Notas iniciais
Sem notas sobre a fic, pq eu tô aqui surtando com os spoilers casamento/noite de núpcias!

Marina sentia que Clara estava diferente. Mais solta, mais confiante, ela já não ficava tensa quando as coisas esquentavam entre elas. É fato que desde o dia em que invadira seu quarto, toda ofegante, para se declarar, Clara nunca se esquivara dos seus toques, suas carícias. Porém, até poucos dias, sempre que Marina ousava um pouco mais podia sentir a tensão nos músculos e na respiração dela. Estava adorando a mudança. Clara por vezes era a responsável pelas carícias mais ousadas.

Com os olhos fechados, afundou mais um pouco na água morna da banheira, sorrindo. Reviveu a manhã que tinham passado juntas. Com o trabalho em dia e sem fotos marcadas, Gisele tinha tirado o dia de folga e Vanessa tinha saído para resolver pendências bancárias junto com Flavinha. Ela e Clara tinham se dedicado a atualizar o portfólio da fotógrafa. Isso até Marina dizer que estava com sede e Clara se oferecer para buscar algo para beber.

Clara voltou e parou atrás de sua cadeira, colocando uma mão sobre seu ombro e estendendo o copo de chá gelado do outro lado. Marina agradeceu e bebeu um gole. Quando pousou o copo na mesa sentiu os lábios dela em seu pescoço. A mão que estava em seu ombro desceu lentamente em direção ao seu colo e a que tinha lhe entregado o copo agora estava em sua cintura, onde Clara deslizava as pontas dos dedos, subindo e descendo, provocando arrepios deliciosos. Permitiu-se apenas receber as carícias, sentindo os lábios macios deslizando em sua pele, primeiro para baixo e em seguida subindo de volta. Clara subiu lentamente, beijando, chupando e às vezes lambendo de forma provocante, até chegar à sua orelha. Provocou, usando a língua para traçar o seu contorno e deixando escapar um pequeno gemido. Marina gemeu também, quando sentiu que os lábios dela envolviam o lóbulo de sua orelha, segurando-o para que a língua o acariciasse. Sentiu a respiração falhar e, por reflexo, fechou as pernas numa tentativa de conter a pulsação entre elas, disparada por aquela carícia. “Caralho, será que ela já notou que esse é meu ponto fraco?” Sem conseguir mais se conter, levou a mão aos cabelos de Clara e inclinou a cabeça para trás, oferecendo os lábios, como em um apelo silencioso que foi prontamente atendido. Mantendo os lábios colados aos dela, usou a mão livre para afastar a cadeira da mesa, virando-se de frente para a mulher que a acariciava e a puxou para o seu colo.

Com a assistente sentada de lado, Marina assumiu o controle da situação. Com uma mão apoiada na cintura dela, usava a outra para percorrer a pele bronzeada das pernas, dos joelhos até a barra do short jeans. Com a língua, seguiu o contorno dos seus lábios, parando para pressionar a curva sob o lábio inferior, fazendo com que ela soltasse um pequeno gemido e permitisse que Marina invadisse sua boca, ocupando cada pequeno espaço, tomando-lhe a língua e o ar. Clara tinha uma das mãos na nuca da fotógrafa e a outra em seus cabelos, como que para impedi-la de afastar-se do beijo.

Separaram as boas quando já não tinham mais fôlego algum e a assistente voltou seus beijos à pele branca e delicada do pescoço da fotógrafa, provocando novos arrepios enquanto seguia em direção à orelha, onde sussurrou:

– Já falei o quanto você tá linda hoje? – e pôs o lóbulo da orelha da jovem entre os lábios, passando a língua nele, em movimentos lentos e constantes.

– Clarinha... Marina suspirou e não conseguiu formar uma frase. Levou a mão ao decote de Clara, escorregando para dentro da camisa que ela usava. Senti o seio, macio e firme ao mesmo tempo e envolveu-o todo em sua mão. Mesmo sobre o soutien era possível sentir o mamilo intumescido pressionando o tecido e a palma de sua mão. Começou a acariciá-lo levemente e Clara deu uma mordida um pouco mais forte em seu pescoço.

Tirou a mão do seio e abriu os dois primeiro botões da camisa da mulher. Suspirou quando viu os seios, cobertos por uma delicada lingerie branca, completamente excitados, a pele totalmente arrepiada. Quando voltou a tocá-los ouviu risos e a voz de Flavinha. Fechou os olhos, frustrada, enquanto Clara se apressava em fechar a camisa.

Marina sorriu outra vez. Sabia que Flavinha, com sua voz rouca e seu jeito tranquilo havia feito barulho apenas para avisar que estava chegando com Vanessa, para evitar uma cena constrangedora. Sentia-se grata por isso. Contudo, o sentimento que predominava era a alegria de ter visto Clara se recompor sem sair de onde estava. A assistente permaneceu sentada em seu colo, com os braços envolvendo seu pescoço, por um bom tempo após a chegada das outras duas. Definitivamente, Clara estava diferente. E Marina estava adorando toda essa mudança.

***

Clara entrou no apartamento da mãe sem tocar a campainha. Tinha deixado o filho com a avó para ir a uma reunião da escola do garoto, que não tivera aula naquela tarde. Estava feliz. A manhã que passara ao lado de Marina e o almoço que tiveram depois que Flavinha e Vanessa quase as flagraram tinham sido um ótimo começo. Na reunião só ouvira coisas boas sobre o comportamento e as notas do filho e sobre como ele era querido por colegas e funcionários da escola. Ao final, tomara coragem e pedira para conversar com a psicóloga do colégio. Queria saber se ela poderia aconselhá-la.

Cadu achava desnecessário falar com Ivan sobre o relacionamento entre ela e Marina. Mas, mesmo que ele discordasse, ela pretendia deixar que o filho soubesse de seu namoro. Acreditava firmemente que as crianças se sentiam mais amadas e protegidas quando participavam da vida de seus pais e não pretendia esconder do filho a sua alegria. Para seu alívio, a psicóloga concordava com ela e sugeriu que uma conversa franca e direta era a melhor forma de tratar o assunto. Não havia necessidade de entrar em detalhes, bastava responder de forma clara e segura às possíveis perguntas do garoto. Se ela agisse de forma tranquila, natural, ele também agiria assim.

– Mãe? Ivan, cadê você, filhote? – Clara chamou, procurando pelos dois. Encontrou a mãe na cozinha.

– Oba! Café fresco feito pela melhor mãe do mundo! – Abraçou a mãe. – Cadê o Ivan?

Chica explicou que o garoto havia ido com o tio, Virgílio, à oficina onde ele elaborava suas esculturas. O garoto adorava passar o tempo por lá e o tio era atencioso e paciente com ele.

Sentaram-se as duas para tomar o café e Clara, sem saber por que, sentiu a necessidade de falar abertamente a mãe quando ela perguntou se já não era tempo de ela voltar para casa, para perto de Cadu.

– Mãe, eu... Eu não vou voltar para o Cadu, o nosso casamento acabou, não tem volta.

– Mas, filha, vocês sempre se deram tão bem. Será que não dá pra vocês se acertarem, pra consertar o que quer que tenha acontecido?

Clara respirou fundo e tomou coragem. Explicou à mãe que não dava pra consertar uma relação quando o amor chegava ao fim.

– Eu tentei, mãe. Por mim, pelo meu filho, eu levei um tempão tentando reencontrar o amor que eu sentia pelo Cadu. E eu acabei percebendo que não adiantava mais quando descobri que meu coração já estava amando outra pessoa. Que eu sentia falta dessa pessoa quando estava com o Cadu, que o sorriso dessa pessoa me fazia sentir aquele frio na barriga que a gente só sente quando tá amando, sabe? Eu percebi que o Cadu não cabe mais na minha vida como meu marido, mãe.

– E eu posso saber quem é essa pessoa que virou a cabeça da minha filha? – Não havia recriminação na voz de Chica. Ela se interessava pela felicidade da filha e, se tinha sugerido que ela reatasse com Cadu era por acreditar que ainda o amasse. Clara tomou coragem e, segurando a mão da mãe, falou que estava namorando Marina.

Chica não escondera a surpresa. A filha mais nova sempre gostara de rapazes, e os rapazes sempre gostaram muito dela também. Sempre tivera vocação para ser mãe, deixara de trabalhar para cuidar do filho... Parecia tudo tão confuso.

Clara foi paciente. Ouviu a mãe, as lembranças que ela tinha e que a faziam duvidar do que tinha ouvido a filha dizer. Por fim, Chica perguntou:

– Filha, quando você fala que ama essa moça, você não tá misturando as coisas? Sei lá, de repente é só uma grande amizade e você acha que é outra coisa...

– Mãe, eu tenho certeza que é amor, amor mesmo. Porque não é só o frio na barriga, não é só a falta que eu sinto quando ela tá longe ou a alegria de ter ela perto de mim. É coisa de pele também, mãe. Sabe aquela vontade de beijar, de abraçar, de...

– Tá, já entendi. – Chica interrompeu e Clara riu. O relacionamento de mãe e filha nunca incluíra conversas sobre sexo e Chica definitivamente não pretendia começar agora, com uma novidade daquele tamanho. – Minha filha! Eu não sei o que dizer. Pra falar a verdade, eu nem sei se eu tenho que dizer alguma coisa, afinal a vida é sua, né.

Chica admitiu que achava a situação estranha. Jamais deixara que o desconforto que sentia ao ver um casal homossexual a fizesse ser desagradável com alguém, mas sabia-se um tanto preconceituosa. Prometeu à filha que não a julgaria e nem a Marina, que afinal era prima de seu namorado, Ricardo.

– Quem sabe assim eu não me livro de vez desse sentimento de preconceito, não é? Afinal, eu quero que você seja feliz e se a sua felicidade é com essa moça... Bom, então eu quero conhecer melhor essa... – Pensou um instante e corrigiu. – Eu quero conhecer melhor a Marina.

Depois de conversar com a mãe, foi até a oficina de Virgílio buscar o filho, que correu feliz para abraçá-la. Decidiu caminhar com ele pela orla para ver o pôr do sol. E tomar sorvete, claro.

– É, né, mãe. Se eu sou assim tão bom aluno e tão legal como te disseram lá na escola, então eu mereço muuuuito sorvete, você não acha? Bons meninos merecem boas recompensas!

Os dois compraram os sorvetes e caminharam um pouco em silêncio, antes de sentarem na areia, olhando as ondas. Clara quase engasgou com o sorvete quando Ivan perguntou, do nada:

– Mãe, você tá namorando alguém?

Ela corou. Vinha se preparando para essa conversa e agora que o filho começara achava que ainda não estava pronta. Quis saber o porquê da pergunta.

– Ué, mãe. Você saiu de casa, tá dormindo num sofá, correndo de um lado pro outro pra cuidar de mim e trabalhar e mesmo assim parece que você tá contente – ficou em silêncio por um tempo – mais do que era quando morava comigo e o meu pai.

– Uau. Que filho mais esperto eu fui arrumar, hein! – Clara fez um carinho na cabeça do menino. – E se eu disser que estou namorando mesmo?

– Eu acho legal. Quem é, mãe? Eu conheço? Como que você arruma tempo pra namorar se fica o tempo todo comigo ou trabalhando?

Não tinha mais volta. Clara falou para o filho que estava com Marina. Ele aceitou bem, como só uma criança é capaz de aceitar que a vida é simples quando as pessoas são felizes. Por fim perguntou à mãe se ela achava que os amigos ririam dele quando ele contasse que ela estava namorando uma mulher.

– Eu não sei o que eles vão fazer, filho. Mas eu não acho que isso é motivo pra zombar de alguém, não. Olha só, a mamãe e a Marina, a gente não tá fazendo nada de errado. A gente se gosta e resolveu ficar junto. – Respirou fundo e abraçou o garoto. – Filho, olha só: se você, no começo, não estiver à vontade pra contar pros seus amigos, tá tudo bem. Eu só quis te contar porque você é muito importante pra mim e eu quero que você saiba que eu tô feliz.

O garoto sorriu e a abraçou. Por fim voltou a encará-la:

– A Marina sabe que eu já sei?

– Não, filho. Por quê?

– É que... Eu queria que você não contasse pra ela ainda, sabe – Clara esperou que ele voltasse a falar – É que eu não sei como ficam as coisas. Se ela tá namorando com você, ela fica no lugar do meu pai? Como que eu vou chamar ela? Porque madrasta é quem fica no lugar da mãe, mas minha mãe é você. E toda madrasta das histórias é ruim pra caramba, mas a Marina é legal...

Clara interrompeu o filho. Explicou que nem Marina nem ninguém iria ocupar o lugar de Cadu, que era o pai e continuaria sendo. O garoto aceitou, mas insistiu que nem a fotógrafa nem seu pai soubessem que eles haviam conversado. Clara concordou, sentiu que o filho, mesmo feliz por ela, precisava de um tempo para colocar a cabecinha em ordem. Disse a ele que seria um segredo de mãe e filho, até que ele quisesse sobre isso outra vez.

***

Marina chegou antes das oito. Incrível como a ideia de encontrar Clara a fazia mais do que pontual: a ansiedade era tanta que chegava antes da hora marcada. Estacionou em frente ao prédio e pensou se ligava, mandava uma mensagem avisando que estava ali ou se entrava. Antes que resolvesse, Clara bateu na janela do carro. Marina não era a única ali que estava ansiosa.

A fotógrafa escolhera um restaurante novo, de ambiente bastante aconchegante. Clara deixou que Marina escolhesse o prato e sugeriu um vinho que combinava perfeitamente com o pedido, deixando a namorada surpresa. Durante o jantar a assistente contou sobre a conversa que tivera com a mãe e como se sentia melhor depois de falar com ela. Manteve a palavra e não contou sobre a conversa que tivera com Ivan. Mas disse que aquele, com certeza era um dia perfeito.

Marina estava feliz. Saber que Clara vinha contando para a família sobre o relacionamento delas fazia com que se sentisse mais segura de que estava certa: o amor delas era pra sempre. Imaginava que logo chegaria o momento em que Ivan deveria ficar sabendo, mas a decisão sobre isso pertencia a Clara e ao pai do garoto.

– Pronto! – ela estacionou em frente ao prédio de Clara e fez um carinho em seu rosto – Agora você pode descansar, curtir as lembranças desse dia perfeito... – beijou-lhe a testa.

– Sabe, – Clara falou com um fio de voz. Estava nervosa como uma adolescente – você podia subir comigo... Tomar um café, não sei. Tá cedo pra ir embora.

Assim que passou pela porta, Marina observou todo o apartamento, tentando saber se havia alguém por perto. Não teve tempo de tirar uma conclusão, Clara a abraçou pelas costas e a fez girar, ficando de frente para ela e unindo suas testas, mantendo seus os olhos presos aos dela. Clara sorriu de um jeito maroto e passou a ponta da língua pelo lábio inferior, provocando. Marina não tentou resistir.

Quando ficou sem ar, Marina interrompeu o beijo e, andando de costas, levou Clara consigo até o sofá. Sentou-se e a puxou para o seu colo, tomando-lhe os lábios de novo. Mal conseguia conter o desejo de tocar os seios da assistente outra vez. Levou a mão à cintura dela e puxou a blusa de dentro da calça, para, em seguida, colocar a mão sob a blusa e tocar-lhe a pele. Sentiu quando ela estremeceu quando subiu as mãos por suas costas.

Clara tinha um dos braços nas costas da fotógrafa e a outra mão presa em seus cabelos. Desceu o corpo em direção ao sofá, fazendo com que Marina viesse junto, ficando por cima de seu corpo. Moveu uma das pernas para cima do quadril dela, seu corpo exigindo uma proximidade cada vez maior. Sentiu os lábios e a língua da namorada explorando seu pescoço e gemeu. Correu a mão pelas costas de Marina, chegando naquela parte macia, tão bem definida, que ainda não tinha tocado. Deslizou a mão, sentindo cada centímetro, antes de apertar, carinhosamente. Seus dedos pareciam agora ter vida própria e começaram a puxar o tecido, erguendo o vestido de Marina, querendo tocar-lhe a pele.

– Clara- Marina falou, quase sem voz – assim eu não vou conseguir resistir – afastou-se um pouco dela, sem levantar completamente. Tinha o rosto afogueado, sentia que o desejo a fazia arder em chamas.

Clara olhou em seus olhos, sorrindo levemente. Fez um carinho em seu rosto, antes de perguntar:

– Tem certeza de que quer resistir?

Ela suspirou. Não queria resistir, esperava há meses por aquele momento. Reuniu o que tinha de forças e saiu de cima do corpo dela, sentando sobre o braço do sofá.

– É só que... – quase perdeu a fala quando Clara se ajoelhou no sofá e se apoiou em suas pernas – Clara, a gente tá num sofá, correndo o risco de chegar alguém a qualquer momento... – “Caramba, ela não vai falar nada? Droga! Como é que eu faço agora?” – Clarinha, e se, sei lá, se a gente fosse pra outro lugar? Onde a gente pudesse ficar mais tranquila, sozinhas? – tinha o rosto da morena entre as mãos e o coração na boca, com medo de que ela recusasse