Luz da minha vida
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Regina respirou fundo ao entrar na sala de desembarque. Fechou os olhos por alguns segundos sentindo os mesmos arderem por conta das lágrimas que tentava segurar. Pousou sua mão com carinho por sua barriga. Não estava sozinha, tinha seu bebê e agora teria Emma e Henry ao seu lado. Emma! Percorreu o local com olhos ansiosos procurando por sua amiga, até que sentiu um par de mãos cobrirem seus olhos. Prendeu sua respiração sentindo seu coração bater acelerado e então sorriu, como não sorria há dias, como pensou que jamais voltaria a sorrir.
— Adivinha quem é?! — sua voz grave próxima aos seus ouvidos a fez suspirar baixo enquanto sentia uma corrente elétrica passar por seu corpo. E então uma paz e tranquilidade se apoderaram do mesmo.
— Emm... — disse em um sussurro, sua voz embargada quase falhou e seu corpo tremeu levemente.
Emma suspirou deslizando suas mãos pelos braços daquela mulher, virando-a gentilmente para encará-la nos olhos, e então sorriu docemente, lhe mostrando que estava ali por ela enquanto, com carinho, trazia o pequeno e trêmulo corpo para perto do seu a abraçando, sentindo como ela se encolhia contra si aparentando ser menor e muito mais frágil do que de fato era. Fechou os olhos ao ouvir o baixo soluço que saia de sua garganta e a apertou mais em seu abraço, lhe beijando os cabelos enquanto acarinhava os mesmos com uma de suas mãos.
— Shii... Já não chore mais, linda — lhe murmurou ao ouvido com voz calma e serena espalmando sua outra mão por suas costas — Eu estou aqui, Regi, vai ficar tudo bem.
Nada mais foi dito, ambas se apertavam cada vez mais naquele abraço inalando uma o cheio da outra.
Remember those walls I built (Lembra daquelas paredes que construí)
Well baby they're tumbling down (Bem elas estão desmoronando)
And they didn't even put up a fight (Elas nem tentaram ficar em pé)
They didn't even make a sound (Nem fizeram um som)
I found a way to let you in (Eu achei um jeito de deixa lo entrar)
But I never really had a doubt (Mas eu nunca tive dúvida)
Standing in the light of your halo (Sob a luz de sua auréola)
I got my angel now (Eu tenho meu anjo agora)
Emma, apesar de estar com o coração apertado por vê-la sofrer, não pôde conter um sorriso de escapar de seus lábios. Finalmente a tinha em seus braços, finalmente pôde ver os traços de seu rosto, mesmo que ainda havia sido apenas por alguns segundos antes de abraçá-la, mas havia visto ali a sua frente e não por fotos ou por uma conversa com câmera, havia podido sentir seu cheio exalando diretamente de sua pele e não vindo de uma camiseta enviada pela morena, havia podido sentir aquele corpo contra o seu de verdade e não apenas em seus sonhos como era antes... ela estava ali, e não iria a lugar nenhum, nunca mais.
It's like I've been awakened (É como se eu estivesse despertando)
Every rule I had you breaking (Todas as regras que eu tinha você está quebrando)
It's the risk that I'm taking (É o risco que eu estou correndo)
I ain't never gonna shut you out (Eu nunca vou te calar)
Oh, era loucura. Pensou Regina, enquanto a sentia lhe afagar as costas e os cabelos murmurando palavras doces em seu ouvido. Era uma completa e imensa loucura ter deixado tudo para trás e vir morar com uma mulher que nunca havia visto pessoalmente, mudar de cidade para viver com uma pessoa que talvez não fosse nada do que aparentou ser durante os anos de amizade a distância.
Então, inconscientemente, roçou seu rosto contra o tecido macio da camiseta que a loira vestia e inalou o cheiro que já conhecia há tanto tempo. O mesmo cheiro presente na camiseta cinza clara com uma estampa de O Hobbit que ela havia lhe mandado em uma das inúmeras trocas de presentes malucos que haviam feito. Moveu suas mãos adentrando por dentro da jaqueta vermelha agarrando com força a camiseta e afundou ainda mais o rosto na dobra do pescoço delicado e aconchegante. E sorriu.
Oh, era loucura, mas era a loucura mais sana que havia feito em toda sua vida. Estava nos braços da pessoa que ela sabia e sentia que jamais lhe magoaria, estava nos braços da pessoa que ela sabia que lhe cuidaria toda a vida, estava nos braços da pessoa que lhe faria feliz.
Era uma completa e imensa loucura, mas era das loucuras corretas. Era das loucuras que mudaria sua vida totalmente para melhor.
Regina sentiu como se tivesse passado toda sua vida abraçando Swan e sentido seu cheiro contra as narinas, era como se toda sua vida houvesse tido todo seu corpo aquecido pelo calor do corpo da loira. Encarou-a com um sorriso fraco e tirou a mecha que lhe caia nos olhos.
Everywhere I'm looking now (Em todo lugar que eu olho agora)
I'm surrounded by your embrace (Estou rodeada pelo seu abraço)
Baby I can see your halo (Baby eu posso ver sua auréola)
You know you're my saving grace (Você sabe que é minha graça salvadora)
You're everything I need and more (Você é tudo que eu preciso e mais)
It's written all over your face (Dá pra ver no seu rosto)
Baby I can feel your halo (Baby eu posso sentir sua auréola)
Pray it won't fade away (Ore para que não desapareça)
Afastaram-se minutos mais tarde do abraço que, por incrível que parecesse, lhes era tão familiar.
— Obrigada, Emm.
— De nada, minha rainha. — enxugou delicadamente a face da amiga — Agora vamos pegar o resto das suas bagagens.
— Não trouxe muita coisa.
Swan apenas assentiu e então ambas caminharam lado a lado até chegar à esteira que trazia a bagagens de Regina. Tratava-se de apenas uma mala grande de rodinhas, uma mochila de costas e uma valise. Emma pendurou a mochila sobre o ombro enquanto puxava a mala maior, Regina pegou a valise e logo atravessavam o saguão do aeroporto, chamando a atenção das poucas pessoas que ainda se encontravam por lá. Emma apenas cumprimentava alguns conhecidos de longe, acenando com a cabeça, enquanto sustentava a destra nas costas da amiga que sorria vendo o jeito simples daquelas pessoas.
A paisagem do Connecticut era belíssima, Regina pensou com ar sonhador enquanto contemplava o vasto cenário que se abria diante de seus olhos. Mesmo a vista do outono era algo que tirava o fôlego, as belas cores das folhas amareladas e avermelhadas nas árvores, ou caídas ao chão, fazendo um belo contraste com o céu azul. Era algo fabuloso para quem estava acostumada a edifícios enormes, asfalto e um céu cinza. Suspirou sentindo a paz se apossar dela ao mesmo tempo em que a mão da amiga tocou a sua. Virou o rosto e se encararam sorrindo enquanto Swan murmurava junto com o rádio uma típica e romântica canção local.
Percorreram mais alguns quilômetros passando por algumas casas simples de um povoado que antecedia seu destino. Logo passaram por uma placa de boas-vindas à Weston, ao adentrarem o centro, Regina não evitou observar que em comparação a Seattle, parecia mais um bairro que uma cidade. Alguns minutos depois, Emma indicou uma charmosa construção ladeada por outras casas com belos jardins, quase no finzinho da rua. Era uma construção simples de dois andares, pintada de branco, a varanda na frente da casa dava uma sensação de aconchego tão grande que Regina não pôde evitar se imaginar sentada ali, admirando o fim da tarde.
Desceram do carro trazendo as bagagens. Regina deixou que o ar puro adentrasse em seus pulmões e abraçou a si mesma, sentindo a leve brisa que lhe tocava a pele. Para quem estava acostumada com o clima um pouco chuvoso e mais frio de Seattle aquela mudança climática repentina lhe havia pego de surpresa.
Enquanto Emma abria a porta, a morena se deparou com um lindo e preguiçoso gato deitado no balanço da varanda, abanando languidamente a cauda de um lado para o outro.
— Que fofo! É seu?
— O que? — o olhar foi da morena até o felino — Ah o Byron? — sorriu para a amiga — É da Ruby, lembra-se dela? O deixou aqui alguns dias enquanto o apartamento dela passa por uma reforma.
Ela assentiu se lembrando das vezes que Emma comentava sobre a morena, que era apaixona por cozinha. Acariciou mais uma vez o animal que se derreteu ronronando prazerosamente. Regina sorriu e se levantou segurando a mão que a amiga estendia.
Assim que a porta de entrada foi aberta, a morena aumentou o sorriso. O piso era de uma madeira clara e lustrosa, e aparentemente o mesmo piso se estendia pela casa inteira, a sala simples e aconchegante parecia ter saído de um filme. Havia um lindo e grande sofá azul-claro e uma poltrona estampada davam vida a sala, no chão entre os sofás havia um felpudo tapete em creme decorado sob uma mesinha de centro com um arranjo floral maravilhoso. A deliciosa lareira abrigava vários porta-retratos com fotos da família Swan. Rostos sorridentes de Emma, Henry e alguns amigos ornamentavam o móvel, porém uma imagem em especial lhe chamou atenção, nela Emma estava lindamente grávida, exibindo com orgulho o ventre volumoso.
Sentiu a mão da amiga deslizar por suas costas. Seu olhar se voltou para a loira e percebeu que suas bagagens já estavam no chão e rapidamente depositou a valise que estava em sua mão ao lado das outras. Mordeu os lábios respirando fundo e abriu um terno sorriso para Emma que lhe sorriu de volta.
— Quer conhecer toda a casa ou prefere subir para descansar?
— Não — girou o olhar novamente pela pequena e aconchegante sala — Quero conhecer todos os cômodos.
— Bem, então vamos começar nosso tour pela cozinha.
A cozinha era integrada a sala, apenas dividida pelo balcão e algumas banquetas. No segundo em que Regina viu a cozinha lembrou-se de Emma pedindo sua opinião para aquele cômodo no ano passado, quando foi reformado. Regina, que adorava cozinhar, tinha se empolgado e ajudou de longe com ideias para o ambiente. Agora, podia ver o quanto aquele cômodo era uma mistura dela e de Emma, pois além de ser prática, funcional e sofisticada tinha o mesmo toque country da sala. Passou os dedos pelo balcão sentindo o contato do granito frio, o ambiente era basicamente composto por branco e azul-claro servindo de complemento um ao outro. Era adorável! Incrível como estava se sentindo tão mais em casa do que jamais havia se sentido em seu próprio apartamento! Talvez fosse o ar aconchegante que tinha aquele lar ou quem sabe a presença protetora da amiga. Bem, não sabia, o que tinha certeza era da sensação deliciosa de aconchego, a qual não sentia há muitos anos.
— Essa porta leva à academia que tenho no porão, que advirto estar muito desorganizada.
— Então, Srta. Swan é bagunceira? — ela falou tapando a boca com a mão, fingindo surpresa — Bem, algum defeito deveria ter.
— Sinto que tenha te desiludido — soltou uma risadinha fofa, mostrando os dentinhos levemente tortos — Vamos para eu te mostrar o restante.
Subiram a escada de madeira levando-as a um bem iluminado corredor que possuía quatro portas. A loira abriu a primeira porta mostrando um quarto de decoração simples, mas confortável. Era basicamente branco, exceto pelas paredes pintadas de um amarelo bem claro. Aquela era a suíte de Emma. Em seguida voltaram ao corredor, onde ela indicou o quarto de Henry, que era fácil de identificar, pois tinha pregado na madeira a típica frase de adolescente “Não entre”. Em seguida mostrou o banheiro e então pararam na porta em frente ao quarto dela.
— Esse aqui é seu quarto, linda.
Quando a porta se abriu ela não evitou soltar um baixo suspiro. O quarto era perfeito! O tom lilás e a estampa floral prevaleciam no ambiente dando um toque romântico. Fechou os olhos suspirando mais uma vez, sentindo o maravilhoso perfume das flores.
— Espero que esse silêncio todo seja de aprovação. — disse um tanto insegura.
— Com toda certeza. — murmurou ainda impressionada, fazendo-a sorrir.
— Ao menos eu tenho a certeza de que acertei na cor. — ela brincou mirando-a encantada.
— Acertou em tudo, Emm... completamente tudo.
Hit me like a ray of sun (Atingiu-me como um raio de sol)
Burning through my darkest night (Queimando na minha noite escura)
You're the only one that I want (Você é o único que eu quero)
Think I'm addicted to your light (E estou viciada em sua luz)
I swore I'd never fall again (Eu jurei que não cairia de novo)
But this don't even feel like falling (Mas nem sequer sinto que estou caindo)
Gravity can't forget (Gravidade não pode se esquecer)
To pull me back to the ground again (De me puxar de volta para o chão)
Sua mão deslizou pela colcha macia. Era branca com uma estampa floral em tom de lilás bem claro e fazia conjunto com os dois travesseiros grandes por trás de suas almofadas em tom gelo que abrigava outra. Logo no meio, em um roxo escuro, no final da cama, havia uma pequena manta quase na mesma cor que a almofada dando um toque sofisticado e aconchegante ao mesmo tempo.
Era tudo tão lindo... tão... sua voz entalou na garganta se prendendo com um forte nó, seu coração batia tão rápido, tão feliz que... era impossível descrever com palavras tudo o que sentia naquele momento.
— Agora que já conhece suas acomodações, madame, tenho uma surpresa.
— Outra?
— Sim, vem aqui.
Emma a agarrou pela cintura, colocando-a frente a um móvel coberto por um lençol.
— O que está aprontando, querida? Não precisava...
Parou de falar ao ver a loira puxar o tecido, revelando a surpresa.
— Emma! — levou a mão na boca para calar um soluço.
Havia um lindo e delicado berço branco situado no meio do quarto.
— Eu sei que não é muita coisa. Na verdade, não é novo, era de Henry. — balbuciou — Mandei reformar, eu queria surpreendê-la com ele pronto... mas não tinha ideia das cores que você gostaria de usar, na loja tudo era tão rosa ou azul, então eu apenas...
— Oh, Emm.
Ela soluçou, sorrindo, virando seu corpo em direção a loira que se calou dando um sorriso torto e totalmente tímido, deixando aparecer as adoráveis covinhas.
Everywhere I'm looking now (Em todo lugar que eu olho agora)
I'm surrounded by your embrace (Estou rodeada pelo seu abraço)
Baby I can see your halo (Baby eu posso ver sua auréola)
You know you're my saving grace (Você sabe que é minha graça salvadora)
Os olhos de Regina brilhavam tanto que, por um segundo, Emma quase perdeu o controle e lhe tomou a boca beijando-a. Respirou fundo quando de pronto sentiu Regina pular, abraçando-a enquanto beijava repetidas vezes seu rosto. Swan apenas soltou uma leve gargalhada, passando seus braços em volta daquela cintura ainda fina, porém, que logo aumentaria para abrigar o bebê que seria o mais lindo e amado de todo o mundo.
— O berço é lindo! — os olhos castanhos fitaram os verdes, intensamente.
— Tive medo de não gostar. — murmurou timidamente.
— Tem razão, eu não gostei — ela se afastou e então riu alto vendo como a xerife mordia o lábio, nervosa e desviou seus olhos dos dela — Eu amei, minha loirinha.
Emma abriu aquele sorriso torto novamente que a fez suspirar. Será que Emma sabia que aquele sorriso deixava qualquer um rendido a seus pés? Sorriu da leve e terna carícia que a loira lhe fez no rosto e então se afastou ainda mais tocando o berço com uma delicadeza que parecia ter medo de quebrá-lo, girou seu olhar por todo o quarto e respirou fundo fechando os olhos.
I can feel your halo, halo, halo (Eu posso sentir sua auréola, auréola, auréola)
Can see your halo, halo, halo (Eu posso ver sua auréola, auréola, auréola)
Can feel your halo, halo, halo (Eu posso sentir sua auréola, auréola, auréola)
Can see your halo, halo, halo (Eu posso ver sua auréola, auréola, auréola)
Seu coração se encheu de um sentimento do qual ela não sabia explicar.
Tocou em seu ventre como acariciando seu bebê e sorriu com os lábios trêmulos.
Seu bebê seria feliz.
— Espero que esse pequenininho também goste quando nascer — sorriu torcendo o nariz.
— Tenho certeza de que gostará.
Sim, ele seria muito feliz e amado.
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