Notas iniciais
Helloooo kids! Muito obrigada pelos comentários, bom saber que alguém ainda lê por aqui.

As horas avançavam, mas a conversa na casa dos Swans seguia tão agradável que ninguém queria ir embora. Regina, cansada pela animação do dia, acabou cochilando no colo da namorada enquanto conversavam com os primos da loira.

— Então, acho que essa é a minha deixa. — brincou olhando com carinho para a morena adormecida.

— Coitadinha, nessa fase o sono só aumenta. — Tia Ingrid comentou, observando o casal.

— Tem certeza que não seria melhor dormirem aqui, filha? — David ofereceu gentilmente.

— Não se preocupe, pai. Além disso... — se interrompeu ao ouvir o toque do seu celular, o que acabou despertando Regina, por sua vez.

— Espero que não seja algum problema na delegacia. — Mary exclamou vendo a filha alcançar o aparelho.

— Esse é o toque de Henry. — atendeu apressadamente sob o olhar de todos, principalmente da namorada que em poucos minutos havia trocado de sonolenta para desperta ao ouvir o nome do garoto.

— O que houve? — indagou a morena ao ver o semblante preocupado da namorada.

Emma sinalizou pedindo calma, mas por dentro sentia a raiva borbulhando.

— Ele fez o quê? — Swan perguntou. A cada palavra dita pelo adolescente, a mulher ficava mais indignada. — Não interessa, Henry.... Me passa a localização agora! Já estou saindo, me espere com a mochila pronta.

Quando desligou, Emma parecia um animal enjaulado explicando o que havia acontecido. Regina não estava diferente, sua vontade era de pular no pescoço de Neal.

— Filha, seu pai e eu vamos com você. — Mary se pronunciou — Está tarde e a viagem é cansativa.

— Mãe, eu dou conta sozinha. — suspirou, apoiando as mãos na cintura.

— De jeito nenhum! Iremos juntas buscar nosso filho. — Mills disse taxativa.

— Regina, eu vou te deixar em casa, ok? Sem discussões.

Mills a encarou seriamente, arqueando a sobrancelha direita e Emma soube que aquela era uma batalha perdida. Cinco minutos depois, ambas seguiam em direção ao chalé onde o filho estava hospedado.

A propriedade ficava a uma distância considerável de Weston, portanto levaram cerca de quase duas horas para chegar ao local. Agasalharam-se bem antes de sair do automóvel, pois a temperatura havia caído naquela região.

A construção era simpática e as luzes da varandinha davam um ar romântico ao chalé, porém as mulheres nem ao menos perceberam tamanha era sua pressa em resolver a situação.

A confusão era clara na expressão de Neal ao abrir a porta. Certamente o homem não esperava que o filho cumpriria a ameaça de ligar para Emma quando se recusou a leva-lo de volta para Weston naquela noite.

— Emma, o que está fazendo aqui? — questionou, deixando ambas as mulheres entrar.

— Obviamente vim buscar o meu filho. — disse a loira decidida.

— Combinamos que Henry passaria o feriado comigo e...

— Isso foi antes de ele me ligar pedindo para que viesse buscá-lo. — Swan o rebateu.

— Emma, por favor, é só uma birra de adolescente mimado.

— Percebe-se que você não conhece Henry. — Regina comentou — Talvez se passasse mais tempo com o seu filho saberia que...

— Hey, espere um momento! Quem você pensa que é para me julgar?

— Ela é a minha mãe! — Henry respondeu, descendo a escada com a mochila a tira colo.

— Não diga besteiras. — Cassidy sorriu debochado — Você só tem uma mãe, menino.

— Pouco importa o que você diga, eu tenho duas mães. — disse o rapazinho encarando seriamente o homem — Duas mães que me amam e me apoiam, são tudo o que você não é.

— Está sendo ingrato, Henry. Alguma vez já te deixei faltar alguma coisa?!

— Você, pai! Você me faltou. — gritou exaltado — Onde estava nos meus jogos de baseball, nos meus aniversários, nos feriados e nas peças de teatro?

— Eu sei que falhei algumas vezes, ok?! Estava trabalhando, tenho prazos e metas a cumprir. — Neal gesticulava pela sala, tentando argumentar. — Mas eu te trouxe para cá, não foi? E olha o que você me apronta.

— Achei que seriamos só nos dois, você me prometeu que passaríamos um tempo juntos. — negou com a cabeça — A única conversa que tivemos foi para me dar uma bronca por ter trocado de baseball para futebol. Nem se preocupou quando viu que quebrei o braço.

— Henry... — Neal começou, sem saber o que dizer.

— Você não se importa comigo, pai! Só quer saber dessa daí. — indicou Tamara que escolheu aquele momento para surgir na sala.

— Veja a forma como esse menino me trata, Neal. Não tem respeito por ninguém, é um mal-educado. — Tamara exclamou se vitimizando.

As mães que até então observavam tudo sem interromper, dando a chance de Henry desabafar, se irritaram com a acusação da outra.

— Olha, aqui... Eu acho bom essa mulher não abrir a boca para falar do meu filho se não a coisa vai ficar feia. — Emma cortou a encenação, cansada de tudo aquilo.

— Vamos embora, meus amores. Não temos mais nada para fazer aqui. — disse Regina abraçando Henry pelos ombros e lançando um olhar enojado para o casal.

— Um minuto! — Neal se interpôs — Vocês não levarão o Henry, porque deixei claro que ele passaria o feriado comigo. Eu sou o pai dele e tenho direitos!

— Que parte de que ele não quer mais ficar aqui você não entendeu? — Swan indagou.

— Querido, vá esperar no carro. — Regina pediu ao garoto, não gostaria que ele presenciasse mais aquela situação. Porém o adolescente não obedeceu, não queria deixar as mães ali.

— O que está acontecendo aqui?!

O homem de meia idade desceu as escadas seguido pela esposa, que olhava a cena apreensiva.

— Parece, papai, que Neal descobriu que serve apenas para pagar as despesas, mas não pode estar com o garoto. — Tamara falou debochada.

— E eu já te aviso, Emma, que vou solicitar a revisão da pensão de Henry, não vou aceitar essa palhaçada de sustentar você e mais essa aproveitadora. — Cassidy informou.

— Muito cuidado com o que fala, a Regina é minha mulher e merece respeito. — avançou, fazendo o homem dar dois passos para trás. — E desde quando você me sustenta? Só pode ter ficado louco, cara. O que você deposita não cobre nem metade dos custos de um adolescente, seu idiota.

Richard, o pai de Tamara, ficou lívido quando percebeu quem estava ali em sua casa, diante de si.

— Senhoritas, peço que desculpem o comportamento da minha filha, ela está grávida, sabe como são os hormônios. — sorriu cortês, mas o nervosismo era evidente.

— Conheço muito bem esses hormônios, mas não os culpe pelo comportamento deprimente de sua filha, até onde eu sei, eles não são responsáveis por sua falta de educação. — Regina respondeu friamente.

Tamara sugou o ar enfurecida, esperando que seus pais ou Neal a defendesse. No entanto, Richard apenas concordou com o que fora dito e seu noivo parecia um dois de paus, parado no meio da sala.

— Bem, sentem-se, fiquem à vontade. — Richard falou gentilmente — Aceitam uma bebida?

— Papai, o que você está fazendo? — Tamara questionou incrédula pelo comportamento do homem mais velho.

Richard, por sua vez, não se deu ao trabalho de responder, tão-somente puxou o genro de lado.

— Você sabe quem é aquela mulher? — perguntou entredentes para Cassidy.

— É Emma, a mãe do meu filho. — Neal respondeu de forma óbvia.

— Não, seu grande imbecil. Estou falando de Regina Mills, uma das herdeiras da Construtora Mills, a nossa maior cliente! — sussurrou raivoso — Eu acho bom você consertar essa confusão porque se perdermos a conta Mills...

O homem nem precisou finalizar, Neal sabia das consequências, estaria solteiro e desempregado em um piscar de olhos. Voltou para a sala, totalmente sem graça e pigarreou antes de começar uma enxurrada de pedidos de desculpas para o horror de Tamara e curiosidade dos demais.

— Já chega, cara! Você deve desculpas ao seu filho e não a mim, apesar de que dessa vez você passou dos limites. — Swan o interrompeu, impedindo Neal de segui-las para fora do chalé. Henry já estava lá fora encostado ao carro, aguardando-as.

— Eu sei, Emma, só queria que soubessem que não farei nada para prejudica-los. — Cassidy falou contrito.

— Claro que não, até porque se tentar, eu juro que meu advogado vai lhe arrancar até as ceroulas. — disse Regina enviando-lhe um olhar congelante.

Swan quase sorriu ao ver o embuste engolir em seco diante da ameaça de Regina. Sua mulher sabia muito bem como intimidar as pessoas.

— Podem ficar tranquilas. — O homem respondeu ainda incomodado.

— E, Tamara... — a loira chamou a atenção da mulher que assistia tudo em silencio — Espero que você tenha mais sorte para criar esse bebê, que o Neal não seja a merda de pai que ele foi para o Henry.

Dito isso, Swan conduziu a namorada em direção a caminhonete, ajudando-a a se acomodar no banco e verificando como estava o filho. Quando pegaram a estrada, olhou pelo retrovisor mais uma vez, observando o reflexo tristonho de Henry. Mais tarde conversariam com calma sobre o ocorrido e tentariam resolver o que pudesse ser resolvido.

Em casa, deram espaço para o garoto decidir o momento que quisesse conversar. Não demorou muito, quando as mães surgiram em seu quarto para lhe desejar boa noite, o adolescente acabou desabafando sobre o que havia acontecido e o que estava sentindo diante daquela situação. As mães o ouviram e acolheram da melhor forma possível, Regina delicadamente sugeriu que visitassem um terapeuta, apenas para uma conversa se assim o adolescente desejasse, afinal na vida há situações e momentos difíceis com os quais as pessoas não precisam lidar sozinhas, podem contar com amigos, familiares e também auxílio de um profissional. Henry prometeu pensar a respeito enquanto as mães lhe davam um beijo de boa noite.

Minutos depois, no quarto do casal, Regina passava hidratante na barriga redondinha, ao mesmo tempo em que, conversava com sua menina. Na televisão passava uma reprise de Sex and the city, mas a atenção de Emma estava voltada para a cena que acontecia ao seu lado, a loira amava presenciar esses momentos de interação entre as mulheres da sua vida.

— Que barriga linda, amor. — Emma olhava para a morena com o maior sorriso bobo. — Não vejo a hora de ver nossa menina na próxima consulta.

— Também estou ansiosa. — disse largando o tubo de creme no criado mudo e vestindo a camisola — Seus pais me fizeram prometer que informaria a data, disseram que querem participar da vida da neta desde cedo.

— Sua irmã e Rubs também querem ir, espero que não vire bagunça.

— Com Zelena no meio? Duvido que minha irmã não seja convidada a se retirar do consultório. — Regina falou em meio a gargalhadas.

— Por falar nas duas malucas... será que vão dormir na casa dos meus pais?

— Não, meu anjo, Zel me mandou uma mensagem contando que estavam jogando poker com seus primos, mas já estavam vindo, pois, sua mãe foi pega trapaceando. — comentou a morena arrancando uma gostosa gargalhada da namorada.

— Minha mãe não tem vergonha mesmo. Você acredita que... — se interrompeu ao ouvir fracas batidinhas na porta — Entra!

Um Henry agarrado ao travesseiro colocou metade do corpo para dentro do quarto.

— Mães, posso dormir com vocês? — pediu timidamente — Só hoje, por favor.

— Claro que sim, meu bebê! — Regina respondeu e a loira deu duas batidinhas na cama, fazendo o garoto sorrir e correr para deitar entre as duas mulheres, Lola aproveitou para se infiltrar e também subiu na cama.

Zelena que passava pelo corredor, achou de participar da cena.

— Opa, agora vai virar bagunça — a ruiva encontrou um lugarzinho ao lado da irmã e se encaixou quase caindo da cama, fazendo todos gargalharem.

— Muito bonito, heim! Ninguém me chama para essa festa do pijama. — Ruby guiada pelo som das risadas também quis participar.

— Nem pense nisso, Rubs! — Emma foi logo barrando a amiga — Essa cama vai acabar quebrando.

— Deixa de ser chata, nem peso muito. — A morena de olhos verdes buscou um espaço entre Henry e Emma, mas assim que se acomodou, ouviram apenas o estrondo da cama desabando. Felizmente ninguém havia se machucado.

— Ruby!!! — gritaram em uníssono.

— O quê? A culpa não é minha se as duas coelhas aqui sacodem tanto a cama que a madeira ficou puída.

— Eu vou é puir a sua cara, loba sarnenta! — disse Emma correndo atrás da amiga que fugia pelo quarto.

Sorrindo pelas estripulias das duas, que eram mais do que amigas, eram irmãs de coração, Henry refletiu brevemente sobre sua família. Percebeu que família é quem ama e cuida, mesmo que não tenham laços sanguíneos. Família é quem está ao lado nos momentos difíceis mais do que nos momentos fáceis. Suspirou ao abraçar sua mãe morena, sentindo o ventre volumoso onde sua amada irmãzinha crescia e riu ao ter os cabelos arrepiados pela tia Zelena. Sentiu-se sortudo, tinha uma pequena, barulhenta e linda família.

***

Em Seattle, a elegante senhora, desceu do Bentley estacionado em frente a luxuosa mansão. Cora Mills respirou fundo, inalando o cheiro de casa, misturado ao odor que o vento outonal trazia consigo.

Ah, foi revigorante passar os dias no spa e posteriormente se hospedar na casa de uma querida amiga no sul da França, mas agora só queria estar em casa.

— Seja bem-vinda de volta, senhora. — disse a governanta, assim que abriu a porta para recepcionar a mulher.

— Diga para prepararem meu chá da tarde imediatamente e sirva sem demora, vou subir para o meu quarto e não quero ser incomodada durante meu repouso.

— Sim, senhora. — respondeu fazendo um sinal para que a empregada que a acompanhava seguisse as ordens.

— Surgiu algum problema durante a minha ausência? — perguntou enquanto chegava ao topo da escadaria — Além do acidente com o meu vaso chinês, é claro.

— Sinto muito pelo seu vaso, mas a senhorita Zelena estava muito chateada e... — tentou explicar, mas foi cortada pela mulher.

— Minhas filhas ligaram? — perguntou entrando no cômodo e sentando-se na chaise, próxima a janela.

— Não, senhora. Apenas as senhoras do Country Club e o Senhor Humbert.

Cora suspirou. Acreditava que depois de meses ignorando as filhas, as ingratas resolveriam procura-la. Tolo engano. Bem, pelo menos Regina havia lhe obedecido, já que Graham deveria estar ligando para que organizassem os acertos para o casamento.

— Mudei de ideia. Ordene ao motorista que esteja pronto em uma hora. — levantou-se altiva — Farei uma visita a Regina.

Notas finais
Alguém com saudades de Cora Mills?