Luz dos meus olhos
12 Capítulo 12
Notas iniciais
“Porra, eu estraguei tudo! Porque ela não fala nada? Merda, Marina, dá um jeito de consertar isso!” A fotógrafa olhava apreensiva para a mulher à sua frente, que permanecia calada, a expressão indecifrável. Por fim, baixou os olhos e entregou os pontos, brincando com a ponta dos cabelos da amada:
– Clarinha, sabe – falava baixo, quase encabulada – eu sonho em ficar com você, em fazer amor com você faz tempo. É só que – cobriu o rosto com as mãos, deixou escapar uma risadinha nervosa – pode parecer careta, mas eu sempre pensei – segurou as mãos da namorada enquanto inspirava profundamente – sabe, eu sempre pensei que esse momento tinha que ser especial, sabe. Tipo um cenário lindo, preparado só pra nós duas, não... Não assim, num sofá... – “Ai, caralho, falei merda outra vez! Marina, ela tá dormindo nesse sofá por sua causa! Cala essa boca!” – Desculpa! Desculpa, eu sei, você dorme aqui e...
– Shiiii – Clara pousou um dedo em sua boca, fazendo-a calar – Não tem que pedir desculpa – segurou o rosto da fotógrafa, fazendo com que olhasse em seus olhos – Eu entendo quando você diz que quer algo especial. Mesmo – sorriu e ofereceu os lábios para um beijo. Marina a envolveu num abraço e a beijou, delicadamente, antes de tomar coragem e sugerir:
– A gente podia ir lá pra casa...
– Me dá só um minuto? – Clara pediu, com aquele sorriso brejeiro que ela amava. Um sorriso tão maroto que os olhos pareciam rir junto. Fez que sim com a cabeça e viu Clara desaparecer no corredor escuro.
A assistente caminhou até o quarto com o coração aos pulos, sentindo-se uma adolescente. Conferiu se estava tudo como planejado. Acendeu as luzes e ligou a música, num volume baixo, suave. Tudo estava como planejado. O champanhe no balde de gelo tinha sido deixado pela sobrinha, de quem herdara o quarto, pouco antes de chegarem ali. Sorriu com a garrafa gelada nas mãos. Ainda sabia abrir um champanhe sem fazer barulho.
Quando voltou para a sala, Marina estava de costas, olhando pela janela. Em silêncio, aproximou-se e cobriu-lhe os olhos com uma das mãos, depositando um beijo em seu ombro.
– Tenho que te mostrar uma coisa – falou em seu ouvido, enquanto a fazia girar, colocando-se atrás dela.
– Posso saber o que é? Cadê?
– Isso é surpresa. Não vale olhar – sussurrou, guiando a jovem pelo corredor.
Marina se deixou conduzir. Não sabia o que esperar e sentiu um adorável frio na barriga quando começou a ouvir a música que uma vez dançara com a namorada, quando sequer tinham trocado um único beijo.
– Clarinha, o que você tá aprontando?
– Prontinho, chegamos! Mas não vale olhar ainda! – Marina sentiu um beijo delicado no rosto e ouviu o pedido – Por favor, não abra os olhos!
Esperou, ansiosa. Desde sempre, absorvera o mundo pelos olhos, pela luz. A fotografia condicionara seu cérebro à necessidade de olhar tudo à sua volta. Aos poucos, deixou que os outros sentidos assumissem o controle. Absorveu a música e deixou o aroma suave, que lembrava canela, tomar conta de si. E então sentiu Clara colando o corpo às suas costas e pedindo que abrisse os olhos.
Quase não acreditou no que viu. Nunca imaginou que seria surpreendida daquela forma. Do rodapé, ao longo de todas as paredes, pequenas luzes oscilavam em várias direções, rumo ao teto, variando em tonalidades de amarelo e laranja, enquanto no centro do quarto a cama tinha lençóis vermelhos cobertos por pétalas brancas e amarelas. As luzes pareciam ter trazido o pôr do sol para dentro daquele espaço. Atrás dela, com o rosto apoiado em seu ombro, Clara lhe estendia uma taça.
Pegou a taça e virou-se para ela, surpresa.
– Champanhe?
– O seu preferido – ela respondeu num sussurro – Agora só falta brindar. Você faz o brinde?
– Hum, deixa ver – Marina fingiu suspense. Na verdade, tinha perdido a capacidade de formar as frases diante da surpresa – Só consigo pensar em fazer um brinde pra minha namorada bandida, linda... Um brinde ao amor que a gente sente!
Beberam sem que seus olhos se separassem. E sem uma única palavra, colaram seus corpos e começaram a dançar, como se não houvesse nada nem ninguém mais no mundo. Marina mergulhou o rosto nos cabelos de Clara e assim elas dançaram por longos minutos.
– Que linda essa surpresa. Me enganou direitinho, Coisinha! Me chamando pra um café...
– Eu só queria fazer desse momento algo especial pra gente – fez uma careta, revirando os olhos – Morri de medo de você me achar careta demais.
– Nunca! – Marina a encarou, com uma lágrima de felicidade fugindo do olho direito – Adoro esse jeito carinhoso que você tem. Adoro você, Clara.
Em meio ao beijo que se seguiu, chegaram até a cama, quase trombando nela. Clara se jogou de costas, rindo. Estendeu a mão, chamando Marina, que subiu por cima dela, e a beijou, mantendo-se apoiada nos braços e joelhos, para em seguida recuar para fora da cama e erguer uma das pernas da assistente, pelo joelho, onde depositou um beijo, por sobre a calça. Sempre olhando para a mulher deitada à sua frente, abriu o zíper da bota que ela usava e deixou que o calçado caísse no chão, fazendo o mesmo com a outra perna. Voltou a avançar sobre ela, agora distribuindo beijos em seus ombros e no pescoço, encaixando-se entre suas pernas. Perdeu o ar quando Clara a puxou pela cintura, fazendo com que desabasse sobre seu corpo, para em seguida envolver seu quadril com as pernas, fazendo com que ficasse refém do calor que emanava do corpo da assistente e atravessava as roupas, queimando sua pele. Sabia que o tesão não lhe permitiria desabotoar a camisa da namorada, sabia que se atrapalharia. Sem pensar duas vezes, passou as mãos para dentro da camisa, tocando a pele arrepiada da cintura e acariciou o corpo que tanto desejava. Subiu as mãos pelo corpo da namorada, levando a camisa junto e logo a peça foi arremessada ao chão. Sentiu o coração falhando em batidas aceleradas ao observar aquele corpo definido, os seios cobertos pela delicada renda coral, que realçava ainda mais o bronze dourado da pele. Mordeu o lábio inferior enquanto a observava.
Clara observava o rosto da fotógrafa e sentia que a pulsação entre suas pernas só fazia aumentar. Descruzou as pernas que mantinha no quadril dela e, roçando as unhas em suas coxas, puxou o vestido para cima. Quando chegou à cintura, Marina se encarregou de tirá-lo de uma vez. A visão do corpo de Marina arrancou um suspiro de surpresa de Clara, que a segurou pela cintura e impulsionou o corpo, girando e colocando-se por cima dela. Os seios pequenos, completamente excitados, estavam nus. O corpo magro, de pele branca e macia estava coberto agora apenas por uma singela calcinha preta.
Não conseguiu falar nada, apenas deixou que o desejo a arrebatasse. Inclinou o corpo para a frente e beijou-lhe o queixo, os lábios, o pescoço. Sentiu as mãos da jovem tentando abrir os botões de sua calça.
– Quer ajuda? – perguntou antes de começar a brincar com os lábios no lóbulo de sua orelha. Sem parar o que estava fazendo, sorriu ao perceber que a fotógrafa perdera o controle das próprias mãos. Aquele era o seu ponto fraco e Clara sabia bem disso. Levou as mãos onde antes estavam as de Marina e abriu os botões, apressada.
– Clarinha... Tira, por favor! Eu quero te ver...
Deixou seu corpo cair sobre o de Marina, e usou as mãos para deslizar as calças, ficando só de lingerie. Marina escorregou as mãos em sua cintura, até chegar às nádegas, dando vários apertões, brincando com os polegares sob a renda da calcinha. Sem conseguir esperar mais, Clara tirou o próprio soutien, e puxou as mãos da namorada para os seus seios. Quando sentiu que ela enchia as mãos com sua carne, provocando os mamilos rígidos com os polegares, quase esqueceu como se fazia para respirar. Segurando a nuca da fotógrafa, puxou-a consigo para cima e, sentada em sem colo, viu quando ela mordeu o lábio inferior, faminta, antes de tomar um de seus seios na boca. Deixou a cabeça pender para trás e gemeu, enquanto a língua úmida e quente percorria a pele sensível e provocava o mamilo. Marina mordeu, sugou, lambeu cada um dos seios dela, sempre usando a mão para provocar o outro na mesma medida.
Clara tinha a respiração pesada. O peito subia e descia, os músculos do abdômen se contraiam, o corpo arqueava em direção à boca de Marina, num turbilhão de excitação que ela não se lembrava de ter sentido um dia. Gemeu e a jovem gemeu junto com ela. Sentiu que o desejo começava a guiar seus gestos e não tentou impedir. Simplesmente deixou os impulsos e o tesão assumirem o controle. Tinha as mãos enroscadas nos cabelos da namorada e, com carinho, afastou-a de seus seios e fez com que olhasse em seus olhos.
– Eu quero te descobrir, Marina. Quero te sentir, sentir o seu corpo.
Marina estremeceu e sentiu seu sexo latejar, encharcando de vez o tecido que o cobria. Clara falava com a voz rouca, onde era possível sentir um desejo profundo, urgente. Não responder nada, tamanha a surpresa diante daquele pedido, que mais parecia uma ordem. Acenou afirmativamente com a cabeça, sem tirar os olhos dos dela, hipnotizada e deixou que Clara a conduzisse para cima dos travesseiros e baixasse seu corpo lentamente.
A assistente parou para observar a mulher à sua frente. Ficou feliz por ter deixado mais travesseiros e almofadas sobre a cama. Marina tinha o corpo reclinado de forma confortável e a olhava intensamente, ofegante. Clara se inclinou sobre ela e a beijou de forma intensa, descendo pelo queixo e pelo pescoço. Sentiu que ambas tremiam quando envolveu os seios dela com os dedos.
Clara apertou os seios de Marina, sem deixar de olhar em seus olhos. Começou a brincar com os bicos endurecidos, traçando círculos ao redor deles com os polegares. Quando a fotografa gemeu e fechou os olhos, soube que estava no caminho certo. Abaixou-se e tomou um dos seios para si – “Bom, muito bom. Cara, seus seios são lindos, macios... E tem o tamanho certo pra minha boca... Preciso acha um jeito de te dizer isso...” Sim, ela queria dizer. Mas não queria afastar a boca de onde estava. A não ser para abocanhar o outro seio. Envolveu o seio todo e, tensionando a língua, fez movimentos rápidos pelo mamilo, subindo e descendo, pressionando aquele biquinho endurecido contra seus dentes, enquanto pressionava o outro entre seus dedos, fazendo Marina gemer e chamar por seu nome.
Afastou-se e olhou para ela, sem deixar de acariciar a pele arrepiada. Marina tinha os lábios entreabertos e o rosto afogueado, denunciando a excitação que sentia com os carinhos que recebia. Clara inclinou-se outra vez, dessa vez sobre sua barriga, passeando ali seus lábios e língua, deixando um rastro molhado por onde passava. Desceu as mãos pelas laterais daquele corpo magro, as unhas roçando levemente a pele, apertando como se temesse que a jovem desaparecesse de entre as suas mãos.
Marina colocou suas mãos sobre as dela e fez com que continuasse descendo, até chegar à calcinha, onde as soltou, deixando que Clara decidisse o que fazer. E vibrou quando sentiu que ela puxava a peça pelas suas pernas, deixando-a totalmente nua. Exceto pelos sapatos, cujas tiras Clara agora soltava de um jeito que não poderia ser mais sensual. Marina abriu os olhos e a encarou. Sustentando o olhar, a assistente voltou a subir pelo corpo delicado, distribuindo beijos, até alcançar-lhe a boca. Dessa vez o beijo foi faminto, furioso. As línguas se acariciavam, se enroscavam e se fundiam. Clara mordeu o lábio inferior de Marina, prendendo-o entre os dentes, e brincou com ele da mesma forma que costumava fazer no lóbulo da orelha, passando a língua para cima e para baixo, sem intervalo, ao mesmo tempo em que sua mão, como se tivesse vida própria, desceu até o sexo da fotógrafa e começou a acariciar, exigente, aquela intimidade absolutamente molhada. Gemeu junto com ela e soltou-lhe o lábio, voltando a atenção de sua boca para o pescoço branco e delicado.
Clara sentia prazer em tocar o sexo de Marina e ouvi-la gemer. Queria agora dar prazer, fazer aquela mulher gozar. Sabia o quanto ela tinha esperado, o quanto tinha desejado aquele momento antes mesmo que ela, Clara, percebesse que era desejada. E sabia, das conversas com Flávia, que a namorada há tempos se guardava para aquele momento. Queria fazê-la gozar, queria proporcionar um prazer intenso, queria compensá-la pela espera e fazer valer toda a paciência que tivera para conquistá-la.
Deixou sua mão escorregar mais pelo sexo de Marina, chegando à pequena entrada. Hesitou, sem saber se devia seguir ou não. Ergueu o rosto, olhando para a jovem. Marina, por sua vez, quando sentiu a breve parada dos movimentos, abriu os olhos e se viu mergulhada na imensidão castanha que eram os olhos de Clara. Soube que ela queria permissão para seguir e colocou sua mão sobre a dela, sem dizer uma única palavra.
A assistente não poderia dizer se Marina empurrou seus dedos ou se jogou o corpo contra eles. Apenas se deu conta de que a penetrava com dois dedos e começou a estocar seu sexo, aumentando o ritmo aos poucos, sem deixar de olhar para o seu rosto. Sentiu que ela começava a rebolar e levantar o quadril contra os seus dedos e achou que iria enlouquecer de desejo. Intensificou o movimento, os dedos entrando e saindo rapidamente, e voltou a sugar um dos seios. Manteve os olhos abertos, a expressão de prazer da fotógrafa a hipnotizava.
Marina jogava os quadris contra os dedos da assistente, rebolando, gemendo. Sentiu que estava sendo observada e abriu os olhos outra vez. Uma força incontrolável apoderou-se de seu sexo, subindo para a barriga e espalhando-se pelo corpo todo. Sem nenhum controle dos seus atos, cravou as unhas nas costas de Clara enquanto puxava seus cabelos e a trazia para um beijo. Perdeu-se em espasmos antes de alcançar-lhe a boa e abafou o grito de prazer mordendo-lhe o ombro, deixando que o quarto fosse preenchido pelo som dos gemidos e da respiração entrecortada.
Fale com o autor