Máscaras & Sussurros

33 Inconsicentemente


De novo, não tinha onde dormir e eu tinha certeza que Temari não me acolheria de braços abertos, mesmo depois de tanto tempo. Eu não queria pedir para Naruto novamente um abrigo, pois queria evitar um interrogatório, já que provavelmente não saberia o que dizer.

Com um ímpeto de coragem, decidi ir pelo mais difícil e dormir no apartamento de Hinata. Afinal, eu estava ajudando a pagar o aluguel, Temari não podia me expulsar, eu tinha um quarto meu por direito.

Com a intenção de ignorá-la em mente, andei até o nosso prédio tão único. Subi os degraus lentamente, esperando encontrar algum senso de noção durante a minha subida.

Abri a caixa chinesa e vi a única chave que ali se encontrava. Obviamente era a minha, ali deixada faz um bom tempo. Em um ato de puro capricho, limpei-a na minha blusa e abri a porta, revelando um apartamento vazio e escuro.

Aquilo tornou as coisas mais fácil, Hinata e Temari estavam provavelmente dormindo e eu pude ir para o meu quarto sem me preocupar em ouvir sermões desnecessários.

Apesar de tudo o que tinha acontecido, eu consegui dormir em paz. Acho que minha mente estava tão exausta psicologicamente que ela própria se deu uma folga.

Quando acordei, o sol já estava a pino no céu. Era o meu dia de folga e eu pretendia aproveitá-lo ao máximo, mesmo que significasse dormir o tempo todo. Resolvi dar uma folga de mim mesma.

Não queria pensar em Lee, nem em Sasuke ou Temari.

— Bom dia! – Hinata disse entusiasmada, quando eu apareci na cozinha. Ela estava fazendo algum doce, pois o cheiro estava simplesmente irresistível.

— Bom dia, o que você está preparando? Por favor que seja algo calórico e delicioso.

Ela riu do seu jeito adorável e concordou com a cabeça.

— Hoje é meu aniversário de namoro com Naruto. – ela explicou. – Todo ano a gente faz a mesma coisa, resolvi inovar...

Eu quis sorrir para mostrar que eu estava feliz por eles, mas a verdade era que eu não estava. Não mesmo. Meu egoismo impediu que eu sentisse alguma admiração por qualquer outro casal, enquanto o meu relacionamento estava por um fio.

Odiei cada pedaço do meu ser. Como eu podia ser assim com Hinata, o ser mais bondoso que eu conhecia?

Então forcei o meu melhor sorriso que pude e falei:

— Parabéns.

Depois de alguns minutos em silêncio, ela falou, sem graça:

— Ele vai vir daqui a pouco, então...

— Ah! – exclamei, percebendo o que ela queria. – Não se preocupe comigo, já estou saindo.

Percebi então que não tinha pra onde ir, nem o que fazer. Metade de meus amigos estavam bravos comigo e a outra metade não ligava pra mim.

Uma saudade súbita de NY bateu de frente e eu tive vontade de pegar um avião imediatamente apenas para rever os meus amigos. Porque eles sim eram meus amigos de verdade, meus irmãos, meus companheiros.

Pensando nisso, sai do apartamento e liguei para Ino, sem me importar com o preço alto da conta telefônica que viria depois.

Era verdade que eu tinha prometido manter aqueles laços de lado por alguns meses até que eu voltasse, mas, completamente sozinha, não consegui conter minha vontade de ouvir uma voz conhecida e confortadora.

A princípio, a loira gritou e me xingou muito por tê-la abandonado e não ter ligado nenhuma vez, mas, depois de um tempo, já estávamos nos falando como sempre e essa foi a pior parte.

Porque não era como sempre.

Eu estava do outro lado do oceano. Eu não podia ir me encontrar com eles no The Republic, eu não podia chamá-la para vir em casa para nós fazermos uma sessão filmes cult antigos e encher a cara.

Era igual, mas diferente, e isso me matava.

Ela contou todas as coisas que estavam acontecendo em NY e eu a ouvia pacientemente, estranhando que o mundo tinha continuado a girar sem mim. A maioria deles estava na faculdade e estavam estudando. Eu tinha perdido aquilo. Um momento tão importante na vida dos meus amigos e eu não estava lá para comemorar com eles.

Me sentindo culpada e excluida, quis desligar logo.

— Porca, tenho que ir. – falei, a certa altura.

— Ah, vai se foder! Juro, você me liga depois de meses e agora não pode conversar? – ela replicou imediatamente em um tom irritado típico de seu caráter.

Bufei. Como eu explicaria meus motivos pra ela? Como diria que eu não queria me sentir pior do que já estava?

— Só preciso ir. Depois a gente se fala. – murmurei baixinho. — Uns seis meses depois. – completei, brincando, apenas para irritá-la.

Ouvi alguns xingamentos, mas desliguei antes que ela formasse uma frase que fizesse sentido. Tive vontade de jogar meu celular longe, quebrar a única conexão com a minha família de NY, mas então pensei em Sasuke. Eu não conseguiria ficar sem falar com ele por muito tempo.

De repente meu celular se tornou meu bem mais precioso.

Não sei exatamente como, mas fiquei o dia inteiro vagando por Bristol, conhecendo lugares e me perdendo nos lugares mais aleatórios possíveis.

Depois de um tempo, eu sentia como se já conhecesse a cidade na palma da minha mão e que poderia desenhar um mapa para qualquer visitante que me pedisse. Me senti traindo NY por um instante, mas a minha cidade natal já tinha atenção suficiente.

Bristol não, Bristol era ignorada. Não era Londres, nem Paris, era apenas uma cidade pequena na Inglaterra com mentes brilhantes e artistas natos, porém, esquecida.

Eu até podia chamá-la de minha, porque NY nunca seria minha, nenhuma parte daquela cidade grande era minha e eu sabia, mas Bristol não. Eu me sentia a vontade em falar “minha cidade” se alguém perguntasse. Poderia falar “minha Bristol” sem problemas.

O sol tinha se posto completamente e a lua tomou seu lugar, como sempre. Então, aquele sentimento de pertencimento só aumentou, porque eu pertencia à noite, eu me sentia melhor com o brilho das estrelas e luz da lua sob a minha pele do que com o sol.

Eu era uma criatura da noite.

Continuei vagando e divagando até me ocorrer de ir em alguma festa. Eu vararia a noite festejando e não precisaria me preocupar em arranjar um lugar para dormir.

Assim fiz, no primeiro lugar que me parecia agitado demais para eu não notar as sujeiras e cheio demais para não ter que me relacionar com ninguém, eu entrei.

Não foi difícil de achar em um sábado a noite em uma cidade como Bristol.

— Você é maior de idade? – o segurança perguntou, deixando bem claro que só estava cumprindo ordens e realmente não se importava se eu tinha ou não a idade adequada para beber.

— Eu pareço menor de idade pra você? – perguntei, petulante e ele liberou o caminho para mim, provavelmente cansado de ter que barrar crianças.

O lugar estava de fato lotado, o que facilitaria a minha invisibilidade e as músicas pareciam boas, então resolvi ficar. Com sorte arranjaria alguém legal o suficiente para me oferecer uma estadia naquela noite.

Naruto tinha me oferecido estadia no meu primeiro dia, então minhas espectativas eram grandes e eu não esperava ter que fazer sexo com ninguém para conseguir o que eu queria.

Então comecei a dançar e esquecer de todos os problemas. Me deixei levar completamente pela música, assim como fazia de vez em quando no apartamenteo de Sasuke, e ele me fitava, hipnotizado, seguindo meus movimentos.

Tentei suprimir Uchiha de minha mente. Dancei mais. Bebi.

Um copo, dois copos, três copos.

Sim, isso era melhor. Eu já nem pensava nele tanto assim. E tinha muitos outros caras olhando para mim, eu podia largá-lo a hora que eu quisesse, eu estava no controle.

Eu não precisava de Sasuke. Pelo menos não naquela hora.

Eu era livre.

Então, um par de olhos negros chamou a minha atenção. Seu dono fitou diretamente para mim e eu estremeci imediatamente. Minha visão estava turvada por causa das bebidas, mas eu tinha quase certeza que ele estava vindo em minha direção.

Quando ele chegou, eu percebi tarde demais quem era.

— Cherry. – Sasuke disse, como se fosse uma quarta feira de manhã.

Tentei focar meu olhar por alguns minutos e notei que Sasuke estava longe de estar sóbrio. Mas é claro, se estivesse não teria vindo falar comigo.

Suspirei. Que tipo de drogas ele tinha ingerido dessa vez? Eu teria que gritar com ele? Teria que separá-lo de uma briga?

— Sasuke. – respondi, no mesmo tom e ele deu um sorriso chapado.

— Eu estou bravo com você. – ele falou, zombateio. Obviamente não estava em sã consciência e estava soltando a primeira coisa que vinha em sua mente.

Eu acenei que sim com a cabeça.

— O que você está fazendo aqui? – perguntei, me aproveitando de sua sinceridade de drogado.

— Eu estou bravo com você. – ele repetiu, agora mais para si mesmo do que pra mim. Como se tentasse se convencer de que não deveria estar falando comigo. – Vim aqui para ser livre, porra.

Seu último comentário clareou minha mente sobre com que Sasuke eu estava falando.

— Você não quer mais ficar preso a mim?

Seus olhos focalizaram por um breve instante quando ele respondeu:

— Eu não sou.

Aquilo me atravessou como uma faca suja de ácido sulfúrico. Meu interior começou a queimar e arder e eu pensei que fosse explodir. Comecei a ter náuseas de repente e me senti mal, como se aquelas palavras realmente tivessem me afetado fisicamente.

Era patético.

Tentando segurar o marejar que tomou conta dos meus olhos tão de repente, consegui dizer:

— Eu te odeio quando você está drogado. Odeio.

Era a mais pura verdade.

Antes, eu realmente cheguei a achar que amava todas as partes de Sasuke Uchiha, que eu entendia e nos encaixávamos de todas as formas, mas depois de conhecer melhor sua sobriedade, não tinha como aceitar qualquer outra coisa.

Porque Sasuke Uchiha sóbrio era simplesmente perfeito.

E por ser tão imperfeita, eu não estava em condições de aceitar qualquer coisa além da perfeição.

— Você devia tentar, não é tão ruim quanto parece. – replicou, grogue. Depois, de modo desajeitado, me entregou um saquinho e algumas pílulas.

Fitei aquilo com desgosto e tive vontade de queimar tudo na frente dele, mas me conti. Me conti porque não queria dar outro motivo para que ele ficasse bravo comigo.

Eu sabia que aquilo iria afetá-lo negativamente e seu subconsciente iria me odiar.

— Tchau. Seja livre, seu filho da puta. – disse, ao invés.

Sasuke não me respondeu, mas se sim, eu não consegui ouvir, porque já andava a passos largos para fora da boate. Ainda meio embriagda, não consegui entender exatamente onde eu estava e decidi apenas andar novamente.

Quando finalmente cedi para a minha bebedeira, sentei-me em um banco e esperei as coisas se desembaralharem. Inconsicentemente, peguei o saquinho de drogas que Sasuke tinha tão deliberadamente me dado e me deparei com uma coisa curiosa.

Atrás dele estava escrito “Itachi Uchiha” junto com um número de telefone que julguei ser seu.

Sem pensar muito, -ou na verdade sem pensar nada-, liguei.

— Alô? – uma voz firme atendeu para a minha surpresa, considerando o horário no qual eu estava ligando.

— Oi, é a Cherry, sou... Aquela do enterro. — respondi. Eu até cheguei a pensar em falar “namorada do Sasuke”, mas isso parecia tão longe da realidade que eu preferi não dizer. – Posso ir dormir na sua casa?

Notas finais
Heey, capitulo novo ((:
Desculpa a demora, tava viajando, haha, mas agora as férias acabaram *morre*
E ai, gostaram? ♥
Beijão :*