Máscaras & Sussurros
35 Kankuro
Em um primeiro instante, Itachi apenas ficou petrificado, como se a última coisa que ele esperasse naquele momento fosse um beijo meu. Então, surpreendemente, ele me puxou para mais perto de seu corpo, com uma ânsia totalmente inesperada. Cheguei a me perguntar se ele realmente sentia-se atraído por mim ou se a luxúria e desejo tomaram conta de sua consciência, mas naquele momento nada mais disso importava. Porque seus lábios eram bons e suas mãos eram suaves. Eu sei que deveria me sentir culpada ou dizer que estava pensando em Sasuke todo o tempo, mas isso seria mentira. A dura verdade era que eu estava aproveitando e me deliciando de cada carícia. E era Itachi quem estava proporcionando aquilo, e somente ele.
Seus beijos eram mais reais, mais palpáveis, mas racionais, lógicos... Eu me sentia em um planejamento certamente prazeroso. Mas de modo algum aquilo era ruim. Era simplesmente diferente. Totalmente e completamente diferente de como era com Sasuke, onde tudo era tão tênue e longe da realidade. Ficamos nos beijando até meus pulmões clamarem por ar. Logo, me afastei e ele fitou meus olhos, com uma expressão passiva, mas não indiferente. Deslizei meus olhos por seu corpo e analisei os detalhes de sua roupa e rosto. Tão familiar, mas tão misterioso. Ele era um pouco mais muscoloso que Sasuke, mas não de forma exagerada. De qualquer modo, seu corpo era absurdamente atraente e seus olhos negros possuíam aquele brilho sombrio que me cativava tanto. Inevitavelmente, mordi meus lábios, domada pelo desejo de possuir aquele ser. — Você tem certeza disso? – perguntou, como se estivesse lendo meus pensamentos. Como ele podia perguntar aquilo? Quer dizer, alguém tinha certeza de alguma coisa? Apenas me dei ao trabalho de acenar com a cabeça antes de me jogar em seus braços novamente. Tudo ocorreu tão lentamente e suavemente, como uma cena de um filme de romance. Não foi de modo algum tedioso ou meloso, Itachi tinha a dose certa de brandura e verocidade. Eu certamente estava me satisfazendo, e os gemidos do Uchiha davam a entender que ele sentia-se do mesmo modo. Naquela noite, depois de muito tempo, eu dormi em paz. Quando acordei, senti imediatamente o cheiro de Sasuke vindo das cobertas daquela cama. Talvez fosse o universo me penalizando pelo que eu tinha feito na noite passada, me mostrando o que eu tinha perdido com aquele ato. Porque era claro que Sasuke nunca mais iria querer me ver depois de saber que eu tinha transado com o seu irmão. De repente e de uma vez só, esse fato tornou-se óbvio pra mim e eu senti com tudo qual era a consequência do que eu tinha feito. Se antes eu achava que tinha perdido Sasuke para sempre, agora eu tinha certeza absoluta. Olhei em volta, atônita, e analisei o quarto do bem mais precioso que já não era meu. Que, de repente, tornou-se impossivelmente distante. E o pior: a culpa era minha. Conscientemente e totalmente minha. Dei um suspiro que pareceu durar para sempre e percebi que Itachi já não estava ao meu lado, mas eu não me importava. O que fizera tanto sentido para mim na noite passada, agora era como se tivesse sido outra pessoa que pensara por mim. Como eu pude fazer aquilo? Quer dizer, sempre soube que era impulsiva e possuída pela luxúria, mas aquele nível de traição era novo até para mim. Talvez se eu ficasse com qualquer um, qualquer um menos Itachi, Sasuke seria capaz de me perdoar. Mas não, eu escolhera exatamente a pessoa proibida, a pessoa mais odiada. Enojada comigo mesma, tomei um banho afim de purificar-me da noite anterior. Era claro que aquilo não era possível, mas eu tentei de qualquer jeito, demorando mais do que o normal. Pensei em quanto eu tinha gostado, o quanto eu tinha apreciado a minha noite com Itachi, o quão bom e gracioso ele tinha parecido. E como eu não tinha me sentido nem um pouco culpada pelo que eu estava fazendo com Sasuke. Por que eu continuava destruindo tudo ao meu redor? Quando eu iria simplesmente parar de ser essa pessoa corrompida? Ainda meio grogue e completamente detonada pela culpa e ressentimento, sai da mansão e me joguei pelas ruas de Bristol. Eu precisava ir para casa, precisava falar com Hinata, com qualquer um que não colocasse um crucifixo contra mim. Entrei no apartamento rapidamente, sem pensar que poderia me encontrar com Temari. Entretanto, ela era o menor dos meus problemas, eu me abriria até para ela naquela hora. — O que você está... ? – Temari começou a reclamar, mas sua frase pairou no ar assim que ela fixou seu olhar em mim. Eu não sabia qual era a minha aparência, mas eu provavelmente parecia bem mal para ela parar seu sermão e me fitar com clara preocupação. — Eu transei com Itachi. – falei, sem delongas. Falar em alta voz só fez aquilo parecer ainda pior e errado. Como eu pude, em qualquer momento, ter achado que aquilo era certo? Como eu gostei?
— O que? – ela perguntou, genuinamente sem entender. — Eu não fui clara? – perguntei, ríspida. — Foi, eu só não entendi porque você está me falando isso. – ela respondeu, indiferente. — Não seja estúpida, ok? Eu precisava falar com alguém e eu pensei que apesar de tudo você ainda... – então, minhas lágrimas reprimidas vieram a tona e eu simplesmente desabei. Eu odiava chorar na frente das pessoas, especialmente de Temari. Não queria demonstrar nenhuma fraqueza para ela, nada mais que ela pudesse usar contra mim. Mas eu simplesmente não consegui segurar. Tudo o que eu tinha passado veio a tona, desde os comentários de Sasuke naquela boate até o seu cheiro nos lençois do meu pecado. As lágrimas de Lee já tinham secados, essas eram novas, essas eram contra mim. — Eu não sinto pena de você, Cherry, e você não deveria sentir pena de si mesma. – foi a resposta de Temari. Em outra ocasião, eu teria explodido e soltado palavras venenosas contra ela, mas eu estava tão exausta que não abri a boca. E ela estava certa. Tão certa. — Sasuke estava tentando empurrar drogas pra mim, eu fiquei tão furiosa... Ele estava me tirando do sério, eu não queria... – comecei a me justificar, como se tentasse me convencer de meus motivos. Temari não disse nada, apenas continuou a me fitar, atônita. Eu realmente não ligava se ela estava brava comigo ou se não queria mais olhar para a minha cara, eu só precisava tirar tudo aquilo de dentro de mim. — Eu acho que ele realmente tem problemas. Está se auto-destruindo e eu não sei mais o que fazer, eu tento fazê-lo entender, mas... — Cherry, acorda! – Temari me interrompeu, tornando-se explosiva novamente e eu esperei as suas verdades ácidas. — O que está te incomodando não é Sasuke estar viciado ou se destruindo e você sabe... O que te deixa angustiada é saber que você não é o suficiente para fazê-lo se sentir melhor. Você não consegue salvá-lo e isso a enlouquece. Seu comentário me atingiu diretamente como uma faca. Porque era verdade. Absolutamente tudo era verdade. Me matava pensar que nossas conversas da meia noite não eram suficientes, que nossos olhares significativos não o ajudavam, que as minhas carícias não o satisfaziam... Eu queria ser tudo o que ele precisava, porque ele era o meu tudo. Eu não queria que ele dependesse de drogas para se sentir melhor, porque ele tinha a mim. Eu não precisava de drogas, ele era a minha droga. Por que eu não era a dele? — Também perante Naruto... Todo mundo sabe que você só falou com Jiraya por causa do seu trauma. Abri a boca para contestar, mas o que eu poderia dizer? Ela estava certa, era óbvio que ela estava certa. — Seu egoísmo me dá nojo. – terminou, por fim. Sua expressão era passiva, mas nunca ouvira sua voz em um tom tão frio. – Eu podia dizer que eu avisei, que eu te alertei mais de uma vez como tudo isso ia terminar, mas não vou falar. Quero que você perceba isso por si mesma. Minhas lágrimas não paravam e eu já não tinha palavras. Eu sempre tinha o que dizer, eu sempre tinha alguma opinião teimosa, algum comentário irônico. Mas não dessa vez. — Eu podia dizer que quero que Sasuke termine com você por causa do que você fez, mas ele merece o que você fez com ele. Ele merece qualquer merda que aconteça na vida dele. Solucei. — Para de soluçar! Esse filho da puta não merece as suas lágrimas. Ele não merece as lágrimas de ninguém. – e então, Temari simplesmente começou a chorar também. Pisquei algumas vezes para ver se estava enxergando direito. Estava. Havia lagrimas saindo dos olhos claros e fortes de Temari. Ela claramente estava tentando suprimi-las, mas não teve sucesso e logo suas bochechas estavam completamente molhadas. Queria dizer que estava tudo bem, mas não queria mentir para ela. — O Sasuke... Foi por causa dele que o meu irmão morreu. – ela disse, finalmente. Percebi o quão difícil era para ela entrar nesse assunto e por quanto tempo ela guardou aquilo dentro de si, apesar de querer falar para mim o tempo todo. — Ele sempre foi um drogado, isso não é novidade. Nós sempre saíamos juntos, eu e ele. Eu não ligava muito para as drogas, mas sempre dizia a ele que era exagerado, quer dizer, ele realmente pegava pesado. A imagem da seringa de heroína apareceu imediatamente em minha mente e eu entendi exatamente o que ela quis dizer com “pegar pesado”. — Sei lá, talvez nem tenha sido culpa dele, mas Kankuro também começou a entrar nessa. – ela disse, estremecendo ao dizer o nome do irmão. – A gente era bem louco naquela época, não nos importávamos com nada e simplesmente ficávamos chapados e bêbados o dia inteiro. Até que um dia ele... — Olha, você não precisa dizer nada disso, eu... – interrompi, percebendo a sua dificuldade. Finalmente tinha conseguido forças para dizer alguma coisa. — Eu quero. Eu quero que você entenda porque não pode se sentir assim tão culpada por ele. – afirmou, agora menos chorosa. – Um dia estávamos em uma festa da mansão Uchiha, naquela época, Sasuke não se importava em abusar da boa vontade dos pais dele e a gente aloprava aquele lugar. Em outra ocasião, eu até poderia sorrir com aquela memória não vivida. — Kankuro e Sasuke estavam em seu quarto se drogando, enquanto nós estávamos nos divertindo no andar de baixo. Eu deveria ter... Enfim, estava ficando muito tarde e precisávamos ir embora, então eu e Gaara perguntamos a Saskue onde Kankuro estava e ele disse que ainda estava lá em cima. Eu juro por tudo que ele disse exatamente isso, Cherry: “Kankuro está chapadasso lá em cima, preferi deixá-lo sozinho”. Engoli um seco. Eu previ exatamente o que viria a seguir. — Quando eu e Garra subimos para chamá-lo, ele estava inconsciente. Eu e meu irmão ficamos mais de uma hora tentando acordá-lo. Tentando acordar um morto. Ele estava morto, Cherry. – ela repetiu, como se ainda não se conformasse. Esperei por soluços ou algum berro, mas ela simplesmente continuou me fitando com seus olhos cheios de amargura e dor. — De overdose. – continuou, com tristeza. — Sasuke deixou ele para morrer. Se fosse outra pessoa me dizendo aquilo, eu diria que aquilo não fora culpa de Sasuke, que não havia nada que ele poderia ter feito, mas, de repente, isso não fazia mais sentido na minha mente. Temari parecia tão inteiramente destruida por causa da morte de seu irmão. E, querendo ou não, ele tinha morrido por causa das drogas que Sasuke tinha dado a ele, por que ele não teve o tato de ficar e ver se estava tudo bem... Minhas lágrimas se intensificaram. Eu sempre quis acreditar no melhor de Sasuke, sempre me convenci que as pessoas estavam erradas sobre ele, que elas apenas não o conheciam direito. De repente, isso pareceu tão patético. Como eu podia negar o que estava na minha frente? — E sabe o que ele me disse quando eu o confrontei sobre isso? – acenei que não com a cabeça, roboticamente. – “Como eu ia saber que o cara era fraco para as drogas? Eu estou vivo, não estou?” Fitei-a, incrédula. Aquele não era o Sasuke que eu conhecia, aquilo não soava como aquela pessoa que já era parte de mim. Mas então, a pessoa que eu conhecia também nunca deixaria outra para morrer. Talvez eu nunca tivesse conhecido Sasuke Uchiha, afinal. Nada mais fazia sentido e eu queria sumir. — Então, Cherry, eu realmente sinto muito que você esteja sentindo-se mal, mas só peço uma coisa... Por favor, não sinta culpa ou tristeza por causa do Sasuke. Ele não merece nada vindo de você. – com esse último comentário, Temari virou-se e foi direto para o seu quarto, trancando a porta. Tudo aquilo era demais para mim. Primeiro Itachi me dizendo que Sasuke devia-lhe dinheiro e agora Temari alegando que ele tinha matado alguém. Porém, por mais patético que seja, eu ainda só conseguia sentir culpa e medo de perdê-lo. Acho que masoquistas não se contentam com pouco.
Notas finais
Oiie, finalmente voltei de viagem! Tentei escrever esse cap o mais rápido possível (desde que eu voltei), então espero que tenham gostado.
Nhá gente, muito obrigada pelos reviews do cap anterior, um mais lindo que o outro, fiquei tão feliz *-*
Enfim, quero que saibam que eu me esforço o máximo por vocês, ♥
Beijoos, :*
Nhá gente, muito obrigada pelos reviews do cap anterior, um mais lindo que o outro, fiquei tão feliz *-*
Enfim, quero que saibam que eu me esforço o máximo por vocês, ♥
Beijoos, :*
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