Notas iniciais
Capítulo light, só pra curtir um relax. Obrigada pelos comentários carinhosos!

Marina quase não dormiu naquela noite. Era como se tudo o que tinham vivido fosse desaparecer se ela fechasse os olhos. Não que Clara tivesse adormecido fácil. Entre carícias, champanhe e prazer, quase viram o dia amanhecer. Quando a assistente finalmente pegou no sono, a fotógrafa estava aconchegada em seus braços e assim permaneceu, totalmente relaxada. Nunca estivera nessa posição, era sempre ela que assumia a postura que Clara agora adotava, ao menos antes de inventar um motivo para ir embora. Não levava suas conquistas para casa, para seu quarto. Não gostava de compartilhar a intimidade de seu sono, suas possíveis fragilidades com as mulheres com quem transava e, com certeza, tinha dificuldade em adormecer tão próxima ao corpo de alguém. A intimidade da sua alma estava reservada aos poucos amigos e, de certa forma, ao seu pai. Mas Clara era diferente. Ela a fazia aceitar que não precisava ser forte o tempo todo. Fazia com que se entregasse como nunca se entregara nem mesmo a Vanessa, que, por algum tempo dividira a cama com ela e ainda agia de forma a lhe dar consolo nas noites mais difíceis, ainda que por motivos diferentes da amizade que faziam com que ela própria aceitasse os cuidados da ruiva. Marina se permitiu simplesmente aceitar o carinho que tanto desejara receber de Clara e adormeceu com um sorriso nos lábios.

Quando acordou tinha a assistente apoiada em seu ombro, e percebeu que estavam abraçadas uma à outra. Aquilo era bom, era o encaixe perfeito que sempre procurara, mesmo sem saber disso. Até encontrar a morena. Quando a conheceu soube, por instinto, que era ela o “algo a mais” de que sempre sentira falta. Deu um beijo em seus cabelos, tomando cuidado para não acordá-la e ficou ali, apenas aproveitando o cheiro que vinha dos cabelos dela e o calor de seu corpo, até que Clara acordou, pulando de forma estabanada, olhando em volta.

Num primeiro momento, Marina se assustou, pensando que o problema era o fato de estarem ambas nuas, que Clara tivesse se arrependido. Logo o choque deu lugar a um ataque de riso: a assistente, que acordava cedo para correr todas as manhãs, achava que tinha perdido a hora de levar o filho para a escola.

Nua, em pé ao lado da cama, Clara também começou a rir, quando olhou para a fotógrafa. Apertou os olhos na direção dela, como se tentasse focalizar melhor o seu rosto e avançou de quatro sobre a cama, até roubar-lhe um beijo rápido:

– Tá rindo de mim, mocinha?

– Tem mais alguém aqui?

– Sabe – roubou outro beijo – você não devia fazer isso! Eu posso – segurou os pulsos de Marina, prendendo-os na cama – ficar muito, muito chateada – falou isso e desceu com a boca pelo pescoço da fotógrafa, às vezes deixando que a língua escapasse entre eles, deixando a pele da namorada toda arrepiada.

– Isso é o que você faz quando tá chateada? – Marina provocou, suspirando – Acho que eu gosto de chatear você...

– Não... – Clara voltou a beijar-lhe os lábios – Quando eu fico chateada eu – aproximou a boca do seu ouvido, sussurrou – eu tomo um banho pra me acalmar...

Marina perdeu a voz quando a assistente saiu de cima de seu corpo e caminhou até o banheiro. “A bandida nem olha pra trás! Ah, não, isso não pode!” Esperou, quase sem reação, certa de que ela voltaria. Só se mexeu quando ouviu o barulho do chuveiro. Não pensou duas vezes, foi atrás da morena. A sua morena.

Se Clara percebeu que Marina estava no banheiro, não demonstrou de imediato. Sob o chuveiro, deslizava a esponja pelo corpo, deixando um rastro de espuma que a água logo retirava. A fotógrafa apoiou-se na pia e se permitiu observar, enquanto a jovem que tanto amava, de olhos fechados, lavava os cabelos e os enxaguava. Mordendo o lábio inferior, deixou seu olhar correr as pernas, as nádegas e as costas, admirando o corpo que tivera para si naquela noite. Demorou a perceber que era observada de volta.

– Vai ficar aí, olhando?

Foi para o box, junto de Clara. Deixou que ela lhe esfregasse as costas, que lavasse seu corpo todo. E logo as bocas estavam coladas, as línguas enroscadas. Os seios excitados, os mamilos de uma roçando a pele da outra, provocando pequenas descargas elétricas. Clara tinha as mãos apertando a bunda da fotógrafa e logo a colocou contra a parede, deixando os dedos deslizarem pelo corpo magro e delicado, até levá-los ao lugar que tanto desejava. Pressionou o sexo de Marina, usando toda a mão e a observou inclinar a cabeça para trás, com os olhos fechados e a boca entreaberta em um gemido. Penetrou-a com um dedo e começou a fazer um lento movimento de vai e vem, ao mesmo tempo em que colava os lábios em seu pescoço. Sentia as unhas cravadas em suas costas, onde ainda caia a água do chuveiro, fazendo arder as pequenas marcas que a fotógrafa deixava. Quando a sentiu rebolando, os quadris exigindo mais e mais, aumentou o ritmo dos movimentos e colocou mais um dedo dentro dela.

– Clara! – a voz de Marina estava rouca, embriagada de tesão — Eu...

– Você..? – Lambeu o maxilar e sussurrou junto ao ouvido – Você o quê? Humm?

– Eu vou... Vou gozar!

– Então goza! Goza olhando pra mim!- Marina abriu os olhos — Olha pra mim enquanto eu tô te fodendo! Olha!

Ela obedeceu, até por que a voz rouca da namorada agora soava com um tom de controle que, se fosse possível, a deixaria ainda mais molhada do que já estava. E com os olhos presos ao castanho faminto de Clara, sentiu que toda a sua energia era sugada pelo orgasmo intenso que atingiu seu corpo e gozou, gritando o nome da morena antes de fechar os olhos, com as pernas absolutamente moles.

Clara continuou na mesma posição, sustentando o corpo de Marina com o auxílio da parede, até que a jovem tivesse condições de se manter em pé por conta própria. Puxou-a para baixo do chuveiro e ficou ali com ela mais um pouco, até que seu coração voltasse a bater em um ritmo normal.

***

– Ainda não tô acreditando – Marina segurava a xícara com as duas mãos diante do rosto, sem tirar os olhos da namorada. Ria, divertida – Só você mesmo! Nós duas passando a noite num quarto emprestado, igual adolescente! Isso depois de um amasso no sofá!

– Não é emprestado... Bom, não assim, do jeito que a senhorita tá pensando — Clara se aproximou e beijou a testa da jovem, para depois sentar à sua frente – A Luiza resolveu fazer um test drive com o namorado, o quarto agora é meu – piscou um dos olhos – Pelo menos até eu voltar lá pra casa.

– Voltar? Como assim? – a fotógrafa deixou o medo transparecer em sua voz. Será que Clara considerava a possibilidade de reatar o casamento?

– Voltar voltando, oras! O apartamento é meu, uma hora o Cadu vai ter que sair de lá.

Terminaram o café e desceram juntas para a rua. Marina foi para o estúdio, enquanto Clara foi buscar o filho para levá-lo à escola. Cada uma seguiu seu caminho e ambas tinham o mesmo coração leve e feliz.

***

Quando Clara chegou ao estúdio o ensaio daquela tarde já havia começado. Marina, compenetrada, não percebeu sua entrada: dirigia as modelos e fazia as fotos, orientando Gisele quanto à iluminação que queria. Flavinha observava a cena à distância, em pé. Sorriu quando Clara parou ao seu lado.

– Eu ainda não sei o que você fez com ela, mas quero TODOS os detalhes, tá sabendo? – Flávia sussurrou para ela, apontando para a fotógrafa com a cabeça.

– Não sei do que você tá falando – sussurrou de volta.

– Não mesmo? A mulher saiu pra te ver ontem, chegou aqui quase ao meio dia, tomou um relaxante muscular mesmo assim ela mal consegue erguer a câmera pra trabalhar... As pernas então, nem precisa falar nada – riu enquanto Marina fazia careta ao se ajoelhar para conseguir um ângulo diferente – Sabe o mais curioso disso tudo? – não esperou resposta – Ela tá toda dolorida e aquele sorriso besta não sai da cara dela... O mesmo sorriso besta que tá no seu rosto também – Flavinha começou a rir alto e Clara acertou um tapa estalado em seu ombro, chamando a atenção da fotógrafa, que pediu licença às modelos para cumprimentá-la com um beijo.

Notas finais
E aí, gostaram?