Notas iniciais
Oi, pessoas lindas! Demorei mas já tou aqui. Semana de provas ferrou minha vida! :'-( Feliz em ver o pessoal comentando, feliz por mais uma recomendação! Obrigada, Elisa! Segue o capítulo!

Marina sorriu e levou as mãos à cintura, cobrindo as da namorada, um sorriso tímido nos lábios, o peito vibrando com uma alegria surpresa. Aquele era o carinho mais significativo que a morena já havia feito na presença do filho. Em geral elas apenas trocavam beijos no rosto quando se encontravam ou se despediam e, às vezes, se davam as mãos. Seria impossível para ela dizer se aproveitou a sensação por segundos ou horas: somente saiu do transe quando ouviu Duda ameaçando Clara, num tom divertido, enquanto se afastava:

– Isso não fica assim! Você me paga!

– Me lembre de nunca te desafiar! – Marina riu e a assistente riu com ela, antes de lhe beijar rapidamente o ombro e soltá-la – Vamos pra água? – convidou.

Enquanto Marina mergulhava e se juntava à brincadeira de Ivan e Flavinha, Clara sentou na borda da piscina, brincando com os pés na água. Logo Duda sentou ao seu lado, agora de biquíni, o short e a camiseta pendurados no encosto de uma espreguiçadeira para secar. Ficaram ali por um bom tempo, até que Ivan e Marina convenceram a morena a entrar na água, e ela levou a amiga consigo. Vanessa apenas observava a cena toda, deitada à sombra de um guarda sol.

À exceção de Vanessa, todas passaram a maior parte do tempo na água, até a hora em que foi servido o almoço. Apesar do cardápio leve, Clara pediu ao filho que ficasse fora da piscina por algum tempo. Acostumado a esse cuidado da mãe, o menino concordou e Marina perguntou se ele gostaria de fazer algumas fotos com a mesma câmera que ela já havia emprestado antes.

– Legal, eu quero sim! Mas só se você me ensinar, igual fez no outro dia!

Clara voltou a sentar na borda da piscina enquanto observava o filho seguir Marina em direção ao estúdio, conversando animadamente. Achou que já era hora de deixar que os dois interagissem e se aproximassem sem a sua intervenção. Quando Vanessa começou a conversar com Duda, Flávia decidiu juntar-se à morena, sob o guarda sol.

– O que você fez com ela?

– Hein? Como assim? – Clara olhou para a amiga como se não tivesse entendido.

– Você. A Marina... Ela tá diferente hoje. Parece mais tranquila, como se tivesse voltado a ser “a” Marina de sempre... Sem aquela insegurança com a exposição. Isso é coisa sua, eu sei.

Era verdade. Se nos últimos tempos a fotógrafa deixava transparecer algo quanto à exposição, era insegurança. O futuro do estúdio dependia do sucesso em Londres e Clara vivia procurando levantar o astral da namorada, garantindo que tudo ficaria bem, fazendo com que ela lembrasse o quanto era talentosa e o quanto o público e a crítica sempre gostaram do seu trabalho. Às vezes funcionava mais, às vezes menos, e era comum que a morena apenas procurasse distrair Marina, fazendo com que ela não pensasse na exposição quando não era necessário falar sobre o assunto.

Clara corou, mas acabou contando para a amiga sobre a brincadeira que tinha feito com a lingerie na véspera. Algo lhe dizia que precisava fazer com que a namorada se sentisse autoconfiante outra vez e a única forma que ela achou que estava ao seu alcance foi aquela: despertar de novo a caçadora, a femme fatale que havia em Marina e que havia adormecido sob o peso das preocupações. Acreditava que aquela característica estava ligada à personalidade forte e decidida da amada e decidira arriscar. E fora por isso que resolvera colocar a fotógrafa no comando, fora para despertar a autoconfiança tão característica da mulher por quem se apaixonara que ela havia decidido se submeter aos caprichos e desejos da namorada na noite anterior. Não que aquilo tivesse representado qualquer sacrifício, apenas ela, Clara, normalmente esperaria mais tempo antes de enveredar pela trilha das fantasias sexuais em um relacionamento. “Mas esse também não é um relacionamento qualquer. É o melhor namoro da minha vida.”

– Não tenho dúvidas de que você acertou, ela parece mesmo a Marina de sempre. Mas como é que você sabia que ela ia escolher a lingerie azul?

– Simples: eu não tinha nada azul, então era novidade. Branco eu uso sempre – Clara riu, mas logo voltou a corar quando Flavinha quis saber como tinha sido a noite, quais tinham sido os desejos que Marina exigira satisfazer. Tinha uma certa timidez para falar de sua vida sexual, ainda que não fosse tímida na hora do sexo. Mesmo assim, contou, sem muitos detalhes, o quanto a noite tinha sido divertida. Desde que a outra a aconselhara quando ela ainda tinha receio de fazer amor com Marina e não saber satisfazê-la que a amizade entre elas tinha assumido considerável intimidade.

– Uau! Tratamento agradável esse! Já pensou em ser psicóloga, Clara? – Flavinha riu, e ganhou um leve tapa no braço.

– Para com isso, engraçadinha! Não posso contar nada pra você mesmo, né?

A conversa das duas teve que mudar de rumo quando Ivan e Marina se aproximaram. Sem saber muito bem como disfarçar, Flavinha disse:

– Então, se a exposição de Londres der certo...

– Hei! – Marina interrompeu – VAI dar certo, garota! Vai ser a MELHOR exposição de todas que eu já fiz! Pode anotar! – afirmou, convicta, fazendo com que a morena abrisse um sorriso enorme e ganhasse uma cotovelada nada sutil de Flavinha, seguida de um olhar que só podia significar “Parabéns, você fez um bom trabalho!”.

Marina explicava a Ivan sobre como usar a câmera que ele tinha nas mãos e seus olhos caíram sobre Vanessa e Duda. A ruiva parecia acompanhar o olhar da mulata e, mesmo com os óculos escuros, era possível notar que a ex-top model olhava insistentemente para onde Clara se encontrava junto de Flávia, até que resolveu, por fim, juntar-se a elas na piscina. Vanessa voltou à espreguiçadeira onde tinha passado a manhã, distante de todos.

Empolgado com a câmera, Ivan passou um longo tempo fotografando pelo jardim e pela área da piscina. Marina, ao sentir que o pequeno estava à vontade, deixou que ele prosseguisse sozinho, depois de dizer que ele poderia perguntar sempre que tivesse dúvidas. Com isso o menino passou a circular, apontando a câmera às vezes para as plantas e objetos, às vezes para as mulheres que estavam ali.

A tarde passou rápida. Logo Duda estava se despedindo e ofereceu carona para Clara. A morena precisou de um único olhar para a namorada, que examinava animada as fotos que Ivan havia feito, e decidiu que ficaria mais um tempo. Com a partida da mulata, Vanessa decidiu entrar e Flávia foi com ela. Clara, Marina e Ivan ainda brincaram mais um tempo na água, até que o garoto anunciou que estava com fome.

A morena despachou o filho e a namorada para o banho e foi investigar a cozinha. Encontrou os ingredientes básicos para uma boa massa e preparou o jantar. Quando tudo estava pronto, encarregou Marina de por a mesa e foi para o banho também.

***

Clara não viu a hora passar. Apenas percebeu que era tarde quando notou que o filho já “pescava” de sono. Após o jantar, enquanto ela lavava a louça, o menino convencera a fotógrafa a começar uma partida de uno, com um baralho que ele levara na mochila. Uma partida que se transformou em várias, contando também com a participação da morena quando a louça já estava toda guardada.

Quando falou em ir embora, Marina não permitiu, afinal, já era tarde para chamar um táxi e o motorista estava de folga. Sugeriu que ela e o filho dormissem ali.

– Amanhã o Cadu passa cedo lá em casa para buscar o Ivan. E a mochila pra escola nem tá pronta ainda...

Marina insistiu. Prometeu que levaria os dois logo cedo de volta ao Leblon. Quando a morena riu, lembrando da dificuldade que a fotógrafa tinha para acordar, ela decidiu jogar um pouquinho mais pesado. Disse que seria maldade levar Ivan agora, que ele devia ir logo para a cama.

– Tadinho, ele não parou o dia todo. Olha só, tá caindo de sono... – Marina falou, fazendo sua melhor cara de pena, o que fez com que a morena inclinasse a cabeça para o lado, sorrisse torto e lançasse o seu melhor olhar de “você não presta”. Quando viu aquele olhar, Marina teve certeza de que já havia ganhado. Abraçou o menino, que estava sentado ao seu lado, e sugeriu:

– Ivan, que tal a gente encerrar o dia com um filminho, antes de dormir?

– Legal! Posso escolher? – o garoto se animou novamente e se pôs a questionar quais os filmes que a fotógrafa tinha. Animados, saíram da cozinha arrastando Clara, que protestava, com falsa indignação, contra o complô dos dois.

Marina sugeriu que vissem o filme em seu quarto. Até pouco tempo atrás ela não tinha nada que pudesse ser usado para distrair uma criança, mas na véspera, quando saíra para comprar o “brinquedinho” para a noite com a namorada, tinha se visto observando vitrines com brinquedos, filmes e jogos infantis. Sem saber muito das preferências de Ivan, comprou alguns DVDs sugeridos por um vendedor: haveria oportunidade para descobrir de que tipo de brinquedos o menino gostava.

Os três se ajeitaram na cama espaçosa, Ivan entre as duas mulheres, a cabeça apoiada no colo da mãe. Ria alto toda vez que Marina se surpreendia com alguma cena e, por fim, resolveu deitar em seu colo para comentar partes do filme e “ajudá-la” a entender a história. A fotógrafa envolveu o pequeno num abraço protetor e, antes do meio do filme, ele já havia adormecido, assim como a mãe.

***

Quando o som do despertador invadiu o quarto, Clara acordou de imediato. A surpresa foi descobrir que Marina já estava fora da cama, quase pronta para sair. A fotógrafa terminava de colocar os brincos e sorriu, sapeca:

– Eu disse que levava vocês bem cedo, não disse? – Aproximou-se devagar e se inclinou sobre a cama – Mas para isso vocês precisam acordar! – falou alto e animada e fez cócegas na morena, arrancando dela uma gargalhada, o que foi suficiente para acordar Ivan.

O café da manhã dos três foi no apartamento da morena. Pelo menos lá Clara sabia onde estava tudo que uma refeição matinal precisava. Ivan preparou a mochila e o uniforme da escola e os três comeram juntos. A assistente olhava a namorada e o filho juntos e sorria, feliz pelo entrosamento deles. Pouco depois das sete, a campainha tocou.

– Oba! Meu pai chegou – Ivan correu para abrir a porta e pulou nos braços de Cadu, que se ergueu com o filho no colo.

– Bom dia, Cla... – a voz do homem sumiu quando ele avistou a fotógrafa no interior do apartamento.

– Oi, Cadu. As coisas do Ivan – Clara estendeu as mochilas da escola e a de roupas para ele.

Marina permaneceu calada, a tensão entre ela, Cadu e Clara era quase palpável. O chef tinha os olhos fixos nela e não parecia nem um pouco amistoso. Ela não desviou o olhar, exceto quando Ivan desceu do colo do pai e lhe estendeu os braços, para se despedir. Abraçou o garoto e beijou-lhe o rosto e sorriu quando ele perguntou se eles iam se ver logo.

– Claro que sim. Você não vai se livrar de mim tão fácil!

– Vamo logo, filho! – Cadu apressou o garoto e saiu com ele, sem se despedir.

– Acho que ele não gostou de me ver aqui – Marina falou quando Clara fechou a porta.

A morena a abraçou pelas costas, apoiando o queixo em seu ombro.

– Ele não tem que gostar ou deixar de gostar. É a minha vida, e você faz parte dela – girou o corpo da fotógrafa, colocando-a de frente para si e diminuindo o espaço entre seus corpos – O que me preocupa é outra coisa.

– O que, Clarinha? Aconteceu alguma coisa?

– O problema – deu aquele sorriso brejeiro que desarmava a namorada – é o que não aconteceu. A senhorita ainda não me deu um beijo de bom dia – falou e selou seus lábios nos da jovem.

Marina se ofereceu para tirar a mesa do café, deixando Clara livre para se arrumar para o que ela achava que seria mais um dia de trabalho. Só percebeu que não estavam seguindo para o estúdio no meio do caminho. Quis saber para onde iam e a fotógrafa riu, mas não disse nada.

Quando estacionaram no luxuoso shopping, Marina deu a volta no carro e, galante, abriu a porta e deu a mão para que a morena descesse. E finalmente explicou o que pretendia.

– Vamos às compras, Clarinha – afirmou, como se fosse óbvio.

A assistente tentou protestar: não pretendia comprar nada, muito menos ali, onde os preços estavam fora de sua realidade. E Marina devia voltar ao estúdio, elas tinham uma exposição para organizar.

– É disso que eu tô falando, amor – Marina sorriu e abraçou a morena – Nós temos uma exposição para organizar, e essa exposição é em Londres. Londres, Inglaterra, frio, neve – falou risonha – Você vai precisar de algumas roupas mais quentes. E nós vamos resolver isso hoje.

A fotógrafa insistiu que as peças eram um presente. Clara insistiu em pagar. Por fim, chegaram em um acordo, embora Marina, a cada loja, arranjasse um jeito de adquirir peças que agradavam à namorada e que ela deixava de lado devido ao preço elevado.

Gastaram a manhã toda nas compras e almoçaram no shopping mesmo. De lá foram para Santa Teresa e, no fim da tarde, Marina levou Clara e as compras todas até o Leblon. Ivan voltaria da casa do pai apenas no dia seguinte, então elas apenas guardaram as coisas e saíram novamente. Clara queria aproveitar o restinho da tarde e ver o pôr do sol na praia.

Já eram quase oito da noite quando entraram no prédio da morena de mãos dadas. Cumprimentaram o porteiro e chamaram o elevador. Enquanto aguardavam uma voz, velha conhecida de Clara, vociferou atrás delas:

– É uma desavergonhada mesmo.

Notas finais
E aí, o que acharam? Por favor, não me deixem no escuro, falem comigo!