Lágrimas de verão
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Para Viver um Grande Amor
É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.
Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,
Por amores do passado que foram em vão
É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.
É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!
É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!
É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor...
Para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,
Aparando as arestas que podem machucar.
É como lapidar um diamante bruto...para fazê-lo brilhar!
E quando decidir que chegou a sua hora de amar,
Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!
De gostos, de gestos, de pele...
No modo de sentir e de pensar!
É preciso ver a luz iluminar a aura,
Dando uma chance para que o amor te encontre
Na suavidade morna de uma noite calma...
É preciso se entregar de corpo e alma!
É preciso ter dentro do coração um sonho
Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!
É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!
É preciso conquistar e se deixar seduzir...
Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!
Amar com emoção para se saber sentir
A sensação do momento em que o amor te devora!
E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,
Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!
Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado
De todos os caminhos de sua vida trilhados!
Mas se assim não for...
Que nunca te arrependas pelo amor dado!
Faz parte da vida arriscar-se por um sonho...
Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!
Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.
Ele se chama TEMPO... seu melhor amigo.
Só ele pode dar todas as certezas do amanhã...
A certeza que... realmente você amou.
A certeza que... realmente você foi amada."
Carlos Drummond de Andrade
...
Depois do incidente na entrada do colégio, segui até minha sala.
As horas que se passaram podem ser resumidas em aulas longas e entediantes. Não vi Emma durante o intervalo das aulas. Quando enfim terminou a última aula, segui até a biblioteca, como a maioria das vezes fazia. Passei pela entrada e segui até o balcão onde a bibliotecaria era uma mulher ruiva, na faixa dos vinte e poucos anos, simpática me cumprimentou.
– Como anda a vida Regina? — deu a volta pelo balcão vindo até mim em passadas rápidas, tocou em meus ombros e os apertou levemente sorrindo.
– Como sempre Mel, e a sua, como vai?
– Conheci uma pessoa – disse empolgada.
– Pois bem, me conte.
Seguimos até uma mesa perto das prateleiras de livros e desenvolvemos uma conversa agradável. Quando eu me sentia sozinha, o que sempre acontecia. Eu vinha até a biblioteca ler alguns livros e com o passar do tempo desenvolvi certa amizade com Melissa, a bibliotecaria. Conversavamos, sobre tudo, inclusive sobre nossas vidas frustadas algumas vezes. Era um passatempo agridoce.
Depois de certo tempo de conversa, Melissa tinha de voltar a seus afazeres e eu segui até as prateleiras a procura de algum livro que me interessasse. Passeava com os dedos as capas dos livros até um lhe chamar a atenção.
*Dançando sobre cacos de vidro, Ka Hancock.
Lucy Houston e Mickey Chandler não deveriam se apaixonar. Os dois sofrem de doenças genéticas: Lucy tem um histórico familiar de câncer de mama muito agressivo e Mickey, um grave transtorno bipolar. No entanto, quando seus caminhos se cruzam, é impossível negar a atração entre eles. Contrariando toda a lógica que indicava que sua história não teria futuro, eles se casam e firmam – por escrito – um compromisso para fazer o relacionamento dar certo. Mickey promete tomar os remédios. Lucy promete não culpá-lo pelas coisas que ele não pode controlar. Mickey será sempre honesto. Lucy será paciente. Como em qualquer relação, eles têm dias bons e dias ruins – alguns terríveis. Depois que Lucy quase perde uma batalha contra o câncer, eles criam mais uma regra: nunca terão filhos, para não passar adiante sua herança genética. Porém, em seu 11° aniversário de casamento, durante uma consulta de rotina, Lucy é surpreendida com uma notícia extraordinária, quase um milagre, que vai mudar tudo o que ela e Mickey haviam planejado. De uma hora para outra todas as regras são jogadas pela janela e eles terão que redescobrir o verdadeiro significado do amor. Dançando sobre cacos de vidro é a história de um amor inspirador que supera todos os obstáculos para se tornar possível*
Segurei o livro entre os dedos da mão direita e continuei andando pelo extenso corredor. Logo avistei uma figura loira caminhando em minha direção, Emma. Era quem eu menos queria ver.
– Regina! – se aproximou sorrindo. “ Aquele sorriso seria capaz de por fim a guerras e curar o câncer – O teorema de Katherine”
– E-Emma
E eu desistiria da eternidade para tocá-la
Pois sei que você me sente de alguma forma
Você é o mais próximo do paraíso que chegarei
E eu não quero ir para casa agora
– Não te vi hoje, por onde andou? Além da biblioteca claro.
E então me lembrei do ocorrido mais cedo. Me lembrei de meus questionamentos, de possíveis sentimentos.
– Emma eu não acho que devemos nos falar mais.
Emma entortou os lábios em descrença.
– Porque acha isso?
– Talvez sua namorada não venha gostar...- dei alguns passos para frente desviando de sua direção. Ela segurou meu braço e olhou-me intensamente.
E tudo que eu posso sentir é este momento
E tudo que eu posso respirar é sua vida
Porque mais cedo ou mais tarde isso acabará
E eu não quero sentir sua falta esta noite
E eu não quero que o mundo me veja
E eu não quero que o mundo me veja
Porque não creio que eles entenderiam
Quando tudo estiver destruído
Eu só quero que você saiba quem eu sou
– Como é? Não tenho namorada alguma. Como chegou a está conclusão?
Como ela não tinha? Me senti completamente idiota naquele momento.
– E-eu vi você e uma garota hoje mais cedo, e vocês pareciam intimas e ela até usava uma aliança.
Emma riu ligeiramente.
– Regina sua boba. Aquela era Aurora, uma grande amiga, quase como uma irmã. Ela namora meu irmão
Engoli em seco. Como cheguei a ter conclusões tão precipitadas? Vergonhoso. Mesmo assim deveria me manter afastada de Emma, estava atordoada com sentimentos inexplicáveis, não queria me iludir por mais uma vez.
– Bom, mesmo assim ... devemos nos manter afastadas.
Emma olhou-me dos pés a cabeça, como se tentasse entender o que estava acontecendo ali.
– Creio que devo ser sincera com você Regina, antes que queira se afastar de mim. Não sei você, mais eu sinto coisas completamente distintas por você. Nunca pensei tanto em alguém como penso em você. E tudo o que eu quero agora é estar com você – suspirou – Só não sei se suportarei ver você ir se afastar, virar as costas e ir embora. Nunca quis tanto alguém como quero você. Não é desejo carnal, vem da alma – pegou em minha mão e levou até seu peito – Vem do coração, veja como ele bate freneticamente por você , só por você senhorita – sorriu.
E não dá para lutar contra lágrimas que não vêm
Ou o momento da verdade em suas mentiras
Quando tudo parece como nos filmes
Sim, você sangra apenas para saber que está vivo
E eu não quero que o mundo me veja
Porque não creio que eles entenderiam
Quando tudo estiver destruído
Eu só quero que você saiba quem eu sou
E o meu coração, assim como o de Emma, batia freneticamente. Nunca havia sentido algo parecido, no fundo eu sabia, desde o primeiro momento, eu sabia que era Emma, desde o primeiro instante em que nos vimos. Existem várias opções que poderia escolher agora, dar as costas a tudo que ela havia dito e simplesmente ir embora e me isolar em uma depressão profunda, ou por uma vez na vida me arriscar.
Me apaixonei pelas órbitas verdes como esmeraldas e o sorriso de uma estranha, desde o primeiro contato.
Eu só quero que você saiba quem eu sou
Eu só quero que você saiba quem eu sou
Eu só quero que você saiba quem eu sou
...
"Agora sei a diferença entre tristeza e depressão. A depressão clínica não tem uma origem – simplesmente existe. A tristeza intratável não tem nada a ver com sinapses, química cerebral ou nutrientes essenciais; ela é fruto de algo. É o produto da injustiça e da impotência. Pode ser anestesiada, suponho, mas depois que o efeito da medicação passa, fica ali, inalterada, como um intruso que invadiu nossa casa e continua nela, manhã após manhã, ao acordarmos. Se pudesse escolher, eu preferiria estar deprimido. Da depressão já voltei.- resenha de dançando sobre cacos de vidro”
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