Notas iniciais
Voltei rapidinho, gente! Estou muito feliz com os comentários de vocês! Obrigada, meu anjos! Agradeço de coração a Xandoca pela linda recomendação. Muito, muito obrigada! Esse capítulo é dedicado a você! Emma marcando presença no capítulo de hoje. E se preparem, pois o capítulo está pesadinho.

Emma deitou no sofá, logo após dar um beijo no filho e mandá-lo para a cama. Sentindo o cansaço dominar seu corpo, ligou a televisão sem prestar a mínima atenção ao programa. Sua cabeça estava longe, em Seattle para ser mais exata. Regina... Há essa hora ela já deveria ter contado sobre a gravidez, talvez até mesmo já estivesse no melhor restaurante da cidade, comemorando, fazendo planos com o namorado. Passou as mãos no rosto, nervosa e deu um pulo quando o telefone tocou. Olhou no identificador e franziu a testa ao ver o número da amiga. Tirou o aparelho do gancho caminhando para a cozinha, seu estômago deu um leve ronco, fazendo-a torcer o nariz enquanto levava o telefone até seu ouvido.

— Regi.

Regina sentiu alívio ao ouvir a voz da amiga, assim não evitou um suspiro. Aquela voz grave era tão reconfortante que, por um momento, sentiu como se estivesse envolta por braços quentes e aconchegantes.

— Oi, Emm.

A loira se pôs alerta captando a voz trêmula do outro lado.

— O que houve? — um silêncio dominou a chamada — O que ele fez, minha rainha?

— Graham estava me traindo com minha amiga.

— Regi eu... — passou as mãos na testa sem saber o que dizer.

— Fui ao apartamento dele contar sobre o bebê e os peguei na cama. — limpou uma lágrima.

A raiva de Emma foi tão grande e incontrolável que acabou por acertar um murro na geladeira que estava logo a sua frente fazendo a mesma sofrer um leve amassado logo na porta, pôde sentir a pontada forte de dor que pareceu lhe atingir até o cérebro, porém nem ao menos se importou.

Queria quebrar a cara do imbecil, e, se infelizmente não o tinha ao seu alcance, ao menos havia conseguido extravasar uma pequena parte do seu ódio por Graham. Então respirou fundo. Não era hora para isso. Tinha que se preocupar com Regina e com o bebê nesse momento, apenas isso.

— Tudo vai ficar bem, querida.

— Não, Emma. Não vai. — a voz dela era entrecortada — Contei a ele sobre o bebê.

Emma segurou o telefone com força, como se daquele modo, pudesse ficar mais perto dela.

— E então?

— Ofereceu dinheiro para que me desfaça do meu bebê.

Swan ouviu o soluço do outro lado da linha. Ela nunca se sentira tão impotente na vida quanto estava naquele momento, escutando-a chorar de modo desesperado. Infelizmente a única coisa que poderia fazer por Regina era tentar, mais uma vez, confortá-la com palavras carinhosas e calmantes.

— Por que ele fez isso, Emm? Tínhamos um bom relacionamento! Achei que ele me amava, que me respeitava.

— Escute, minha rainha... Ele é um idiota e não a merecia, assim como não merece uma lágrima sua. — a ouviu fungar — Pare de chorar e pense no bebê, creio que não está fazendo nada bem a ele.

— Ah o bebê — voltando a chorar — Eu não sei o que fazer, estou sem chão!

— Você quer mesmo esse bebê, querida?

— Eu o quero muito, Emm. Já amo demais o meu bebê e não quero nem pensar em outra opção.

— Era apenas isso que eu queria saber. Se você quer essa criança, vai tê-la, Regina. Ninguém vai impedi-la.

— Terei que enfrentar Graham. — com a voz trêmula.

— Mande-o ao inferno.

— Tenho certeza que ele vai voltar a me procurar. Deus, queria fugir, desaparecer, ir para um lugar onde ninguém me encontrasse!

— Nem pense em uma ideia estúpida dessas, Regina! — ralhou.

— É o que estou sentindo.

Ela se sentou no parapeito da janela vendo o movimento na rua e ouvindo a respiração do outro lado da linha. Emma caminhou até a janela olhando as estrelas. Oh, talvez fizesse uma coisa estúpida, quem sabe a coisa mais idiota que já havia feito na vida, mas seu coração gritava para que o fizesse. Então respirou fundo mordendo o lábio e com a voz um tanto trêmula, porém confiante, disse:

— Venha morar comigo, Regina.

A noite foi insone para ambas. Emma mal conseguiu pregar os olhos, ansiosa pela resposta da morena, enquanto que Regina passou a madrugada relembrando todo o estresse e nervoso do dia anterior. O convite que a amiga fizera rondava seus pensamentos e quando adormeceu já havia tomado sua decisão.

Regina acordou com o barulho das cortinas sendo violentamente arrastadas para que a entrada da claridade se fizesse presente no cômodo. Lutando contra o sono e a sensibilidade nos olhos, a morena focou a vista na elegante senhora que a observava com expressão dura.

— Mamãe?

— Levante-se, Regina. Estou lhe aguardando na sala.

Dito isso, Cora deu-lhe as costas e saiu do quarto. Regina respirou fundo e pediu aos céus que tivesse paciência para os ataques de sua mãe.

Devidamente arrumada, foi ao encontro de sua mãe, que bebericava uma xícara de chá.

— O que está fazendo aqui, mamãe?

— A única que me deve explicações aqui é você!

A mulher mais velha colocou a xícara de lado e apontou para algumas roupinhas que pendiam das sacolas com estampas infantis de uma famosa grife que estavam sobre o sofá. Regina imediatamente empalideceu. Seus lábios abriam e fechavam, sem emitir som algum enquanto seu olhar desviava das roupinhas do bebê para o olhar mortal de sua mãe:

— Então, Regina, vai me dizer de uma vez por todas o que está acontecendo? E torço, para o seu próprio bem, que se trate apenas de presentes para alguma amiga.

— Não são presentes. — respirou fundo, sentindo a cabeça latejar — Estou grávida.

— Que história estapafúrdia é essa? — esbravejou — Não estou para brincadeiras, Regina.

— Tampouco estou brincando, Cora. Vou ter um bebê!

— Você enlouqueceu, menina? Quer pisar em nosso sobrenome, jogá-lo na lama? — tinha um olhar furioso. — Quem é o pai dessa criança?

— Graham Humbert. — praticamente cuspiu o nome.

— Menos mal. Família relativamente influente. — disse com uma expressão pensativa, mas Regina conhecia muito bem aquele semblante manipulador — Poderemos anunciar o noivado e em seguida vocês se casam. Talvez se usar uma cinta ou roupas mais largas poderemos ganhar tempo.

— Não haverá casamento algum. — a mulher mais velha lhe enviou um olhar ultrajado — Graham e eu terminamos, ele estava me traindo com Katherine, mamãe.

— Oh, Regina. Acaso acha que seu pai foi algum santo? — soltou uma risada irônica — Basta fechar os olhos para as escapadinhas dos homens e tudo fica bem, desde que seu marido se sinta culpado e a cubra de presentes, joias e viagens.

— Mamãe, você está se ouvindo? Como não percebe o absurdo que está falando…?

— Ora, menina tola, o que prefere? Ser uma largada, com um filho nos braços?

— Muitas mulheres criam seus filhos sozinhas. — lembrou-se de Emma e das mulheres do grupo de apoio. — Tenho condições física, financeira e psicológica de ter o meu bebê, não preciso de homem nenhum.

— Eu não consentirei uma barbaridade dessas, que fique claro!

— Espere, por favor, me diga que não está sugerindo que eu interrompa minha gravidez— encarou a mãe que mantinha o semblante fechado. Regina estava chocada. — Mamãe, que tipo de ser humano é você? Esse bebê que carrego é seu neto!

— Se quer essa criança, sugiro que deixe de fantasiar com um casamento por amor e fique com Graham. Não terei um neto bastardo!

— Entenda uma coisa, Cora! — enxugou uma lágrima teimosa — Sou adulta e independente, não preciso do seu consentimento para absolutamente nada. Pouco me importa o que suas amigas preconceituosas e hipócritas dirão.

— Imaginei que sua irmã seria meu maior desgosto, porém estava enganada. Você conseguiu se tornar uma decepção ainda maior que Zelena. Justo você! Ah, eu tinha tantos planos para você, menina. — Negou com a cabeça.

— Isso não é novidade, mamãe. Crescemos vítimas da sua manipulação, sempre ouvindo o quanto a desapontaria caso fizéssemos nossas próprias escolhas. — respirou fundo quando sentiu mais uma lágrima deslizar por sua face. — Mas acabou! Desde que saí de casa, você deveria ter entendido que não estou mais disposta a aceitar seus mandos e desmandos.

— Não ouse me desobedecer, Regina! — proferiu inteiramente exaltada — Se levar esse disparate adiante esqueça que é minha filha.

O olhar desapontado mais uma vez se fazia presente, o olhar que Regina tanto evitou receber durante sua infância e adolescência.

— Será fácil, já que você há muito se esqueceu de que é minha mãe. — disse em um tom extremamente magoado. — Adeus, Cora Mills. Espero que todo o seu dinheiro e prestígio sejam o suficiente.

Como a maioria dos pais, Cora imaginava e idealizava sobre o futuro que suas pequenas teriam e sem perceber, estava depositando todas as suas expectativas e vontades naqueles serzinhos, fossem a respeito da aparência, dos gostos, a forma de se comportar, inclusive com quem casariam. Então as duas meninas, a medida em que cresciam, mostravam à mãe que tinham suas próprias vontades, identidade e jeito de ver a vida. Assim, inciando uma série de conflitos, porquanto Cora não entendia como poderia suas filhas não atender as suas expectativas. Com o passar do tempo, a mulher começou a reagir de modo exaltado, demonstrando sua decepção a cada escolha das irmãs Mills.

Em virtude desta situação, Zelena e Regina optaram por percorrer o caminho traçado pela mãe para não decepcioná-la, contudo, não eram felizes daquele jeito, não se sentiam realizadas. Zelena foi a primeira a sair de casa em busca de sua independência, fazendo com que a responsabilidade em agradar Cora ficasse apenas para Regina, dificultando a tarefa da morena de enfrentar sua mãe e informá-la que a expectativa criada por ela não seria atendida, pois escolheu seguir outros caminhos.

Cora jamais aceitou que suas filhas não eram uma extensão sua, não percebeu que estava afastando-as por conta de suas palavras cruéis e vontades egoístas. Porém a mulher mais velha havia passado de todos os limites e agora arcaria com as consequências.

Notas finais
E o prêmio de melhor mãe vai para Cora Mills. SQN! Então gostaram da proposta da Emma? O que acharam da futura sogra da loira?