Mad World
12 Chapter 11 - Sa-ki-ne
Notas iniciais
Miku se sentou na poltrona. Ela estava com apenas uma maria-chiquinha, e quando Kaito ficou lançando olhares questionadores para ela, Miku apenas respondeu que queria inovar.
Bem, aquilo era uma inovação e tanto.
Kaito a seguiu logo atrás. Ele apenas olhava para os tênis de Miku, com medo do arredor. Hesitante, sentou-se no sofá perto da poltrona de Miku.
Luka saltitou até o lado do Kaito e ficou olhando ansiosamente para a porta. Gakupo, pelo que aparentava ser, o normal, entrou e ocupou o último lugar no sofá branco desgastado. Ele entregou um pacote de biscoitos à Luka, que o devorou quase imediatamente.
Além da poltrona marrom de Miku, do sofá desgastado de Kaito, Luka e Gakupo, havia também um sofá de dois lugares marrom.
Len abriu a porta, ligeiramente entediado. Ele andou até seu lugar e encarou cada um dos quatro, curioso, questionando o porquê de estarem ali. Nenhum deles tinha uma resposta.
Rin se segurou na mesinha do diretor, que ficava perto da porta. Ela ficou parada por um tempo, contando e recontando. Respirando fundo várias vezes. A loira levantou a cabeça. Estava pálida. Ela escorregou e Kaito a guiou até o lado de Len. Quando percebeu onde havia se sentado, seu rosto pegou fogo, e ela começou a encarar a parede, como se esta fosse muitíssimo interessante.
Quando o diretor entrou na sala, o clima do lugar pesou um pouco mais.
Ele desfilou até seu lugar, e fuzilou com o olhar cada um dos alunos. Todos, com exceção de Luka, engoliram a seco. O diretor juntou as mãos.
– A notícia que tenho para dar não é ruim. – Quase todos suspiraram aliviados. – Na realidade, não é bem uma notícia. É mais parecido com uma proposta.
Miku se sentou direito, curiosa. Proposta do quê? Por que o diretor queria algo com ela? Seria, o diretor, um pervertido?
– Que proposta? – perguntou Gakupo. Luka começou a trançar seu cabelo roxo, porém, ele não deu sinal de ter achado ruim.
– Acho que seria mais educado esperar a senhorita Sakine. – respondeu o diretor.
– Sa-ki-ne. – Luka repetia. Era engraçado. Muito engraçado.
– Quem é ela? – perguntou Miku.
– Sou eu, sua idiota. – gritou uma voz. Todos a olharam. Ela tinha cabelos castanhos curtos, e um sorriso malicioso. Seus olhos pousavam em cada membro de sua platéia. Ela tirou um pé da porta, onde estivera se escorando. – E pra você, é Meiko Sakine, a Grande.
– Só se for a grande estúpida. – retrucou Miku. Meiko deu uma gargalhada. Ela começou a andar na direção de Miku, que também se levantou.
– Parem! – gritou Len. Todos se assustaram. Rin se afastou mais um pouco. Nunca tinha visto Len gritar. – Não a provoque, ela te partirá em dois se o fizer.
Meiko sorriu.
– Parece que pelo menos o netinho não é tão burro.
Len desviou o olhar e ficou apreciando o chão.
– Senhorita Sakine, sente-se. – O diretor trouxe uma cadeira e a colocou do lado de Miku. Meiko se jogou na cadeira, sorridente.
– Então... que proposta? – retomou Gakupo.
O diretor ficou em silêncio por um tempo.
– Como vocês devem saber, daqui a três meses acontecerá um show de talentos interescolar.
– Eu não sabia. – murmurou a loira. Os outros assentiram em concordância a sua afirmação. Que show de talentos?
– E – continuou o diretor, meio sem-graça. – antes, na nossa escola, ocorrerá um show de talentos para selecionarmos o grupo que nos representará.
– E daí? – Meiko bufou. – O que isso tem a ver comigo?
– Permita-me continuar, senhorita Sakine. – Ele deu um sorriso cansado. – Os grupos são compostos e seis até sete integrantes, sendo que, o show da escola, é a primeira etapa, e o show interescolar, é a segunda. Na primeira etapa é necessária apenas uma música composta por vocês. Na segunda, serão pedidas quatro.
Quando o diretor se calou, o silêncio dominou a sala. Eles trocaram olhares indignados uns com os outros, menos Luka, que olhava ansiosa, e o diretor, que os encarava apreensivo.
Meiko pesou o seu corpo para frente.
– Isso é muita babaquice. – revirou os olhos.
– Por que isso de uma hora para outra? – questionou Gakupo.
– Não acho que isso seja necessário. – Len desviou o olhar.
– Biscoito! – Luka gritou, empolgada. Todos a ignoraram.
Rin, Kaito e Miku esperaram.
– Isso é porque somos assim, não é? – murmurou Rin, abraçando a si mesma.
– Por que não avisaram a gente? Por que eu nunca sei de nada? – Miku espremeu os olhos para fuzilar o diretor. – Por acaso é proposital? É por que eu sou bipolar? – Ela se levantou, seu cabelo verde-água cintilava. Meiko também se levantou e xingou o diretor.
– Eu tenho múltipla-personalidade. – Gakupo estendeu a mão para Luka se levantar também. – Isso quer dizer que eu sou menor do que os outros?
– Sou agorafóbica. Isso não significa que eu seja incapaz. – Rin abaixou a voz aos poucos. Ela tremia de raiva.
– Nós somos os únicos que não tem grupo, somos a sobra, e por isso quer nos juntar. – disse Len.
O diretor engasgou.
– Não é assim. – Ele limpou a garganta. – É verdade que vocês não foram escolhidos, mas é por isso que estou lhes dando uma oportunidade. Por que não se juntam e ganham?
– É isso aí, vamos esmagar esses otários. – Meiko bateu o punho na outra mão.
– Vamos vencer! – Gakupo falou, olhando para Luka. Ela assentiu e deu um sorriso.
– Já que é pra vencer, estou dentro. – Len murmurou e desviou sua atenção.
– Eu... eu vou... eu vou tentar! – Rin gritou.
– Ainda estou indecisa, mas tanto faz. – Miku deu de ombro.
Seus olhares se dirigiram a Kaito. O garoto encarava o chão. Ele mexia as mõs nervosamente. Miku sabia que ele não queria olhar ninguém.
– Isso é obrigatório? – sussurrou ele, para ninguém específico.
– Não. – o diretor respondeu com delicadeza.
– Então eu... – Kaito se calou. – Eu não sei nada sobre música. Eu não vou participar. – sussurrou e saiu correndo da sala. Miku começou a andar até a porta aberta. Ela foi a primeira a se recuperar do choque.
– O-onde você vai? – gaguejou Rin.
– Vou procurar aquele Bakaito. – respondeu.
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