biscoitos são muito bons, Doutora Milla.

– Mas calma aí... – Ela levantou-se, virando seu corpo para uma das janelas do escritório. – Você tem certeza disso, Senhor Shaka?

O homem meneou a cabeça positivamente, colocando mais alguns doces em sua boca. Mu também estava tentando processar tudo aquilo.

– Talvez seja por isso que ele não queira se submeter a nenhuma hipnose, Milla. – O tibetano começou a encaixar as peças daquele quebra-cabeça.

– Sim... “Eu tenho o consentimento dele para tudo que faço”. Foi isso que o Grande Mestre me disse naquele dia...

– Então... – Shaka limpou as mãos rapidamente em um guardanapo e tomando mais fôlego para falar. – Poderei ter mais alguns dias reservados para mim, Doutora?

– Sim, claro. – Ela ainda estava absorta em seus pensamentos, segurando-se nos próprios braços. Mal notou a mão estendida de Shaka para que os dois se despedissem. – Ah, me desculpe. Sua informação me deixou um pouco confusa.

– Ele também é muito confuso para mim, Doutora Milla. – O loiro sorriu delicadamente. – Não se preocupe, farei de tudo para que ele consiga se livrar desta situação.

– Bom... Eu confio em você!

– Não decepcionarei vocês dois, eu prometo. – Shaka despediu-se também de Mu, saindo da sala com a mesma leveza que entrou. A Diretora imaginou que, naquela vez, a japonesinha mimada parecia estar certa de seu palpite.

Notas finais
nossa, shaka pq fas iço chaka/