– Olá, minha gostosa. – Kanon disse, sem vergonha nenhuma. A auxiliar de enfermagem que estava recepcionando o posto ficou vermelha. Ele aproveitou que a garota estava sozinha no local. – Me diga uma coisa, Acacia... Como você consegue ficar mais deliciosa toda vez que venho aqui? É alguma pílula desse lugar?

– Ai, Kanon... Desse jeito você me conquista! – Ela deu uma risadinha safada. – Aposto que veio aqui só pra saber da chave! E ela não está aqui, bobinho!

– Eu, chave? Obviamente que não! E eu achei que já tinha te conquistado... Já falei que meu maior prazer é te ver sentadinha aí, com o cabelo todo arrumado e perfumada... – Ele encostou todo o corpo na bancada e pegou uma das mãos da menina. – E me lembrar de quando te vi toda suada e descabelada em cima de mim... – Depositou um beijo no meio dos dedos da moça, fazendo aquele corpo totalmente frágil estremecer.

– Kanon! – Ela puxou a mão, de forma caricata. – Não podemos flertar aqui, lembra? – Ela não parava de sorrir. Este pedido foi feito pelo próprio Kanon, até porque ele não queria que as suas amantes se descobrissem de forma simultânea.

– Claro! – Ele sussurrou, levando as mãos até a sua boca. A garota riu, apaixonada. – Eu posso saber se a sua chefinha está por aí? Eu precisava muito falar com ela um pouquinho... – Ele deu a famosa piscadela. Era incrível como todas as enfermeiras do andar se derretiam por aqueles olhinhos malandros. Na verdade, elas imaginavam que, se não podiam ficar com o “bonitinho do nono andar”, porque não aproveitar um pouco com o irmão idêntico dele?

– Com certeza, aquela megera nunca sai daqui! – Ela também sussurrou. – Ela está na sala dela, pode entrar. – Seu sorriso só não era maior por falta de rosto mesmo.

– Obrigado, minha linda. – Ele entrou na parte interna da bancada e chegou aos ouvidos da moça. – Quero repetir aquela noite na sua casa, se me permitir. – A coitada se estremeceu ainda mais. Eles se olharam mais um pouco até Kanon se afastar. – Só me chamar e eu estarei disponível. – Ele seguiu até o lado direito do pequeno corredor, entrando na última sala.

~

Ao bater na porta, uma voz mais madura consentiu a entrada. A mulher era mais uma das vítimas de Kanon, também abrindo um largo sorriso ao ver a entrada do homem.

– Cassandra! Quanto tempo não te vejo... Faz o quê, uma semana? – Ele olhava lascivamente para a enfermeira.

– Sim... Fiz questão de deixar a chave na recepção, como você tinha me falado.

– Mas hoje você não deixou... – Ele se aproximava perigosamente da mesa da amante. – Ficou com saudades, foi isso?

A mulher se levantou e agarrou o pescoço de Kanon, dando um beijo ardente no rapaz.

– Eu achei que você ia me ligar depois daquele dia, Kanon... – Ela fez um biquinho. Ele prontamente deu um selinho na mulher.

– Me desculpe por não ter falado com você, Cassandra. Eu fiquei muito ocupado com alguns assuntos pessoais... Enfim, como você está? Podemos sair qualquer dia desses, se você quiser...

– Eu quero ir hoje, pra qualquer lugar. Só não pode ser em casa por causa do meu marido, você sabe. – Ele riu com o pedido. Ela se virou para a gaveta da mesa e pegou uma chave grande com o número 96 na etiqueta.

– A gente pode ficar na minha casa, o que acha? Faço uma receita de Skordalia e aproveitamos para tomar um vinho e colocar a conversa em dia... Que tal? – A mulher depositou a chave na mão de Kanon.

– Você me convenceu. Apareço lá pelas 21h. Se eu conseguir sair antes, eu te aviso.

– Sabe de uma coisa, Cassandra... – Ele envolveu seus braços pela cintura da enfermeira. – As nossas conversas aqui nessa sala chegavam a durar mais tempo... – Ele começou a beijar o pescoço da mais baixa, tocando bem em seu ponto mais fraco. Ele tinha total noção disso. Ela afastou o corpo de Kanon de forma pesarosa.

– Kanon, você sabe que não podemos demorar aqui. Você que me pediu isso, lembra?

– É verdade. – Dessa vez, ele fez o biquinho. – Tudo bem. Eu posso ficar com a chave por um pouco mais de tempo hoje? É que Saga tem uma visita especial lá fora.

– Visita especial? Não entendi... Mais tarde você me conta tudo. – Os dois deram mais um beijo e ele saiu da sala, sem antes dar a conhecida piscadinha sensual.

Ao voltar para a bancada, a primeira amante não estava mais lá. Mas tinha uma outra, que também era a presa de Kanon. Ele não decidiu demorar com esta, lançando um beijinho de longe.

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Ao voltar para o quarto de Saga, Kanon decidiu fazer um pedido para a patricinha antes de entrar.

– Saori, eu deixo você ver o meu irmão mas, antes, eu precisava de algo em troca. – A menina arqueou a sobrancelha, em sinal de desconfiança. – Você poderia pedir para o seu pessoal da Fundação limpar a minha ficha? Quer dizer, eu já cumpri a minha pena na Marinha, mas fica difícil arranjar um trabalho decente com algo ainda constando em meu nome pela Polícia. – A mania inerente de permuta dos irmãos era notável. Eles sempre precisavam de reciprocidade em suas ações.

– Tá, tudo bem. Eu vejo o que posso fazer.

– Você pode fazer? Como assim? Você não é a neta do velho dono da Fundação?

– Ei, não chame meu avô desse jeito! – A garota levantou o dedo. Kanon achou tudo aquilo hilário, ela ficava ainda mais voluptuosa com aquele nervosismo. – Tá, eu peço para retirarem seu nome dos registros policiais.

– Ótimo. Me espera aqui mais um pouco, eu já venho. – Ele entrou no quarto do irmão.

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O interno já estava quase terminando seu quebra-cabeça gigantesco, sentado no chão do cômodo.

– Olha só, Kanon! Eu ganhei um quebra-cabeça de 8 mil peças! – Saga parecia uma criança.

– Finalmente se livrou daqueles cubos ridículos! – Os dois riram. Saga levantou-se para abraçar o irmão carinhosamente. Toda visita era sempre assim, eles se tratavam como se não tivessem se visto há muito tempo. – Diga-me, você conseguiu dormir essa noite?

– Sim. Eu tomei dois remédios de uma vez, o Doutor Mu me deixou fazer isso. – Saga sentou-se na cama e Kanon, com muito cuidado para não pisar na grande imagem fracionada no chão, foi até uma das poltronas do aposento.

– Isso é muito bom. Saga, eu quero ser direto com você hoje, até porque só temos uma hora de visita e tem alguém lá fora que quer muito te conhecer. – O homem fitou o irmão mais novo, com curiosidade. – É uma menina da Fundação Kido, ela veio até o hospital para ajudar a Senhora Milla com a falta de dinheiro e parece que gostou de você...

– Ah, sim! Ela vai reativar a biblioteca. A Doutora Milla me falou dela! – Saga pensou mais um pouco. – Mas, espera um minuto... Você disse que ela quer me conhecer? Tem certeza?

– Claro. Eu estava falando com ela agorinha mesmo. Ninguém mandou nascer com esse narizinho pequenininho, esse cabelinho liso e essa carinha de modelo, não é mesmo? – Kanon disse, usando muito deboche em sua voz. Saga não gostou muito da brincadeira.

– Você acha que ela quer o quê comigo, Kanon? Eu não estou afim de fazer nada para a Fundação e...

– Eu sei, fique calmo! A menina está com as melhores das intenções. Ou as piores, dependendo do seu ponto de vista. — O sorriso sacana era constante na face de Kanon.

– Meu Deus, você não muda mesmo...

– Relaxa, irmão! Ela é uma boa pessoa. E outra, ela é bem... – O mais novo gesticulava bastante. — Digamos que ela é bem...

– Bem? – Saga indagou. Kanon tomou cuidado para que o gesto não fosse visto pela moça no lado de fora do quarto. Ele colocou as mãos um pouco à frente do peito, dando uma apertada imaginária em seios que ele não possui.

– Sabe? Ela é bem... Volumosa. Vale a pena conhece-la, Kanon. É um amor de pessoa.

Saga colocou a ponta dos dedos em seu queixo, pensando no gesto do irmão. Se eram daquele tamanho, até que valia a pena mesmo. Ele podia estar internado e ter problemas mentais, mas nada disso o impedia de continuar reparando em certas partes. Inclusive, Kanon aprendeu com ele várias coisas...

– Tudo bem. Pode deixar ela entrar. Mas fique aqui comigo, eu tenho medo do que pode acontecer. – Desta vez, ele falou sério. Ele tinha medo de ficar próximo de pessoas que não conhecia, pois não sabia qual poderia ser a sua reação.

– Não sairei daqui por nenhum minuto, Capitão. – Ele fez um sinal de continência, típico do Exército. Saga riu com a mímica do irmão. O mais novo abriu a porta do quarto, chamando Saori para o lado de dentro.

~

Enquanto isso, Seiya fitava o celular e a foto de sua namorada. Ele estava jogado na cama, fantasiando o que a menina poderia estar fazendo naquele momento. Às vezes ele se sentia mal com tantos compromissos e visitas que Saori precisava fazer. Se ao menos ele tivesse um emprego... Não ficaria vagabundeando em casa. O rapaz sentiu o aparelho tremer em sua barriga e prontamente olhou para a tela do aparelho. Tomou um pequeno susto quando viu a mensagem de sua ex-namorada.

“E ai, Seiya? Como vao as coisas?” – Ela tinha o costume de não pontuar nada mesmo. Ele desconfiou da frase e decidiu responder.

“Estou ótimo, melhor ainda dpois q vc foi embora. :)”

“Desculpe seiya... qria mto conversar com vc sobre oq aconteceu. Como estao as coisas com a patricinha??”

“ela naum eh patricinha. Ela eh mto legal e me trata mto bem. Como vai o seu namorico cm o mendigo rokeiro?”

“kkkk vc não existe. Seiya, eu sinto mto sua falta... estou passando por uma mah fase no meu relacionamento, sabe... :’(”

“e agora vc quer saber de mim? Naum rola mais, shina... oq passou, passou. Espero q vc seja mto feliz com a sua alma gemea.”

“seiya... vc não sente falta das nossas conversas? Das noites q passamos juntos... não tenho com milo oq tinha com vc. Por favor, me desculpe seiya...”

O rapaz estava bem pensativo. Nada explicaria essa súbita conversa com Shina. Mas ele prosseguiu com as respostas, para ver até onde isso iria.

“eu sinto falta sim. Mas vc decidiu me trocar por ele, entao não tem jeito... :(”

“sabe seiya... eu sinto sua falta... do seu cheiro, do seu corpo... penso em vc a todo instante...”

“... shina, vc nunca foi assim cmg. Pq esta fazendo isso agora?”

“eu me toquei q fiz errado com vc... me manda uma foto sua? Mas eu qro uma foto bem sensual...”

“kkkk nao vou cair nessa!! Qm me garante q vc nao vai usar a minha foto pra me zuar? Eu jah to cheio dessa conversa”

“seiya... por favor... eu estou com saudades”

Logo em seguida o rapaz recebeu uma imagem do decote de sua ex-namorada. Ele pode reconhecer pelas madeixas esverdeadas caindo sobre os ombros da moça, mas não chegou a ver o seu rosto. O menino começou a se sentir excitado.

“vc nao me convence desse jeito. Mande essas fotinhas pro seu namoradinho bad boy, shina.”

“pq vc não confia em mim? Vamos nos encontrar de novo... qro fazer amor com vc, seiya...”

Ele não conseguia entender mesmo a atitude da garota.

“ok... vc me instigou. Mando uma foto minha se vc mandar mais uma sua.”

A ex-namorada replicou com outra foto, dessa vez ela estava de costas e parte do seu bumbum estava à mostra. Seiya sentiu a calça apertar cada vez mais.

“vc continua gostosa, pelo menos...”

“kkkkkkkk seu safado. Eu qria tanto estar ai, te chupar inteirinho... me manda uma foto sua, vai...”

Ele não esperou muito. Abaixou as calças e tirou uma foto do seu membro ereto.

“vc gosta assim? Se lembra dele?”

“simmmmm lembro mto... q vontade em montar em vc agora...”

“pq vc nao vem aki em casa de novo? Podemos relembrar os velhos tempos ;)”

O rapaz esperou a resposta, ansiosamente. Depois de 15 minutos, nada de Shina no celular... Ela parecia estar off-line do aplicativo de conversas. Será que Milo chegou naquele momento e, por isso, ela precisou parar? Pode ter sido aquilo. Seiya aproveitou a deixa para enviar mais algumas fotos suas e logo depois foi aliviar-se no banheiro, rememorando as noites de amor com a sua ex-namorada...

Notas finais
EXTRA EXTRA MAIS UMA ENFERMEIRA ENGANADA