Notas iniciais
Oi galerinha! Boa leitura :)

Regina percebeu que Weston não era diferente das demais cidades americanas, contando com desfiles e atividades para comemorar o Dia de Ação de Graças. Assim que adentraram o centro da cidade, a encontraram toda decorada com bandeirolas coloridas e grandes balões de gás em diversos personagens. As ruas estavam abarrotadas de gente, podiam ouvir o som de músicas e risos das pessoas que andavam de um lado para o outro, mas o melhor era o apetitoso cheiro de hot-dog, pipoca e algodão-doce que se intensificou quando entraram na rua principal.

Swan parou o carro no estacionamento em frente ao Granny’s e ambas caminharam de mãos dadas pela rua repleta de gente, observando as pessoas testarem suas habilidades nos jogos e brincadeiras das barraquinhas.

A morena estava empolgada com o evento, pois fazia anos que não participava de uma Parada. Conforme andavam, encontravam alguns conhecidos de Emma, assim se detinham para conversar com um e outro. Regina adorava aquele jeito de cidade pequena onde todos se conheciam e paravam para se cumprimentar ou simplesmente apenas acenar cordialmente, muito diferente das cidades grandes onde ninguém nem ao menos notava o outro, perdidos em suas rotinas estressantes.

Distraída com as decorações, Regina estancou ao visualizar a figura que caminhava pela mesma calçada. Emma, sem compreender, ergueu o olhar e alguns segundos depois percebeu do que se tratava. Fechou a mão livre em um punho apertado e travou o maxilar, tentando conter a sua irritação.

Assim que o treinador, ou melhor, ex-treinador Jefferson entendeu que era a vítima dos olhares do casal, tratou logo de mudar de calçada, fugindo de qualquer confronto. Não era idiota para se meter com as mulheres novamente, afinal a demissão e o processo que carregava nas costas era o suficiente para querer distância.

— Ah, como eu gostaria de ter visto o pisão que você deu nesse babaca. — disse a loira, acompanhando o homem com o olhar. — Deve estar tonto até agora.

Regina sorriu admirando a expressão bravinha que a namorada fazia. Lembrou-se do momento em que Emma soube o que havia acontecido na escola. A loira havia ficado tão furiosa que se estivesse presente naquela diretoria, o sujeitinho seria arrastado com algema e tudo antes que pudesse soletrar embuste.

— Pois eu adoraria ter visto a cara desse idiota quando recebeu o mandato de citação no processo. — comentou sorrindo de lado — Se ele imaginou que deixaríamos passar os absurdos daquele dia...

— Nunca esteve tão enganado. — Swan completou — Ninguém mexe com os nossos bebês e sai impune!

Regina assentiu satisfeita, recebendo um delicado beijo na testa. A loira carinhosamente a abraçou em seguida, fazendo-a se sentir a pessoa mais segura e feliz do mundo.

Logo os alto-falantes começaram a anunciar o início do desfile, fazendo as pessoas se aglomerarem na rua principal. Conversas e risos das crianças entusiasmadas sendo postas nos ombros dos pais se misturavam com a música animada que a banda da escola local começava a tocar. Os grandes balões infláveis disputavam as atenções com os carros enfeitados que desfilavam contando a história do Dia de Ação de Graças. Para ilustrar as diversas cenas exibiam a performance de adultos e crianças, que atuavam como pioneiros nas colheitas e índios carregando cestos com frutas. Em seguida, as líderes de torcida entraram em cena realizando a atuação com seus bastonetes, precedendo o carro da bela miss da cidade. O último carro trouxe o gordo peru que dançava, acenava e distribuía doces para as pessoas, fazendo as crianças pularem e gritarem animadas.

— Quando eu era garotinha costumava desfilar também. — Emma comentou.

— Você devia ser a coisa mais fofa vestida de pioneira ou indiazinha. — disse apertando as bochechas dela antes de beijá-la.

— Eu odiava. — sorriu — Costumava me esconder atrás das outras crianças, me sentindo uma palhaça naquela fantasia. Nunca gostei de aparecer ao contrário de Ruby.

— Alguém disse o nome do meu amor?!

Avistaram a ruiva que surgiu em meio as pessoas, carregando sua câmera fotográfica pendurada no pescoço.

— Hey, sis!

— Por fim encontrei vocês, criaturas. — Zelena bufou com as mãos na cintura — Atender o celular ninguém quer!

— Foi mal, cunhadinha. — Emma se desculpou, verificando as várias chamadas perdidas em seu aparelho — Nem o ouvimos tocar com essa barulheira.

— Onde está Ruby? — Regina perguntou, porém atenta a uma barraquinha de maçã caramelizada.

— No concurso de tortas — Zelena informou. — Que por sinal começa daqui a pouco.

— É sério? Rubs vai mesmo participar daqueles concursos de comilança?! — a morena indagou incrédula.

— Eu sei, parece mentira. — a loira respondeu com a diversão dançando em seu olhar esmeralda — E o mais inacreditável é que Ruby é campeã consecutiva.

Mais um carro passou dando fim ao desfile, deixando o trio ir ao encontro de Ruby no barracão do concurso. A competição não demorou mais de meia hora dando total vitória a Ruby que altiva exibia um troféu que possuía a forma de uma fatia de torta em pé e um vale compras em qualquer loja da cidade. Todos os outros participantes mal podiam caminhar de tanto comer enquanto a campeã se queixou de não ter provado o hot-dog ainda.

— Minha mulher é demais. —Zelena exclamou com orgulho, fotografando a namorada que fazia várias poses engraçadas — Vocês viram como ela aparou a torta nos peitos e mandou ver?!

— É um verdadeiro poço sem fundo isso sim. — Emma implicou ao ser puxada para as fotos junto com Regina.

— Só porque comi alguns pedacinhos de torta? — Ruby questionou fazendo um biquinho.

— Chama tudo aquilo de “pedacinhos”? — Regina se pronunciou surpresa — Não sei como conseguiu comer tanto. Só de olhar fiquei satisfeita.

— São anos de prática, Regi.

— E falta de educação. — completou a loira.

— Isso também. — sorriu divertida — Agora se me dão licença tenho que ganhar um urso para minha ruiva. — apontou para algumas barracas de jogos e se distanciou desfilando com o troféu e Zelena a tira colo.

— Amor, estou sentindo a falta do nosso menino. — a morena comentou, observando alguns jovens brincando nas barraquinhas.

— Eu também. — suspirou — Henry iria adorar tudo isso.

— Ele estava ansioso pelo passeio com o doador de esperma — disse a morena, fazendo Swan sorrir pelo apelido — Deve estar se divertindo.

— Espero que sim. Não estou afim de me estressar com o Neal.

***

Há alguns quilômetros dali, mais especificamente em um chalé nas montanhas, Henry descia as escadas apressado para encontrar o pai. Tinham combinado de fazer uma trilha pelas redondezas antes do almoço e o garoto estava satisfeito em ter a oportunidade de passar um tempo com Neal. No entanto, seus planos foram por água a baixo quando ficou sabendo por Jody, a mãe de Tamara, que o pai havia saído mais cedo para ir à cidade com a namorada comprar alguns mantimentos que faltavam para o jantar.

— Eles já devem estar de volta, querido. — disse a mulher, suavemente.

— Não tem problema, senhora. — suspirou — Eu já estou acostumado.

O garoto sentou no sofá aborrecido, sob o olhar penalizado da senhora. Agora entendia a insistência da filha em ir à cidade com seu genro. Negou com a cabeça. Aquilo não estava certo e teria uma conversa muito seria com Tamara, pois de forma alguma admitiria que a filha tivesse um comportamento tão egoísta e magoasse o rapazinho.

— Pode assistir televisão se quiser. O controle está na mesinha. — indicou assim que se retirou para a cozinha.

Henry agradeceu e ligou o televisor, porém sem prestar atenção ao programa. Estava muito chateado com o pai desde que havia descoberto que passariam o feriado com a família de Tamara. Respirou fundo. Ele não suportava a namorada de seu pai e a mulher também não escondia seu desgosto por ele.

Horas depois, Neal apareceu como se nada tivesse acontecido e ainda teve a audácia de perguntar porque o filho estava chateado. Naquele momento Henry entendeu que seu feriado havia terminado antes mesmo de começar.

***

Em Weston, Regina sorriu passando os braços em volta da cintura da namorada, trazendo-a para um abraço antes de beijá-la no pescoço.

— Agora que satisfez seu desejo por doces, me diga o que quer fazer, linda. — pediu a loira, dando uma última mordida em um morango coberto chocolate.

— Provavelmente se fizéssemos o que estou pensando seriamos presas por atentado ao pudor — sorriu marota, ouvindo-a gargalhar — Imagina como ficaria a sua reputação sendo uma mulher da lei!

— Então sugiro que pense logo em algo mais inocente.

— Que tal o mesmo que elas? — indicou a irmã e a cunhada que brincavam nas barraquinhas — Mas no nosso caso eu conseguirei um urso para você.

Regina arriscou a sorte tentando acertar argolas em garrafas de diversas colorações, no entanto não acertou o suficiente para o prêmio, saindo do jogo de mãos vazias e um bico manhoso. Emma não a deixou se aborrecer, a chamou para a tenda de tiro ao alvo, ensinando-a a atirar. A morena tentou a primeira vez e não conseguiu, mas na segunda tentativa ganhou disparando as balas de chumbo contra algumas latinhas coloridas. Com todos os alvos derrubados conseguiu dois ursos, estendeu um para Emma e segurou o outro na direção da barriga redondinha dizendo para filha que não havia motivos para ciúmes, já que ela também tinha ganhado um bichinho.

Emma também sorriu, se agachando para ficar na altura da barriga. Era incrível como a loira não perdia a oportunidade de conversar com o bebê.

— Acho que já está na hora de irmos. O pessoal está ansioso para te conhecer.

— Emm... — mordeu o lábio, se sentindo insegura.

— O que foi?

— Não estou certa se devo ir. Sua mãe foi muito amável em me convidar, mas...

— Minha mãe não estava sendo apenas amável, ela realmente quer que você vá.

— Ela me convidou enquanto sua amiga, mas e agora? O que seus tios e primos vão pensar de mim? E ainda tem minha filha.

— Nossa filha. — a corrigiu — Linda, não importa o que acham de você. Eu te amo e te quero como minha mulher.

— Tudo bem, meu anjo. Se você acha que não terá problema.

— Tenho certeza que todos te receberão bem.

Quando chegaram à casa dos pais de Emma, Ruby e Zelena já se encontravam no local. Alguns parentes estavam reunidos na sala esperando o começo do famoso jogo de football do dia de ação de graças, apenas deram uma pausa na conversa para receber os convidados. Regina foi apresentada aos tios de Emma, em especial a tia Ingrid, uma senhora elegante de cabelos loiros e belos olhos claros, que se mostrou tão simpática quanto as filhas Elsa e Ana, deixando-a bastante à vontade. Agora que conhecia a família de Emma sabia exatamente de onde Swan havia conseguido o jeito alegre e gentil.

Atraída pelas vozes dos convidados, Mary saiu da cozinha indo diretamente beijar a filha e em seguida Regina.

— Oh, filha, estou tão feliz que tenham vindo! — disse maravilhada — Achei que fossem se encantar no arraial e esquecer meu jantar.

— E acha que eu deixaria escapar a chance de provar seus quitutes que Emm tanto fala? De jeito nenhum!

A senhora sorriu prazerosamente e foi conversando com Regina até a cozinha, fazendo os convidados voltarem às atenções para a televisão onde já anunciava o começo da partida. Na cozinha, Ruby e o pai de Emma já estavam ajudando no jantar. Zelena também estava por lá beliscando os pãezinhos que a namorada havia acabado de retirar do forno. Com um sorriso brincalhão, a ruiva jogou um avental para Regina.

— Que barriga linda, querida. — elogiou tia Ingrid.

Sem o agasalho e com o avental marcando a cintura, a barriguinha de cinco meses estava bem evidente.

— Obrigada. — a morena sorriu sendo abraçada protetoramente por Emma que acariciava o ventre da amada.

— Mary, você não me falou que seria avó de novo! — falou em um tom alegre — Deve estar tão animada com seu netinho.

Mary por um momento ficou sem palavras olhando para a filha enquanto Regina se sentia desconcertada esperando que a senhora negasse, no entanto para sua surpresa a mãe de Emma abriu um suave sorriso para ela.

— Claro que estou animadíssima com a minha netinha. — disse Mary olhando afetuosamente para Regina — Não fique surpresa, querida, Emma me contou que terão uma menininha.

Com mais aquela informação se desenvolveu uma conversa sobre gravidez e crianças, onde as mulheres mais velhas e David davam dicas e contavam histórias sobre bebês e pais de primeira viagem, incluído alguns episódios da infância de Emma e Henry.

Logo o jantar ficou pronto, o belo peru reinava provocando o paladar, feito com manteiga de sálvia, cebolas caramelizadas e molho. Para acompanhar, além dos pãezinhos, um arroz com abóbora, milho cozido, purê de batatas e de sobremesa, tortas de maçã. Todos se sentaram à mesa lindamente decorada, uniram as mãos deram graças pelo dom da vida, pelo alimento recebido, por vitórias alcançadas e dificuldades superadas. Em seguida, o David destrinchou o peru e todos começaram a comer enquanto conversavam animadamente.

— Vão querer a sobremesa agora? — Mary perguntou quando todos terminaram o jantar. — Já aviso que a torta de maçã está divina. Experimentei assim que saiu do forno.

— Isso não é novidade, tia Mary. Sua torta é deliciosa! — Ana comentou.

— Ah, mas a de hoje é especial. — piscou para Regina que apenas sorriu em cumplicidade.

O aroma delicioso de maçã e canela preencheu a sala de jantar dando água na boca de todos.

— Hoje você se superou, tia! — Elsa disse em aprovação.

Os outros convidados que estavam com a boca cheia, apenas balançaram a cabeça em concordância.

— Dessa vez os créditos são de Regina. Ela quem preparou a torta.

— Uma delícia, sem dúvidas! — exclamou Zelena — Minha irmã arrasa, fala sério.

— Não exagere, sis. Sua namorada é praticamente uma chef de cozinha, por favor.

— Pois eu concordo com a Lena. — Ruby elogiou servindo-se de mais uma fatia. — Está perfeita, cunhada. Vou querer a receita, já aviso!

O rosto de Regina se iluminava diante de cada um dos elogios. Estava emocionada com a aceitação dela e do bebê por toda a família. Quando já não restara nada além de migalhas da torta, os primos de Emma recolheram a louça suja e cuidaram da limpeza da mesma, deixando os convidados continuar a conversa na sala. Mary aproveitou para levar a nora e Zelena para um tour em sua orgulhosa despensa abarrotada de produtos adquiridos por cupons, o passeio era quase obrigatório a todos que visitavam a casa.

***

No chalé, as coisas não estavam muito animadas, bem, pelo menos para Henry, pois parecia que todos ali se divertiam durante o jantar. Tamara era só sorrisos e não parava de contar sobre as viagens que havia feito com o namorado, o adolescente, por outro lado, ouvia tudo enquanto brincava com a comida no prato.

— Precisa de ajuda, querido? — Jody perguntou vendo que o menino quase não se alimentava. — Deve estar com dificuldade por causa do seu braço. Posso lhe ajudar a cortar o peru se quiser.

— Não, estou bem. Obrigado. — sorriu forçado.

A conversa continuou e novamente Tamara manipulou a atenção da mesa, porém dessa vez com algo inesperado: Ela estava grávida!

Henry observou as felicitações emocionadas que o casal recebia e percebeu que nunca havia se sentido tão excluído na vida.

— Fiz o exame de farmácia, mas eles são bastantes confiáveis hoje em dia. — Tamara explicava para os pais — Assim que voltarmos para casa, farei um ultrassom.

— Pode deixar que marcarei a consulta, filha. Em seguida poderemos ir às compras! — Jody disse entusiasmada.

— Aposto que será um garoto, o orgulho do vovô. — o homem mais velho falou também emocionado.

— É o que eu espero, um garotão para levar aos jogos, ensinar a andar de bicicleta, jogar bola... — Neal comentou sonhador.

— Igual como você fez comigo, certo, pai? — Henry proferiu irônico e magoado.

— Oh, espero que não esteja com ciúmes do bebê, Henry. — Tamara sorriu vitoriosa, porém recebeu um olhar de advertência dos pais.

— Filho, eu sei que você gostaria que eu e sua mãe ficássemos juntos, mas...

— Talvez quando era criança eu tenha desejado, mas agora? De jeito nenhum. — negou com a cabeça — As minhas mães se amam e vão me dar uma irmã, somos felizes juntos. Eu só queria, pai, que você de vez em quando se lembrasse que eu existo.

— Filho, não é bem assim, você tem que entender que eu trabalho muito para te dar uma vida confortável.

O menino o encarou com o olhar abatido, cansado das mesmas desculpas. Ele não era tolo, conseguia enxergar a verdade que estava bem a sua a frente por mais que doesse.

— Eu quero voltar para casa, agora. Se você não me levar, eu vou ligar para as minhas mães virem me buscar!

O adolescente jogou o guardanapo de tecido na mesa e deixou o cômodo rapidamente, sendo acompanhando pelos olhares dos casais.

— Ele disse “mães”? — o pai de Tamara questionou, franzindo o cenho.

Neal respirou fundo e esfregou o rosto em uma tentativa de se acalmar. Já previa a dor de cabeça que estava por vim.