Notas iniciais
Oi, pessoal! Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer pela visualização da história e, uma vez tendo feito isso, vou falar um pouco sobre ela.
Um dos aspectos mais interessantes do Batman - e dos super heróis de uma maneira em geral - é a sua galeria de incríveis vilões. O Batman, talvez mais do que qualquer outro, tem a sorte - ou azar - de ter uma das melhores galerias de vilões de todos os tempos. Vilões como o Coringa, Espantalho, Crocodilo marcaram e ainda marcam a memória dos fãs do personagem - e são o sonho de criação de muitos escritores por esse mundo afora. No entanto, por estarem em um espaço extremamente restrito, alguns desses personagens terminam por não receber uma boa abordagem, sendo relegados à uma categoria secundária e mal aproveitada de vilões.
É por isso que eu vos trago esta fanfic.
Meu objetivo aqui é criar uma boa história com um dos personagens mais emblemáticos e pouco aproveitados da galeria de vilões do Morcego e, dependendo do resultado obtido nesta primeira incursão, um dia espero poder fazer o mesmo com outros vilões.

No mais, obrigado por terem tido a paciência de ler até aqui e, sinceramente, uma boa leitura!

Atenciosamente,
O Humilde Autor desta História.

" Este lugar desumano cria monstros humanos."

Stephen King — O Ilumiando

O Senhor Edward Jones, mercador ambulante, caminha nervosamente de um lado para o outro da pequena e suja sala de sua casa. Em suas mãos trêmulas se encontra o quinto cigarro fumado em menos de uma hora. Os gritos de dor de sua esposa, vindos do quarto e entrecortados pelos gritos de "Empurre! Empurre!" da velha parteira , não o ajudam a tranquilizar sua alma. Ele sabe que essa não é a melhor maneira de dar a luz à uma criança, mas é a única que sua condição financeira permite.

Os negócios não tem sido bons para o velho Edward. É bem verdade que eles nunca foram bons, mas agora parecia que a sorte queria lhe dar o golpe de misericórdia. Como se não bastasse a falência da firma para a qual ele trabalhava e o fato de a cidade onde eles moravam não era o que se podia chamar de berço de oportunidades, de modo que ele tivera que se contentar com pequenos bicos aqui e acolá que mal davam para colocar a comida na mesa, havia a questão do pequeno Waylon, uma boca à menos para alimentar.

Mas ao ver a felicidade nos olhos de Clara ao falar do bebê, das alegrias de finalmente se ver mãe, esse último detalhe nem era sentido. De fato, Edward começava a se sentir feliz e orgulhoso por ter um filho. Sua primeira providencia fora chamá-lo de Waylon, o nome de seu pai.

- Ele foi um grande homem, assim como eu sei que o nosso filho vai ser um dia!

Um horrível grito de dor fez Edward sentir calafrios na espinha. Ele correu para a porta, perguntou o que estava acontecendo, mas não obteve resposta. Apenas outro grito de dor lancinante, acompanhado por uma exortação da parteira.

- Tá quase saindo! Ele tá quase saindo!

Ele está vindo! Waylon estava vindo! Edward mal pode conter sua emoção ao saber que, dentro de poucos segundos, seu primeiro filho viria ao mundo.

Mais um grito de dor e agonia e depois, um silêncio sepulcral.

Desesperado, o mercador cola seu ouvido na porta e ouve uma respiração fraca e agonizante e o que lhe pareceu o som de um grito sendo abafado. Ele não entende o porquê, e essa ignorância o incomoda. Ele bate na porta, cada vez mais forte, até que, depois de um tempo, a velha parteira — trêmula e branca como um fantasma, abre a porta e lhe oferece o embrulho que tem em mãos, mas Edward não a vê. Sua prioridade é a esposa e ele corre para a cama onde ele vai encontrar o corpo de Clara.

Ele se ajoelha diante do leito e segura a mão direita dela entre as suas. Ela está tão fria, tão cansada...

- Ela num vai aguentar, sinhó. O esforço foi demai pra ela. O menino lutou muito pra saí e era grande demai pra ela!

- Não, ela vai viver. Ela não vai morrer!

- Sinto muito, sinhó, mas ela não vai aguentar muito....

As lágrimas quentes escorrem pela fase do mercador. Ele não quer acreditar, mas sabe que a velha parteira está certa. Sua amada esposa não vai durar muito tempo. Ele segura suas mãos com mais força e ela lhe lança um último olhar tenro de amor e dor.

Em seus lábios parecem se formar a palavra "Waylon" e após o seu último suspiro, o recém nascido começa a chorar em um tom mais forte do que o esperado para um bebê.

Trêmulo de dor e raiva, Edward se levanta e saí do quarto. A parteira uma vez mais lhe oferece o bebê, mas ele parece não ver nada. Ele se guia as cegas até o pequeno e carcomido sofá da sala e se joga ali, onde chora lágrimas amargas.

- Pelo meno o sinhó ainda tem a criança.

Sim! A criança! Como ele pôde esquecer daquele ser abençoado? Aquele ser que era o legado derradeiro de Clara. Em um extâse desesperado e insano, Edward toma a criança em seus braços. Ele estranha o peso da criança, mas o ajeita em seus braços. Uma vez lá, ele retira o pano que cobria parte do rosto de Waylon.

E então, seus gritos de terror ecoam noite adentro.