Notas iniciais
Espero que gostem de coração!

“Como no palco o ator que é imperfeito
Faz mal o seu papel só por temor,
Ou quem, por ter repleto de ódio o peito
Vê o coração quebrar-se num tremor,

Em mim, por timidez, fica omitido
O rito mais solene da paixão;
E o meu amor eu vejo enfraquecido,
Vergado pela própria dimensão.

Seja meu livro então minha eloqüência,
Arauto mudo do que diz meu peito,
Que implora amor e busca recompensa

Mais que a língua que mais o tenha feito.
Saiba ler o que escreve o amor calado:
Ouvir com os olhos é do amor o fado”.

William Shakespeare

...

Cá estamos nós. Emma e eu. Deitadas na areia úmida da praia. Literalmente exaustas.

Ás nove em ponto Emma já estava a minha espera em seu carro preto. Quando saí não fui vista por ninguém em casa, o que agradeci aos céus.

Eu estava radiante, e ela também. Ela vestia calças jeans escuras e rasgadas nos joelhos, camiseta branca e um tênis. Já eu estava de shorts acima dos joelhos, camiseta preta de mangas e tênis.

Emma disse que não programou nada extravagante. E foi assim realmente.

Eu amava a praia e ela também.

Fizemos uma longa caminhada pela praia, era uma noite bonita, o céu estava estrelado. Os olhos dela brilhavam como esmeraldas a luz da lua.

Em um certo ponto de caminhada, conversas e risadas avistamos o local que ela pretendia me levar. Um luau. Estava tudo muito bonito, uma fogueira grande e flamejante no centro, pessoas cantando a dançando ao seu redor e um clima harmônico. Algumas das pessoas já conheciam e quando nos aproximamos, nos trataram muito bem. Emma e eu sentamos próximas a enorme fogueira, conversamos, rimos e bebemos. Houve uma hora, em que me puxou pela mão e começamos a dançar como loucas. Pulamos e rodamos, gritamos, cantamos. Foi libertador.

Nunca havia me divertido tanto e com tão pouco. Não havia outro lugar que eu quisesse estar que não fosse ali, com Emma Swan.

Ela sorria o tempo todo, o que me fazia sorrir também.

Não estávamos embriagadas, pelo contrário, estávamos bem sóbrias.

Quando enfim paramos de dançar e pular em volta da fogueira, nos despedimos das generosas pessoas do luau e voltamos a caminhar. Os assuntos fluíam naturalmente, as piadas infantis que ela contava me faziam rir a beça. Estavamos exaustas, nos deitamos sobre a areia da praia e permanecemos até agora.

– Regina? – Emma me chamou de repente quando o silêncio finalmente se fez presente entre nós.

– Sim?

– O que acha de entrarmos no mar?

– A água deve estar gelada Emma. E está tarde.

Emma com certa dificuldade se pôs de pé estendeu a mão a mim. Sabia que ela não desistira tão fácil, na verdade ela não desistiria. Segurei em sua mão, tomei impulso e me levantei rapidamente. Corremos gargalhando até o mar, a água não estava tão gelada. Brincamos pela água, pulamos ondas pequenas e rimos. Aquela noite rimos muito, como verdadeiras insanas.

Se você estiver se sentindo sozinha
Se você estiver se sentindo para baixo
Você deve saber que você não é a única
Porque eu sinto isso com você agora
Quando o mundo está sobre seus ombros
E você está caindo de joelhos
Oh por favor
Você sabe que o amor vai te libertar

...

– Vamos até meu carro, irei leva-la até em casa – Emma disse.

Caminhamos pela areia até onde ela havia estacionado o carro. Nós estávamos ensopadas, mais não fazia diferença.

O caminho de volta até minha casa foi curto e logo já estávamos em frente a casa.

– Espero que tenha gostado senhorita, não foi nada demais eu sei. Mais foi de coração.

– Adorei cada minuto Emma, foi incrível.

As bochechas dela ficaram rubras e ela agradeceu. Me inclinei para poder beija-la no rosto, um beijo demorado. Como sua pele era macia.

– Até amanhã na escola Regina!

– Até Swan.

Ela sorriu, eu sorri.

Saí do carro, olhei pela última vez para trás e Emma ainda estava lá. Ela só saiu com o carro depois que entrei em casa, escutei o motor sendo ligado.

Em passadas curtas e silenciosas segui até meu quarto. Tamanho foi o susto que levei ao ver minha irmã, Zelena, sentada sobre minha cama, com as sobrancelhas erguidas e um olhar de interrogatório.

– Quem era a loira, Regina?

– Ela é do colégio Zel. Não conte para nossa mãe, por favor!

– Aonde foram?

– A praia

Zelena levantou-se e caminhou até a janela do quarto, pensativa. Meus nervos já estavam completamente alterados.

– Você gosta dela? – disse encarando-me com seus olhos azuis.

– Ela é legal...

– Não me refiro a ser legal Regina. Você gosta dela como mulher, você a deseja?

As perguntas dela foram certeiras, como um tiro no escuro que me atingiu em cheio. Abaixei o olhar para o chão confusa e atordoada.

– Eu.. eu. Acabei de conhece-la, como faz está pergunta?

– Me desculpe eu só me importo com você. Embora não pareça – se aproximou e segurou minhas mãos – Amo você irmã, e não se preocupe, nossos pais não saberão — acrescentou.

– Obrigada – foi tudo que consegui dizer naquele momento.

Ela se afastou e seguiu até a porta do quarto, girou a maçaneta mais antes de sair disse:

– Seja lá quem ela for, ou que esteja sentindo, saiba que sempre a apoiarei. Não ligue para o que as pessoas, nossa mãe pense ou diga. Você é forte Regina, e me orgulho de você. Não se prive mais do mundo como vem fazendo. VOCÊ É FORTE! – e saiu do quarto.

Eu fiz uma longa e solitária caminhada até uma casa vazia
Lá é de onde eu venho
De onde você vem?
Quanto mais eu vivo, mais eu sei, eu tenho que viver sem
Isso não é nenhuma canção triste
A vida tem que continuar

...

Você sabe que o amor vai te libertar
Você sabe que o amor vai te libertar
Você sabe que o amor vai te libertar

...

Na manhã seguinte minha cabeça doía como nunca. Mil pensamentos rondavam minha cabeça confusa

“ Eu gostava de Emma?”

Eu não podia podia nutrir sentimentos por ela, ela poderia não corresponder, nós mal nos conhecíamos, e não queria de forma me ferir novamente.

Com os pensamentos ainda atordoados segui para o café da manhã. Tudo como sempre. A não ser por minha irmã que me olhava intensamente a todo instante. Como sempre, tomei apenas uma xicara generosa de café preto e segui a pé para o colégio.

Quando cheguei próxima da entrada avistei Emma, sentada com uma garota a seu lado. Parei para observa-las durante algum tempo. E cheguei a tempo de ver a pior cena possível, a garota tinha uma aliança de compromisso em seu dedo, entralaçou sua mão junto as de Emma. A garota de cabelos ruivos se inclinou e beijou o rosto de Emma demoradamente.

Não entendi exatamente o que senti, fora apenas uma dor aguda no peito. Meus olhos arderam e então me afastei da entrada do colégio. Fiquei encostada a uma árvore do outro lado da rua, puxei o ar com força para os pulmões e o soltei com pesar.

E era exatamente por isso que não podia gostar de Emma Swan, no entanto, acho que já era tarde demais.

Se você estiver se sentindo sozinha
Se você estiver se sentindo para baixo
Você deve saber que você não é a única
Porque eu sinto isso com você agora
Quando o mundo está sobre seus ombros
E você está caindo de joelhos
Oh por favor
Você sabe que o amor vai te libertar
O amor vai te libertar

...

Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio.

William Shakespeare

Notas finais
Música tema do capítulo: Love Will Set You Free versão do Kodaline.