Madness

11 A Condição


Notas iniciais
hoje de capa nova... Obrigada Ichigatsu linda!!!! s2

Saori ainda sentia suas pernas tremerem. Ela finalmente falou com Saga e, em sua cabeça, aquilo parecia ser um sonho. Ela não podia acreditar na beleza e ternura que o homem tinha... Louco? Só poderia ser um engano muito grave. Ele, de fato, não parecia ser nem um pouco maluco... Devia ser um erro comum naquele hospital, já que ninguém parecia ter problemas por lá.

A menina bateu na porta do escritório da Diretora Geral, recebendo um aval da mesma para entrar na sala. A médica fitou a garota, que exalava felicidade por todos os poros. Pensou pela vigésima vez (só naquela semana) que Saori tinha um interesse muito grande pelo paciente do nono andar.

– E então, Senhorita Saori? Como foi a visita com Saga?

– Senhora Milla! Ele é... – Um suspiro adolescente foi dado pela japonesa. A palavra “perfeito” quase saiu de seus lábios. – Ele é um homem muito gentil, muito mesmo. Inclusive, eu estou aqui para fazer outro pedido para a Senhora.

– Farei o que estiver ao meu alcance, Senhorita Saori. Qual seria a sua solicitação?

– Eu estava pensando... Kanon vem visitar o irmão todos os dias e, pelas regras do hospital, não é permitido mais de duas pessoas no quarto do paciente, correto? – A Doutora assentiu, calmamente. – Sendo assim, eu poderia atrapalhar uma possível visita de algum amigo de Saga, caso alguém quisesse comparecer. Então, para que eu não prejudicasse ninguém... – A menina olhou bem a mulher mais velha, que aguardava os próximos passos da patricinha. – Será que eu poderia visitar Saga em outro horário? Por exemplo, na parte da manhã? – Um sorrisinho amarelo esboçou a careta ansiosa de Saori.

– Diga-me, Senhorita Saori... Por qual motivo eu deveria conceder outro horário de visita para Saga se, em nenhum dos nove andares deste prédio, alguém teria o mesmo benefício que ele? – Aquele pedido tinha deixado a Doutora fora dos eixos. Uma coisa era ver Saga nos horários normais, mas... Agora a menina queria ter privilégios?

– Doutora Milla, eu não quero ultrapassar a barreira de ninguém. De verdade, minha intenção não é magoar a Senhora ou os outros pacientes deste hospital. – Desta vez, Saori estava falando com franqueza. – Porém, eu gostaria muito de conversar mais com ele, até mesmo queria propor um tipo de tratamento alternativo, com um conhecido meu da Fundação... Eu acredito, de verdade, que a Senhora tem um carinho muito grande por Saga e não só por ele ter sido um dos primeiros internos que a Senhora cuidou, mas também pela gravidade do seu caso.

De fato, a garota tinha razão. Um dos maiores desejos da Diretora era ver o homem finalmente curado de suas alucinações e crises de violência. Contudo, ela ainda não estava convencida.

– Senhorita Saori, eu entendo a sua preocupação, mas não creio que isso seja justo com os outros pacientes. A Senhorita pode muito bem conversar com Kanon e acertar os horários com ele. – A menina ficou pensativa. Ela não queria usar de subterfúgios sexuais para persuadir Kanon que queria visitar seu irmão todos os dias. Não que isso fosse má idéia (ele também não negaria nada disso), mas Saori já praticava em seu inconsciente certo tipo de fidelidade com o paciente.

Ela suspirou pesadamente; não queria usar o próximo coringa em seu baralho. Mas, de forma infeliz, sentiu-se obrigada a pegar mais pesado.

– Eu compreendo, Senhora Milla. É uma pena saber que a Senhora não poderá me ajudar, já que eu disponibilizei a Fundação do meu avô para auxiliar este hospital. – As duas se encararam. Era esse tipo de jogo que Saori jogava bem. – Eu achei que, por ser uma das principais pessoas para a reconstrução deste complexo, poderia me reservar de algumas regalias. Não estou pedindo nada demais, Diretora. Serei somente eu no quarto de Saga e mais ninguém.

Agora aquela menininha estava indo longe demais. Pelos deuses, será que a paixão por Saga era tão grande a este ponto?!

– Tudo bem, Senhorita Saori. A Senhorita poderá visitar Saga das 10h às 11h. Não posso liberá-la antes porque ele estará tomando seu banho de sol. Direito que ele possui como todos os outros internos deste lugar. – A menina abriu o maior de todos os sorrisos do mundo. Era maravilhoso ser uma menina rica, no final das contas. Mesmo que, de vez em quando, ela fosse obrigada a jogar na cara dos outros o seu status social. – Algo mais em que posso ajudar?

– Não, Senhora Milla. Este é meu único pedido. – Ela tentou amenizar a tensão que se instalou no ambiente. – Eu agradeço imensamente a sua permissão. – Saori ameaçou levantar do assento de madeira maciça.

– Antes que a Senhorita vá embora, eu preciso perguntar... A Senhorita já imaginou como Saga fica em uma de suas crises?

– Não, Senhora... Na verdade, é difícil de acreditar que ele tenha qualquer tipo de crise. Ele é um homem tão bondoso...

– Caso esteja curiosa, nós temos uma gravação feita durante um de seus colapsos. – A médica encarava bem os olhos da moça. Queria ver até que ponto o seu encanto por Saga era genuíno. – Qualquer dia desses eu te mostro, tudo bem? – Ela sorriu, simpaticamente. A japonesa não pode deixar de questionar os motivos da Diretora.

As duas se despediram, como se estivessem pedindo uma trégua. Doutora Milla pensou seriamente na menina e, talvez, Saga também fizesse bem para a patricinha. Quem sabe ela deixaria de viver um pouco em seu mundinho de contos de fada da alta sociedade?

Saori esbarrou na saída com um homem alto, que usava óculos e tinha o cabelo tão comprido e lilás quanto o seu. A expressão de dúvida do rapaz desconcertou a menina. Era impressão dela ou ele tinha duas pintas em sua testa? Ela não ficou para olhar mais. Nem se lembrou que já tinha visto aquele homem anteriormente. Saiu apressadamente para o elevador, enquanto Doutor Mu encarava a Doutora de forma curiosa.

– Aquela menina é a neta do Senhor Kido, da Fundação? – Ele disse, apontando o dedo para a mesma direção da corridinha de Saori.

– Sim. Ela veio aqui para pedir um horário diferenciado de visita. Adivinha só quem ela quer ver todos os dias? – O olhar de Mu ficou mais malicioso.

– Com certeza é o meu garoto, o bonitinho do nono andar! – Ele disse, de forma orgulhosa. A Doutora não conteve o riso.

– Dá pra acreditar nisso, Mu? E ela ainda veio com uma conversa de que ajudava o hospital e, por isso, tinha que ter algo em troca... Eu acho que estou ficando louca mesmo.

– Bom, se ficar louca, já sabe em qual lugar pode se internar. — Os dois se olharam, trocando algumas gargalhadas. – Então, Milla... Eu gostaria de saber... – O psiquiatra limpou sua garganta e tomou coragem para perguntar, finalmente. – Depois do expediente, você estará ocupada com alguma coisa?

– Eu acho que não... Quer dizer... Até o momento, eu não preciso juntar os cacos de nenhuma bomba que explodiu. – Os sorrisos de ambos eram evidentes. – Por qual motivo me pergunta, Mu?

– É, bem... Eu estava lá em cima terminando alguns relatórios de uns pacientes do sexto andar e, andei pensando... Você não queria tomar um café mais tarde?

– Mais café? Eu posso pedir aqui na minha sala mesmo e...

– Sim, eu sei. Mas o que você acha de tomar um café fora daqui? Sem esse povo doido nos rodeando. E esse pessoal que insiste em te chamar pelo telefone toda hora. – A mulher não conseguia acreditar. Mu estava um pouco receoso, segurando o encosto de uma das cadeiras da sala, apoiando todo o seu corpo e tensão nela.

– Você diz, tipo... Um encontro?

– É, bem, seria tipo... – Ele gesticulava muito. – Como se fosse um encontro, é. Sem conversas sobre remédios e fichas médicas. Só eu e você.

A Doutora não segurou a sua cara de satisfação. Mu era um dos homens que ela tinha grande admiração e, às vezes, até alguns devaneios mais proibidos... Mas, em respeito ao local de trabalho e a sua relação profissional, ela nunca deixou aquilo ir além de simples diálogos sobre pacientes e doenças da mente.

– Eu achei que você nunca me chamaria, Mu. – O rapaz fez uma cara de espanto, mas recuperou-se logo em seguida. Já mais calmo e confiante, ele pode largar o encosto da cadeira.

– Bom, eu venho te buscar aqui lá pelas 19h. – Ele se virou para a saída. – Ah, e eu menti... Não vamos tomar café. Eu quero te levar para jantar. – Uma piscadinha leve fez com que a Diretora escorasse suas costas na grande poltrona de couro, sorrindo infantilmente. Ela fechou os olhos, lembrando-se de algumas fantasias que já teve com o tibetano...

~

Saori chegou animada em sua mansão na Grécia. Soltou os cabelos, tirou seu vestido caro e colocou uma música em seu sistema de som, para deixar a vibração do ambiente tão entusiasmada quanto ela. Olhou seu celular e viu várias mensagens, a maioria sendo Seiya o responsável. Decidiu responde-lo, mas sem a mesma vivacidade.

Depois de alguns momentos tirando fotos e vendo a sua rede social, o namorado estava estampado na tela do aparelho.

– Alô? Seiya?

– Gatinha! Você demorou pra me responder... Achei que alguém tinha te sequestrado!

– Não, Seiya... – A menina bufou. – Não seja tão dramático. Eu estava fazendo aquela visita no hospital que comentei com você. São muitos detalhes de reforma, você sabe.

– Eu estou com saudades, minha deusa... – Ela bufou novamente. – O que acha de nos vermos hoje à noite? Os rapazes estão organizando uma festinha na casa do Hyoga e eu imaginei que você poderia ir...

– Tá, tudo bem. Eu vejo se apareço por lá.

– Vai ter bastante bebida e aquela competição de selfies que você tanto gosta.

Por mais ridículo que isso possa parecer, as meninas costumam tirar selfies e a vencedora era aquela que tinha mais curtidas dos rapazes. Divertimento de gente rica, pois é.

– Tá. Eu vejo. Se apareço por lá. – Ela falou enquanto comia uma barra de cereal diet; talvez aquela era a primeira coisa que entrava no estômago de Saori naquele dia.

– Você está diferente, o que aconteceu?

– Nada, meu amor. Eu preciso desligar agora. Nos vemos hoje à noite?

– Claro! Te aviso quando estiver saindo daqui. Um beijo, amor.

A menina desligou o celular, lembrando-se de que ainda devia um favor para o irmão de Saga. Rapidamente, ligou o notebook e contatou um dos responsáveis pela Secretaria de Segurança da Fundação, pedindo para que os registros de Kanon fossem excluídos. Ao procurar o nome do irmão mais novo, ela não conseguiu se segurar em ver os dados e informações contidas em sua ficha policial. Ela também pode ver Saga relacionado em outro registro.

A foto dos dois era quase idêntica, tirando o fato de que Saga parecia muito mais triste em sua foto policial. Os cabelos estavam um pouco mais curtos e tinham a mesma tonalidade; Kanon fazia uma pose esquisita de malvado. Os dados eram bem claros:

“Indiciado pelos crimes de: Fraude – Estelionato – Agressão Física – Agressão Moral – Falsa Identidade – Tentativa de Homicídio — Tráfico de Armas – Formação de Quadrilha.”

Logo abaixo, mais informações:

“Tentativa de Homicídio, Fraude, Formação de Quadrilha – Absolvido.”

“Pena de 26 anos atribuída no Supremo Tribunal Militar. Direito à liberdade condicional.”

Kanon realmente fez um trabalho fantástico com sua advogada para diminuir todo aquele tempo. Saori decidiu verificar os registros de Saga novamente, sem prestar atenção na sua foto:

“Indiciado pelos crimes de: Agressão Física – Tentativa de Homicídio – Homicídio — Formação de Quadrilha.”

“Homicídio – Suspeito.”

“Pena suspensa – Acusado mantém-se hospitalizado no Instituto de Psicologia e Tratamento Psiquiátrico de Atenas – Réu diagnosticado com TDI e Esquizofrenia Paranoide.”

A menina engoliu seco. Lembrou-se da conversa que teve com Kanon e Saga, os dois não pareciam criminosos. Depois Doutora Milla falou de uma gravação... Por fim, decidiu mandar o pedido definitivo de retirada dos autos no sistema da Polícia.

Sim, os autos. Ela não queria que Saga permanecesse com seu nome sujo na lei. Seria péssimo apresenta-lo para a família sendo fichado pela Polícia. A garota estava, literalmente, viajando sobre um futuro com Saga. Quem diria...

Saori recordou de uma das condições do interno e procurou se inteirar no assunto. Ela começou a ler sites sobre doenças mentais, transtornos psicológicos e seus sintomas... Só voltou de sua pesquisa quando ouviu um som de buzinadas de carro; era Seiya esperando a moça no lado de fora da mansão. Seu celular tinha várias mensagens não lidas.

Notas finais
posso colocar a letra da música que tá na minha cabeça e não sai faz tempo? tava no fluxo avistei a novinha no grau sabe o que ela quer? pau, pau, pau pau ela quer paME MATA PORRA EU NÃO AGUENTO MAIS ESSA MÚSICA ESTOURA MEUS MIOLOOOOOOOOOOOOOSSSSS