Lágrimas de verão
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Por todas aquelas vezes que você me apoiou
Por toda a verdade que você me fez enxergar
Por toda a alegria que você trouxe para minha vida
Por tudo de errado que você transformou em certo
Por todo sonho que você tornou realidade
Por todo o amor que encontrei em você, eu serei eternamente grata, meu bem
Você é quem me sustentou
Nunca me deixou cair
Você é quem me acompanhou, através disso tudo
...
Lentamente abri meus olhos, estavam irratados do choro noturno. As memórias da noite pouco dormida me dominaram, ao olhar para o lado avistei Emma, ereta a beirada da cama, os olhos inchados, provavelmente por não ter dormido muito o que fazia-me sentir culpada.
Impulsionei o corpo para frente, sentando no meio da cama. Passei as mãos pelos cabelos tentando de alguma forma alinha-los e ajeita-los, esfreguei os olhos e olhei para Emma novamente. Ela permanecia na mesma posição olhando-me. Foi entao é lembrei do que tinha dito a ela, Eu te amo, e não me recordo de uma resposta vinda dela.
O silêncio se tornou irritadisso, pouquissimo agradavél.
– Eu, tenho de ir embora — disse Emma.
Meu coraçao se apertou e encolheu dentro do peito. O ar se fez pesado e respirar se tornou um desafio. De alguma forma tentava decifrar o significado daquelas palavras, o sentido que elas iriam tomar.
– E... quando irá voltar? Para me ver? — pergunto.
Emma contorce os lábios em uma linha fina, aperta as pálpebras as fechando em meio a uma careta indecifravél.
– Não sei se consigo Regina.
Inquieta pelas palavras ditas e as que ainda serão faladas, me aproximo de Emma cautelosamente. Tento decifrar seus olhos grandes, as orbes verdes brilhando em... medo?
– O que acha que não consegue Emma?
Ela suspira e olha diretamente para mim, logo a sua frente, ansiando por uma resposta, e lutando para não surtar novamente.
– Acho que não conseguirei superar suas espectativas. Conseguir fazê-la feliz, cuidar de você como necessita — abaixa o olhar para as próprias mãos que tremiam — Ontem a noite, quando lhe vi daquela forma, tão vuneravél, eu... não sei se suportaria vê-la daquela forma novamente. Foi terrivél e doloroso a cena de você lutando contra a voz e a presença de sua mãe ali, as mãos na cabeça tentando expulsa-las, os gritos em agonia, o medo. E, não sei se conseguirei ser o que você deseja.
Eu a compreendia. Nos conhecíamos a tão pouco tempo, e já dividiamos tanta coisa. Eu a amava, desde o primeiro contato que nossos olhos tiveram, desde que nossos lábios se uniram. Era incrível nossa conexão, nos entendiamos através de breves olhares, e através de espressoes faciais.
Emma poderia ir embora e seguir sua vida como bem entedesse, com tanto que, antes que fosse, me matasse. Sim, pois não suportaria mais de um dia sem que ela esteja a meu lado, pode parecer precipitado, e a mais pura verdade.
Assim como eu compreendia o medo de Emma, estar ao lado de uma insana, literalmente, deve ser algo frustante. De todas as coisas e pessoas que deixei que saíssem da minha vida sem pestanejar, Emma não seria uma delas, eu não desistiria, não desistiria de Emma Swan, assim como prometi e ela prometeu não me abandonar.
– Compreendo perfeitamente Emma, seus medos. Nos conhecemos a pouquissímos tempo, no entanto, devemos admitir nossa forte ligação — tomo as mãos de Emma para as minhas entrelaçando nossos dedos, sentindo o calor que emana de suas mãos, e a magia que nos une — Você não sente isso? Quando entrelaçamos nossos dedos, o calor que nos une. Quando nossos olhos se encontram, como eles se olham e se compreendem em silêncio. Quando nos lábios se unem em uma dança coreografada. Não sente a magia que nos liga? Eu prometi que não a abandonaria , se você fizesse o mesmo por mim. Quero que entenda, o quão é importante para mim. Se quiser desfazer sua promessa e ir, você terá a liberdade para ir, mais terá de ir sabendo de que eu nunca desisti de você, e que de certa forma, continuei cumprindo com a promessa que fizemos.
Emma parecia pasma, não esbossava nada em sua face. Poucos minutos depois, Emma olhando em meus olhos, derramou fortes lágrimas. Se inclinou, acabando com o contato de nossas mãos e me apertando em seus braços fortes. Ela continuou chorando em meu ombro, como uma criança.
Quando o choro cessou, ela se afastou e olhando no fundo de meus olhos ela disse:
– Eu sinto, sinto tudo. Inclusive sinto seu amor, e quero que saiba da existência do meu. Eu te amo.
Com os olhos ardendo em futuras lágrimas que seriam derramadas, aproximei-me e a beijei. Senti o gosto de suas lágrimas salgadas e senti o medo se esvair de Emma como pó, assim como senti seu amor.
– Eu também te amo Emma, como nunca amei ninguém.
Você foi minha força quando eu estive fraca
Você foi minha voz quando eu não podia falar
Você foi meus olhos quando eu não podia ver
Você enxergou o melhor que havia em mim
Me ergueu quando eu não conseguia alcançar
Você me deu fé, porque você acreditou
Eu sou tudo o que sou, porque você me amou
...
Os segundos passavam depressa, assim como os minutos, as horas, os dias e as semanas. Estar com Emma é como entrar em contato com todos os meus sonhos e desejos, desde os mais simples aos inalcansavéis.
Emma quase não saía mais da minha mais nova casa, seus pais eram gentis e eu tive o prazer de os conhecer em um domingo de Novembro, eu os adorei assim como eles gostaram de mim.
Meu pai e Zelena sempre se faziam presentes em minha casa, eles adoravam Emma, e ficaram mais do que felizes ao saber de nosso relacionamento. Emma e eu não nomeamos aquilo que vivíamos, não nomeamos e sequer falamos em namoro, mais sabíamos que erámos um casal, e isso nos bastava.
Cora, não a tinha visto desde o último incidente. As crises e vozes, nunca mais as ouvi.
A dosagem dos remédios se fez menor, e eu era grata a isso, me sentia mais disposta com a dosagem menor.
Emma e eu íamos normalmente as aulas todos os dias. E com nosso empenho já tinhamos praticamente passado de ano.
Logo as provas finais chegaram e as fizemos sem dificuldade. Tamanha foi a felicidade quando passamos.
Fiquei extremamente feliz quando os professores pediram que eu fosse a oradora da turma no dia da formatura.
A vida tenebrosa que vivia, passou a ser um conto de fadas ao lado de Emma Swan.
Ainda me recordo de nossa primeira noite juntas, quando fizemos amor no quarto amarelo que quase se tornou vermelho devido ao nosso calor. Nos tocávamos delicadamente e nos amamos durante uma noite inteira. Nossos corpos se encaixavam perfeitamente e ainda podia sentir o gosto de Emma em meus lábios. Logo após essa, vieram muitas vezes em que fizemos amor como duas insanas e selvagens.
*- Sabe o quanto te amo Swan? — pergunta Regina ainda ofegante devido ao último orgasmo daquela noite.
– Não mais do que eu Regina Mills — sorriu — Quero que se case comigo Gina — pediu derrepente assustando Regina que se sentou sobre a cama, enrrolada nos lençois brancos — Depois da formatura, quero que seja minha esposa Gina. Que sejámos o casal Mills Swan.
Regina sabia que Emma falava sério, e ela mesmo que atordoada não poderia recusa-la de forma alguma.
– Emma, eu, ai meu Deus! — exclamou ao ver Emma com um anel de noivado nas mãos. Um anel, cuja a pedra cravada no topo, uma esmeralda. Verde como os olhos de Emma.
Emma sorriu e disse:
– Apenas diga que sim.
– Eu... claro que sim meu amor! — disse emocionada.
Emma se aproximou de sua amada com o anel em mãos e lentamente o colocou sobre o dedo de Regina. Em seguida, levou a mão da morena aos lábios e a beijou com carinho e amor.
– Eu te amo.
Regina sorriu por entre as lágrimas de felicidade e respondeu sua futura esposa:
– Eu te amo, muito Emma Swan.*
Você me deu asas e me fez voar
Você tocou minha mão e eu pude tocar o céu
Eu perdi minha fé, você devolveu-a de volta pra mim
Você disse que estrela nenhuma estava fora de alcance
Você me apoiou e eu fiquei de pé
Eu tive seu amor, eu tive isso tudo
Sou grata por cada dia que você me deu
Talvez eu não saiba tanto, mas eu sei que isto é verdade
Eu fui abençoada, porque fui amada por você
Aquele fora o dia mais feliz da minha vida.
Aos poucos nossos amigos e parentes mais próximos sabiam de nosso casamento e ficavam felizes pir nós.
Nossa felicidade não tinha fim, ela crescia e florecia a cada dia, cada dia mais forte.
Nosso amor não tinha regras, nós não brigavámos, apenas discutiamos vez ou outra mais logo pediamos desculpamos e terminavámos cansadas sobre a cama depois do famoso " sexo de reconciliação".
A liberdade que sentia ao lado não mudava com o passar do tempo.
A sensação de que algo se aproximava, me dominou ao decorrer dos dias. Não era uma sensação ruim. Era a sensação de que teria a felicidade plena em breve.
...
O amor chega como uma tempestade, uma tempestada não prevista. Ou como um tsumami, ela chega arrastando tudo ao seu redor, e quando você acha que acabou, que a sensação passará, ela simplismente te engana e volta. Volta talvez até mais intensa.
O amor pode estar quando você dobrar a esquina ou quando estiver na fila do supermercado. O amor não tem data , ele chega quando necessário e termina quando bem entende, ou simplismente não termina.
A teoria do amor é complexa. Existem muitas teorias de um mesmo tema, mais cada um, o sente de sua maneira, vive-o de sua maneira...
Emma sorria intensamente, orgulhosa de sua noiva. Ali no palco, impressionando a todos com seu discurso. Orgulhosa de não ter desistido por medo e ter continuado ao lado de Regina.
A loira não era de muitos relacionamentos, e os que teve não valeram a pena, os que teve não a fez sentir o que sentia ao lado de Regina.
Era como se emoção e a sensação não mudasse nunca. Te-la em seus braços, totalmente entregue era o melhor dos presentes.
E ela ainda se sentia orgulhosa de sua noiva por ter lutado contra os demônios que a atormentavam, ter lutado por elas, ter lutado contra a doença, que poucas vezes desde que estavam juntas a abalou.
Perdida em seus pensamentos logo após a entrega de diplomas e o fim do discurso de Regina, ela nem sequer nota a silhueta perfeita da mesma se aproximando.
– Emma!
– Meu amor, estou tão orgulhosa de você. Pelo discurso, por tudo.
Regina sorriu como nunca, e Emma gostaria de decifrar aquele sorriso.
– Eu te amo tanto Emma Swan!
– Eu também senhorita.
Sorriram e beijaram-se com ternura, por um longo tempo. Se beijaram como as mulheres apaixonadas que haviam se tornado e como se o mundo fosse acabar em poucos minutos e aquele fosse o último beijo.
Se separaram aos poucos, ofegantes. Encostaram as testas uma a outra e entrelaçaram as mãos.
Ficaram ali, mergulhadas nos olhos uma da outra, nas orbes verdes e castanhas, conversando em silêncio.
– Emma preciso me trocar para a festa de despesdida — diz Regina.
– Certo, eu também. Bem minha casa fica perto, mais vou pegar carona com Aurora. Pode ir com meu carro.
– Está bem, obrigada.
Pega as chaves do carro com Emma segue para a saída, mais não sem antes voltar e abraçar fortemente sua noiva e beijar-lhe novamente. Com muito amor. E logo depois se afastou, virou algumas vezes para olhar as orbes verdes mais uma única vez.
Você foi minha força quando eu estive fraca
Você foi minha voz quando eu não podia falar
Você foi meus olhos quando eu não podia ver
Você enxergou o melhor que havia em mim
Me ergueu quando eu não conseguia alcançar
Você me deu fé, porque você acreditou
Eu sou tudo o que sou, porque você me amou
Você sempre esteve lá para mim
O vento carinhoso que me levava
Uma luz no escuro brilhando seu amor na minha vida
Você tem sido minha inspiração
Em meio a mentiras, você foi a verdade
Meu mundo é um lugar melhor por sua causa
Da partida no carro e segue o caminho para casa, não havia trânsito e faltava pouco para chegar. Ela segue pela avenida respeitando os semaforos, e quando faltava apenas dois quarteiroes para chegar a seu destino um carro desgovernado atinge o carro que pertence a Emma, fazendo assim ele rodopiar diversas vezes sobre a pista indo de encontro a um muro.
Pessoas logo se aglomeraram ao redor do carro negro apenas para ver o corpo de uma mulher.
Não demora para que a ambulância chegue. Um dos paramédicos se aproxima de onde Regina estava, por entre ferragens do carro e estilhaços do muro. A cabeça coberta por sangue, e nos lábios ela carregava um sorriso singelo. O paramédico fecha os olhos que pernaneciam abertos, já sem o brilho que exalavam como de costume e se afasta do corpo já sem vestígios de vida.
Você foi minha força quando eu estive fraca
Você foi minha voz quando eu não podia falar
Você foi meus olhos quando eu não podia ver
Você enxergou o melhor que havia em mim
Me ergueu quando eu não conseguia alcançar
Você me deu fé, porque você acreditou
Eu sou tudo o que sou, porque você me amou
O amor verdadeiro jamais tem fim. No entanto, ele só dura para aqueles que souberam aprecia-lo.
Nem mesmo o melhor vidente pode decifrar os mistérios da vida e fora da vida.
Não há etinia, regras, raça, cor ou sexualidade para o amor.
Ele simplismente chega, ele simplismente vai — Minha autoria
...
Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes
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