Luz dos meus olhos
34 Capítulo 34
Notas iniciais
– Tudo bem?
Flavinha olhou para trás e viu que Duda tinha a outra mão no ombro de Clara. Em pé atrás delas, a mulata parecia estar chegando à praia para se exercitar, as roupas de ginástica revelavam os contornos do corpo bem cuidado.
– É... oi – respondeu, ao perceber que Clara continuava em silêncio.
– Tá tudo bem? — Flávia notou o olhar inquisitivo da mulata sobre ela e a amiga.
Qualquer pessoa normal estranharia o vestido de Clara àquela hora da manhã. Principalmente na praia.
Com cuidado para não afastar Clara, que até então tinha a cabeça apoiada em seu ombro, girou sobre o banco, ficando com uma perna de cada lado e mantendo a amiga em um abraço, antes de olhar para a mulata e explicar:
– Eu não sei o que houve, ela não para de chorar. Acho que ela e a Marina brigaram – falou baixinho e sentiu que os soluços de Clara recomeçaram ao ouvir o nome da fotógrafa.
Duda imitou Flávia, sentando de pernas abertas do outro lado da morena. Segurou a mão de Clara e perguntou se ela queria falar o que tinha acontecido, mas a assistente apenas fungou e balançou negativamente a cabeça. Então a mulata se pôs a tentar convencê-la a ir para casa.
Eu já tentei, ela não quer ir pra lá – Flavinha informou – Também não quer ir pra casa comigo.
– Você parece exausta – a frase de Duda desta vez foi para Flávia. Em seguida ela voltou-se outra vez para a mãe de Ivan e sugeriu levá-la para o seu hotel. Argumentou que Flavinha estava cansada, que o tempo estava fechado e provavelmente haveria uma tempestade, que Clara precisava descansar e se acalmar. Clara apenas ouvia, e depois de algum tempo concordou, levantando do banco.
Flávia levou as duas até o hotel, Duda havia saído para correr, estava a pé. No caminho pediu que a mulata lhe passasse seu número, para poder saber de Clara mais tarde. Quando se despediram, pediu preocupada:
– Por favor, me avisa se ela falar o que houve, se ela precisar de alguma coisa. Eu nunca vi a Clara assim.
Duda a tranquilizou e garantiu que cuidaria de Clara. E pediu que Flavinha também lhe contasse o que havia acontecido se descobrisse algo com Marina.
***
Apesar do cansaço, quando chegou em casa Flavinha achou por bem verificar como Marina estava. Encontrou-a no estúdio, olhando fotos dela e de Clara no mesmo telão em que exibia suas obras para clientes. Ainda de camisola, tinha os olhos inchados e aparentava não ter dormido nada. Também não apresentava mais nenhum sinal do quanto havia bebido.
Assim como Clara, a fotógrafa também não quis falar sobre o que tinha acontecido. Permaneceu em silêncio enquanto Flávia contava que tinha “socorrido” a morena e inspirou profundamente, de forma audível, quando ouviu que a namorada tinha seguido para o hotel junto com Duda. Nessa hora as lágrimas voltaram a correr pelo seu rosto e a amiga, com algum esforço, a convenceu a ir para a cama e tentar dormir um pouco. Adormeceu na cama de Marina, enquanto tentava fazê-la pegar no sono.
***
Marina foi a primeira a acordar naquele sábado. Na verdade, quase não havia dormido, passou grande parte do tempo imóvel na cama, com medo de adormecer e rever o rosto triste de Clara em seus sonhos. Sem se incomodar em trocar a roupa, desceu até a piscina, livrando-se da camisola antes de mergulhar na água fria. O dia parecia espelhar a ela própria, o céu agora estava cinzento, tempestuoso, e o ar estava gelado, coisa incomum para aquela época do ano. Marina deixou que a água e o vento envolvessem seu corpo, esperando que ajudassem a amortecer sua mente e suas emoções.
Foi Flavinha, outra vez, quem a encontrou. Os dedos da fotógrafa já estavam enrugados e sua pele estava fria. Os lábios estavam azulados. Ela não resistiu quando a outra lhe disse para sair da água e a levou para o quarto. Deixou que lhe preparasse o banho e a colocasse na banheira. Presa em seus pensamentos, obedecia ao que a amiga lhe dizia e saiu do banho quando ela voltou e falou que o fizesse.
Só esboçou reação quando a amiga apontou a bandeja sobre a cama. Disse que não tinha fome. Ainda assim, Flávia insistiu.
– Você não come nada desde ontem à tarde. Só bebeu durante a noite, precisa se alimentar.
Perguntou por Vanessa. Não percebeu que Flavinha usou o cabelo para esconder o rosto durante um tempo, antes de responder que a ruiva ainda dormia.
–Com o tanto que ela bebeu ontem, não vai sair daquele quarto tão cedo, Marina.
– Melhor. Ela encheu tanto a minha cabeça ontem, melhor nem aparecer – bufou, frustrada – Flavinha, eu não tenho a menor ideia de como resolver meu problema com a Clara.
– Quer me contar o que houve, Marina?
A fotógrafa balançou a cabeça. Não queria contar sobre a discussão. Pelo menos, não para Flávia, que já era tão amiga de Clara. Ela precisava encontrar uma forma de consertar as coisas, mas não usaria Flavinha para isso. Imaginava que o que falasse para a amiga chegaria até a namorada e, definitivamente, não era assim que imaginava resolver tudo.
***
Quando abriu os olhos, Clara se sentou, assustada, sem lembrar de imediato onde estava. A cabeça doía. O nariz estava congestionado. Não se lembrava de ter adormecido, mas a voz de Duda ao seu lado a fez lembrar de como havia chegado até ali.
A mulata praticamente a carregara até o quarto. Tinha tirado sua roupa e a colocara embaixo do chuveiro. Clara permanecera sem ação, deixara que a amiga a colocasse dentro do pijama de algodão e a fizesse deitar. Duda lhe entregara lenços e água e secara seus cabelos, até onde fora possível. E lhe fizera um cafuné silencioso até que adormecesse, exausta de tanto chorar.
Duda repetiu a pergunta: queria saber se ela estava melhor. Clara apenas assentiu e, quando a amiga perguntou se ela queria conversar sobre o que tinha acontecido ela recusou. Não queria falar das acusações de Marina, menos ainda para a mulata, que tinha sido o principal motivo de tudo aquilo.
Também não tinha fome, mas Duda sabia como convencê-la a comer.
– O Ivan vai voltar pra casa cheio de energia. Você não vai dar conta dele de estômago vazio.
Aceitou pedir uma salada de frutas na cozinha do hotel e perguntou se podia tomar outro banho. Duda riu da pergunta: Clara podia fazer o que quisesse.
Entrou embaixo do chuveiro gelado, mesmo detestando água fria. Sabia que seria o melhor para minimizar o inchaço dos olhos. Não tinha se olhado no espelho, mas sabia que estava com uma aparência miserável. Jogou a cabeça para trás e deixou que o jato d'água atingisse seu rosto por alguns minutos. Tentava se convencer de que não podia voltar para casa tão abatida.
***
Quando Ivan chegou em casa Clara já tinha uma aparência melhor. Ela disfarçou quando ele perguntou de Marina e quis saber como fora a festa. Clara ficou aliviada que o menino tivesse jantado com o pai: ela não precisaria se esforçar para comer junto com ele. Brincaram um pouco antes que ela colocasse o garoto na cama.
Desde que acordara ela não havia desgrudado do celular. E mesmo que o aparelho não tocasse, ela às vezes olhava para a tela, na esperança de encontrar uma mensagem de Marina, uma ligação perdida. Queria falar com a namorada, queria poder conversar sobre o que tinha acontecido. Mas só encontrava o silêncio e isso fazia com que receasse procurar a namorada. O que poderia dizer?
Pensou várias vezes em ligar para a amada, pensou em ir até ela. A despeito de toda a tristeza que sentia devido à discussão, preocupava-se com a possibilidade de que Marina pudesse ter passado mal por conta da ressaca. Queria estar do lado dela, queria cuidar dela. Mas estava magoada, e apenas por isso resistiu ao impulso de correr até Santa Teresa.
Frustração. Foi o que sentiu quando o telefone finalmente tocou e a foto de Flavinha apareceu na tela. Mesmo assim atendeu, a amiga certamente daria notícias de Marina. Enquanto falavam, sabendo que não encontraria o sono tão facilmente, abriu uma garrafa de vinho. Falaram por bastante tempo, mesmo que a morena sempre evitasse responder às perguntas sobre o que havia acontecido. Tentou convencer a amiga de que estava bem, mas seu tom de voz não ajudava a enganar ninguém. E ficou sabendo que Marina, após ser retirada da piscina, não saíra do quarto o dia todo. Imaginou que fosse por culpa da ressaca. E se perguntou se a bebida poderia ajudar a amortecer as suas próprias aflições.
Apesar da intenção de usar o álcool para conseguir adormecer Clara acabou por guardar a garrafa após beber apenas duas taças. O senso de responsabilidade falou mais alto, ela precisava estar bem no dia seguinte, tinha Ivan para cuidar. Ela era incapaz de se permitir ser irresponsável quando isso afetaria o filho.
No domingo, depois de uma noite mal dormida, levou o filho até a praia e apenas observou enquanto ele se divertia com os amigos. Recebeu uma mensagem de Duda, convidando os dois para o almoço, mas o menino preferiu almoçar na casa da avó, então deixou-o com Chica e foi se encontrar com a amiga. Quando voltou, no início da noite, o filho a deixou sem palavras ao perguntar porque ela estava tão triste.
Foi a mulata quem a socorreu diante da curiosidade de Ivan.Disse a ele que tinham ido ao cinema e que o filme era triste.
– E então porque você foi ver, mãe? Se ia te fazer chorar?
Clara não pode evitar o sorriso diante da inocência do filho. Abraçou e beijou o garoto e garantiu que logo ficaria bem.
Naquela noite, sem qualquer sinal de Marina, uma ligação, uma mensagem que fosse, sem saber o que aconteceria quando fosse trabalhar no dia seguinte, a morena chorou outra vez, até pegar no sono.
***
Marina não estava surpresa em estar na rua tão cedo em uma segunda-feira. Ultimamente, para ganhar mais tempo com a namorada e com Ivan, ela até se dispunha a acordar cedo. E naquela segunda ela não podia esperar. Tinha passado todo o final de semana sem falar com Clara, remoendo a discussão da manhã de sábado. Diferente de toda a sua vida, tivera dificuldade para conciliar o sono. Nas poucas vezes em que adormecera, acordara pouco depois, assustada, sua mente revivendo os gritos, as duras palavras ditas após a festa de Gisele.
Ainda nem eram sete e meia quando estacionou no Leblon, próximo ao prédio onde viviam os Fernandes. Marina se lembrava que Ivan iria com o pai ao judô naquela manhã. Sabia que, normalmente, nessas ocasiões, Cadu chegava antes das oito, para levar o filho para tomar o café da manhã. Se estivesse com sorte, eles já teriam saído.
O fato é que a sorte a deixou na mão. Chegou à portaria ao mesmo tempo que o ex-marido de Clara. Sem outra alternativa, cumprimentou-o com um bom-dia formal. O porteiro, acostumado à sua presença, cumprimentou-a, assim como ao homem, e permitiu que entrassem sem qualquer pergunta. Ambos tinham a permissão de Clara para subir sem qualquer aviso.
***
Quando ouviu a campainha, Clara fez o possível para evitar o suspiro exasperado. Não pretendia ver ou ouvir o ex-marido, sequer estava vestida para isso, afinal, pensara, ele não subiria até ali. Controlou o desagrado e chamou o filho, beijou-lhe a testa e disse que fosse com o pai.
– Ele já tá na porta, te esperando. Seja bonzinho e me espera na escola, tá bom?
O garoto assentiu, abraçando a mãe, antes de sair pela porta. Do alto se seus oito anos ele sentia que a mãe estava triste, e faria o possível para que ela ficasse melhor. Mesmo que isso significasse comer os legumes e a salada do almoço sem reclamar.
***
Marina sorriu ao ver Ivan atravessar a porta sozinho. Levou o indicador aos lábios, pedindo silêncio, e se aproximou do garoto. Ela própria havia se surpreendido quando Cadu lhe dirigira a palavra e lhe pedira para dizer ao filho que ele aguardaria na portaria. Ele havia falado de forma cordial, algo que ela realmente não esperava.
O menino a cumprimentou com um abraço apertado. E então disse, de modo que a ela pareceu maduro demais para a pouca idade que ele tinha:
– A porta tá destrancada – Ivan estava sério – Marina, minha mãe tá triste, acho que é por que vocês não se viram no fim de semana. Entra lá, faz uma surpresa, ela vai gostar. Acho que ela tá com saudade.
– Saudade? Você acha mesmo? — agora que estava ali, tão perto, sentia uma pontinha de insegurança.
Com uma expressão impaciente, do tipo que significa “para de complicar as coisas”, Ivan falou, sério:
– Ué, quem namora gosta de ficar perto, né Marina. E fica triste se fica longe – afastou-se e entrou no elevador – Agora deixa eu ir que meu pai tá esperando e eu tô cheio de fome.
Marina não teve tempo de responder. Parada diante da porta, passou as mãos pelos cabelos, procurando por coragem, ao mesmo tempo em que tentava entender desde quando o garoto sabia do relacionamento entre elas. Não que achasse que ele não compreendesse que havia ali algo além de uma amizade comum, mas nunca imaginara que fosse ele a falar tão claramente, assim, de repente. Respirou fundo antes de girar a maçaneta e abrir a porta.
Quando olhou para dentro do apartamento sua respiração se prendeu por instantes. Mordeu o lábio inferior e se apressou em fechar a porta, tentando não fazer barulho. Durante algum tempo seus olhos se perderam nos contornos do corpo da morena e Marina percebeu que nunca tinha visto Clara vestida daquela forma, tão à vontade.
A morena usava uma blusinha leve, de malha branca e alças finas, e uma calcinha boxer azul royal. Estava parada de costas para a porta, servindo-se da cafeteira, sobre a bancada da pia. Marina poderia passar horas apenas observando aquela cena. Mas aquele não era o momento para isso. Ela tinha que fazer alguma coisa, tinha que falar com Clara.
Quando a assistente se virou, Marina ainda não tinha achado as palavras certas. A surpresa no rosto da morena se refletiu na forma como ela apertou a caneca de café junto ao peito e congelou no caminho entre a cozinha e a sala. A fotógrafa viu nos olhos de Clara que ela realmente estava triste, como Ivan afirmara. Por um instante, teve medo de não conseguir consertar as coisas, sentiu o peito apertar, estrangulando o que quer que pudesse falar.
E então aconteceu: uma lágrima caiu do olho esquerdo da morena, iniciando um caminho brilhante pelo seu rosto. Ao mesmo tempo seus lábios murmuravam baixinho:
– Marina.
E Marina avançou, encurtando rapidamente o espaço entre elas, deixando pelo chão a bolsa e as chaves do carro e abraçando Clara, que continuava parada. Envolveu a morena e colou seu rosto ao dela, esforçando-se para não chorar. Quando sentiu que a assistente se movimentava, tentando sair de seus braços, finalmente encontrou as palavras:
– Me desculpa, Clarinha – sussurrava junto ao ouvido da namorada, tentando estreitar o contato entre seus corpos ao mesmo tempo em que Clara tentava sair do abraço – Por favor, fica aqui, me desculpa – escondeu o rosto no pescoço da morena, pensando no porque ela tentava sair dos seus braços, no porque ela não a tocava. Suplicou – Clara, fala comigo, meu amor!
Só então a fotógrafa se deu conta de que abraçara uma Clara estática, que segurava o café junto ao peito. Notou que era possível sentir o calor no próprio corpo, no ponto onde estavam as mãos da morena. Afrouxou o abraço aos poucos, com medo de que Clara sumisse da sua frente. E então retirou a caneca das suas mãos e caminhou, abraçada com a namorada, até conseguir deixar o café sobre o balcão da cozinha.
– Eu sinto muito, amor – dessa vez falou olhando nos olho de Clara – Me desculpa?
Dessa vez não houve tempo para dúvidas ou medo: a morena envolveu a nuca de Marina com os dois braços e uniu seus lábios em um beijo cheio de carinho e saudade.
Aos poucos, a fotógrafa sentiu o fogo subindo por suas pernas, envolvendo seu corpo. Tomando seu sexo. Suas mãos escorregaram pelas costas de Clara e desceram para sua bunda, apertando e puxando o corpo moreno mais para junto de si. Pode ouvi-la inspirar e levou uma das mãos para baixo da blusa da namorada, acariciando lentamente as costas, deixando que o polegar traçasse a curvatura da coluna, provocando arrepios.
– Marina – Clara tentou falar, mas suas palavras eram intercaladas com suspiros e com os beijos que recebia – a gente precisa conv...
– Shhhhh – a fotógrafa a interrompeu, colocando o indicador sobre seus lábios, antes de tomar-lhe a boca num beijo profundo. Quando os lábios se separaram, olhando diretamente nos olhos da morena, confessou a saudade que sentia, e guiou Clara até a mesa da cozinha.
A assistente não ofereceu qualquer resistência, além de uma fraca tentativa de insistir em conversar. Marina a pressionou contra o mármore frio da mesa, enquanto voltava a sugar seus lábios e invadir sua boca com a língua, antes de voltar sua atenção para o pescoço da namorada. As mãos delicadas e ágeis percorreram as coxas douradas até chegar atrás dos joelhos, onde uma leve pressão foi o suficiente para que Clara desse o impulso necessário para sentar-se sobre o móvel e prendesse Marina junto ao seu corpo, cruzando as pernas às costas da fotógrafa.
O que veio a seguir foi ao mesmo tempo intenso e delicado. Ambas tinham o mesmo desejo, correndo em chamas pelo corpo, urgente. Ainda assim os gestos eram calmos, delicados. Enquanto os lábios se exploravam, ávidos do sabor que tanto conheciam e gostavam, Marina subiu as mãos pelo corpo de Clara, levando junto a blusa que ela usava. Quando o tecido deixou os seios descobertos, a própria morena se encarregou de jogar a peça ao chão, enquanto a fotógrafa olhava, apaixonada, para os mamilos excitados e os prendia entre os dedos, pressionando e puxando levemente, procurando outra vez a boca que amava. Sorriu quando a namorada deixou escapar um gemido em meio ao beijo que trocavam. Aproximou-se do ouvido dela e, depois de sugar delicadamente o lóbulo, sussurrou:
– Você fica linda com essa calcinha – e escorregou a mão por baixo da malha azul, apertando levemente os dedos sobre o monte de vênus antes de usar o indicador para abrir espaço entre os lábios da morena e alcançar o ponto que buscava. Usava os dedos para estimular o clitóris da morena quando levou os lábios a um dos seios, fazendo a namorada inclinar o corpo para trás, apoiando-se em uma mão, a outra mergulhada em seus cabelos.
Marina prosseguiu com as carícias, arrancando gemidos e suspiros de uma Clara totalmente entregue. Levantou o rosto e, encarando os olhos castanhos, levou as mãos ao cós da calcinha boxer e a morena, instintivamente, levantou o quadril, facilitando o gesto da fotógrafa, que retirou a peça ao mesmo tempo em que cobria as pernas douradas de beijos delicados e lambidas provocantes. Uma sobre a mesa, a outra ajoelhada no chão, voltaram a se encarar. Os lábios trêmulos e entreabertos de Clara tinham dificuldade de dizer o pedido que Marina lia em seus olhos e a fotógrafa apressou-se em atendê-la: puxou uma cadeira e sentou-se de frente para o sexo molhado, inclinando-se para sentir o sabor e o prazer da morena.
***
Deitada no sofá, Clara segurava Marina em seus braços. Observava a cozinha, onde tinham se amado tão avidamente, sentindo a fotógrafa acariciar suas mãos com as pontas dos dedos. Estava livre de toda angústia do fim de semana, mesmo que ainda precisassem conversar sobre o que havia acontecido. E sobre o e-mail que ela havia recebido.
– Tão bom ter você aqui comigo – beijou os cabelos escuros, apertando o abraço e ouvindo Marina suspirar.
– Ah, Clarinha! Tô tão aliviada de estar aqui também – a fotógrafa fez uma pausa, pensativa – Se não fosse a Duda aparecer ontem lá em casa eu nem sei... nem quero imaginar.
Clara congelou com o que ouviu. De uma forma que fez Marina virar o pescoço para olhá-la e perguntar se estava tudo bem.
Fale com o autor