Ma Chérie

25 Festival de Primavera - Segundo Dia Dia


Notas iniciais
Esse capítulo é dividido em duas partes, o dia e a noite. Ah, prestem atenção que tem duas imagens no meio do capítulo, uma da tirolesa e outra da toca xD

Pov Victoria

Eu estava simplesmente apagada na cama e assim queria permanecer por um longo tempo. Isso seria possível, se minha melhor amiga não fosse um demônio japonês. Eu demorei a ser despertada, mas me recusava a dar qualquer sinal de vida, quem sabe assim Anne iria embora? Doce ilusão, aquela era Anne afinal de contas. Ela começou a me bater com um travesseiro por todo o meu corpo, gritando alguma música brega.

–Inferno! Porra Anne vai dar para alguém que você melhora o humor! – gritei irritada, sentando bruscamente na cama.

–Oh, tudo bem, não sou eu que vou deixar a namorada sozinha em uma praia paradisíaca aprendendo passos sensuais com o Ian – Anne deu de ombros e se fez de indiferente.

–O que?!

Primeiro veio o pensamento de que Liz estaria em uma praia dançando, provavelmente com muita pouca roupa já que estávamos no litoral. Depois veio a concepção de que ela era a minha namorada agora. Minha namorada dançando na praia. Saltei da cama indo a passos de zumbi para o banheiro, literalmente me arrastando. Não estava com ressaca, mas meu corpo inteiro estava cansado. A madrugada inteira passei festejando, dando beijos e amassos em Elizabeth, para chegar em nosso quarto desabar e simplesmente morrer na cama.

–Que horas são? – indaguei enquanto escovava os dentes, a voz saindo embolada por conta disso.

–Uma da tarde. Liz acordou perto do meio dia, disse que tentou acordar você, mas bem, vejamos o quanto isso é difícil. Então ela foi se juntar com a turma. Mas eu vi a carinha dela toda hora olhando para a pousada como se esperasse você aparecer – Anne explicou, jogada em minha cama – Então como uma boa amiga e vizinha, vim buscar o trapo que ela chama de namorada agora.

Cuspi a pasta de minha boca, joguei água e cuspi mais uma vez. Sorri toda boba para Anne, meu mal humor indo embora prontamente ao perceber, mais uma vez, que eu estava namorando a sério.

–Ah não, você está com aquela expressão estúpida de apaixonada! – Anne exclamou e explodiu em uma gargalhada.

–Cale-se. Vai ligar para a Nicoly vai – joguei a toalha de rosto nela, indo em minha mala pegar minha roupa.

–O que a Nic tem a ver com o assunto? – Anne arqueou as sobrancelhas.

–Por quanto tempo vai negar que você está desejando a loira? – indaguei revirando os olhos, escolhendo um shortinho jeans e um biquíni azul.

–Eu não curto garotas.

–Talvez curta apenas a loirinha.

–É apenas minha amiga!

–Que fica falando ao celular provocações sempre que falam uma com a outra?

–Eu dizia que ia te comer no final de semana quando estava com tédio e nem por isso tinha interesse em você.

–Mas você não ficava sorrindo quando dizia isso, fazia uma expressão tão broxante que cortava qualquer faísca que eu poderia ter por você.

–Nem tudo que envolve duas garotas um pouco mais intimas não quer dizer que elas querem se pegar.

–Então não passou por sua cabeça nenhum pensamento de um beijo acontecendo? Ou olhou demais para ela com um pouquinho de desejo?

Quando não escutei nenhuma resposta prontamente, encontrei com uma Anne meio que paralisada e corada. Soltei um longo suspiro, deixando a parte de zoar sua melhor amiga por estar descobrindo o lado colorido da força para depois. Sentei ao lado dela, segurei sua mão e por um momento comecei a rir.

–Nunca pensei que seria eu a dar alguns conselhos amorosos a você – ri da situação.

–Eu não sou lésbica, eu sempre gostei de uma foda intensa com homens – Anne disse e me olhou acusatória – Você que está colocando ideias em minha mente. Estou tão acostumada com suas gayzisses que eu to começando a pensar igual.

–E dai? – olhei firmemente para ela, vendo que a japonesa estava mesmo em crise. Respirei fundo e sorri de leve – Vá com calma Anne. Você pode estar certa sim, mas eu também posso estar. Apenas deixe acontecer. Se tiver vontade faça, se fizer disso uma grande coisa, vai pesar em sua cabeça e você vai deixar um momento acontecer, um que pode ser maravilhoso.

–E se eu não gostar? Isso pode estragar a amizade com a Nic e eu não quero, ela é realmente uma boa amiga.

–Se for realmente uma boa amiga e tão legal quanto você diz, ela não vai deixar isso acontecer. Pode ficar estranho um pouco, mas logo vocês iriam superar. Porém não ficaria esse grande E SE pairando a sua mente. Deixe as coisas seguirem o fluxo, talvez vocês nunca fiquem, talvez sim.

–É muito talvez.

–Sim. Mas nunca temos certeza até que aconteça.

–Eu não tinha certeza que você ia pedir a Liz em casamento, você estava sendo tão idiota quanto a isso. E então veio ontem, eu não sabia se ria de você ou se chorava de emoção.

Claro que quando eu e Liz voltamos para perto da galera, eles me zoaram durante toda a noite. Principalmente Anne e Pierre, eles definitivamente foram os piores.

–Só deixe rolar e as sensações certas virão, seja a de uma amizade bonita, uma colorida ou quem sabe algo a mais?

–Você agora está falando de “algo a mais”?!

–Eu estou vivendo um algo a mais, é muito gostoso na verdade.

–Eu deveria filmar isso, voltar no tempo e mostrar para você do passado.

–Eu iria rir e te xingar de maluca.

Depois disso fui me arrumar, levando quase meia hora para sair do quarto como se não tivesse tido apenas algumas horas de sono. Anne seguia um pouco pensativa ao meu lado e eu não a pressionei, deixei que tivesse o seu momento depois da conversa que tivemos.

Tudo bem, Anne avisou-me que Liz estaria dançando. Mas nada me preparou para aquilo, de forma alguma. Ela usava uma saia praieira muito solta, a qualquer movimento era possível ver o biquíni vermelho que estava em seu corpo. A parte de cima era um tomara-que-caia, totalmente justo aos seios pecaminosos. O cabelo estava bastante vermelho, banhado pela intensa luminosidade do sol em seu pico. Elizabeth estava perto de Ian e Marco, Ian com um pandeiro e o italiano tentando tocar em um cavaquinho, tirando uma de brasileiro. Pierre estava de pé, batendo as mãos e circulando a garota ruiva. Ela? Ela sambava. Naquele momento eu nunca fui tão fã de samba em minha vida. Ela girava e a saia subia, ela rebolava e tudo o que eu podia ver era o quanto ela era gostosa. Subia e descia, mãos na cintura, um sorriso divino nos lábios. Arthur e Susana estavam perto do mar, brincando de frescobol.

–Aqui! – Anne apareceu ao meu lado com um balde de brinquedo na mão – Para a sua baba, eu sei que vai precisar de algo maior, mas é tudo o que eu consegui.

Revirei os olhos e engoli em seco. Como não se encantar por aquela princesa tão inocente e ao mesmo tempo tão gostosa? Soltei um suspiro e me aproximei a passos largos. Quanto mais perto ficava, mais eu via os caras de outras barracas a comendo com os olhos da mesma forma que eu havia feito. Resmunguei baixo e logo alcancei a minha garota, a envolvendo nos braços a abraçando por trás. Ela assustou-se, mas quando percebeu que era eu, logo abria o mais lindo de seus sorrisos.

–Finalmente, mon amour – Liz disse encostando as costas em meu corpo, apoiando-se.

–A Bela Adormecida retornou! – Pierre exclamou alto, já embriagado.

–Vai atrás de um rabo de saia – reclamei e fiz um gesto com a mão que o mandava ir embora.

–Não, mulheres dão muito trabalho – Pierre negou com a cabeça – Estou dando um tempo e... – uma negra muito linda passou ao lado dele, Pierre quase torceu o pescoço – E eu adoro a Bahia!

No segundo seguinte ele seguia os passos da negra. Todos acabaram rindo e eu aproveitei a distração para dar um beijo curto no pescoço de Liz, sentindo o protetor sobre a pele branquinha dela.

–Bom dia, namorada – murmurei cheia de carinho.

Bonjour – ela respondeu em igual tom.

–Antes que o casalzinho fique meloso e eu tenha diabetes – Ian interrompeu – Vamos decidir a nossa tarde! Hoje já é o segundo dia e temos muito o que fazer.

–Amanhã nós iremos para Boipeba passar o dia por lá e voltar à noite para o show, então veremos tudo que podemos do Morro hoje – Mel informou – Vocês podem ir conosco, Marco alugou uma lancha para irmos até a ilha. Só contribuir levando as bebidas e está tudo certo.

–Opa, sempre quis ir para Boipeba, mas nunca dava tempo! – exclamei animada – Ah, eu estou com as passagens para a Tirolesa. Podemos ir lá e depois ver o pôr-do-sol na Toca, que tal?

–Parece um plano – Iago concordou.

–Vou chamar o vadio do Pie e o casal – Anne se prontificou.

–Victoria – Liz virou o corpo, lançando-me um olhar sério – Você não comeu nada ainda, tem de ingerir alguma coisa antes de sairmos.

–Vou pegar uns dois lanches e está ótimo. A ida para Tirolesa não é fácil mesmo.

Ela concordou e segurou em minha mão, tratei de entrelaçar nossos dedos e a levei até a barraca de comida mais próxima. Por um segundo um pensamento atravessou a minha mente. Lá estava eu, em um lugar cheio de mulheres seminuas e tudo o que e estava curtindo no momento era minha mão entrelaçada na de Liz. Isso era o suficiente para fazer meu estômago borbulhar de borboletas. Soltei um riso baixo e recebi um olhar curioso de Liz.

–Ah não é nada – disse antes que ela perguntasse, ainda sorrindo – Só rindo de mim mesma.

–Por que? – ela indagou arqueando as sobrancelhas.

–Ah é besteira – disse fazendo pouco caso, mas ela persistiu me encarando, o que me fez soltar um suspiro de derrota – Vejamos, ano passado eu já teria beijado pelo menos três garotas. Hoje eu to que nem uma idiota radiante por estar segurando a mão de minha namorada.

–Qual te faz mais feliz? – Liz perguntou me fitando com cuidado.

–Incrivelmente segurar sua mão é mais emocionante – ri ainda mais – Deus, isso é tão idiota. Porra, mas é a verdade. Que me crucifiquem por isso.

–Ta aqui seu lanche moça – o atendente da barraca me entregou dois pasteis feito na hora e abriu um sorriso – Oxe, não se trema toda por causa do amor não, ele é um bicho retado que a gente tenta enlaçar, mas no fim é a gente que fica preso.

Liz riu da colocação, agradeceu toda doce e meiga, arrancando mais um sorriso enorme do atendente. Quem no mundo poderia odiar Elizabeth, por Deus? Nos encontramos com a turma que já estava pronta para a caminhada até a tirolesa. Ela ficava em um ponto alto, a queda era de um morro até a paria, sendo um longo caminho de adrenalina. Seguimos cantando e rindo de idiotices o caminho inteiro. Mel, Marco e Iago pareciam fazer parte do grupo desde sempre, pois se misturavam como se fossem velhos amigos. Cada vez que subíamos mais, Liz encarava a altura e segurava firme minha mão. Ela tentava disfarçar, mas eu podia ver a apreensão em seus olhos castanhos.

–É tudo seguro, eu vim aqui ano passado – garanti a ela quando já estávamos perto da tirolesa, tinha um grupo a nossa frente – Às vezes é mais emocionante do que o sexo.

–Sim, principalmente porque você lembra de toda a emoção em si – Pierre colaborou – Porque tem sexo que você nem lembra se vale a pena.

–Então geralmente você faz de novo só pra tirar a dúvida – Iago concordou e os dois riram.

Hommes – Liz revirou os olhos – Isso é tão imprudente e frio, como apreciar algo que não será lembrado?

–São uns idiotas – concordei em um tom de sabedoria.

–OLHA QUEM FALA – Anne quase gritou e riu – A rainha do pegar e não se apegar.

–Desci do trono e estou no paraíso aqui – dei de ombros – Quando você se apaixonar e for retribuído, saberá o que eu estou dizendo.

–Credo, isso parece praga. Estamos em terra de macumbeiro, nem brinca com essas coisas que vai que dá certo? – Anne tremeu o corpo.

–Precisaríamos de uma galinha preta e pipoca – Susana brincou.

–Estão planejando o jantar? É uma combinação tão inusitada – Liz comentou pensativa.

Todo mundo se entreolhou e explodiu em uma gargalhada. Por vezes esquecíamos que Liz não era acostumada com as coisas do Brasil, já que ela se adaptou bastante a nossa realidade em Santa Mônica. Ela franziu o cenho e assim que eu conseguir parar de rir, expliquei a brincadeira que Mel havia feito. O outro grupo tinha acabado de ir, então era a nossa vez. Pierre foi o primeiro a se voluntariar, depois de pagar para usar a tirolesa. Ele foi preso com os fios de segurança e nem esperou o instrutor dizer, ele praticamente se jogou gritando em adrenalina.

Je ne vais pas, c'est fou! – Liz observava a queda e deu meia volta.

–Hey hey – a segurei rindo da carinha que ela fazia – Amor, relaxa, é algo divertido. Se você tivesse medo de altura, tudo bem. Mas confia em mim.

–Isso é insano! – Liz exclamou, seu acento francês se fazendo ainda mais presente – Eu posso descer sozinha se for o caso, mas...

–Elizabeth – segurei o rosto dela entre as mãos – Quando foi que eu disse que uma coisa era boa e realmente não foi?

–Mas...

–Confia em mim ok?

–Vic...

–Confia meu amor. Faz por mim, eu sei que você vai adorar a sensação.

Ela suspirou em derrota e fechou os olhos com força. Então retornou para o grupo, mesmo que tremesse um pouco. Para que ela não desistisse, pedi a vez para Mel. Liz parecia querer correr a qualquer momento, encarando a altura e ficando ainda mais pálida do que já era. Ajudei o instrutor a colocar os cabos de segurança nela e a via arfando.

Je vous déteste! – ela falou me fitando com certa raiva.

–Acho que isso não quer dizer algo muito bom. Mas eu te amo – salpiquei um beijo em seus lábios – Depois você vai implorar para voltar aqui.

–Ta pronta moça? – o instrutor questionou.

Non! – Liz se segurou firme nos fios – Mon Dieu!

–Ela está, é a primeira vez – expliquei para o instrutor e olhei para Liz – Quer que eu te empurre?

Oui, eu já não sinto minhas pernas.

Revirei os olhos com aquele drama. A segurei pela cintura e disse que ia contar até três... Mas pulei direto para o três e a empurrei. Eu juro que nunca a escutei gritar tão histericamente. Ela seguiu gritando por todo o caminho, colidindo com a água tempos depois. Ri e balancei a cabeça em negativa, entregando a passagem para o instrutor.

–Agora é hora de saber se eu vou morrer ou não – falei.

–Boa sorte dona.

Ele colocou a segurança e instruiu para que eu fosse. Saltei e ainda fiz gracinha de girar o corpo. Aquilo era sinistramente gostoso. A adrenalina da queda, a paisagem ao redor, o frio intenso na barriga. Tudo isso misturado em poucos segundos, minha mente mal processando, apenas absorvendo as sensações. Assim que eu cai na água, um outro rapaz já esperava para tirar o equipamento de segurança e fazer subir. Encontrei Liz perto de Pierre, ele ria de algo enquanto ela me encarava seriamente. Yeah, acho que iria mesmo morrer.

–Amor, você sobreviveu! – brinquei quando nadei para perto dela.

–Você. Me. Empurrou. ANTES! – Liz ralhou comigo jogando água em minha cara.

–Eu disse que no três empurrava! Eu disse três e empurrei! – tentei desviar, mas era impossível porque ela ficava extremamente fofa irritada daquele jeito e eu não conseguia não olhá-la – Vamos, diga se não gostou.

–É consideravelmente assustador – Elizabeth soltou um suspiro – Mas eu ainda me sinto em queda eu... Não sei classificar ainda. Acho que foi bom.

Aproximei dela e a envolvi em um abraço apertado. Tive de dar vários beijos em seu bico para desmanchá-lo por completo, uma tarefa que eu adorei cumprir. Ficamos ali na água, do lado de fora da barreira de boias de segurança, para ver a queda dos outros. O mais divertido definitivamente foi o do Iago. Ele gritou feito um gay afeminado. As perturbações não tiveram fim até que Marco foi o último a descer. Ficamos na água brincando um pouco, guerra de água por todos os lados, Mel tentando afundar Ian depois de um comentário zombeteiro dele. Até coloquei Anne em meus ombros para ela tentar derrubar Mel dos ombros de Marco. Obviamente ninguém ganhou daquela japonesa, até mesmo em seu olhar repuxado ela era má e desconcentrava o inimigo.

Depois de um tempo, Arthur lembrou que o pôr-do-sol logo aconteceria e que teríamos de correr para chegar a Toca. O lugar em um outro recanto alto do Morro, um que permitia ter o vislumbre de uma das melhores paisagens para ver que a queda do sol e a chegada da noite. Seguimos a passos rápidos, dessa vez todo mundo meio cansado com a subida. Menos os dançarinos, eles esbanjavam resistência física nas pernas. Assim que chegamos o lugar estava meio cheio, turistas e visitantes também tinham aquela brilhante ideia de visitar a Toca para ver o momento.

Prontamente peguei Liz e a levei para o ponto mais afastado, encontrando uma almofada e a colocando embaixo de uma árvore. Sentei e mal precisei fazer um sinal para que a ruiva sentasse entre minhas pernas. A envolvi em meus braços e respirei fundo. Primeiro veio o cheiro dela mesclado ao da praia. Depois veio aquela sensação de plenitude, a vista do mar e um horizonte limpo era tudo o que era necessário para acalmar até o mais rebelde dos espíritos.

–Vic – Liz chamou em um tom baixo – Eu estou tão feliz.

Aquilo fez meu coração disparar feito um alucinado. Uma onda de orgulho e amor tomou meu ser de uma forma arrebatadora. Eu estava fazendo a minha mulher feliz. Deus, tem noção do quanto esta concepção poderia ser devastadora? Soltei um longo suspiro e a abracei apertado, mas sem machuca-la.

–Liz – murmurei em seu ouvido, a voz carregada de emoção – Você se tornou a coisa mais importante e linda de minha vida.

Ela tremeu em meus braços e virou um pouco para me fitar. Aqueles olhos continham todas as repostas que meu mundo precisava para continuar girando. Ela me amava, eu sabia disso, eu acreditava nisso. Puta merda, eu a amava tão forte que aquele sentimento poderia me esmagar e eu estaria feliz. Soltei um longo suspiro, sentindo meu corpo inteiro reagir só de admitir o quanto eu a amava. Inclinei o rosto, o suficiente para que meus lábios roçassem os dela cheio de carinho antes de beijá-la. Foi um beijo lento, com movimentos vagarosos e ainda assim intensos pela emoção que provocavam. Não havia domínio, apenas sincronia. Nossas línguas se encontravam, dançavam e então nossos lábios se amavam. Era um beijo bonito e profundo, cheio de significados e isso o tornava poderoso. Mordisquei o lábio dela e o suguei de leve, finalizando o contato.

Je t'aime.

–Eu amo você.

Dissemos ao mesmo tempo. Ela em francês, eu em português. Mas não importava o idioma, o peso das palavras continham o mesmo valor. Sorrimos feito duas bobas apaixonadas e eu indiquei com a cabeça para o mar. O pôr-do-sol estava em seu ponto mais bonito. Liz arfou com a imagem que tinha a frente, arrepiando por inteiro. Sorri e pousei o queixo em seu ombro, a mantendo aconchegada em meus braços. Aquele era o final perfeito para um dia que mesclou todo o tipo de diversão. Não, aquele não era o final do dia, ainda viria a noite de shows e dessa vez com Nando Reis.

Notas finais
Próximo capítulo............................. -v-